De acordo com o Manual de Perícia Médica da Previdência Social169, item 4.4, “a avaliação da capacidade laborativa dos segurados é feita pela perícia médica e destina-se a
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BRASIL. Previdência Social. Manual de perícia médica da previdência social. Disponível em: < http://www.ieprev.com.br/userfiles/file/tabela%20de%20teto%20inss/manualdepericiasmedicasdoINSS.pdf>. Acesso em: 10 de mai. 2013, p. 26.
permitir resposta aos quesitos estabelecidos, atendidos os conceitos e os critérios legais e regulamentares”. Dentre os critérios constantes no referido manual, encontra-se no item 5.3.1, o Laudo de Perícia Médica (LPM), documento elaborado pelo médico perito após a avaliação do segurado, o qual servirá de base para a constatação da doença ou lesão e sua relação com eventual incapacidade laboral.
Na realização dos exames médico periciais, o critério básico é a identificação do examinado, o que deve ser feito de duas formas. Conforme explica o item 5.3.2 do citado manual, exige-se a identificação do segurado por meio de documento com foto, geralmente a Carteira de Trabalho de Previdência Social (CTPS), e a assinatura ou impressão digital no laudo, neste último caso para aqueles não alfabetizados.
O item 5.3.3 traz como critério o correto preenchimento do dia, mês e ano de nascimento do segurado examinado. Por sua vez, o item 5.3.4 trata da correta assinalação da Data do Afastamento do Trabalho (DAT). Como critério, tem-se, ainda, no item 5.3.5, a anotação da profissão ou ocupação do examinado, visando à caracterização específica da atividade por ele desenvolvida. Deve ser levado em conta também o tempo de profissão (item 5.3.6), anotando-se a causa real de afastamento do trabalho, se por doença ou acidente (item 5.3.7).
Ainda segundo o manual, é preciso assinalar a situação funcional do examinado, marcando, também, o local em que foi realizado o exame, bem como registrando se o examinado antes recebia algum benefício do INSS, conforme os itens 5.3.8, 5.3.9 e 5.3.10. Além desses critérios, o INSS traz os sintomas ou doenças informados pelo examinado como informações necessárias para o auxílio da perícia, os quais devem ser minuciosamente caracterizados juntamente com as informações documentais, as quais servirão de antecedentes médico-periciais, nos termos do item 5.3.11 do citado manual.
O item 5.3.12 do manual sugere o registro dos antecedentes mórbidos do examinado e que possam influir na concessão ou indeferimento do pedido administrativo. Também é de serem registradas as informações básicas da pessoa do examinado, bem como sua situação de saúde as quais tenham relação com a atividade laborativa exercida (itens 5.3.13 e 5.3.14).
Nos termos do item 5.3.15, observado o estado de saúde do examinado, submetendo-o a teste clínico, ao perito compete diagnosticar a doença ou lesão do segurado e sua relação com sua capacidade laborativa. De acordo com o manual170, no mesmo item, “quando o resultado do exame clínico não for convincente e as dúvidas puderem ser aclaradas por exames subsidiários, poderão estes ser requisitados, mas restritos ao mínimo indispensável à avaliação da capacidade laborativa”. Em sendo indispensável para a conclusão do laudo pericial, é possível a realização de novos exames para esclarecer a situação funcional do examinado, dispensando-se os exames desnecessários a essa constatação.
Ainda quanto aos critérios, é preciso fazer o registro do diagnóstico da doença ou lesão que foi a causa do afastamento do trabalhador de sua atividade laboral, ou que com ele guarde alguma relação, segundo os itens 5.3.16 e 5.3.17 do referido manual do INSS. É através de toda essa análise criteriosa no examinado que será definida, em termos precisos, a capacidade do segurado para continuar exercendo seu labor ou passar a receber benefício previdenciário. O referido manual ainda fala da necessidade de fixação da Data do Início da Doença (DID) e Data do Início da Incapacidade (DII), levando em consideração os dados clínicos da história, os exames realizados e a atividade.
O que se verifica é que os critérios para a realização de exames médico-periciais são de cunho subjetivo, questionando a identificação do examinado, a atividade exercida,
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BRASIL. Previdência Social. Manual de perícia médica da previdência social. Disponível em: < http://www.ieprev.com.br/userfiles/file/tabela%20de%20teto%20inss/manualdepericiasmedicasdoINSS.pdf>. Acesso em: 10 de mai. 2013, p. 26.
sintomas da doença ou lesão, benefícios anteriores, observância da data do afastamento do trabalho, provável data do início da doença ou incapacidade, entre outros questionamentos realizados para servir de fundamento para o laudo pericial.
Embora haja uma série de requisitos a serem cumpridos, conforme traz o manual do INSS, o que se verifica é que esses configuram mera obediência à forma para fins de motivação da decisão quanto ao benefício pleiteado. No caso, trata-se de observância aos elementos do ato administrativo. Assim, os critérios utilizados pela perícia médica previdenciária para fins de constatação da incapacidade laboral, nos dias atuais, merecem uma reformulação para que outros aspectos sejam levados em consideração pelo profissional da perícia.
Fato interessante, além da ausência de critérios objetivos para concessão do benefício por incapacidade, é a ausência de relação dos aspectos funcionais com a perícia médica realizada por profissional da autarquia previdenciária, tendo em vista que seria preciso especificar a função do trabalhador e relacioná-la com o tipo de enfermidade ou lesão para saber se a incapacidade laboral, naquele caso, resta configurada.
6.1.2 Ausência de relação dos aspectos funcionais com a perícia médica realizada por