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TüRKİYE’NİN SAğLIK fİNANSmAN PoLİTİKASININ DEğERLENDİRİLmESİ

1. SAğLIK fİNANSmANININ TANImI, AmAÇLARI vE İşLEvLERİ

Comentamos anteriormente que Reich procurou conhecer em profundidade, desde o início de sua produção, o funcionamento do aparato nervoso. No decorrer

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Nietzsche também ponderou, em 1884, que o aparato nervoso e o cérebro constituíam tão somente “um sistema condutor” (NIETZSCHE, 1884, citado em BORDENAL, 2010, p. 233, tradução nossa).

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desses estudos, ele se sentiu especialmente atraído por certos fenômenos somáticos humanos que se apresentam de forma involuntária e, em grande medida, independentes da vontade consciente (como o batimento cardíaco e os processos de regulação da temperatura corporal), e procurou estudar com afinco seu aparato coordenador: o sistema nervoso autônomo ou vegetativo. Frequentemente empregando, para se referir de forma genérica a essas operações autônomas, a expressão “função vegetativa” (REICH, 1934/1982a, p. 56, tradução nossa), o autor indagou se essa complexa função (ou sistema) tomaria raízes em outra, filogeneticamente mais primitiva e que, talvez, se fizesse presente mesmo em criaturas desprovidas de sistema nervoso (tais como os organismos unicelulares e certos multicelulares). Empreendendo uma ampla revisão da literatura técnica (e, posteriormente, valendo-se de seus próprios experimentos bioelétricos e microbiológicos), Reich encontrou uma resposta positiva para sua pergunta. A seu ver, a atividade vegetativa humana nada mais seria do que uma especialização de certas operações presentes em organismos sem sistema nervoso, como as operações de “movimento plasmático, hidratação e desidratação, contração e

expansão, tensão e relaxamento” (p. 58, tradução nossa, grifo do autor).

Dessas operações ou funções, o autor realçou o fenômeno da pulsatilidade: “Podemos visualizar a função de contração e expansão da substância vegetativa em moluscos, vermes, caracóis, assim como, no plasma da ameba” (REICH, 1937/1982b, p. 124, tradução nossa, grifos do autor). No ser humano, tal pulsatilidade alcançaria, ainda que com diferentes ritmos, “todos os órgãos, inclusive os nervos, vasos, vias linfáticas e células dos tecidos” (REICH, 1948/1973e, p. 359, tradução nossa).

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Por acreditar que a pulsatilidade plasmática se manifestaria tanto em seres unicelulares, quanto em organismos multicelulares (providos ou não de sistema nervoso), o autor empregava o termo “vegetativo” até mesmo para se referir ao funcionamento de certos micro-organismos: “A subestrutura do sistema de atividade vital da ameba nada mais é do que um fluxo vegetativo de plasma” (REICH, 1934/1982a, p. 43, tradução nossa, grifo do autor).

Dessa linha de raciocínio resultou um pressuposto central da produção reichiana: o de que a “função vegetativa” (a pulsatilidade protoplasmática) seria

“filogeneticamente mais antiga do que a função cerebral”. O fato de essa espontânea contratilidade plasmática ocorrer mesmo em primitivos seres unicelulares sem sistema nervoso, demonstraria inequivocamente, na visão reichiana, que a vida, do ponto de vista filogenético, pôde se efetivar “muito antes de um cérebro se desenvolver” (REICH, 1937/1982b, p. 121, tradução nossa, grifos do autor).

Para o autor, a função vegetativa humana nada mais seria do que uma extensão ou complexificação daquela primitiva pulsatilidade plasmática. Sob essa perspectiva, o cérebro deveria ser visto como um órgão “especialmente projetado para implementar e inibir as funções corporais vegetativas globais” (REICH, 1937/1982b, p. 121, tradução nossa, grifos do autor), como um direcionador dos diversos processos associados aos movimentos plasmáticos gerais de expansão e contração.31

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O fisiologista Ludwig R. Müller (1870-1962), um dos pioneiros na pesquisa sobre o sistema nervoso autônomo, parece ter exercido importante influência na obra reichiana. Em sua autobiografia científica de 1942, Reich lembrou que o fisiologista, em obra publicada em 1931 — Lebensnerven und Lebenstriebe —, indicou as bases vegetativas de algumas doenças, categorizando, por exemplo, certas formas de anemia como “enfermidades simpaticotônicas” (REICH, 1942/1989, p. 365, tradução nossa). Essa e outras menções indicam que as investigações reichianas sobre o papel do sistema vegetativo no bem-estar e em certas condições patológicas humanas foram certamente alimentadas por trabalhos do fisiologista,

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Apoiando-se na teoria protoplasmática e em seus próprios experimentos laboratoriais, o cientista ponderou que era incorreto conceber a estrutura vegetativa como praticamente imóvel. Em sua opinião, tal estrutura manifestaria amplo movimento espontâneo, comportando-se literalmente “como uma massa de plasma que expande e contrai”: “O sistema nervoso vegetativo é [...] um sistema

plasmático contrátil, um órgão contrátil que permeia todo o organismo”. Atuando

como alinhavadora e moduladora do conteúdo plasmático do organismo como um todo, a função vegetativa, dada sua anterioridade filogenética, representaria a base da coesão organísmica ou, nas palavras do autor, da “uniformidade da função

corporal global” (REICH, 1937/1982b, p. 125, tradução nossa, grifo do autor). O autor insistiu, ainda, que caberia à função vegetativa o papel de “gerador” ou “produtor” (REICH, 1934/1982a, tradução nossa, grifos do autor) dos impulsos plasmáticos.32

embora essa influência ainda não tenha sido, até onde temos conhecimento, abordada por comentadores reichianos.

32 Reich procurou apresentar, em diversos escritos técnicos, as provas experimentais de sua tese de que o

sistema nervoso autônomo atuaria como uma espécie de usina energética. Foge de nossos propósitos avaliar tais comprovações e outras formulações reichianas acerca do sistema nervoso autônomo. Destacaremos brevemente, porém, algumas conclusões gerais a que chegou o autor. Inicialmente, cabe mencionar que o cientista identificou uma identidade entre o núcleo da célula e a função vegetativa: “O núcleo deve ser considerado como o ‘centro vegetativo’ da célula individual, da mesma forma que o sistema nervoso autônomo constitui o ‘núcleo biológico’ ou ‘centro vegetativo’ do organismo como um todo”. Ambas as estruturas seriam, na visão reichiana, dotadas de altíssimo potencial energético: “O núcleo celular e o sistema nervoso autônomo representam os aparatos energéticos mais concentrados e substanciais em seus respectivos sistemas orgonóticos” (REICH, 1948/1973e, p. 224, tradução nossa). Além disso, Reich, pautando-se pelas operações “bioenergéticas” de expansão e contração, procurou integrar em um quadro geral diversos aspectos das funções autônomas, correlacionando-as: (a) aos movimentos biofísicos de “ir em direção ao mundo” (estiramento-expansão) e “retirar-se do mundo” (encolhimento-contração), (b) à ação de certos componentes bioquímicos (tais como potássio e cálcio) e

(c) aos estados de prazer e angústia (REICH, 1934/1982a, 1934/1982c, 1937/1982b, 1942/1989). Nessa

tentativa de reduzir as “inervações autônomas às funções biológicas básicas de expansão e contração do organismo total”, o autor concluiu que “o sistema nervoso parassimpático sempre estimula os órgãos quando — seja para torná-los tensos, seja para eliciar um relaxamento — o organismo como um todo se encontra em estado de expansão prazerosa. Por outro lado, o sistema nervoso simpático estimula todos os órgãos [...] quando o organismo como um todo se encontra em estado de contração angustiosa. Isso nos permite compreender a atividade da vida, particularmente a respiração, como um estado de oscilação contínua, no qual o organismo está continuamente alternando entre a expansão parassimpática

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No entendimento do cientista, a função vegetativa do animal protoplasmático humano não seria, porém, modulada apenas por primitivos fatores filogenéticos; a esfera sociocultural também desempenharia, a seu ver, importante papel.