1. TİPODA SICAK YALDIZ KALIBI HAZIRLAMA
1.4. Sıcak Yaldız Kalıplarının Diğer Tipo Kalıplarından Farkları
Rodrigues (2014) aponta que o modelo de desenvolvimento do turismo que está sendo implantado no Brasil segue, em seus delineamentos centrais, as orientações dadas pelas agências internacionais (BID, BIRD). A autora ressalta que o Brasil apostou no turismo como estratégia de desenvolvimento a partir da criação do Ministério do Turismo (Mtur) em 2003, com o delineamento de uma política clara de indução do turismo, de forma regionalizada, além da aposta nos megaeventos como forma de impulsionar o turismo no país.
Segundo pesquisas realizadas sobre os efeitos do turismo em outras áreas litorâneas do mundo, como na Ilha de Cozumel, no norte do Estado de Quintana-Roo, México, Rodrigues (2014) informa que naquele país, mesmo as terras de reforma agrária, foram objeto de expropriação para posterior venda ao capital imobiliário do mercado turístico. Rodrigues (2014) pontua que a área costeira da Riviera Maya, antes ocupada por pescadores, é hoje ocupada por grandes resorts e parques temáticos, tendo ocorrido o deslocamento de povoados inteiros de origem maya das áreas que correspondiam a terras de reforma agrária, os ejidos, para áreas interioranas. A autora esclarece que devido às especificidades dessa reforma agrária, em que as terras comunais eram de uso dos agricultores, mas de propriedade da nação, no processo de desenvolvimento da indústria turística o governo simplesmente expropriou essas terras com recurso ao argumento do interesse público.
No Brasil, a política nacional de turismo, definida pela Lei Geral do Turismo nº 11.771/08 e promulgada em 17/09/2008, ocupa um lugar bastante relevante dentre o conjunto de políticas voltadas à promoção do desenvolvimento econômico e social do país, integrando, desse modo, o conjunto de ações que conformaram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado pelo governo Lula em 2006 e lançado em 2007. Desse modo, mediante a criação do Ministério do Turismo em 2003 e
a instituição da Política Nacional de Turismo, com a promulgação da Lei do Turismo de 2008, o Plano Nacional de Turismo (PNT) passou a ser editado em forma de publicações trienais, fornecendo os rumos estratégicos para o desenvolvimento da atividade turística no Brasil. Dentre as diretrizes do PNT referente ao triênio 2003–2007 (BRASIL 2003), identificamos a intensificação da ação conjunta entre agentes públicos e privados, priorizando as parcerias e a gestão descentralizada em todo o país. Por sua vez, as propostas do PNT referentes aos anos 2007–2010 (BRASIL 2007), mantêm o foco das ações previstas na edição passada, levando também em conta a expansão do mercado interno e a concreta inserção do país no cenário turístico mundial (BRASIL 2003, p.16). Por último, o PNT 2013–2016 (BRASIL 2013) visou incorporar todas as ações já implantadas nos outros PNT aos megaeventos (Copa FIFA de Futebol em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016, no Rio de Janeiro).
Dentro da referida Política Nacional de Turismo, o Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR) foi criado como uma das linhas de ação propostas pelo Ministério do Turismo, operando por meio de ações descentralizadas em todo o país para criação e financiamento de destinos turísticos, tais como o roteiro turístico Rota das Emoções.
O PRODETUR, como um dos programas de apoio ao PNT, possui como credor principal o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Corporação Andina de Fomento (CAF). Desse modo, as ações e atividades do programa são orientadas pelas políticas e diretrizes do BID referentes a salvaguardas e controle de seus prováveis impactos sociais e ambientais, assim como a legislação ambiental brasileira.
Nesse âmbito, as ideias e concepções que dão sustentação às suas diretrizes, qual seja a Lei nº 11.771/08 que institui a Política Nacional de Turismo, são baseadas na noção de desenvolvimento sustentável, a Lei tem ainda como meta a conservação do patrimônio natural, cultural e turístico brasileiro (parágrafo único artº 3 e 4). Tendo como proposta o desenvolvimento sustentável, a prática do turismo preconizada coloca como meta a conservação do meio ambiente, com o objetivo de impacto mínimo sobre o meio natural (item VIII, artº5). Quanto aos povos e comunidades tradicionais, a PNT faz apenas a menção de “preservar a identidade cultural das comunidades e populações tradicionais eventualmente afetadas pela atividade turística” (item XIX, art. 5º). A respeito, Rodrigues (2011) aponta ainda uma contradição entre a lógica de
desenvolvimento em termos mercadológicos que pauta a política e a concepção de desenvolvimento sustentável que deveria orientá-la.
O documento que institui a politica nacional de turismo, apesar de recomendar, em relação ao tratamento das unidades de conservação, “que quando se tratar de unidades de conservação, o turismo será desenvolvido em consonância com seus objetivos de criação e com o disposto no plano de manejo da unidade” (Parágrafo Único, PNT), o mesmo documento não menciona quais são os dispositivos e estratégias que serão ativados para colocar em prática seus objetivos e nem menciona a existência de povos e comunidades tradicionais dentro ou fora dessas Unidades de Conservação.
Uma das divergências encontradas entre o plano normativo e o prático diz respeito ao que propõe a política quanto às populações que vivem nas áreas priorizadas pela mesma. A lei preconiza “o envolvimento e a efetiva participação das comunidades receptoras nos benefícios advindos da atividade econômica” (item VI, artº5) bem como a preservação “da identidade cultural das comunidades e populações tradicionais eventualmente afetadas pela atividade turística” (item IX, artº5). Entretanto, é preciso considerar que em contextos de unidades de conservação e de territórios tradicionalmente ocupados por povos e comunidades tradicionais, a política não menciona nenhum instrumento ou estratégia para a “efetivação do turismo” de forma diferenciada nestas áreas.
Nas praias de Bitupitá, Curimãs e no povoado de Venâncio, as ações de incentivo ao turismo já se consolidam desde 2010 e as transformações provocadas por essas ações colocam as comunidades que vivem nessas localidades diante de alguns impasses e necessidades de escolhas, posto que a situação de entrada do turismo, especulação imobiliária e demandas por serviços; os enquadramentos legais representam forte pressões locais e a situação da maior parcela dos moradores é de fragilidade, sobretudo, por não terem a propriedade de suas moradias regularizada. Faremos adiante uma análise das ações da Rota das Emoções nas referidas localidades e seus impasses com os modos de vida locais.
3.3 Os processos de mudanças nas praias de Curimãs e Bitupitá em razão da expansão