Kesici-Delici Alet ile Yaralanma
SAĞLIK ÇALIŞANLARININ SOSYODEMOGRAFİK ÖZELLİKLERİNİN TARTIŞILMAS
A nossa primeira questão sobre a mudança é com relação às suas motivações. Para Meillet (1965 [1912]), a mudança é motivada pela expressividade – pelo ganho e perda dela. Em busca de uma maior expressividade, algumas palavras são usadas em situações inusitadas, ou mesmo, combinadas com outras palavras, como ‘laissez venir’. Com o uso freqüente, a expressividade diminui e a busca recomeça, sempre usando palavras já existentes com novos usos, mais expressivos. Nesse sentido, o “gatilho” para a GR seria a perda, ou falta, da expressividade.
Estudos mais recentes mostram que a mudança ocorre por razões cognitivas ou necessidades comunicativas. Por exemplo, Heine et al. (1991a) entendem que a GR é iniciada por forças que estão fora da estrutura da língua, portanto, a motivação da mudança ocorre por fatores extralingüísticos. Um dos questionamentos desses autores é “Como as pessoas adquirem rótulos para conceitos que não têm uma designação existente ou para os quais uma nova designação é exigida?” (HEINE et al. 1991a, p. 27). Eles sugerem cinco modos diferentes de realização:
a) inventar um novo rótulo arbitrariamente; b) tomar emprestado de um dialeto ou língua; c) criar expressões simbólicas, como onomatopéias;
d) criar compostos e derivados de novas expressões de formas lexicais ou gramaticais já existentes;
e) estender o uso de formas existentes para expressar novos conceitos, normalmente descrevendo estratégias que incluem transferência analógica, metonímia, metáfora . Desses processos, o que interessa para os autores é o último. O processo descrito em (e) também é abordado nos estudos de outros autores, como Werner e Kaplan, que propõem um princípio que diz respeito ao “aproveitamento de significados velhos para novas funções” (1963 apud HEINE et al., 1991a, p.28). Conceitos concretos são empregados para entender, expressar, ou descrever fenômenos menos concretos. Traugott (1980 apud HEINE, 1991a, p. 28) entende a mudança do significado observado na GR do seguinte modo: “O falante precisa especificar uma nova relação, ou reforçar uma que já existe, mas tornou-se desgastada .... A
exigência de ser claro direciona o falante a usar o termo mais concreto possível”. Nesse sentido, a atividade cognitiva na apreensão da GR é egocêntrica e egodêitica por natureza: egocêntrica por estar baseada na experiência humana (como o ser humano constrói cognitivamente o mundo); egodêitica porque a mudança se apóia em um domínio para conceituar um outro domínio mais distante (HEINE et al., 1991a).
A motivação para a mudança pode também ser ocasionada por necessidades comunicativas ou pela presença de conteúdos cognitivos para os quais não há designação lingüística. Nesse sentido, a necessidade de representar certas funções gramaticais (Função 1) no discurso leva ao recrutamento de uma forma lexical para expressar essa função. O resultado é que a forma lexical ganha um status gramatical (Forma GR 1). Subseqüentemente, pode haver uma função gramatical mais abstrata (Função 2) que usa a Forma GR 1 para expressá-la – surge a Forma GR 2. Como mostra o esquema:
Porém, os estudos em GR têm mostrado que novos esquemas gramaticais podem se desenvolver apesar da existência de esquemas antigos, funcionando com uma estrutura equivalente. Por exemplo, como mostra Radden (1985 apud HEINE et al., 1991a, p. 30), o Inglês recrutou 11 preposições espaciais para expressar causalidade, apesar de ter 5 disponíveis somente para isso. Com relação a isso, König (1985 apud Heine et al., 1991a, p. 30) chama a atenção para o princípio de criatividade do uso da língua, considerando que há constantes tentativas de expressar o mesmo significado (gramatical) em outras palavras.
Com relação à criatividade, Heine et al. (1991a) mostram que há várias definições, mas, normalmente, ela tem sido descrita como a habilidade de trazer alguma coisa nova para dentro de uma existente (TAYLOR, 1975 apud HEINE et al.. 1991a, p.30). O que interessa para Heine et al. (1991a), e para o estudo em GR, é “a habilidade de conceituar domínios abstratos da cognição em termos de domínios concretos – por exemplo, o domínio de tempo em conceito de espaço, o domínio de relações lógicas em termos de conceitos temporais”. O resultado lingüístico é que estruturas lexicais são empregadas para expressar significados gramaticais, e estruturas gramaticais servem para expressar, até mesmo, significados mais
Significado Lexical Forma Lexical Função 1 Forma 1 gramaticalizada Função 2 Forma 2 gramaticalizada
gramaticais ainda. O tipo de criatividade, portanto, é unidirecional, do concreto para o abstrato e do lexical para o gramatical.
Em Traugott e König (1991) podemos entender que a motivação para a mudança está relacionada ao princípio de informatividade ou relevância, principalmente ao princípio: “Ser tão informativo quanto possível, dar o necessário à situação” (ATLAS E LEVINSON, 1981 apud TRAUGOTT e KÖNIG, 1991, p.191). Em uma interação verbal o falante tenta dizer não mais do que o necessário, de uma forma clara e eficaz; por sua vez, o ouvinte seleciona a interpretação mais informativa. Durante a interação há os significados que estão convencionalizados (codificados, lexicalmente, gramaticalmente) e há os significados que são inferidos no contexto.
Além do que motiva a mudança, há também algumas estruturas que são muito usadas no início do processo de GR, que podem ser consideradas como o input da mudança. Há um número limitado de estruturas cognitivas básicas que usamos para conceituar o mundo. Com relação a essas primeiras estruturas, Heine et al. (1991a) usam o termo de ‘source concept’, que podemos entender como o conceito base para a mudança, o que de certa forma é uma noção relativa, já que uma entidade é o ‘source concept’ em relação a um outro conceito mais abstrato que, por sua vez, pode ser o ‘source concept’ de um conceito mais abstrato ainda. Porém, de modo geral, os ‘source concepts’ usados no processo de GR são, na sua maioria, objetos concretos, processos, ou locação.
Para a conceituação do espaço, Heine et al. (1991a) mostram que concebemos o mundo por meio de objetos físicos que nos dão uma orientação de frente-atrás. Assim, o falante é um tipo de centro dêitico. Por exemplo, na frase “A pedra está na frente da montanha”, poderíamos entender que eu e a montanha estamos “olhando” para a mesma direção e, se a pedra está na frente da montanha, portanto, também, está na minha frente; então, posso deduzir que estou olhando para as “costas” da montanha. Segundo Heine et al. (1991a), para a conceituação do espaço há basicamente dois domínios: “landmarks” que contém entidades como ‘terra’, ‘sol’, ‘céu’; e o domínio de “body parts” como ‘cabeça’, ‘costas’, ‘peito’, etc.
Além desses dois domínios para os conceitos espaciais, Heine et al. (1991a) mostram que alguns conceitos têm estruturas cognitivas mais complexas; por isso, ele se referiu a eles como “source propositions”. “Essas proposições expressam estados ou processos que parecem estar na base das experiências humanas e podem ser desenvolvidas por significados de predicações lingüísticas envolvendo dois participantes” (HEINE, 1991a, p. 36). Essas predicações podem ser representadas como segue:
(1) “X está em Y” Proposição de local (2) “X move para/de Y” Proposição de movimento (3) “X faz Y” Proposição de ação (4) “X é parte de Y” Proposição parte-do-todo (5) “X é (como) Y” Proposição equacional (6) “X está com Y” Proposição comitativa
Cada uma dessas proposições pode dar origem a uma estrutura gramatical diferente. Na seção seguinte, mostraremos os mecanismos que possibilita que a GR ocorra efetivamente.