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BÖLÜM 4. DENEYSEL ÇALIŞMALAR

4.3. Yüzey Yapılarının Karakterizasyonu

4.3.1. TiO 2 nanotüplerin karakterizasyonu

4.3.1.1. Sabit süre, farklı voltaj değerlerinde yapılan

Santos (2001, p. 10) afirma que o modelo de racionalidade que orientou a ciência moderna se formou a partir da revolução científica do século XVI, sendo desenvolvido nos séculos seguintes principalmente dentro do âmbito das ciências naturais. No século XIX este modelo acaba abarcando as ciências sociais, então emergentes.

A partir de então, ele relata que se iniciou um modelo geral de racionalidade científica que negou o caráter racional a todas as formas de conhecimento que não se pautavam pelos seus princípios e regras metodológicas. Assim, distinguem-se duas formas de conhecimento não científico, consideradas, portanto, como irracionais: o senso comum e os estudos humanísticos (incluídos, entre outros, a história, a filosofia, as letras etc).

Os pressupostos da observação e da experimentação, segundo Santos (2001, p. 14-15) foram ancorados na matemática, que forneceu para a ciência moderna os instrumentos de análise e a lógica da investigação. Este fato resultou em duas grandes conseqüências: a primeira, conhecer significa quantificar, ou seja, o que não é quantificável é irrelevante. A segunda, conhecer significa dividir e classificar, e em seguida estabelecer relações sistemáticas entre o que foi separado, reduzindo a complexidade da realidade.

Além da diferenciação entre conhecimento científico e comum, esta nova forma de pensamento levou à distinção entre natureza e ser humano, ambas fundamentais para a organização da vida ocidental. A natureza, assim, foi vista como um mecanismo passivo regido por leis simples e regulares, passível de divisão em partes menores a serem desvendadas de forma ativa, com o intuito de conhecer para dominar e controlar (SANTOS, 2001, p. 12-13,24-29).

O autor, entretanto, relembra que “a totalidade do real não se reduz à soma das partes em que a dividimos para observar e medir” e que a distinção sujeito-objeto tem se mostrado mais complexa do que se pensava, assumindo mais um caráter de

continuum do que de dicotomia.

Neste processo, segundo Unger (2001, p. 27-28,35,39), além do conhecimento, o homem ocidental buscou segurança através da submissão da realidade, projetando a sombra das suas necessidades sobre a natureza. No enquadramento desta cultura tecnológica, o mundo e os seres são reduzidos à função que desempenham, de forma que possam ser classificados, dissecados e controlados, rompendo o diálogo do homem com o mundo, pois é preciso “dividir para reinar”.

Santos (2001, p. 12,15,52-53), neste contexto, comenta que num processo que durou cerca de 400 anos, “a consagração da ciência moderna [...] naturalizou a explicação do real, a ponto de não o podermos conceber senão nos termos por ela propostos”. A ciência moderna, assim, desconfiou das evidências da experiência imediata que são a base do senso comum, por julgarem-nas ilusórias. Porém, as partes escolhidas dentro da ciência, assim como as relações e leis estabelecidas entre elas, entretanto, não eram “naturais”, mas ao contrário, completamente determinadas por aquele grupo.

Logo, o autor comenta:

“A ciência moderna não é a única explicação possível da realidade e não há sequer razão científica para considerá-la melhor que as explicações alternativas da metafísica, da astrologia, da religião, da arte ou da poesia. A razão por que privilegiamos hoje uma forma de conhecimento assente da previsão e do controlo dos fenômenos nada tem de científico. É um juízo de valor” [sic].

De acordo com Gatti (2002, p. 46-48), o problema da ciência moderna não se relacionava aos seus instrumentais, mas ao fato de considerá-los neutros e objetivos. Além disso, essa mesma ciência julgava suas conclusões como verdades incontestáveis, sem indagar sobre sua abrangência e sem se lembrar que “qualquer medida é uma construção arbitrada”.

Além disso, Santos (2001, p. 34) diz que, nas últimas décadas, “a industrialização da ciência acarretou o compromisso desta com os centros de poder econômico, social e político, os quais passaram a ter um papel decisivo na definição das prioridades científicas”.

Desta forma, Funtowicz e Ravetz (1997, p. 221) ressaltam que:

“por uma tradição que deriva do iluminismo do século XVIII, a racionalidade subjacente às decisões públicas deve se apresentar como científica. Assim, intelectuais que dominam o estilo científico [...] passaram a ser encarados como autoridades supremas, detentoras e provedoras de sabedoria prática”.

Unger (2001, p. 27-29,46), então, comenta que essa redução dos seres e dos homens à condição de objetos, avaliados mediante o lucro que são capazes de produzir, acabou por provocar uma desertificação do mundo, tanto físico quanto anímico. A palavra “deserto”, portanto, fica como marca do mundo contemporâneo, que indica além da devastação do ambiente natural, a do próprio ambiente social e da convivência humana, uma vez que as relações e os vínculos são dissolvidos na economia.

A superação desta situação, segundo a autora, implicaria em rever esta postura, pois se o real se torna uma coleção de objetos, o próprio homem e sua humanidade se tornam um deles. Cita ainda que o desequilíbrio ecológico, a planetarização da sociedade e o atual rumo em direção a um totalitarismo da tecnocracia, baseados no individualismo e na ilusão da igualdade de todos, são aspectos de um mesmo fenômeno.

Segundo Santos (2001, p. 16,50), as leis da ciência moderna repousavam num conceito de causalidade, privilegiando o conhecimento de como as coisas funcionam. O autor coloca que foi por esta via que o conhecimento científico rompeu com o conhecimento comum, porque enquanto neste último e na prática embasada por ele, causa e intenção conviviam pacificamente, na ciência a determinação da causa é obtida com a expulsão da intenção. Além disso, o autor comenta que na ciência moderna “um conhecimento objetivo, factual, não tolerava a interferência dos valores humanos ou religiosos”, sendo a base para a distinção entre sujeito e objeto.

Neste aspecto, ao fazer uma retrospecção sobre a trajetória de formação do pensamento ocidental vigente na modernidade, Unger (2001, p. 23-24) verifica que, ao longo de 2500 anos, em etapas sucessivas, o ocidente fez um corte que expulsou a dimensão do sagrado do cosmo, que teve como conseqüência uma divisão cada vez mais acentuada entre ciência e transcendência, conhecimento e sabedoria, corpo e espírito, homem e cosmo e entre o um e o múltiplo.

Ela destaca que é uma lição inesgotável

“ver o que acontece quando o ser humano esquece ou sufoca sua capacidade de fazer uma leitura simbólica do real [...ou] quando uma civilização perde sua ligação com o sagrado, [...já que um mundo dessacralizado é...] passível de cálculo e manipulação pelo sujeito humano”.

Santos (2001, p. 30-31) comenta, assim, que estas questões vêm sendo colocadas desde a década de 60, à medida que pesquisadores de áreas distintas, muitos das ciências naturais, ao alcançarem competência filosófica, debruçaram-se sobre reflexões a respeito de sua própria prática científica. O autor ressalta que depois da euforia científica do século XIX e de sua conseqüente aversão à reflexão filosófica, o século XX trouxe um desejo de se complementar o tradicional conhecimento sobre as coisas, com um conhecimento maior sobre o próprio conhecimento.

Estas reflexões incluíram questões como a análise dos contextos culturais, das condições sociais e dos modelos organizacionais da investigação científica, antes relegadas a áreas específicas, como a sociologia. Um dos principais questionamentos se voltou sobre o conceito de lei e de causalidade. Principalmente na biologia, a noção de lei vem sendo substituída pela noção de sistema, de estrutura, de modelo e, por último, pela noção de processo.

Funtowicz e Ravetz (1997, p. 221), sobre isso, comentam que:

“O método científico e o conhecimento técnico esotérico dos especialistas sobrepuseram-se a todas as outras modalidades de conhecimento, inclusive da natureza. Foram destituídas de sua autoridade a experiência do senso comum e as habilidades herdadas que os povos usavam para viver e fazer coisas. Foram destronadas pelos objetos teoricamente construídos do discurso científico que são necessários para se lidar com coisas invisíveis como micróbios, átomos, genes e quasares. Embora a ciência seja formalmente democrática, já que não há mais barreiras formais ao treinamento de seus praticantes, é, na verdade, prerrogativa daqueles que podem seguir educação prolongada e protegida e, portanto, dos grupos sociais a que pertencem esses indivíduos”.

Assim, Santos (2001, p. 9-10) acredita que, dentro da ordem científica vigente, estamos em um momento em que a distinção entre ciências naturais e sociais deixa de fazer sentido e que na síntese que será necessária ocorrer entre elas, as ciências sociais apontam-se como pólo catalisador. Mas para isso, será necessário revalorizar os chamados conhecimentos humanísticos.

Coloca, ainda, que esta síntese não visa uma teoria geral nem uma ciência unificada, mas sim “um conjunto de galerias temáticas onde convergem linhas de água até agora concebidas como estanques” e que à medida que essa síntese ocorrer, a distinção hierarquizada entre conhecimento científico e vulgar tenderá a desaparecer.

Nesta fusão entre ciências sociais e humanas é necessário, além de colocar a pessoa no centro do conhecimento, colocar a natureza no centro da pessoa. É necessário também, segundo Santos (2001, p. 44-46), descobrir categorias de entendimento globais, conceitos que derretam as fronteiras em que a ciência moderna dividiu e enclausurou a realidade.

Funtowicz e Ravetz (1997, p. 119-222), neste sentido, colocam que o meio ambiente traz problemas distintos dos problemas científicos tradicionais: “os fatos são incertos, os valores, controvertidos, as apostas, elevadas e as decisões, urgentes”. Cunharam, então, o termo “ciência pós-normal”, para a estratégia de resolução de problemas adequada a esse contexto.

Segundo eles, a prática científica criou dilemas políticos que não consegue resolver por si só. Além de perder o controle e a previsibilidade em relação a estes assuntos, depara-se com a incerteza e com “dúvidas éticas no âmago das questões que dizem respeito à política científica”. Desta forma, a função de avaliação crítica não pode mais ser realizada por um grupo restrito de especialistas e sim, por todos os

afetados pela questão. Estes formariam o que os autores chamaram de “comunidade ampliada dos pares”, para quem o diálogo sobre a qualidade e a formulação de políticas deve ser estendido, dentro desta nova forma de fazer ciência.

Santos (2001, p. 55-56), por sua vez, chama sua nova concepção de ciência pós- moderna. Esta procuraria reabilitar o senso comum, por possuir algumas virtudes que podem enriquecer a forma atual de se relacionar com o mundo. Segundo o autor, o senso comum, apesar de ser um conhecimento que tende a ser “mistificado e mistificador”, além de conservador, “tem uma dimensão utópica e libertadora que pode ser ampliada através do diálogo com o conhecimento científico”.

Unger (2001, p. 17) compartilha desta mesma opinião. Para ela, valorizar a tradição destas comunidades em seu modo de se relacionar com a natureza, não significa projetar “fantasias de um lugar idílico, isentos de antagonismos e conflitos que perpassam a condição humana”, sobretudo na nossa sociedade. Ela reconhece que estas tradições não vivem mais em sua integridade original, uma vez que em sua maioria, já cederam sob a expansão da atual economia de mercado e da redução das formas sociais de convívio à relação custo-benefício. Entretanto, coloca que:

“O povo sertanejo tem um modo de pensar e de lidar com o mundo baseado numa outra noção do que é realidade. Tratar tal visão de mundo unicamente do ângulo do ‘folclore’ seria reduzi-la a um lugar secundário e até marginal; significaria também deixar de perceber o que há de caráter mais essencial, e que por isso pode contribuir para um repensar criativo [...] em momentos de crise de civilização, a tradição cultural de um povo funciona como um manancial a partir do qual uma sabedoria de vida pode florescer. Por isso, a prática das idéias de quem procura hoje os elos entre o social, o ecológico e o espiritual, passa pelo diálogo com essa tradição, também uma forma de buscar a água da qual tanto precisamos” (UNGER, 2001, p. 114).

Benzer Belgeler