4. ARAŞTIRMA BULGULARI
4.1. Sürvey Çalışmalarında Gözlenen Hastalık Belirtileri
Outras atividades ligadas às firmas do entorno e à atividade do turismo em Itaúnas também empregam parte dos moradores da comunidade. Cerca de três moradores trabalham como monitores de empresas terceirizadas que prestam serviço à Fibria. Há também o emprego de dois moradores nos seringais da Donati Agrícola, localizada na margem esquerda do córrego do Angelim.
Por fim, a renda mais frequente e constante nas unidades familiares advém de auxílios governamentais e benefícios do Estado, como o programa “Bolsa Família” e a aposentadoria. A aposentadoria possibilita que a geração mais velha consiga viver da roça e/ou da farinha e beiju com menor dificuldade, pois há a
117 garantia dessa renda mensal. Essa garantia também possibilita os empréstimos, muitas vezes feito para a própria compra do alimento.
Dentina:(...) vou na aposentadoria, faço empréstimo..depois que faz empréstimo, minha filha, num é mais aquele mais..e daí por diante vem tanta coisa que precisa pra gente..pra gente fazer..ter o dinheiro pra pagar, pra comprar..aí fui fazendo, fui fazendo, aí parei. (...) Aí comecei a passar meio um perrengue, que às vezes eu tinha um dinheiro, mas não tinha uma pessoas, às vezes, pra mandar pra fazer uma feirinha pra mim ou então comprar o que comer ...que é o que mais gasta, né (65 anos, entrevista concedida a autora em julho/2013).
Por outro lado, a Bolsa Família garante que as famílias não “passem tanto aperto”, como vemos na fala de Valdemiro e Biano.
Miro: Nóis sempre passa aperto, num tem jeito..na roça, sempre passa aperto (51 anos, entrevista concedida a autora em outubro/2013). -Que eu queria saber que...da onde que vem a renda pra comprar alimento, né...você compra, né..você tira daqui, mas você num tira tudo daqui..?
Biano: É..compro, num sai daqui não..por isso que eu tô te falando ..num venho, porque eu faço meus bico lá fora..igual lá em Itaúna mesmo, num tem..é onde que eu tiro um dinherizinho..pago a compra, compro um remédio pros menino..compro..é...tipo roupa, né..aí já tem a Bolsa Família mesmo que já é seguro, já é garantido, né..já ajuda, (...)..no..supermercado, mesmo, né..é..porque paga com sessenta dias..metade. Tem hora que vai pra lá, você recebeu com 30 dias, com mais 30 tem o outro né..aí eu tenho que me virar cá pra..comprar um remédio, comprar uma mistura também né, que sempre falta..que uma mistura.. feijão e arroz rende, mas mistura não rende..sempre falta..aí tem que tá interando..tem que me virar..né..aí tem o leite, tem um monte de troço que menino pede, né..aí num pode parar, não (48 anos, entrevista concedida a autora em outubro/2013).
Outro recurso que foi disponibilizado à comunidade foi a distribuição de Cestas de Alimentos ligadas ao Programa Fome Zero, que se iniciou em 2003 e abrangia apenas sete das trinta e nove comunidades, sendo duas no município de São Mateus (Divino Espírito Santo e São Jorge) e cinco em Conceição da Barra (São Domingos, Linharinho, Angelim 1, 2 e 3), chegando a cerca de 400 famílias. Dentro dessas sete comunidades assistidas, nem todas as famílias em estado de vulnerabilidade recebiam o benefício, fazendo com que muitas vezes as cestas fossem divididas entre duas famílias.
118 Além disso, os alimentos chegavam até à CONAB87 em Vitória, e o transporte até o norte ficava por conta da Comissão Quilombola, e os assistidos tinham que contribuir financeiramente para arcar com as despesas do frete. Outro ponto é que a distribuição não apresentava uma regularidade que garantisse mensalmente o acesso aos alimentos.
A Comissão enviou esse levantamento à Fundação Palmares solicitando ampliação do Programa, mas não obteve retorno. Após transtornos e dificuldades internas de distribuição que era realizada pela comissão, a cesta parou de ser distribuída. A renda familiar mais uma vez iria ter que cobrir os gastos com alimento. A ONG Fase (ES), que trabalha junto às comunidades rurais do Sapê, fez um diagnóstico sobre as políticas públicas de acesso à alimentação na região. Dois programas avaliados foram o Bolsa Família e o Fome Zero, através da Cesta de Alimentos. Alguns apontamentos foram feitos relativos à representação e ao destino desses benefícios para as famílias.
Os quilombolas, de uma forma geral, não enxergam o PBF como um direito, mas como uma ajuda do governo. Os relatos dão conta da importância dada pelas pessoas ao Programa Bolsa Família, principalmente porque receber um dinheiro certo todo mês lhes dá maior segurança e crédito no comércio local (...). Relatam que o dinheiro é destinado basicamente para a compra de material escolar e de alimentos.(...) No que se refere à alimentação, as famílias relatam que
gastam principalmente com a compra de alimentos básicos, “alimentos de verdade” como dizem, como arroz, feijão e carne. Muitas pessoas
relataram que este recurso é responsável por prover boa parte da alimentação da família durante o mês. (...) Eles avaliam que as cestas acabam por impactar pouco na garantia da alimentação das famílias, pois não podem contar como certo, já que não há regularidade na entrega, não podendo contar com esses alimentos para o dia-a-dia (FASE, 2011:10/11).
Enquanto comunidades quilombolas, através de programas e auxílios, o Estado teoricamente auxiliaria essas populações em suas estratégias de manutenção e reprodução da vida. Contudo, esses benefícios não têm chegado às comunidades.
Um programa da União que contempla as comunidades é o Brasil
Quilombola, que agrupa as ações do Governo Federal através da Secretaria de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Seus principais objetivos são:
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garantia do acesso à terra; ações de saúde e educação; construção de moradias, eletrificação; recuperação ambiental; incentivo ao desenvolvimento local; pleno atendimento das famílias quilombolas pelos programas sociais, como o Bolsa Família; e medidas de preservação e promoção das manifestações culturais quilombolas88.
O acesso a esses benefícios advém principalmente dos registros do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CAD Único)89, o qual apresenta classificação específica para quilombolas. No entanto, as prefeituras de Conceição da Barra e de São Mateus não executam o procedimento de informar aos quilombolas seus benefícios. A Comissão Quilombola já reivindicou tal direito junto às prefeituras, sem resultados concretos.
Além da dificuldade de acesso a esses programas destinados especificamente às populações quilombolas, as comunidades enfrentam a dificuldade de acesso a programas e políticas públicas voltadas à produção e comercialização de produtos, como o caso do PRONAF90, que facilitaria o crédito para investimento na produção, e o PAA91 e PNAE92, que facilitaria a comercialização de seus produtos. No entanto, sem o título da terra essas famílias não conseguem acesso a esses programas.