3.10 Çalışmada Kullanılan Uygulama Yöntemi: Yapay Sinir Ağı
3.10.6 Ağ Modelinde Sıcak Yemekler Mezeler ve Salatalar Tatlılar ve Meyvelerin
3.10.6.1 Sıcak Yemekler Mezeler ve Salatalar Tatlılar ve Meyvelerin Tüketim
Como vimos nos capítulo 1 e 3, Levin e Rappaport Hovav (1992) e Levin (1993) dividem os verbos de movimento do inglês em três classes, dentre as quais se encontra a classe dos verbos do tipo run ‘correr’. Esses são, segundo as autoras, verbos como andar, caminhar, galopar, nadar, pular e saltar, que lexicalizam a maneira como ocorre o movimento, não trazendo, portanto, informações sobre a trajetória ou a direção do mesmo. Além disso, são verbos inergativos que denotam atividades.
O aspecto lexical de atividade desses verbos pode ser evidenciado a partir do teste do paradoxo do imperfectivo:
(251) O menino estava correndo. ├ O menino correu. (252) O menino estava caminhando. ├ O menino caminhou. (253) O menino estava nadando. ├ O menino nadou.
Como já mencionamos nesta dissertação, verbos que denotam atividades, quando postos no imperfectivo, acarretam que a ação foi realizada, contrariamente aos verbos de accomplishment.
Em uma análise sobre os predicados primitivos ACT e DO na representação semântica dos verbos, Amaral (2013) aponta que Van Valin (2005) propõe que os verbos de atividade são representados pelo elemento do’:
(254) v: do’(x, [pred’(x)]) correr: do’(x, [correr’(x)])
(VAN VALIN, 2005, apud AMARAL, 2013, p. 58)
De acordo com Amaral (op. cit.), o autor distingue o primitivo DO em dois predicados: um que representa atividade (do’) e outro que representa agentividade (DO).
Assim, a representação completa de correr seria:
(255) correr: DO (do’(x, [correr’(x)])
Rappaport Hovav e Levin (1998), por sua vez, propõem a seguinte estrutura para os verbos do tipo correr (estrutura já apresentada nos exemplos 12 e 141), uma vez que eles são considerados verbos de maneira em geral:
(256) run ‘correr’: [ ↓ ACT <MANNER>]
(Adaptado de RAPPAPORT HOVAV; LEVIN, 1998, p. 109)
Levin e Rappaport Hovav (1992) propõem a existência de dois tipos de verbos de modo de movimento: os verbos do tipo correr e os do tipo rolar. O que diferencia essas duas classes é a presença do traço (DEC), causa externa direta, uma vez que os verbos da classe de correr exibem valor negativo para esse traço, pois envolvem um participante que tem controle sobre o desempenho da ação. Os verbo do tipo rolar, por sua vez, são (+DEC), porque não possuem um participante que controla a realização do evento, como mostramos nas sentenças em (135) e em (136).
Diferentemente das autoras, Jackendoff (1990) trata os verbos de modo de movimento como uma única classe, pois para ele o que importa é o fato de esses verbos não exibirem a presença de uma trajetória. Assim, o autor propõe para os verbos de modo de movimento, a seguinte representação, que mostramos em (10) e em (139) e aqui retomamos:
(257) v: [Event MOVE ([Thing ])]
Amaral (2013) propõe que os verbos do tipo correr no PB lexicalizam a realização de um evento no mundo, de modo que devem possuir uma raiz <EVENT> em sua estrutura semântica. Isso pode ser evidenciado pelo fato de esses verbos aceitarem um objeto cognato/ hipônimo que especifica esse evento:
(258) O atleta correu a corrida final do campeonato. (259) O atleta nadou um nado borboleta.
(260) O homem caminhou a caminhada do dia.
(Adaptado de AMARAL, 2013, p. 59)
Jackendoff (1983, 1990) e Pinker (1989) propõem que EVENT é uma categoria ontológica básica que se encontra na estrutura conceptual48 juntamente a outras categorias,
como THING, PLACE, STATE e PATH. De acordo com Jackendoff (1990), cada constituinte sintático de uma sentença pertence a um constituinte conceptual. Desse modo, em uma sentença do tipo John ran toward the house ‘John correu para casa’, John e the house pertencem à categoria ontológica THING, o SP, toward the house, à PATH, e a sentença inteira pertence à categoria ontológica EVENT. Embora eventos sejam geralmente relacionados às sentenças inteiras, o autor reconhece que palavras, como war ‘guerra’ (JACKENDOFF, 1990, p. 23) podem se referir a eventos. Assim, Amaral (2013) propõe que palavras como corrida, nado e caminhada pertencem à categoria ontológica dos eventos.
A autora afirma que podemos construir paráfrases para os verbos do tipo correr com o verbo fazer, que corresponderia ao primitivo DO, e com nomes que denotam eventos49:
(261) O João correu 5 km hoje. ┤├ O João fez uma corrida de 5 km hoje. (262) A menina já caminhou hoje. ┤├ A menina já fez caminhada hoje.
(263) As crianças gostavam de nadar cachorrinho. ┤├As crianças gostavam de fazer nado cachorrinho.
(AMARAL, 2013, p 60)
48 Segundo Jackendoff (1983, 1990), a estrutura conceptual se refere à maneira como os falantes organizam as representações mentais do significado das expressões linguísticas.
49 Proposta semelhante pode ser vista m Pinker (1989), uma vez que o autor afirma que os verbos inergativos podem ser parafraseados como perform some action or activity ‘fazer/realizar uma ação ou atividade’.
O primitivo DO foi proposto inicialmente nos trabalhos de Ross (1972) e de Dowty (1979), estando ligado intrinsecamente à ação e à agentividade no primeiro, e funcionando como um operador aspectual no segundo50. No entanto, para ambos os autores, DO é um predicado semântico de dois lugares que relaciona uma entidade a um evento.
Contudo, Amaral (2013) reformula a proposta dos autores para o PB e conclui que DO não está relacionado à noção de agentividade, uma vez que existem verbos que lexicalizam eventos realizados por sujeitos não volitivos, como chorar e espirrar (o menino chorou involuntariamente/ a criança espirrou acidentalmente). Dessa forma, o primitivo DO tem apenas a função de relacionar uma entidade X a um evento.
Assim, a autora propõe a seguinte estrutura para os verbos do tipo correr:
(264) v: [X DO < EVENT>]
a. correr: [X DO < CORRIDA>] b. nadar: [X DO < NADO>]
c. caminhar: [X DO < CAMINHADA>]
Além do objeto cognato, podemos derivar desses verbos um SN eventivo:
(265) a. O atleta correu muito hoje. b. A corrida do atleta
(266) a. O atleta nadou muito hoje. b. O nado do atleta
(267) a. O homem caminhou muito hoje. b. A caminhada do homem
Através dessa estrutura, derivamos as seguintes propriedades sintático-semânticas dos verbos pertencentes a essa classe: (i) os verbos são monoargumentais, de modo que apresentam um argumento externo que realiza um evento; (ii) derivam um SN eventivo.
Também é importante mencionar que, embora possuam o aspecto básico de atividade, esses verbos podem denotar accomplishments quando combinados com SNs ou com SPs que indicam um ponto final.
50 O trabalho de Dowty (1979) é voltado para a formação das classes aspectuais formuladas por Vendler (1967). Em sua proposta, estados são elementos básicos, enquanto accomplishments, achievements e atividades são aspectos derivados de uma operação feita sobre os primeiros através dos elementos DO, CAUSE e BECOME. Dessa forma, DO é concebido como um operador aspectual que opera sobre estados dando origem a atividades.
(268) O atleta correu 5 km.
(269) O homem caminhou até o trabalho.
Nas sentenças acima, temos o que Cançado e Amaral (no prelo), baseadas em Smith (1997), chamam de aspecto derivado ou de aspecto da sentença.
Por fim, ressaltamos, seguindo Amaral (2013), que o fato de verbos como correr, dançar, nadar, pular, caminhar, entre outros, denotarem movimento é uma propriedade idiossincrática desses verbos, uma vez que existem verbos que não são de movimento, mas que se comportam da mesma maneira dos que descremos nesta seção, ou seja, também aceitam objetos cognatos que denotam eventos e derivam SNs eventivos:
(270) a. O menino chorou por horas. b. O menino chorou um choro triste. c. O choro do menino
(271) a. A menina riu alto.
b. A menina riu uma risada escandalosa. c. A risada da menina.
(272) a. O velho roncou a noite toda.
b. O velho roncou um ronco profundo. c. O ronco do velho.
Fazem parte desta classe 22 verbos que denotam movimento.
Neste trabalho, adotamos a proposta de Amaral (2013) para os verbos do tipo correr do PB, pois concordamos com a análise da autora.