70 BAG, NZA 2008, 818.
4.4. Süreksiz İşlerde Deneme Süres
1.4.1. Os sujeitos da pesquisa
Se o objetivo do trabalho é conhecer e compreender as expectativas e os investimentos relacionados à experiência de escolarização internacional no quadro das
práticas culturais e educativas das famílias e das trajetórias escolares dos jovens, era preciso ir até os atores e coletar seu discurso.
Os sujeitos principais desta investigação são, portanto, pais e alunos usuários e ex- usuários das duas escolas internacionais de Belo Horizonte. Noventa e quatro entrevistas (N=94) foram realizadas20 entre junho de 2003 e fevereiro de 2004, distribuídas segundo os sujeitos entrevistados, como disposto na tabela 1 :
Tabela 1: Entrevistas realizadas
Sujeitos
Entrevistados Fundação Torino Escola Americana Subtotal Pais 21 21 42 Alunos 18 10 28 Ex-alunos 5 7 12 Professores 8 - 8 Ex-professores - 4 4 Total geral 52 42 94
Fonte: Esta como todas as tabelas são de minha elaboração
Do total de 94 entrevistas, 42 foram com pais, 40 com alunos e ex-alunos, e 12 com professores e ex-professores dos dois estabelecimentos. Quanto a esses últimos sujeitos é preciso esclarecer que, mesmo sendo as famílias – pais e estudantes - o foco principal deste estudo, uma incursão nas escolas se fazia necessária, de modo a conhecer seu funcionamento e suas especificidades, na tentativa de compreender as razões que as tornam atrativas para determinados grupos sociais.
No conjunto dos depoimentos coletados encontram-se dois casos em que consegui realizar a entrevista com o filho, não tendo o mesmo êxito com os pais. Um deles com uma ex-aluna da Fundação Torino e o outro, com uma ex-aluna da EABH e atual aluna da escola italiana.
Algumas das famílias são usuárias, ou foram, de ambos os estabelecimentos. São três casos nos quais os filhos estudaram inicialmente na escola americana, passando, em
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Dentre elas incluem-se as entrevistas de caráter exploratório realizadas no período inicial do trabalho de campo, com ex-estudantes e pais de ambas as escolas. Essa iniciativa teve como objetivos: a) uma primeira aproximação do universo a ser estudado, dada a ausência total de informações sobre as duas instituições e sobre as famílias que delas se utilizam; b) o aperfeiçoamento do roteiro de questões abordadas nas entrevistas.
seguida, à italiana. Um outro estudante consta somente como aluno da EABH, dada a sua passagem rápida, de apenas seis meses, pela escola italiana.
1.4.2. A seleção e o acesso aos entrevistados
Na falta de informações oficiais ou sistematizadas - como, por exemplo, listagens fornecidas pelos próprios estabelecimentos contendo dados sobre as famílias atendidas - foi preciso recorrer à indicação de terceiros para identificação e seleção dos sujeitos da pesquisa. As indicações se deram por três vias distintas:
1 - Indicação resultante de relacionamentos pessoais da própria pesquisadora; 2 - Indicação resultante de relacionamentos profissionais da pesquisadora; 3 - Indicação resultante dos próprios entrevistados
Nesse último caso foram os próprios entrevistados a sugerir nomes de pessoas conhecidas, familiares, colegas ou amigos que atendiam aos requisitos da investigação. Esse é o método de seleção dos sujeitos conhecido por “bola de neve”.
Involuntariamente, o acesso aos sujeitos foi bem mais fácil na Fundação Torino, cujo número de indicações das próprias famílias usuárias superou em muito o da escola americana. Por um lado - como visto no item anterior - as instituições diferem quanto ao número de alunos (bem mais numerosos na escola italiana), fato que poderia estar associado a essa dificuldade. Mas outros aspectos, apontados por pesquisas realizadas junto às camadas favorecidas (PINÇON e PINÇON-CHARLOT, 1997; NOGUEIRA, 2002; CANTUÁRIA, 2005 e BONNET, 2001, entre outros), ampliam a compreensão desse fenômeno. Pinçon e Pinçon Charlot (1997), por exemplo, sublinham a inequívoca necessidade da recomendação pessoal, condição indispensável para que a entrevista seja concedida e, portanto, estratégia essencial para a aceitação do pesquisador em um meio no qual o “princípio da cooptação” é central. Assim, a “magia de um nome conhecido” e o “rito fundamental da apresentação ao grupo” (PINÇON e PINÇON-CHARLOT, 1997, p. 20 e 23) são requisitos que, no entender desses pesquisadores, abrem portas difíceis de serem transpostas, dada a regra tácita da discrição vigente entre as frações dominantes das classes superiores, cuidadosamente mantidas ao abrigo de importunos. Sinais desse “cuidado” e dessa “discrição” foram por mim detectados repetidas vezes na interação com os entrevistados da EABH. Enquanto as famílias da escola italiana prontificavam-se a telefonar para amigos ou colegas que, supunham, pudessem conceder entrevistas, essas
indicações eram, em geral, adiadas por pais e alunos da escola americana e, na maior parte dos casos, não se concretizavam21.
O primeiro contato com os sujeitos se deu por telefone, ocasião na qual, depois de anunciado o nome de quem recomendou e explicitados os objetivos da pesquisa, eram negociados dia, local e horário para as entrevistas. Outro aspecto que diferenciou as relações com as famílias foi a maior atenção, por parte dos estudantes da escola italiana, aos horários e dias marcados para os encontros. Não foram poucas as vezes em que esperei em vão no local e hora determinados por jovens da EABH.
1.4.3. As entrevistas
As entrevistas com os estudantes trataram de sua experiência de escolarização nacional e internacional, seu cotidiano e práticas culturais e de suas relações com o internacional por meio de viagens, aprendizado e uso de línguas estrangeiras ou amizades com pessoas que vivem no exterior. Aquelas com os pais giraram em torno das opções de escolarização para os filhos, em especial a internacional, da experiência vivenciada por esse contato, do cotidiano da família e suas práticas educativas e culturais, e de suas relações sociais e de trabalho com o internacional (viagens, interesses, aprendizado e uso de línguas estrangeiras).
Todos os sujeitos foram informados previamente sobre o tema e a média de tempo previsto para a entrevista, que seria gravada. Os encontros aconteceram no domicílio ou no local de trabalho dos pais e duraram 90 minutos, em geral, com poucas exceções, casos em que esse prazo foi superado.
As entrevistas com pais e filhos aconteceram separadamente e em dias diferentes e a intenção foi, por um lado, atender aos objetivos do trabalho, de obter pontos de vista diversos sobre a opção e a experiência de escolarização internacional. Mas tal conduta visou também à maior possibilidade de contato e observação do ambiente familiar.
Ao final de cada entrevista foi preenchida uma ficha com dados gerais da família, relativos à residência, à demografia familiar, ao nível de instrução e à ocupação até a geração dos avós. As observações que concernem ao ambiente no qual transcorreu a entrevista foram registradas por escrito, após o encontro, em um diário de campo.
21 As características socioeconômicas das famílias entrevistadas, discutidas no capítulo seguinte, assim como o alto valor da mensalidade da EABH, vão comprovar o inegável favorecimento econômico próprio desse grupo, fator que pode estar associado às dificuldades de acesso vivenciadas pela pesquisadora.
1.4.4. O contato com as escolas
O contato com as duas escolas foi feito depois de já realizado um número consistente de entrevistas com as famílias. A intenção foi chegar aos estabelecimentos com uma idéia inicial daquele universo fornecida por pais e estudantes. As entrevistas com os professores buscaram explorar seu ponto de vista sobre a demanda atual de famílias brasileiras pela escolarização internacional, além de informações sobre o funcionamento e o cotidiano das escolas em que atuam ou atuaram. No caso da escola italiana foi possível realizar também uma entrevista com um dos diretores da escola.
Para o contato com a Fundação Torino, contei com a recomendação de uma professora italiana, que me propiciou o acesso ao diretor pedagógico italiano, bem como ao diretor administrativo brasileiro. Foi esse último quem sugeriu nomes de professores que poderiam conceder as entrevistas. No entanto, por intermédio da indicação de estudantes ou de pessoas de meu relacionamento, entrevistei também professores italianos de modo independente da sugestão do diretor. Os encontros aconteceram, em sua maior parte, na própria escola, todos eles foram gravados, em português e tiveram duração média de 90 minutos.
A entrada na EABH se deu por intermédio de uma das famílias usuárias e de um funcionário da escola, que se encarregou da minha apresentação a outros professores, da seleção de alguns deles para futuras entrevistas, de minha visita às dependências do estabelecimento, sendo também o portador da carta de apresentação da pesquisa à direção. Antes da realização do primeiro encontro com um dos professores selecionados, que aconteceria na própria EABH, fui informada, pelo mesmo funcionário, de que todos os docentes haviam sido proibidos de conceder entrevistas. Por esse motivo, somente ex- professores da instituição foram ouvidos em entrevistas que aconteceram na residência ou local de trabalho desses, com uma duração média de 90 minutos e em português.