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No tocante à Gestão Democrática nestes Municípios, todos preveem os mecanismos de participação da democracia semidireta (plebiscito e iniciativa popular), e no caso das audiências e consultas públicas, especificam as hipóteses em que devam ser utilizadas:

A Lei Orgânica de Ubatuba prevê as audiências públicas “sobretudo nos casos de impacto ambiental e social” (art. 6º). A licença ambiental para instalação de equipamentos nucleares somente será outorgada mediante consulta popular (art. 225, da Lei Orgânica). O plano diretor (LC 2862/2006) prevê mecanismos de participação das populações afetadas por empreendimentos, nas hipóteses de exigência do EIV/RIV. O órgão público responsável pelo exame dos Relatórios de Impacto de Vizinhança – RIV deverá realizar audiência pública, antes da decisão sobre o projeto, sempre que sugerida, na forma da lei, pela sociedade civil organizada e associações de moradores da área afetada (art. 152, § 2º).

O Plano Diretor de Caraguatatuba inova ao assegurar que os documentos e conteúdos das reuniões devem ser divulgados publicamente com antecedência mínima de 15 dias (art. 289). O plano diretor (LC 42/2011) determina que o órgão público responsável pelo exame do EIV deverá realizar audiência pública, antes da decisão sobre o projeto, sempre que sugerida pelos moradores da área afetada ou suas associações (art. 260). A tramitação de algumas matérias deve prever obrigatoriamente a realização de audiências públicas no processo legislativo: Plano Diretor; Zoneamento Urbano e “Geo-Ambiental”; Código de Obras e Edificações; Código Tributário do Município; Política Municipal de Meio Ambiente; Plano Municipal de Saneamento; Projetos de lei de iniciativa popular propostos por 5% do eleitorado; Elaboração do orçamento municipal, em que as audiências devem ser realizadas até o dia 30 de junho do exercício. Serão realizadas audiências públicas durante a tramitação de outros projetos de lei mediante requerimento de 5% (cinco por cento) dos eleitores do Município (art. 36, Lei Orgânica). A elaboração do

orçamento municipal deve ser precedida de audiências públicas, que se realizarão até o dia trinta de junho do exercício de sua apreciação pela Câmara Municipal (art. 36-A, Lei Orgânica). A Lei orgânica (art. 188) obriga o município a realizar audiências públicas para discussão dos estudos e relatórios de impacto ambiental - EIA/RIMA e exige a consulta, necessariamente, às populações potencialmente atingidas. Nas disposições finais e transitórias determina o Plano Diretor que o Executivo deverá, de forma a atender ao determinado neste Plano Diretor e no máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias de sua entrada em vigor, providenciar o envio de proposta de Lei de Regulamentação da Realização das Audiências Públicas (art. 308, VIII). Contudo, isso não foi feito até o presente momento (INSTITUTO POLIS, 2012).

Em Ilhabela, o plano diretor aprovado em 2006 definiu como uma das ações estratégicas para o desenvolvimento sustentável no município a instituição de um fórum permanente da Agenda 21 (art. 101, PD) e nas questões ambientais, a legislação municipal define o conselho como órgão consultivo e deliberativo, cujas atribuições incluem a promoção da Agenda 21 e a análise e aprovação de EIA/RIMA para os casos de empreendimentos de impacto ambiental (Lei municipal n. 699/1997). O art. 34, § 4º, exige também que projetos de implantação de obras ou equipamentos, de iniciativa pública ou privada, com impactos sobre o meio ambiente ou sobre a infraestrutura urbana deverão ser acompanhados de EIV/RIV. A Lei Orgânica garante que o EIV/RIV deve funcionar também como um instrumento de gestão democrática da cidade, uma vez que exige a realização de audiência publica sobre o projeto em estudo (INSTITUTO POLIS, 2012).

Em São Sebastião, as audiências públicas, por sua vez, deverão ser realizadas para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de degradação do meio ambiente (art. 155, §2º, da Lei Orgânica) bem como para a definição de critérios, locais e condições de deposição final de resíduos sólidos (art. 161, da Lei Orgânica). As audiências públicas também são previstas na legislação ordinária, a exemplo da Lei n. 848/1992, que instituiu a política municipal do meio ambiente, para os casos de avaliação de empreendimentos de impacto urbano e ambiental (EIA/RIMA)(INSTITUTO POLIS, 2012).

Em relação ao panorama da previsão de órgãos colegiados de política urbana pode ser assim resumido: O Município de São Sebastião possui Conselho e

Fundo Municipais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Lei nº 1.860 de 2007). Ilhabela possui o Conselho Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Socioambiental, integrante do Sistema Municipal de Gestão do Planejamento para o desenvolvimento socioambiental (art. 117, inciso II, do Plano Diretor). O

Município de Caraguatatuba possui Conselho de Desenvolvimento Urbano (Lei nº 1.175 de 2005), e o Plano diretor (Lei Complementar n 42/2011) amplia as atribuições deste Conselho, em especial no que se refere às deliberações sobre regularização fundiária, e regulamenta outros instrumentos de gestão democrática da cidade, em sintonia com diretrizes e princípios da legislação federal. Ubatuba possui Conselho de Desenvolvimento (Dec. nº 1.560 de 1992), e o Plano diretor municipal (Lei Complementar nº 2892/2006) criou, em seu art. 12, o Conselho da Cidade, que uma vez regulamentado, deve substituir o Conselho de Desenvolvimento Urbano e vincular todos os outros conselhos municipais existentes no Município, tornando-os Câmaras Técnicas de Gestão Compartilhada do Conselho da Cidade (INSTITUTO POLIS, 2012).

E no âmbito do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, de caráter normativo e deliberativo (Lei Complementar Estadual nº 1.166/2012), a participação popular é assegurada no processo de planejamento e tomada de decisões, assim como na fiscalização da realização de serviços ou funções públicas de caráter regional (art. 13). As reuniões do Conselho de Desenvolvimento serão públicas (art. 7º, parágrafo 5º), suas deliberações serão publicadas na Imprensa Oficial do Estado (art. 10º, parágrafo 4º), estando também disponíveis em sitio próprio da internet, juntamente com outras informações de interesse regional, deliberações, reuniões etc. (art. 10º, parágrafo 5º), sendo que qualquer cidadão ou entidade legalmente constituída poderá apresentar proposta ao Conselho de Desenvolvimento (art. 6º, parágrafo 3º). Além disso, o Conselho de Desenvolvimento deverá convocar, ordinariamente, a cada seis meses, audiências públicas onde serão expostas suas deliberações referentes aos estudos e planos em andamento e à utilização dos recursos do Fundo de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (art. 11). Ainda, sempre que for assim deliberado, o Conselho fará audiências públicas para exposição e debate de estudos, políticas, planos, programas e projetos

relacionados às públicas de interesse comum da Região Metropolitana do Vale da Paraíba e Litoral Norte (art. 11) (INSTITUTO POLIS, 2012).

1.3.4.2 Os Planos Diretores Municipais e o Zoneamento Ecológico-