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Sıkça Karşılaşılan Hatalar ve Çözümleri

Belgede SENE SONU DEVİR (sayfa 37-43)

6- Cari Hesap Tipi = Özel Hesap Kapatma, Cari Hesap Dövizli,

1.6. Denetim Listeleri

1.6.6. Sıkça Karşılaşılan Hatalar ve Çözümleri

Meu avô, junto com a minha avó, deixou Portugal no início do século [XX]. Eles eram da região de Vinhais, muito jovens ainda, tinham em torno de vinte anos... bem eles contavam que a situação lá não era boa, embora a mãe do meu avô tivesse uma quinta, mas eles queriam prosperar. Então o meu avô aceitou um contrato para trabalhar em uma fazenda de café no Brasil, na região de Bauru. Ah! a minha mãe também veio, mas, como era um bebê e não se aclimatou aqui, retornou à Portugal com a minha avó, onde ela foi criada na região de Macedo de Cavaleiros.59

Conforme o depoimento de Clarinha, seus avós, ainda jovens, partiram de Portugal em busca de prosperidade. Segundo Ribeiro, as causas da emigração estariam

[...] em uma agricultura pobre e uma indústria reduzida, a população portuguesa vive dentro de horizontes de trabalho muito apertados: em relação aos recursos a pressão demográfica é muito forte e a emigração aparece como o seu inevitável remédio.60

O sentido de emigração se expressa pelo fenômeno que ocorre quando indivíduos saem do seu país de origem para se estabelecerem em outro.61 A partir do momento em que desembarcam em solo brasileiro são considerados imigrantes, pertencendo a uma nova sociedade desde o instante em que atravessam a sua fronteira territorial. Ao pisar nesse solo, o imigrante se investe do direito de desconhecer tudo o que antecede à sua chegada, seja qual for a

denominação que tenha esse lugar.62

Devido à expansão capitalista, o mercado de trabalho brasileiro passou a ofertar empregos em alguns setores e para determinados níveis de qualificação

59

Clarinha, 72 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 08/01/2005.

60

RIBEIRO, Orlando. “Aspectos e Problemas da Expansão Portuguesa.” In: SERRÃO, Joel. Emigração Portuguesa: Sondagem Histórica. Lisboa: Livros Horizonte, s/d. p.93.

61

SERRÃO, Joel. Op. cit., s/d. p.20-24.

62

que, muitas vezes, eram superiores à demanda local original. Para preencher essas vagas, promovia-se a convocação de mão-de-obra qualificada de estrangeiros, o que os atraía e alimentava suas expectativas em relação ao futuro. Portanto, pode-se afirmar que a expansão capitalista contribuiu para a imigração. No Brasil, enquanto houvesse carência de mão-de-obra imigrante permanente, tudo se faria para que os estrangeiros dividissem a ilusão que se encontra na base da imigração, ou seja, a oferta de prosperidade, fartura e moradia, a satisfação de necessidades básicas e a realização de “sonhos”. Esse contingente era necessário para a economia, para a demografia ocupacional e, até mesmo, para o branqueamento paulista. Assim, a garantia da permanência do imigrante era partilhada por todos e, principalmente, pelos próprios imigrantes.63

A facilidade de entrada de imigrantes no Brasil, aliada às necessidades de aumento de produção, de operários e de lavradores, assim como às possibilidades de emprego e enriquecimento e às intenções de partida da terra natal constituíram o cenário adequado para a chegada dos progenitores das entrevistadas.

Ele [o pai] veio para cá, procurando uma vida melhor,

Desembarcou em Santos [...] era o sonho de uma terra diferente, melhor, porque ele dizia que sofria muito lá. Ele deixou Portugal em 1914.64

Eu tinha uns quinze anos, era mocinha, o meu pai contava que já fazia quarenta anos que ele tinha vindo de Portugal, mas o sotaque era bem carregado. Ele dizia que havia chegado aqui, por volta de 1907.65

O meu pai era imigrante, porque ele não era brasileiro, veio de Portugal para cá [...], ele nasceu em 1887 [...], na região do Porto [...], ele tinha uns vinte anos quando veio para o Brasil.66

63

BEIGUELMAN, Paula. A crise do escravismo e a grande imigração. São Paulo: Brasiliense, 1983.

64

Fátima, 61 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 23/12/2005.

65

Viga, 72 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 22/04/2005.

66

Nessas falas, percebe-se a importância que os emigrantes davam ao Brasil, país que para eles significava esperança de vida melhor e possibilidade de realização de sonhos. Tais expectativas foram responsáveis pelo elevado número de imigrantes aportados no Brasil.

Em 1883, 221.536 portugueses entraram no País, correspondendo a 41,2% do total. Entre 1884 e 1930, 1.204.354 lusitanos se estabeleceram no Brasil, dados que representam 29% do total da imigração. De 1904 a 1939, o efetivo português chega a se colocar em primeiro lugar, por nacionalidade de imigrantes, exceto em 1905, 1906 e 1907, quando se coloca logo após o espanhol; entre 1932 e 1935, após o japonês e 1948, perdendo a primeira posição para os italianos.67

Entre 1887 e 1930, ingressaram no Brasil cerca de três milhões e oitocentos mil estrangeiros, sendo que o período de 1887 a 1914 foi o de maior emigração, com a cifra aproximada de dois milhões e setecentos e oitenta mil. Essa concentração de demanda se devia, principalmente, à força de trabalho para a lavoura de café. Porém, durante a primeira Guerra Mundial, esse número sofreu uma redução, mas após 1918 e até 1930 novamente a corrente imigratória se elevou.68

Os que aqui chegaram, pelos anos vinte deste século, encontraram uma cidade com cerca de 18% de população estrangeira, com línguas, costumes, diferentes maneiras de ser e de agir. Nos anos quarenta, a população tinha 11,34% de pessoas oriundas de outras terras, lutando para sobreviver, da mesma maneira que faziam os portugueses.69

67

HUGON, Paul. A crise do escravismo e a grande imigração. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.59.

68

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1998.

69

BERRINI, Beatriz; SCARANO, Julita. “Imigrante Português / Empresário Paulista.” In: Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo (1912-1992). São Paulo: Gráfica Brasiliana, 1992. p.167.

Os dados apresentados a seguir foram coletados na tabela proposta por Fausto que se refere à chegada de imigrantes de nacionalidades variadas no decurso do período de 1906 a 1925. Como se pode observar, em destaque se configura a porcentagem correspondente à imigração portuguesa.

TABELA 1 – IMIGRAÇÃO, PORCENTAGEM DE PORTUGUESES70

Período Chegada de imigrantes de várias nacionalidades Porcentagem da imigração portuguesa 1906– 1910 391.600 37% 1911– 1915 611.400 40% 1916– 1920 186.400 42% 1921– 1925 386.600 32%

Este quadro indica que os antecessores das entrevistadas somaram-se ao total de imigrantes que chegaram ao Brasil no período de 1911 a 1920, engrossando a porcentagem da imigração portuguesa. Observa-se também que ocorreu, exatamente nesse período, o maior número de chegadas de portugueses no Brasil, destacando-se São Paulo e Rio de Janeiro como os Estados que mais receberam imigrantes desta origem.

Os portugueses se sobressaíam na lavoura do café, bem como na agricultura em geral, mas suas maiores participações eram no pequeno e no grande comércio e na indústria. Nesta última, os imigrantes se faziam presentes como donos de empresas e como operários, avultando-se neste ramo, novamente, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A política imigratória brasileira privilegiava a quantidade, ocupando-se do maior número de trabalhadores possível. Não só os jovens, mas também os adultos do sexo masculino e, depois, as famílias recebiam subsídios para emigrarem.71

70

FAUSTO, Boris. Op. cit., 1998. p.275.

71

PEREIRA, Miriam Halperin. A política portuguesa de imigração (1850-1930). Bauru, SP: EDUSC; Portugal: Instituto Camões, 2002.

No período de 1889 a 1928, as verbas anuais concedidas pelo Estado para o serviço de imigração totalizaram 1781306:888$000. Foram gastos 8287:014$000 apenas no período de 1888 a 1889. Concomitantemente, o governo federal abria créditos esporádicos para subsidiar a vinda de imigrantes.

A tabela apresentada a seguir relaciona o número total de imigrantes que chegaram ao Brasil, bem como o número de imigrantes subsidiados (que atendiam os cafeicultores e os grandes agricultores) e espontâneos que se dirigiram particularmente para São Paulo.

TABELA 2 – IMIGRANTES ESPONTÂNEOS E SUBSIDIADOS72

Brasil São Paulo

Ano Total Ano Espontâneos Subsidiados

1901-1910 631.000 1900-1909 224.324 164.384

1911-1920 707.704 1910-1919 293.847 186.383

1921-1930 840.215 1920-1930 570.348 181.732

Assim, pode-se ter uma visão geral da imigração no Brasil e, em particular, em São Paulo. Vale destacar, ainda, que os avós de três das entrevistadas chegaram ao Brasil de forma subsidiada, vindo para trabalhar em uma fazenda de café, enquanto os pais das demais depoentes fizeram parte do total de imigrantes que vieram espontaneamente, ou melhor, sem contar com subsídios para a viagem.

O texto que iniciou este capítulo, o depoimento de Clarinha, motivou a abordagem que se fez até aqui, permitindo uma discussão sobre os motivos da saída de Portugal e sobre a caracterização de emigração e de imigração. Em seguida, o debate foi ampliado, contando com as reflexões de outros autores acerca do grande número de portugueses que chegaram ao Brasil em diferentes

72

Adaptada de CARONE, Edgard. A República Velha I (Instituições e Classes Sociais). Rio de Janeiro: DIFEL, 1978. p.13.

momentos e do tipo de imigração que realizaram, envolvendo, sempre, o mito do retorno e a possibilidade de enriquecimento.

A partir de agora, pretende-se abordar uma outra vertente deste mesmo tema: a fixação territorial dos antecessores de nossas entrevistadas desde o momento em que estes chegaram ao Brasil. Assim, pretende-se estreitar o caminho proposto neste estudo, refletindo-se sobre o local onde estes sujeitos fixaram residência – São Paulo –, trabalharam, se casaram e tiveram filhos, entre os quais as depoentes que tanto contribuem para esta análise.

Belgede SENE SONU DEVİR (sayfa 37-43)

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