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Sürecin Seçilmesi: ĠyileĢtirme projelerinin seçilmesi, süreç iyileĢtirme

Adım 7: Ödüllendirme: Yönetim, süreç iyileĢtirme ekibini elde ettiği baĢarıları

1. Sürecin Seçilmesi: ĠyileĢtirme projelerinin seçilmesi, süreç iyileĢtirme

Dentre as metáforas citadas nos sermões162, a do peregrino parece ser especial para Simonton, tanto pelo que ele mesmo escreveu em seu diário, como também pelo número de referências claras ou alusões encontradas na coletânea de Blackford.

O diário de Simonton mostra que ele próprio via-se como peregrino. Num momento de grande alegria, já como missionário no Brasil, ele recebeu as primeiras notícias da sua casa (15/07/1859). A recepção de um pacote com cartas foi para ele uma “festa para a alma”. “Alegraram meu coração, aliviaram seu peso e deram-me forças para conviver com o que não pode ser mudado. Mais duro do que estar separado dos amigos é não ter amigos cristãos cujas orações acompanham o peregrino e alegram o seu caminho.” (SIMONTON, 2002, p. 128-129).

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A ausência de críticas à Igreja de Roma pode ser percebida também em sermões como “O batismo de Jesus”, que contém basicamente instrução doutrinária sobre a consagração de Cristo durante seu batismo e a utilidade disso para a vida cristã.

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Um levantamento sobre as vezes em que a figura do peregrino é citada ou aludida nos sermões (bem como sua relação com a metáfora homônima em John Bunyan) será feito no tópico a seguir.

162 Além do peregrino, as outras metáforas (que serão estudadas no tópico 4.6.2.) são as do Alvo, Cegueira e vista, o

Em seu diário, Simonton sugere mais uma vez a importância do tema do peregrino, desta vez mencionando a obra e seu autor (John Bunyan) - ao lado de documentos importantes - como livro-texto da sua primeira aula dada em língua portuguesa:

No último domingo, dia 22, realizei uma Escola Dominical em minha própria casa. Foi meu primeiro trabalho em português. As crianças dos Eubanks estavam todas presentes, bem como Amália e Mariquinhas Knaack. A Bíblia, o catecismo de história sagrada e o Progresso do Peregrino, de Bunyan, foram nossos textos. (SIMONTON, 2002, p.140).

No registro seguinte do diário (01/05/1860), ele se admira da dificuldade de suas duas alunas, que “acham difícil entender John Bunyan.” (SIMONTON, 2002, p. 141).

Em seu sermão O consolador, num dos poucos momentos da coletânea em que cita uma obra além da Bíblia, Simonton escreve:

Na Viagem do Cristão [outro título de O Peregrino] fala-se de um fogo aceso ao pé de uma muralha que, não obstante uma pessoa ocupar-se com muita presteza em lançar-lhe água para apagá-lo, se inflamava cada vez mais, lançando ainda mais altas as suas chamas. Cristão estava vendo este fato singular sem saber explicar como um fogo podia tornar-se mais ardente enquanto se lhe lançava torrentes de água. O seu companheiro, que era chamado Intérprete, levou-o para o outro lado do muro e fê-lo ver outro homem que tinha um grande vaso de azeite nas mãos e dele ocultamente e sem parar deitava no fogo. (SIMONTON, 2008, p. 107, 108).

No último sermão da coletânea, A vida eterna: em que consiste, Simonton usa dois termos importantes no capítulo 12 (versos 1,2) da epístola aos Hebreus. Afirma que, para cristãos já no paraíso celestial ou ainda vivendo aqui, “a carreira é a mesma. Deus é o alvo a que ambos se dirigem.” (SIMONTON, 2008, p. 230, grifo nosso). Ele continua a usar linguagem própria do capítulo 12 de Hebreus, como ao citar o “prêmio” daqueles que correm a corrida da fé (SIMONTON, 2008, p. 230) e faz uma alusão a Hebreus 12:13, quando diz, sobre o cristão, que “Jesus firma-lhe os passos vacilantes.” (SIMONTON, 2008, p. 230).

Não faz sentido, nesse ponto, perguntar se no parágrafo anterior o missionário está usando a linguagem do apóstolo Paulo aos Filipenses 3:14163 para tratar da questão do prêmio que o cristão receberá, pois Simonton declara, em alguns dos seus sermões, que foi o apóstolo Paulo quem escreveu a Epístola aos Hebreus (SIMONTON, 2008, p. 49, 50, 91, 174). Por outro lado, essa associação levanta questões importantes sobre até que ponto Simonton viu o próprio Paulo como peregrino em seus sermões sobre as epístolas paulinas.

É possível que em sermões como O viver é Cristo, baseado na carta de Paulo aos Filipenses 1:21 (Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer lucro), a metáfora do alvo fixo e da mira fixa

163 Na versão da Bíblia do Padre Figueiredo: “Prosigo segundo o fim proposto ao premio da soberana vocação de

(SIMONTON, 2008, p.28, 29) sejam inspiradas não só em Filipenses 3:14, (prossigo para o alvo), mas também em Hebreus 12.2: “[...] pondo os olhos no Autor, e consumador da fé, Jesus [...]”. No sermão A fé e a visão, baseado em dois textos paulinos (2 Co 4:18 e 2 Co 5:6,7), Simonton afirma que Hb 12:2 foi escrito por Paulo, que afirmou ser Jesus o autor e consumador da fé. Sua explicação, retratando a fé como uma peregrinação, diz muito sobre como ele entendia ser o pensamento do apóstolo:

Quem contempla a Cristo pela fé facilmente consegue romper as prisões dos sentidos e da carne. Jesus nos deixou um exemplo perfeito. Não temos senão de trilhar o mesmo caminho por onde ele passou. Cada vez que vos sentirdes fracos e cansados, pedi a ele aumento de forças e prossegui avante. Sei como é difícil andar pela fé. Sei que, embora o espírito esteja pronto, a carne é fraca. Mas lembrai-vos da paciência de Jesus Cristo. Lembrai-vos dos santos que desde o princípio do mundo tem sempre havido. Entre todos eles não houve um só que não andasse pela fé por longos anos. (SIMONTON, 2008, p. 91, grifos nossos).

No sermão Cristo crucificado, baseado no texto paulino de 1 Co 1:22-25, Simonton usa a metáfora da peregrinação como matriz para a intelecção de várias doutrinas apresentadas pouco antes (a justiça e o amor de Deus, sua punição ao pecado e seu amor pelos pecadores, ao ponto de entregar seu Filho à morte de cruz), e isso ao ponto de cobrir toda a vida cristã neste mundo:

Vê-se a verdadeira significação da nossa vida sobre a terra. Somos peregrinos neste mundo. [...]. Enquanto estamos na carne, vivemos pela fé e temos em vista servir e glorificar Aquele que nos amou e nos salvou. Vê-se a utilidade das provações por que passamos, as quais têm por fim desapegar-nos cada vez mais do mundo, e experimentar e patentear a nossa fé. (SIMONTON, 2008, p. 209).

No sermão A vida eterna: em que consiste, baseado em João 3:36, nas palavras finais, que encerram o último sermão da coletânea, há menção de um fraseado subordinado à ampla metáfora do peregrino, “primeiro passo na senda”, expressando parte do seu dinamismo típico: “O que crê, tem a vida eterna. Sabe em parte o que os santos sabem perfeitamente. Deu já o primeiro passo na senda de um progresso ilimitado. É da família de Deus. É herdeiro da glória.” (SIMONTON, 2008, p. 232, grifo nosso).

Apesar de todas essas citações claras e também das alusões, a referência que mais chama a atenção vem do sermão Entrai pela porta estreita, baseado em Mateus 7:13, 14, não só por seu conteúdo, como por ter sido posto na abertura da coletânea de Blackford.164 As primeiras palavras do sermão são as seguintes:

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O Evangelho segundo Mateus é, junto com o Evangelho de João, o documento mais pregado por Simonton na coletânea (05 sermões). Ele demonstrou interesse especial por Mateus ao mencionar em seu diário (25/11/1861) que, durante aquele que seria seu único furlough nos Estados Unidos (misto de descanso e divulgação do trabalho missionário), faria imprimir “um comentário de Mateus, folhetos e livros...” (SIMONTON, 2002, p. 150).

Nosso senhor aqui compara a vida de cada homem a uma viagem, e a comparação é tão bela como própria para nos instruir. Com efeito, somos viajantes e peregrinos na terra. Não temos morada fixa e permanente, porque, como é provável, daqui a cinqüenta anos nenhum de nós estará morando neste mundo. (SIMONTON, 2008, p.15).

Antes de Simonton, o puritano John Bunyan já havia explorado a relação entre Mateus 7:13,14 e o motivo da peregrinação. “Além de fornecer a ideia para a Porta Estreita, este texto é importante para a concepção inteira sobre ‘o Caminho’ no Peregrino.” (STRANAHAN, 1982, p. 290, tradução nossa). No romance de Bunyan, após passar por várias dificuldades, Cristão encontra-se agora perante a porta estreita, por meio da qual encontrará o caminho estreito, simbolizando as dificuldades da vida cristã.

Portanto - disse ainda Evangelista -, você precisa, em primeiro lugar, abominar a tentativa que ele fez de desviá-lo do caminho, assim como o seu próprio consentimento, pois isso equivale a rejeitar o conselho de Deus, em favor do conselho de um Sábio- segundo-o-mundo. Diz o Senhor; “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita” (Lc. 13:24), a porta para a qual enviei você, pois “estreita é a porta... que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mt 7:13,14). Dessa portinha estreita, e desse caminho que a ela conduz, é que esse homem ímpio desviou você, para levá-lo quase à destruição. (BUNYAN, 1999, p. 22,23).

Simonton, em seu sermão, parece captar menos a forma do que a estrutura mais profunda e geral do pensamento de Bunyan. No entanto, assim como Bunyan, seu uso do texto de Mateus envolve uma elaboração com outras metáforas relacionadas à da peregrinação (como a do caminho e a da porta), de modo que a força do motivo do peregrino é sentida mesmo quando essa metáfora-guia não é mencionada explicitamente. Nesse sermão de abertura, Simonton faz uso de vários termos pertencentes ao campo semântico da ideia de peregrinação, como viajantes, jornada, viagem (SIMONTON, 2008, p.15), guia, condutor, estradas (SIMONTON, 2008, p.16), companhia, carreira, (SIMONTON, 2008, p. 21-23) e seguir (SIMONTON, 2008, p.25).

A condição de possibilidade para que haja uma peregrinação é, obviamente, o caminho. Simonton, seguindo Mateus 7:13,14, afirma a existência de dois caminhos, “que se afastam cada vez mais um do outro, pois um leva à perdição e o outro à salvação.” (SIMONTON, 2008, p.16). Na alegoria de Bunyan, segundo Stranahan, a figura do caminho possui pelo menos três sentidos relacionados à vida cristã. 1) “[É] um conceito temporal representando a extensão dos dias mortais de um cristão – do momento do compromisso com a fé (entrando pela porta estreita) até o tempo da morte (cruzando o rio) e entrando no mundo porvir (a Cidade Celestial).” (STRANAHAN, 1982, p. 289, tradução nossa). 2) De um ponto de vista ético, caminho “é uma similitude para a conduta apropriada e necessária de um cristão: aquele que o deixa por outros

caminhos, ou quem toma atalhos para entrar nele, nunca alcança a recompensa cristã.” (STRANAHAN, 1982, p. 289, tradução nossa). 3) Finalmente, a topografia da jornada representa uma sequência de experiências religiosas pelas quais passam os cristãos nesta vida: “tudo deve começar na porta estreita e percorrer o caminho que leva ao Rio da Morte, embora como indivíduos eles possam ter aventuras diferentes ao longo do Caminho.” (STRANAHAN, 1982, p. 289, tradução nossa).

O primeiro sermão da coletânea destaca, logo em sua abertura, o sentido temporal do caminho. Após afirmar que Jesus Cristo compara a vida humana a uma viagem (SIMONTON, 2008, p.15), o missionário escreve:

Não temos morada fixa e permanente, porque, como é provável, daqui a cinqüenta anos nenhum de nós estará morando neste mundo. Nós vamos gastando rapidamente os poucos dias ou anos que nos restam, e ao pôr-do-sol de cada dia o termo da nossa jornada fica cada vez mais perto. (SIMONTON, 2008, p.15, grifos nossos).

Seguindo o costume de se falar do tempo em termos espaciais, Simonton diz que não nos é dado “parar no meio do caminho [...]”, e que “[É] forçoso caminhar até o fim da carreira.” (SIMONTON, 2008, p.15).

No mesmo sermão, a identificação do caminho com o sentido ético da vida cristã também pode ser observada. Primeiro, Simonton lembra textos como João 10:9 e 14:6, em que Jesus fala de si mesmo como “a porta” e “o caminho”. A seguir, mostra como isso diz respeito aos seus ouvintes:

Dizendo que é estreita a porta e apertado o caminho, nosso Senhor deu a entender aos fariseus e hipócritas que o escutavam, e também a nós que agora estudamos as suas palavras, que não há salvação sem haver santificação. Eis aqui a estreiteza da porta. Para lá entrar é preciso largar os vícios, os maus pensamentos e os desejos impuros. (SIMONTON, 2008, p.17).

A seguir, mostra outras posturas imorais que impossibilitam o trajeto pelo caminho estreito, como o ser maometano (SIMONTON, 2008, p.18), orgulhoso, hipócrita ou mentiroso (SIMONTON, 2008, p.18) e praticar um Cristianismo “onde tudo é fácil e cômodo.” (SIMONTON, 2008, p.18).

Finalmente, a topografia espiritual da jornada cristã, com toda a sua acidentalidade, também está presente e é mencionada por Simonton como parte da vida de todo aquele que peregrina pelo caminho. Os altos e baixos da caminhada cristã ocorrem por causa dos três grandes inimigos da alma: A “concupiscência da carne”, o “excessivo apego às coisas mundanas” e “os assaltos do

inimigo das almas.” (SIMONTON, 2008, p.19) 165. Aquele que pensa caminhar numa vereda sempre plana, sem que tenha se sentido apertado por um desses três inimigos “pode ficar certo de que anda errado.” (SIMONTON, 2008, p.18). Em outro ponto, afirma que “a vida do cristão é uma carreira tão difícil que é preciso diligência desde o princípio até o fim. É necessário vigiar e orar. Cada dia traz seus trabalhos e suas tentações. O cristão nunca pode encostar suas armas para descansar...” (SIMONTON, 2008, p.23,24).

Assim, é possível afirmar uma considerável identificação de Simonton com Bunyan, neste sermão de abertura, assim como em boa parte da coletânea de Blackford.