4. BULGULAR VE YORUMLAR
4.4. Sağlık Çalışanlarının Serbest Zaman Etkinlikleri Ve Spora Olan İlgileri
Assim como no breve levantamento realizado nas produções científicas da CAPES, não encontramos, na ANPED, de forma direta, trabalhos que se referem ao objeto de investigação sobre inovação nas práticas pedagógicas das escolas indígenas, no Brasil, mas percebemos a relação das produções acadêmicas com o tema “educação escolar indígena”. Nessa condição, adotamos as mesmas dimensões de análises apresentadas na organização das teses e dissertações da CAPES, para considerar as apresentações da ANPED 2011-2012, no que se refere ao GT-21.
Quadro 4: Produções científicas da ANPED – GT 218
PERÍODO Nº DE TRABALHOS APRESENTADOS
2011 21
2012 30
TOTAL 51
Fonte: www.anped.org.br
No total de 51 trabalhos alusivos à categoria “educação escolar indígena” apresentados, nas produções científicas da ANPED, identificamos, como indicativo do referido tema, apenas 06 trabalhos, que serão distribuídos, a seguir (Quadro 5), de acordo com as mesmas dimensões de análise que se aproximaram, indiretamente, do objeto de estudo sobre a inovação pedagógica nas práticas educativas interculturais e que foram redimensionadas a partir das teses e dissertações da CAPES.
Quadro 5: Categorização de pesquisas ANPED – GT 21= Grupo de Trabalho Educação e
Relações Étnico-Raciais.
DIMENSÃO DE ANÁLISE ANOS TOTAL
2011 34ª Reunião 35ª Reunião 2012 1. Ações pedagógicas e interculturalidade - 03 03 2.Gestão de políticas públicas indígenas - 01 02 3. Educação, identidade e diversidade indígena 01 - 01 TOTAL GERAL 06 FONTE: www.anped.org.br
No contexto dos trabalhos apresentados temos os trabalhos de Brand (2012), Bambirra & Zaccur (2012), Silva (2012), Estácio (2012), Filiú & Lima (2011) e de Backes
8 Constatamos que nem todos os autores indicam o nível de suas pesquisas (Mestrado ou Doutorado) em seus trabalhos. Dessa forma, optamos em apresentar, inicialmente, o quadro com os períodos e o quantitativo dos trabalhos, em geral. Em seguida, de acordo com as respectivas dimensões de análise, destacamos o período e o quantitativo das produções.
(2012). A seguir realizaremos a análise dessas produções científicas, na seleção que efetuamos, de acordo com as dimensões apresentadas.
Ações pedagógicas e interculturalidade
O trabalho apresentado por Brand (2012) se refere a uma investigação sobre os processos históricos de desterritorialização e de confinamento entre os índios Guarani e Kaiowá, em Mato Grosso do Sul. Explica que esse processo interfere na produção e reprodução dos conhecimentos/saberes tradicionais daquela população e nas possibilidades de interlocução desses, com a educação escolar.
Nessa perspectiva, aponta para a relevância do território na produção e atualização dos conhecimentos indígenas. Explica que os Kaiowá e Guarani percebem o risco de sua descontextualização, considerando as relações entre espiritualidade e conhecimento.
No âmbito das pressões entre saberes peculiares de um povo indígena e dos demais povos, Bambirra & Zaccur (2012), destacam um estudo que se refere a uma pesquisa de Doutorado e que se encontra ambientado numa escola indígena. Prioriza afastamentos e aproximações que contribuem para dar visibilidade às práticas de indígenas e não-indígenas. Trata-se de uma pesquisa que aponta como síntese provisória, a prioridade de se (re) definir práticas que desconsideram as diferenças culturais.
Por sua vez, o artigo de Silva (2012) apresenta-se na tentativa de originar um diálogo entre educação e antropologia, descrevendo e analisando as contribuições teóricas e práticas da educação de crianças na sociedade indígena Xakriabá, que habita a região norte do Estado de Minas Gerais, Brasil, na cidade de São João das Missões, no vale do rio São Francisco.
Tem como fio condutor a descrição etnográfica da participação dessas crianças, como forma de aprendizado, nas práticas da comunidade, sobretudo, no que se refere ao envolvimento dos meninos no espaço da própria casa e no trabalho na roça. Na concepção de infância indígena, reconhece-se que os meninos Xakriabá, na medida em que aprendem com os adultos, desempenham um papel fundamental na manutenção do seu próprio grupo.
Essa produção ressalta os processos naturais, e não escolares, de aprendizagem, mas se relaciona de forma direta com abordagem metodológica da Tese, quando se inspira na etnografia para descrever e analisar as práticas cotidianas de uma comunidade indígena.
Gestão de políticas públicas indígenas
Na perspectiva de analisar as políticas do tipo cotas étnicas, Estácio (2012), destaca que no início do século XXI, se passou a discutir e implementar políticas afirmativas nas universidades públicas brasileiras. Dessa forma, analisa essa tendência, a partir da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com base na compreensão dos alunos índios e do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM).
Nessa perspectiva, o autor (Id) explica que esse sistema de cotas no Amazonas foi implantado por determinação de Lei Estadual, como resposta às reivindicações das organizações indígenas, junto ao legislativo e que essas se restringem ao acesso, mas não garantem a permanência, visto que os estudantes indígenas adotam estratégias pessoais e familiares para permanecerem estudando, sendo que quase sempre não contam com o apoio daquela instituição.
Educação, identidade e diversidade indígena
Iniciamos nossas análises, nessa dimensão com Filiú & Lima (2011), destacando que, sob inspiração dos estudos culturais, as autoras buscam pensar o currículo de uma universidade que adota o sistema de cotas para indígena, a partir das análises das narrativas relatadas pelos acadêmicos indígenas, em encontros de grupo focal, debatendo sobre a vivência de um currículo que possa ser ratificado pelas/nas práticas sociais e suas consequências para a produção de identidades e diferenças. O estudo problematiza o currículo quanto às representações que tentam fixar e demarcar a diferença, no processo de institucionalização da inclusão.
Por sua vez, Backes (2012) realizou um levantamento sobre os trabalhos apresentados no Grupo de Trabalho Educação e Relações Étnico-Raciais (GT 21) da ANPED que utilizaram os conceitos de multiculturalismo e interculturalidade e se o uso desses conceitos contribuía para a ressignificação do currículo escolar, fazendo um levantamento com recorte temporal referente ao período 2007 a 2011.
De acordo com as análises realizadas por Backes (Id.), foram identificados do total acima apontado, que 14 produções fazem referência ao multiculturalismo e quatro, ao conceito de interculturalidade.
Nesse contexto, o autor (Id.) explica que esses conceitos não foram apresentados na intensidade esperada, visto que, se reportam aos questionamentos sobre o etnocentrismo branco e o imperativo de se estabelecer relações entre culturas. Comenta que essas proposições não significam a assimilação do branqueamento e nem a superação do racismo e do preconceito no currículo escolar. Contudo, observa que, os debates sobre os conceitos de multiculturalismo e interculturalidade contribuem para desconstruir as tendências que valorizam um currículo etnocêntrico.
Assim, mediante a análise dos trabalhos apresentados na ANPED 2011 e 2012, no GT- 21 constatamos que esses se constituem em indicativos do interesse de um quantitativo incipiente de produções sobre inovação pedagógica e educação escolar indígena. No entanto, vale destacar que os mesmos contribuem para desconstruir uma visão unilateral e hegemônica de se lidar com os saberes/conhecimentos e com as políticas públicas educativas, assumindo, portanto, um viés contestador, que, apesar de se apresentar no âmbito das reivindicações dos povos indígenas se insere como tendência inovadora, no processo de reconhecimento da diversidade étnica e cultural na sociedade brasileira atual, como um todo.
Nesse contexto, empreendemos uma discussão sobre conceptualização de inovação pedagógica, a seguir.