E. H AKKIN İ LERİ S ÜRÜLEBİLME Ş ARTLARI
4. Sağ Kalan Eşin Eski Yaşantısını Devam Ettirecek Olması
O artigo 4º, §2º da Lei n. 8.023, de 1990, prescreve que os “investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento”. Esse dispositivo legal equiparou os investimentos às despesas, com o fim de permitir a dedução daqueles sobre a receita bruta, para se chegar ao resultado real da atividade rural. Esse dispositivo legal instituiu uma ferramenta importante para os contribuintes, com o intuito manifesto158 de conceder uma
tributação favorecida às pessoas físicas que desenvolvem atividade rural.
Buscou o legislador, com a permissão de dedução dos investimentos da receita bruta, fazer que os produtores rurais reapliquem os rendimentos auferidos na própria atividade rural, buscando com isso estimular o crescimento e o desenvolvimento do setor agropecuário, imprescindível para o “equilíbrio econômico, à competitividade do comércio internacional e à elevação das condições de vida da população brasileira”, como se depreende da exposição de motivos da Medida Provisória n. 167, de 1990.
De modo que o segundo aspecto negativo a ser considerado para apuração do resultado real da atividade rural, são os investimentos realizados pelo contribuinte no curso do ano-base.
O artigo 6º da Lei n. 8.023, de 1990, definiu que,
[...] considera-se investimento na atividade rural, para os propósitos do art. 4°, a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola.
Com isso, ao contrário da receita bruta e da despesa de custeio, o legislador ordinário definiu, na forma conotativa, o conceito de investimento na atividade rural estabelecendo, como fator central, o critério de sua finalidade: os investimentos devem visar expandir a produção ou melhorar a produtividade. Assim, todo e qualquer investimento efetuado pelo contribuinte, que vise aumentar sua produção ou melhorar a produtividade, pode ser deduzido
158 É o que disse a então Ministra de Economia, Fazenda e Planejamento, Zélia Maria Cardoso de Mello, na
exposição de motivos da Medida Provisória n. 167, de 15 de março de 1990, que ao depois veio a ser convertida na Lei 8.023, de 1990, até hoje em vigência, ao motivar que “8. Relativamente ao ônus tributário a proposta, caso aceita, permitirá ao agricultor reduzir substancialmente, ou mesmo isentar-se de pagamento de imposto de renda, desde que reaplique os lucros na própria atividade rural ou mantenha recursos à disposição do setor”.
da receita bruta, sendo que a única exceção feita pelo dispositivo legal está no preço pago pela compra de terra nua.
Na esfera infralegal, a Instrução Normativa n. 83, de 2001, reiterou a definição legal citada no caput do artigo 8º, e em seus incisos, exemplificou na forma denotativa, alguns investimentos, podendo, portanto, serem deduzidos da receita bruta, como exemplificam “benfeitorias resultantes de construção, culturas permanentes, essências florestais, pastagens artificiais, aquisição de tratores, implementos e equipamentos, animais de trabalho, de produção e engorda, serviços técnicos especializados, insumos, estradas, etc.”
A definição denotativa foi ampla, sendo que em vários casos há dúvida sobre se se trata de investimento, como considerou a administração fazendária ao editar a instrução normativa ou se na verdade tais gastos consistem em despesa da atividade. O leitor pode indagar: mas se tanto as despesas de custeio, como os investimentos, são dedutíveis da receita bruta, para se apurar o resultado real da atividade rural pouco importa se a fazenda confunde o que é despesa e investimento.
De fato, enquanto a permissão para dedução de investimentos estiver em vigência, essa diferenciação não terá nenhuma relevância para apuração da base de cálculo (resultado real da atividade rural). Entretanto, a grande questão, a nosso ver, baseia-se sobre se os investimentos que o legislador ordinário permitiu a dedução das receitas brutas se tratam ou não de um benefício fiscal.
Ademais, se for um benefício fiscal poderá ser revogado a qualquer momento pelo legislador ordinário, enquanto que, de outro lado, se se tratar de uma técnica necessária para apuração da renda nesse setor, por causa de suas peculiaridades, não poderá ser revogado, pouco importando o que constitui despesa de custeio e o que constitui investimento, pois todos os gastos serão dedutíveis, desde que correlacionados com a atividade rural desenvolvida.
Daí que a definição efetiva do conceito de despesas de custeio e investimento, embora atualmente não tenha relevância, pode passar a ser interessante. Entendemos que a permissão de dedutibilidade dos investimentos da receita bruta pode ou não caracterizar um benefício fiscal, a depender da análise do caso concreto. Se o investimento consistir numa recomposição patrimonial (ou mera permutação patrimonial),159 não haverá renda, se tratando de uma
159 Importante as considerações de Ricardo Mariz de Oliveira, que embora não trate especificamente da questão
debatida, mutatis mutandis, pode ser muito bem aproveitada: “Enfim, da distinção, entre permutação e mutação patrimonial, retenha-se o elemento essencial de que toda mutação decorre de um elemento absolutamente novo no patrimônio, geralmente derivado de um negócio jurídico, ao passo que a permutação deriva de atos internos da pessoa jurídica, ou de atos externos, com a participação de terceiros, em relação a ao menos um elemento já
técnica legal para evitar a tributação de outra manifestação de riqueza (patrimônio) que não renda.
Exemplifica isso a hipótese de recomposição da quantidade de animais recriados e engordados, que a Instrução Normativa n. 83, de 2001 (artigo 8º, IV) entende se tratar de investimento, mas que a nosso ver se trata de despesa consistente na recomposição do patrimônio vendido. Outro exemplo é o caso de colheita de soja, em que a plantação deverá ser recomposta, exigindo investimentos que busquem esse fim, mas que na verdade se tratam de meras despesas necessárias para recompor a situação patrimonial anterior.
Esses casos ilustram a peculiaridade do setor no qual o patrimônio é variante, sendo necessária uma técnica que evite a incidência do imposto sobre a renda no patrimônio. Nesses casos, os investimentos não se tratam de benefício fiscal, não podendo, portanto, ser revogada a permissão para sua dedutibilidade da receita bruta.
Noutra quadra, há situações em que o investimento consiste em verdadeiro aumento patrimonial, caracterizando benefício fiscal, como é o caso da compra de um maquinário novo (artigo 8º, III da IN n. 83, de 2001) que antes não integrava o patrimônio do contribuinte. Assim, a análise sobre se o investimento se trata ou não de um benefício fiscal, dependerá do caso concreto, sendo equivocado o entendimento açodado de que se trata de um favor fiscal revogável em toda e qualquer hipótese.
Atualmente, o fato consiste em que há permissão legal vigente para dedução dos investimentos realizados no ano base, e essa ferramenta possibilita que o contribuinte possa se organizar e planejar o reinvestimento da receita bruta auferida na própria atividade, podendo até mesmo zerar o resultado tributável. O único cuidado que este contribuinte deverá ter é o de realizar esse reinvestimento até o último dia do ano base, momento que cessará o direito de deduzir o investimento do resultado daquele ano.
componente do patrimônio, que se vê simplesmente trocado por outro, ou concernente a dois novos elementos no patrimônio, um ativo e um passivo, ou mesmo um ativo e outro ativo ou um passivo e outro passivo. (...). Tudo isto nos faz voltar ao aspecto, acima referido, de que muitos ingressos novos no patrimônio podem ser catalogados como receita, mas outros não têm tal natureza jurídica - daí–nem todo “plus jurídico” ser receita, ou, em outras palavras, toda receita é um acréscimo de direito ao patrimônio, mas nem todo acréscimo de direito é receita -, em virtude de que os autores costumam distinguir ingressos ou entradas, de um lado, e receitas, de outro, colocando aqueles como gênero e estas como espécie do gênero” (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 89).
De todo modo, consoante a legislação vigente, todos e quaisquer investimentos realizados pelo contribuinte no curso do ano-base, que visem expandir a produção ou melhorar a produtividade da atividade rural desenvolvida, são dedutíveis da receita bruta.
4.5.4 A permissão para compensação de prejuízos (resultado negativo) com resultado real em