No gráfico 1 a seguir se pode observar a relação da titulação dos professores dos 5 (cinco) melhores e os 5 (cinco) piores cursos do estado na nota do ENADE. Ou seja, 3 (três) dos 5 (cinco) piores cursos tem professores com titulação de doutor. Percebemos que nos cinco melhores cursos, não temos nenhum professor com título de doutor. Sendo que o curso melhor classificado, que ficou em primeiro lugar, apresenta 100% (cem) titulação de seus professores especialistas.
Gráfico 12 Descrição das Universidades conforme a titulação dos professores pesquisados
Fonte: elaborado pelo autor
Podemos notar na tabela 1 a seguir que a porcentagem de especialistas nas melhores IES analisadas é maior que nas piores, sendo a média de especialista das melhores 72% e a média das piores 61%. Em relação aos mestres, pode-se observar que a porcentagem média nas melhores é 28% e nas piores 29%. Quanto
4
E – MEC – Sistema Eletrônico do Ministério da Educação 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% professor especialista professor mestre professor doutor
a titulação de doutor, as melhores não possuem no quadro de docentes nenhum doutor, já as piores têm em média 10%.
Tabela4 Descrição das Universidades conforme a titulação dos professores pesquisados
Colocação das universidades
Titulação dos Professores
especialista mestre Doutor
1ª melhor 100% 0% 0% 2ª melhor 54% 46% 0% 3ª melhor 74% 26% 0% 4ª melhor 72% 28% 0% 5ª melhor 67% 33% 0% 1ª pior 92% 8% 0% 2ª pior 32% 57% 11% 3ª pior 61% 29% 10% 4ª pior 36% 50% 14% 5ª pior 79% 21% 0%
Fonte: elaborado pelo autor
A titulação do corpo docente é um dos aspectos importantes avaliados na construção tanto da nota do Conceito do Curso (CC) quanto do Conceito Preliminar do Curso (CPC), que denotam qualidade daqueles que conduzem o processo de ensino-aprendizagem e iniciam os discentes no caminho da pesquisa; competência esta exigida pelo mercado competitivo e necessidade de buscar novas soluções e criar novos objetos e serviços diante de tantas demandas de maneira crítica, ética e sustentável.
E ao se ler a tabela é com certo desconforto que a titulação dos docentes não transparece o que se acredita, maior titulação melhor condução do trabalho e melhores resultados. Na tabela encontra-se melhor resultado onde há superioridade de especialistas, mesmo que na média não há uma diferença acentuada, é nítido que as que foram mal avaliadas contam com o maior número de titulados.
Analisando-se a titulação dos coordenadores verifica-se que 100% dos coordenadores dos melhores cursos são mestres, enquanto 60% das piores são
mestres e 40% são especialistas. Não há em nenhuma coordenação um docente com título de doutor (Tabela 2).
Tabela5 Descrição das Universidades conforme a titulação dos coordenadores pesquisados
Colocação das universidades
Titulação dos Coordenadores
especialista Mestre Doutor
1ª melhor 0 1 0 2ª melhor 0 1 0 3ª melhor 0 1 0 4ª melhor 0 1 0 5ª melhor 0 1 0 1ª pior 1 0 0 2ª pior 0 1 0 3ª pior 0 1 0 4ª pior 0 1 0 5ª pior 1 0 0
Fonte: elaborado pelo autor
O que se observa na tabela é uma predominância de titulação maior nas melhores, mas não a ponto de se determinar que a gestão de coordenadores pesquisadores estabelecesse a diferença nos dois grupos, uma vez que dentre as 5 piores, 3 são mestre e doutores não há em nenhuma.
A amostra analisada segundo a faixa etária foi segmentada entre os cinco melhores cursos no gráfico 2 e para os cinco piores cursos no gráfico 3. Nas melhores universidades a faixa etária com maior percentual é de 17 a 25 anos para homens e para mulheres, a primeira, a quarta e a quinta melhor IES apresentam maior percentual na faixa etária dos 26 aos 30 anos. Nas piores, em relação ao gênero masculino, observa-se que a faixa etária na primeira e na última é 26 a 30 anos. Já na segunda e terceira mais de 30 anos e a quarta pior universidade a faixa etária é 17 a 25 anos. O gênero feminino apresenta os mesmos padrões.
Fonte: elaborado pelo autor
Gráfico 14 - Faixa etária dos alunos referente os piores cursos
Fonte: elaborado pelo autor
Do total de alunos da amostra 1426, pode-se notar que o número de alunos nas melhores universidades representa 25% e das piores 75%.
19% 18% 14% 17% 18% 14% 20% 15% 9% 23% 19% 13% 19% 16% 15% 20% 17% 13% 18% 18% 15% 17% 19% 13% 19% 18% 15% 17% 19% 12% 0% 5% 10% 15% 20% 25%
17 -25 (anos) 26-30 (anos) mais de 30 (anos)
17 -25 (anos) 26-30 (anos) mais de 30 (anos)
homem mulher
1ª melhor 2ª melhor 3ª melhor 4ª melhor 5ª melhor
15% 19% 11% 20% 21% 13% 15% 16% 18% 15% 17% 19% 14% 17% 18% 15% 17% 18% 19% 18% 14% 17% 17% 14% 15% 19% 11% 20% 21% 13% 0% 5% 10% 15% 20% 25%
17 -25 (anos) 26-30 (anos) mais de 30 (anos)
17 -25 (anos) 26-30 (anos) mais de 30 (anos)
homem mulher
Gráfico 15 - Distribuição de alunos nas cinco melhores universidades e nas cinco piores
Fonte: elaborado pelo autor
A faixa etária, dado pensado como indicador dos alunos serem mais ou menos maduros ou de estarem mais próximos do ensino médio não foi uma escolha muito acertada, essa dimensão não traz maior visão à análise, mas o que pode se inferir a partir do gráfico 4 é que a quantidade de alunos por unidade de IES qualificadas como melhores possui um número bem inferior aos das piores, um dado que denota a possibilidade dessas oferecerem maior cuidado com o aluno. Salas menores permitem ao professor maior interação e, às vezes, um atendimento mais personalizado intervindo nas deficiências cognitivas apresentadas.
O corpo docente que exerce atividades em sua área de atuação nas cinco melhores tem seus resultados demonstrados no gráfico 5 abaixo. A melhor universidade apresenta 100% dos seus professores atuantes em suas áreas de especialização. As demais apresentam variações nos percentuais, mas a média de professores que trabalham na área é 77% e os que não trabalham é 29%.
75% 25%
Gráfico 16 - Análise da área de atuação do corpo docente das melhores Universidades
Fonte: elaborado pelo autor
Em relação às cinco piores universidades pode-se notar que a primeira pior apresenta 82% de profissionais que atuam na área de formação acadêmica. Todavia, nas demais universidades, a média das IES em que os professores atuam na área é de 44% e, os que não atuam é de 56%.
Gráfico 17 - Análise da área de atuação do corpo docente das piores Universidades 100% 79% 63% 67% 75% 21% 37% 33% 25% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1m 2m 3m 4m 5m Sim Não
Fonte: elaborado pelo autor
Este dado da prática até este momento da pesquisa é o que apresentou melhor razão de diferenciação, exceto 1p que apresenta alto índice de profissionais que atuam na área, as demais IES mal avaliadas bem menos, denotando professores mais acadêmicos com menor experiência de mercado.
Avaliando a carga horária dos coordenadores, observa-se que 100% dos responsáveis pelo curso exercem carga horária integral. Por outro lado, os coordenadores das piores universidades apenas 40% cumprem carga horária integral, os 60% cumprem carga horária parcial (gráfico 7).
Gráfico 18 - Carga horária dos Coordenadores das piores Universidades
Fonte: elaborado pelo autor 82% 30% 39% 29% 42% 18% 70% 61% 71% 58% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1p 2p 3p 4p 5p Sim Não 60% 40% parc int
Em relação a carga horária cumprida pelos professores das melhores Universidades, nota-se que a primeira melhor não possui horistas e 55% trabalham parcialmente, enquanto 45% trabalham integral. Já a segunda melhor apresenta o percentual mais alto de carga horária integral. A terceira e quarta melhor apresentam em seu corpo docente horistas e, um percentual médio de 57% de carga horária parcial, enquanto a média 30% é integral. A quinta também não possui horistas, e ainda, o percentual de parcial é maior do que o integral.
Gráfico 19 - Carga horária dos professores das cinco melhores Universidades
Fonte: elaborado pelo autor
A primeira e a quinta das piores IES não possuem professor que cumpra carga horária integral. Já as demais possuem um percentual médio de 14%. Pode-
0% 0% 16% 11% 0% 55% 21% 58% 56% 55% 45% 79% 26% 33% 45% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1m 2m 3m 4m 5m
se observar que a média de horistas é maior do que os que trabalham em regime parcial, sendo 52% de carga horária horista e 40% de carga horária parcial.
Gráfico 20 - Carga horária do corpo docente das cinco piores Universidades
Fonte: elaborado pelo autor
Outro dado significativo é o tempo de dedicação do profissional docente na IES, constatou-se que os profissionais das IES melhor avaliadas conta não só com profissionais de experiência no mercado, mas também com número de horas na instituição significativa, a maioria é de jornada integral. O resultado do trabalho se revela na qualidade apresentada. Enquanto nas piores, seus profissionais na sua maioria são horistas, portanto vêm para ministrar as aulas e vão embora, não têm tempo para refletir sobe as questões que merecem maior cuidado, por exemplo, intervenções pedagógicas que demandam um diálogo com outros colegas e medidas não só micro, como da ordem da disciplina específica, como macro, exemplo, posturas didáticas e integração da grade curricular e projetos de práticas.
54% 57% 45% 57% 45% 46% 30% 42% 29% 55% 0 13% 13% 14% 0% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 1p 2p 3p 4p 5p
As cinco melhores Universidades apresentam em média 50% de alunos que trabalham na área, 41% em média que atuam em outra área e 9% que não exercem nenhuma atividade (Gráfico 10).
Gráfico 21 - Área de atuação dos alunos das melhores Universidades
Fonte: elaborado pelo autor
Nas cinco piores Universidades o percentual médio de alunos que trabalham em outras áreas é 49%, enquanto os que trabalham na área é 31% e os que não trabalham 16%, conforme apresentado no gráfico 11.
Gráfico 22 - Área de atuação nas cinco piores IES
50% 51% 51% 52% 48% 30% 43% 41% 44% 46% 21% 6% 7% 3% 6% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1m 2m 3m 4m 5m
trabalham na área outras área não trabalham
21% 45% 45% 31% 21% 62% 47% 47% 49% 62% 16% 8% 8% 20% 16% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 1p 2p 3p 4p 5p
Fonte: elaborado pelo autor
Outro dado que corrobora para o sucesso apresentado nas melhores IES, o alto índice de alunos que atuam na área, portanto possuem uma visão mais ampla das relações que os conteúdos podem estabelecer e o nível de participação deve ser maior, as questões apresentadas provavelmente são fruto de maior contextualização prática. Enquanto, as piore IES tendem na maioria de seu corpo discente não trabalhar na área e apresenta maior índice de desemprego também. Claro que nada é motivo absoluto, observa-se as IES 2p e 3p, dos alunos que trabalham há um equilíbrio entre os que estão atuando na área e os que não, razão não suficiente para melhorar a colocação, outra variantes deveriam se levadas em conta para melhor diagnóstico.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho se propôs explorar a possibilidade de se ter um perfil do curso de Ciências Contábeis, a partir das informações fornecidas pelo e-Mec, oriundas do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior, estabeleceu-se o estado de São Paulo como corpus por sua pujança econômica e quantidade de cursos de Ciências Contábeis, são 242 IES que oferecem o curso, buscou-se nesse universo delimitar amostra nas 5 IES melhores avaliadas no ENADE e as 5 piores, mostragem por conveniência de pequeno porte mas que representam as duas extremidades de resultado.
O objetivo, avaliar o que faz um curso ter sucesso e o outro não, por meio além dos indicadores divulgados do Sinaes, a evidência de alguns desses mesmos indicadores através de questionário.
O método seguido foi de revisão bibliográfica de obras de referência em ciências contábeis, artigos acadêmicos, dados do e-Mec, questionário aplicado aos coordenadores das dez instituições escolhidas e análise comparativa entre elas.
Na revisão bibliográfica constatou-se a evolução do ensino de Ciências Contábeis, buscando desenvolver uma prática com características nacionais, sem perder o foco de adequar-se ao mercado internacional. Um ensino que vem amadurecendo, mas que carece de um fórum permanente de discussão para minimizar as diferenças curriculares no solo nacional. E de outro, fomentar a formação desse profissional que se quer consultor.
Houve a intenção de analisar as grades curriculares, mas as que foram enviadas estavam sem as informações necessárias e mesmo buscando no site se encontram incompletas, o que se observou foi a confirmação da diversidade de propostas curriculares, o que mereceria um estudo mais aprofundado, contemplando o diferencial entre o currículo mínimo (disciplinas obrigatórias) e as optativas, quais os impactos na formação e quais as possibilidades de mercado que atendem.
Observou-se, também, o esforço do Sinaes em agregar o que havia de melhor nas experiências de avaliações anteriores do Ensino Superior e avançar
criando um Sistema integrado avaliativo de larga escala com devolutivas à sociedade.
A comparação dos cursos com base em indicadores de qualidade é, em si, valiosa para quem necessita tomar decisões relacionadas ao assunto, sejam elas de ordem pessoal ou gerencial. No entanto, a mera comparação pode não ser suficiente.
Existe na sociedade uma demanda por critérios de qualidade, em especial a identificação de cursos que não atendem a um nível mínimo de qualidade; aliás, é função do regulador definir a qualidade mínima para o funcionamento dos cursos. Discernir um padrão de qualidade que sirva de referência.
Este aspecto da qualidade mínima não ficou claro para o autor deste trabalho na leitura consultada, faltou a transparência, ou melhor, a legibilidade quando se obtém os resultados, pois os conceitos como CC, CPC e ENADE necessitam ser traduzidos sobre cada IES, uma vez que são formados por muitos elementos. Quem consulta os resultados divulgados tem uma visão distorcida, ter ido mal no ENADE não faz necessariamente da IES uma má instituição. Dois aspectos se apresentam importantes nesse contexto, a continuidade do sistema e seu aperfeiçoar-se na forma de divulgação de resultados.
Com os dados obtidos pela aplicação do questionário revelaram que indicadores de qualidade levantados pelo sistema são pertinentes para responder satisfatoriamente o que a avaliação exige. Pode se inferir, por exemplo, que ter experiência na área e tempo integral de dedicação são prerrogativas nas IES avaliadas como melhores. O que não ficou muito claro com a questão da titulação, pois as IES que não tiveram um conceito satisfatório são as que tinham profissionais em maior número com maior titulação. No entanto, verificou-se que também eram as que na sua maioria contava-se com horistas.
Outra inferência possível dos dados obtidos é a diferença entre as melhores e piores IES referente aos seus alunos trabalharem na área, há um resultado muito positivo naquelas que a grande maioria trabalha na área.
Enfim, é possível obter-se um perfil de curso pelos resultados do e-mec? Sim e não. SIM, se pensar que os dados vão ser trabalhados na decomposição dos
elementos e entender como cada um interfere no outro, como foi realizado na amostragem deste trabalho que buscou recuperar dados embutidos naquele conjunto de notas ENADE 5 ou 1 ou mesmo as notas do CPC e relacioná-los com outras informações advindas da avaliação institucional e encaminhá-los para melhorias. NÃO, se servir apenas para fazer um ranking de IES, não no pudor competitivo, pois sob certos aspectos é saudável para sair do conformismo, mas pela distorção como implicação de não se ter um quadro de qualidade de referência.
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