• Sonuç bulunamadı

Eğitim Düzeyi

SED DÜġÜK

4.8. Sağ kalım analizler

À Profa. Michela Caroline Macedo14

Belo Horizonte – Minas Gerais, setembro de 2009. Estimada amiga,

Necessitada de tua colaboração para tomada de decisões quanto à revisão do meu projeto de pesquisa, lanço mão do nosso vínculo de amizade, para solicitar ajuda. É que, conforme a direção que minha pesquisa foi tomando, em diálogo com minha orientadora e adotando a Educação Matemática em realidade campesina como campo de investigação, decidimos pela realização da pesquisa empírica também no território caruaruense, onde têm ocorrido as investigações do nosso Grupo de Pesquisa em Educação Matemática em Contexto de Educação do Campo do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco.

Michela, eu preciso de respostas para algumas questões das quais depende a definição de minha pesquisa, porque devo submeter meu Projeto de Doutorado ao Conselho de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais15, após parecer avaliativo a ser emitido por uma professora ou professor da Faculdade de Educação da UFMG. Mas, antes de encaminhá-lo para a revisora ou o revisor do trabalho, faz-se necessário tomar posições quanto aos participantes e ao próprio campo de investigação.

Amiga, interessa-me no momento, tendo em vista o objeto que focalizaremos na investigação – a atividade laboral dos participantes –, sondar junto à secretaria de Educação de Caruaru, em qual das escolas situadas em comunidade rural caruaruense encontrarei estudantes da EJA que sejam trabalhadores na indústria de confecções.

Busco sujeitos com esse perfil porque sei que não são poucos os jovens do campo, nessa região, que deslocam sua atividade profissional da produção agrícola

14

A professora Michela Caroline Macedo é Mestre em Educação Matemática pelo Programa de Pós-graduação em Educação Matemática – EDUMATEC/UFPE. Grande amiga do Grupo de

Pesquisa em Educação Matemática nos Contextos de Educação do Campo – GPEMCE.

15

para a produção fabril, seja pelas condições precárias da agricultura local – e, portanto, de quem nela trabalha – seja pela (falta de) oportunidade de trabalho, trazida pela produção de roupas, especialmente pela indústria de jeans.

Esses sujeitos vivem, no limite, o drama de tantos alunos e tantas alunas da Educação de Jovens e Adultos, instados a transitar por diferentes modos de vida para administrar as alternativas de sobrevivência e de realização de seus propósitos de vida. Sendo pessoas do campo, atuam na atividade fabril, produzem bens “urbanos”; sendo adultos, frequentam uma escola idealizada para crianças e adolescentes. O esgarçamento desses sujeitos me co-move e me convida a tomá-los como sujeitos do meu estudo.

Sabes que meu projeto inicial já previa realizar estudo sobre Práticas de Numeramento de Jovens e Adultos. No entanto, o universo de trabalho ao qual esses estudantes estão vinculados é novidade, e, para implementar essa ideia no meu projeto, preciso ter certeza da viabilidade da realização de tal investigação, a fim de informar no projeto em que escola acontecerá a pesquisa.

Sabemos que exigências impostas pela dinâmica de desenvolvimento econômico, de certo modo, têm ‘forçado’ gerações pouco escolarizadas a buscarem uma nova oportunidade de conclusão da escolaridade básica uma vez que o mercado tem demandado titulação e habilidades que extrapolam o “saber ler, escrever e contar”. A escola, entretanto, terá que aprender a acolher esse novo público e a fazer- se relevante para ele, re-elaborando seu projeto pedagógico a partir da consideração de que as disposições de aprendizagem se inserem num processo continuo, cumprindo, pois, aos educadores e às educadoras, aos educandos e educandas reconhecerem as múltiplas instâncias de aprendizagem e delas se valerem. Esse reconhecimento e esse aproveitamento, entretanto, demandam propiciar o diálogo – solidário ou conflituoso – entre os aprendizados e os modos de aprender dessas instâncias.

Entendemos que tais instâncias se forjam em contextos histórico-culturais diversos e são por eles constituídas. Assim definem-se nelas práticas sociais específicas, entre as quais as práticas em que se identificam conceitos, procedimentos ou valores que associamos à Matemática. Por isso, a atenção às necessidades de aprendizagem matemática da população jovem e adulta exige reconhecimento da

dimensão histórico-cultural, dos sentidos que as pessoas atribuem às experiências de produção, uso e divulgação de conhecimentos.

Esses aspectos têm sido abordados em estudos que contemplam a perspectiva do numeramento16, como aqueles realizados por integrantes do Grupo de Estudos em Numeramento, coordenado por minha orientadora mineira, que reconhecem os vínculos entre as práticas da Matemática e as demais práticas sociais dos sujeitos. Daí a inserção do campo do numeramento como fundamento teórico de nossa proposta de investigação. Campo em que as práticas matemáticas são consideradas como práticas sociais, favorecendo um estudo que se propõe a estudá-las nas atividades profissionais de jovens e adultos, problematizando essas relações com abordagens escolares na Educação de Jovens e Adultos.

Adotei o pensamento da minha orientadora de que a pesquisa no âmbito do numeramento em realidades campesinas assume destacada relevância porque possibilita reconhecer, nos modos de matematicar das pessoas do campo, sobretudo aprendidos de suas práticas sociais em contextos extraescolares, elementos que sugiram redirecionamentos de ações educacionais formais, em atenção às demandas e aos desejos de aprendizagem do público da EJA escolar. Essa reflexão, que considera a complexidade dos processos de numeramento extraescolares e aqueles que se forjam no contexto escolar, requer uma investigação mais cuidadosa desses processos e dos conhecimentos matemáticos que os sujeitos põem em negociação quando neles se envolvem.

Em resumo, busco, numa sala de aula da Educação de Jovens e Adultos, alunos com esse perfil de morador do campo e trabalhador no setor fabril. Sujeitos que são continuamente confrontados com diferentes demandas e variadas perspectivas de estar no mundo e lidar com ele, demandas e perspectivas que, por sua vez, conformarão as Práticas de Numeramento que protagonizam. Será que poderias sondar com alguém da Secretaria de Educação de Caruaru essas informações para mim? Onde seriam encontrados esses pretendidos participantes para a pesquisa? Alguma das supervisoras que nos atenderam em momentos que buscamos viabilidade para nossos estudos do GPEMCE poderia nos ajudar, oferecendo esses informes?

16

Aqui estou aguardando alguma notícia.

Abração

Benzer Belgeler