5.Membran filtrasyon yöntemleri:
7. Sütün Homojenizasyonu
Realizaram-se duas séries de entrevistas na Comgás. A primeira ocorreu em meados de 2005; e, a segunda em meados de março de 2006. As áreas privilegiadas para se fazer as entrevistas foram setor de vendas industrial e planejamento estratégico da companhia. Os resultados seguem a mesma linha e serão aqui expostos.
5.8.1.1 Preparação da empresa para a implantação do livre acesso
No que diz respeito à preparação da companhia, foi destacada a oportunidade do segundo ciclo de revisão tarifária em 2009, com vistas à definição de como o regulador irá delinear o livre acesso. No entanto, por enquanto ainda não tem nenhum estudo muito embasado, o que deverá ser feito a partir desse ano, em virtude da companhia trabalhar com planos qüinqüenais.
(...) a COMGÁS não tem estudo que possa ser considerado, já bem suportado, porem já consideramos em nossos cenários de risco que isso já é fator importante para se começar a administrar, e se preparar com antecedência bastante grande. A COMGÁS já começa a ter não necessariamente uma preocupação, mas uma preparação de como agir num mercado de competição livre.
Os entrevistados frisaram que apesar de existir um fator de risco a ser administrada pela companhia no que se refere à comercialização, ela detém a concessão de distribuição de gás. Dessa forma, o risco somente se relaciona à parcela de comercialização do gás natural.
5.8.1.2 Cenários de estratégias
No tocante aos cenários de estratégias a serem tomados pelo concessionário, os entrevistados discorreram sobre a possibilidade de criação de uma comercializadora de gás natural paralela à empresa de distribuição, consoante o setor elétrico, com a função de distribui os riscos entre as duas companhias. No trecho abaixo transcrito é possível enxergar essa previsão, a depender das escolhas dos grupos que controlam a Comgás, quais sejam, BG e Shell.
As concessionárias de energia elétrica (distribuidoras), quase todas têm uma comercializadora associada ou coligada, o que tem uma diversificação do risco, com a distribuidora e a comercializadora, pode ser um caminho que a COMGÁS ou o grupo econômico que comanda a COMGÁS possa tomar também, de eles terem uma comercializadora de gás, então até lá, também, isso terá que ser sinalizado, porque essas comercializadoras precisam ser autorizadas pela CSPE. Tudo isso ainda está em estudo de cenários, tanto na BG quanto na Shell, o cenário está ficando interessante, a coisa vai ter que ser bem estrutura, a partir do próximo ano ou do outro teremos mais definições, pois leva um tempo para cenarizar, se resolver montar uma comercializadora e ter mais opções de gás então, porque hoje somente se compra da Petrobrás.
Em outro trecho observa-se a concessão de descontos dentro de um preço de equilíbrio ditado pelos energéticos substitutos e regulado pela CSPE. Isso também é feito a fim de captar e fidelizar clientela, principalmente, em setores com grande volume consumidor.
Nota-se ciência de que os grandes consumidores poderão se utilizar um “poder de barganha” para negociar as condições de preço do gás após a liberalização. Importante ressaltar que o representante do órgão regulador também tocou nesse ponto, isso sinaliza de que tais informações procedem e de que o regulador tem conhecimento real sobre as práticas comerciais dos concessionários.
A empresa tem competição séria entre energéticos, com óleos, energia elétrica, lenha, a gente tem vários energéticos que determinam o preço de equilíbrio, (...) o desconto é regulado pelo órgão regulador, a gente só pode dá desconto. (...) A possibilidade de migração fica para grandes consumidores, caso a distribuidora deixe de dar desconto.
Sobre a competição de possíveis comercializadores, os entrevistados expõem o seguinte:
Certamente vamos montar cenários, competição regional, dentro da cidade de São Paulo, não terá. Nossa rede não vai ter ociosidade (...).
Nesse fragmento verifica-se uma tendência de sub-investimento em expansão de rede a partir do livre acesso, para fins de impedir a entrada de concorrentes ou a priorização de expansões de rede nos segmentos que vão permanecer cativos [residencial e comercial], o que asseguraria a fatia de mercado da empresa. Contudo, como já foi analisado no item 5.2, o concessionário continua com a obrigação de expansão de rede e de atendimento aos usuários que solicitarem a prestação do serviço. Daí recomendável que o desenho básico do setor de comercialização e de livre acesso à rede de distribuição de gás natural canalizado sinalizem a garantia de amortização dos investimentos a serem realizados em construção e em ampliação de rede, sob pena do sub-investimento do setor a partir de informações assimétricas entre regulador e regulado.
5.8.1.3 Visão sobre o regulador
Nesse ponto constata-se uma tendência de enxergar a atuação do órgão regulador como transparente, coerente e consistente ao longo do tempo, além de possuidor de capacidade técnica e de conhecimento sobre o mercado, atributos esses considerados como relevantes na boa reputação do regulador, o que proporciona credibilidade e diminuição de um risco regulatório. Veja:
A COMGÁS tem um ótimo relacionamento com o regulador, ele conhece e entende o negócio de gás, independente do governo que venha, continue a mesma postura, não tem queixas. A estrutura da CSPE foi bem pensada. (...) CSPE é encarada como modelo de aspecto técnico, coerente nas suas decisões, um exemplo foi o processo de revisão tarifária. A comissão é muito justa, as regras são transparentes, real possibilidade de diálogo, não cede a pressões políticas. Até hoje, as pessoas que fazem parte são oriundas do mercado.
No que se refere ao período do livre acesso, consistente no que se espera de ação do regulador, foram focalizados aspectos concernentes ao procedimento administrativo a ser adotado, qual seja, as audiências públicas como mecanismo de discussão sobre os inúmeros pontos a serem definidos e esclarecidos. In verbis:
Precisa preparar a regulação do mercado livre, mas quando chegar a hora esperamos que tenha discussão, audiência publica, a gente tem a convicção de que se coisa continuar dessa forma será benéfica.
Essas questões são relevantes na medida em que demonstram uma confiabilidade dos agentes econômicos quanto às regras que irão ser editadas, bem como os caminhos a serem seguidos pelo regulador no que diz respeito ao procedimento e à montagem de referencial teórico de mudanças que esclareça as dúvidas dos agentes econômicos antes e durante o período de transição do modelo de exclusividade na comercialização para o de livre acesso.
No trecho final do discurso do agente entrevistado é importante notar que a continuidade referida se relaciona à participação dos agentes econômicos na construção do modelo regulatório do setor de gás natural. Daí o órgão regulador também deve retirar a lição de que sofrerá inúmeras pressões, bem como deverá primar pela pluralidade de opiniões, mas exercendo suas funções dentro de uma linha que confira transparência, coerência e consistência intertemporal às suas ações e decisões.
5.8.1.4 Desenho regulatório e maturidade da indústria
O histórico do modelo de concessão do Estado de São Paulo foi tocado por um dos entrevistados da empresa Comgás, que deu enfoque à escolha pela concorrência, após um certo período de retorno do capital investido por parte do concessionário. Daí averiguam-se, além da evocação do modelo regulatório da distribuição de gás natural canalizado, a referência ao contrato de concessão como determinante dessa opção.
a partir de 2011 inicia na área da Comgás que aqui em São Paulo é a área mais importante, o período de consumidores livres na compra da commodity, isso é uma forma de abrir a competição, esse foi o principio que na época o governador de São Paulo, Mario Covas, definiu no contrato de concessão, ele queria que houvesse concorrência entre distribuidoras do estado, a partir de um determinado período, após a maturação dos mercados, entrasse a figura do consumidor livre.
Sobre a divisão do Estado em três áreas de concessão, os entrevistados da Comgás consideraram-na positiva, dentre vários argumentos, por permitir focos claros para cada empresa concessionária e, também, pelo desenvolvimento de uma rede em todo o território do estado comportar áreas que demandam elevados investimentos.
Positiva. Mario Covas decidiu isso, que queria ter competição. A reunião foi em meados de 1998, a COMGÁS foi privatizada, em um ano se partiu da idéia a efetivação do contrato de concessão, houve decreto dividindo as áreas, as regras da privatização da COMGÁS e da licitação das outras áreas de concessão.
Na verdade, há de se reforçar que a concessão foi muito positiva para esse concessionário, que pagou um significativo valor por isso e que ficou com a Região Metropolitana de São Paulo, Campinas, Baixada Santista e Vale do Paraíba responsáveis pela maior concentração populacional e industrial. Isso admite a construção e ampliação de uma rede de distribuição para os segmentos que continuarão cativos [residencial e comercial], depois de ganhos econômicos extraordinários no segmento industrial. Inclusive, no Plano de Negócios da Comgás existe a meta de universalização do uso do gás natural para os segmentos residenciais e comerciais, o que é muito bom, porém o órgão regulador deverá ficar atento para a tendência de exercício de poder monoplístico nesses segmentos.
Quanto à maturidade da indústria de gás natural, os assuntos mais enfatizados foram a pouca oferta de transporte e de gás natural, bem como a imposição de preço por parte da Petrobrás. Porém, é importante deixar claro uma tendência de integração vertical por parte também dos controladores da Comgás.
O cenário hoje é de que não tem muito gás, nem muita fonte, nem muito transporte, com certeza a COMGÁS não vai ficar sentada achando que a situação vai permanecer para sempre, certamente iremos discutir essas alternativas. A sétima rodada de licitação mostra a existência de produção nacional, possibilidade de ampliação de gasodutos e sempre existe a possibilidade de utilização de GNL. (...) onde a gente tem mais dificuldade é no upstream, pois a Petrobrás tem grande poder de mercado, hoje pagamos o preço cobrado pela Petrobrás.
A COMGÁS não pode participar da produção, mas o grupo BG já tem reservas, entrou nos leilões, a Shell entrou também, fez até um swap na bacia de Santos, trocou com a Petrobrás.
Assim, no momento da definição do desenho básico do setor de comercialização de gás natural é relevante considerar os efeitos da integração vertical dos controladores da Comgás no mercado sob o ponto de vista concorrencial e sopesar os objetivos da regulação inserindo restrições a práticas anticoncorrenciais com os investimentos que ainda são necessários no setor de distribuição de gás natural canalizado.
5.8.2 Análise da entrevista realizada com funcionários da empresa