Na busca por entender as relações de redes entre empresas, vários estudos têm sido realizados desde a década de sessenta. Entretanto, a atualização do tema começou na segunda
metade dos anos 80 do último século. Existe uma variedade de classificações para a tipologia de redes empresariais, que atendem a necessidades diferentes. Casarotto Filho e Pires (2001), ao analisar o universo das pequenas e médias empresas (PME’s), classificaram as redes em dois tipos: redes topdown e redes flexíveis de pequenas e médias empresas.
As redes topdown, são as formadas por empresas de pequeno porte, fornecendo direta e/ou indiretamente sua produção à uma empresa-mãe através de subcontratações, terceirizações, parcerias e outras formas de repasse de produção. São altamente dependentes e tem pouca ou nenhuma influência nos destinos da rede (Figura 2).
Figura 2 – Modelo de rede todown Fonte: Casarotto Filho e Pires (1999, p. 36)
As redes flexíveis de pequenas e médias empresas são aquelas em que o grupo reúne- se para formar um consórcio com objetivos comuns. Neste último caso, cada uma das empresas é responsável por uma parte do processo de produção. Este consórcio simula a administração de uma grande empresa, mas tem muita flexibilidade de atendimento dos mais diferenciados pedidos. Isto agrega valor para a rede (CASAROTTO FILHO; PIRES, 2001), que pode abranger desde a fabricação de produto, passando pela valorização da marca, comercialização, exportações, padrão de qualidade, crédito e capacitação (Figura 3). A questão cultural é altamente relevante neste contexto.
Wood Jr. e Zuffo (1998) classificaram as redes em três estruturas: a estrutura modular, a estrutura virtual e a estrutura livre de barreiras. Na estrutura modular a organização mantém as atividades essenciais da cadeia de valores e terceiriza as atividades de suporte, porém, continua a exercer controle sobre elas. A estrutura virtual refere-se às redes de fornecedores, de clientes e de concorrentes, que se ligam temporariamente para maximizar
EMPRESA MÃE
suas competências, reduzir seus custos e facilitar o acesso a mercados. Na estrutura livre de barreiras existem definições menos rígidas de funções, papéis e tarefas dentro da organização.
Figura 3 – Redes flexíveis de pequenas empresas Fonte: Casarotto Filho e Pires (1999, p. 36)
Para Grandori e Soda (1995), os relacionamentos formam uma tipologia a qual chamaram de redes interempresariais, descritos e classificados dentro de três critérios: existência ou não de formalização, centralização e mecanismos de coordenação. Sendo assim as formas de associação em redes são entendidas como: sociais, burocráticas e proprietárias (Figura 4). Para efeito deste estudo, as redes interempresariais serão chamadas de redes interorganizacionais, visto que, o conceito de redes adotado para este estudo não se refere apenas a parcerias constituídas entre empresas, mas abre a possibilidade para outras formas de relacionamento.
Figura 4 – Tipologia de Redes de Empresas Fonte: Grandori e Soda (1995, p. 199) REDES INTEREMPRESARIAIS
REDES SOCIAIS REDES BUROCRÁTICAS REDES PROPRIETÁRIA
As redes sociais são redes em que o relacionamento dos integrantes não é regulado por nenhum tipo de contrato formal. Os relacionamentos sociais não se restringem a trocas de “mercadorias sociais” (GRANDORI; SODA, 1995), tais como status e prestígio, nem precisam estar baseadas na igualdade. A influência social pode ser recíproca, ou seja, incluir elementos como liderança e autoridade nas relações interorganizacionais e interpessoais. Elas podem ser redes sociais simétricas e assimétricas.
As Redes Sociais Simétricas são as redes com base em igualdade, ou seja, todos os participantes têm a mesma capacidade de influência. Estas redes são com freqüência redes exploratórias usadas para a troca de informações e valor econômico desconhecido. São utilizadas também, para regular as transações entre parceiros quando as contribuições e performances são muito difíceis de avaliar por meios contratuais ou burocráticos. Distrito industriais de alta tecnologia e pólos de pesquisa e desenvolvimento são um exemplo deste tipo de rede (GRANDORI; SODA, 1995). A coordenação dessas trocas baseia-se em mecanismos informais.
As Redes Sociais Assimétricas, com freqüência estão vinculadas por contratos formais, mas não especificam a organização das relações interorganizacionais. Um exemplo encontra-se na sub-contração.
As Redes Burocráticas, são modelos de coordenação interorganizacionais através da formalização contratual ou de acordos de troca. Neste caso, o acordo especifica os relacionamentos entre seus membros. O grau de formalização pode variar e nunca está totalmente completo. Os contratos complexos de redes burocráticas nunca substituem a presença da redesocial. Assim como nas redes sociais, as formas mais importantes de redes burocráticas podem ser agrupadas em duas sub-classes de estruturas de coordenação, redes simétricas e assimétricas (GRANDORI; SODA, 1995).
Entre as Redes Burocráticas Simétricas as associações interorganizacionais são um tipo relevante para estudos; entretanto, entre as formas mais complexas estão os consórcios. As associações interorganizacionais são relevantes porque ajudam a coordenar comportamentos entre um grande número de empresas do mesmo setor, em detrimento dos interesses particulares de cada uma.
Dentre as Redes Burocráticas Assimétricas as redes de agências, licenciamento e franquias são as mais importantes.
As Redes Proprietárias caracterizam-se pela formalização de acordos relativos ao direito de propriedade entre os acionistas de empresas, e sua relevância está na capacidade de servir como sistema de incentivo para sustentar alguma forma de cooperação. Estas redes
estão representadas por importantes formas de coordenação interorganizacional, baseada em diretos de propriedade, empreendimentos conjuntos e empreendimentos de capital. Podem ser classificadas também em simétricas e assimétricas.
As Redes Proprietárias Simétricas são representadas por redes do tipo joint
ventures, geralmente empregadas na regulação das atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), inovação tecnológica e de sistemas de produção de alto conteúdo tecnológico.
As Redes Proprietárias Assimétricas são encontradas nos empreendimentos do tipo
capital, que envolvem o relacionamento entre o investidor e a empresa parceira. Estas redes são encontradas em maior freqüência nos setores de alta tecnologia, com canais para a tomada de decisão conjunta e transferência de conhecimento gerencial.
Existem inúmeras outras tipologias na literatura que definem as redes interorganizacionais. Sua classificação depende dos interesses envolvidos, fatores econômicos, estruturas, dimensões e localização.
Além dos aspectos estruturais e constitutivos relativos à formação das alianças estratégicas, outras questões são relevantes para a investigação deste estudo e estão relacionadas mais de perto com a gestão das relações. A análise dos fatores resultantes da interação interorganizacional, as relações contratuais, seus custos e limitações, os mecanismos de coordenação, os fluxos de interesses, as formas de comunicação, normas e hierarquia, são aspectos que permitem uma visão mais global da relação e possibilitam entender as estruturas de governança que envolvem cada arranjo produtivo. Estes aspectos da relação estão descritos na literatura sob a ótica de diferentes teorias. A próxima seção fará uma descrição dos estudos direcionados com base nestes aspectos das relações interorganizacionais.