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Sürdürülebilir Rekabet Üstünlüğünün Sağlanması

2. DEMĠRYOLU TAġIMACILIĞI SEKTÖRÜNDE PAZAR VE REKABET Bu bölümde öncelikle demiryolu taşımacılığının tarihi ve taşımacılık

2.8. Sürdürülebilir Rekabet Üstünlüğünün Sağlanması

O Plano da Cidade Nova de 1901, como mencionado anteriormente, teve seu primeiro impulso no primeiro mandato do governador Alberto Maranhão, no qual o Interventor Municipal Joaquim Manuel Madeira de Moura assina a resolução criando o bairro. O bairro então foi demarcado e realizado o alinhamento das vias por Jeremias Pinheiro da Câmara. Em 1904, este Plano sofre uma ampliação e é implantado de fato sob a orientação do agrimensor italiano Antônio Polidrelli, já no governo de Tavares de Lira.

Trata-se de um plano urbanístico, que costuma ser acompanhado de informações textuais. Contudo, este é um plano extremamente simples, que define apenas ruas e avenidas novas e como tal, não foi acompanhado por outras informações textuais que o esclarecessem ou explicassem as intenções de seu projetista ao idealizá-lo. Seu documento escrito é a resolução da Intendência municipal n. 35, citado anteriormente, instituindo a criação do bairro. Todavia, a partir da análise deste desenho e considerando alguns antecedentes históricos, podem-se inferir determinadas ideologias inseridas no desenho de forma indireta.

Um primeiro aspecto significativo observado é a relação do Plano da Cidade Nova com o traçado urbano da cidade existente em 1901: a ligação entre o arruamento da “cidade antiga” com a “cidade nova” é mínima (no plano original) e em ângulo. É como se a ligação não fosse desejável e até desencorajada. Este aspecto é reforçado quando se verifica sua orientação tanto em relação à cidade existente como à topografia do local, e com relação às diferenças de escala. Por mais que não fosse perfeitamente retilínea, constata-se que há na implantação da “cidade antiga” uma tendência ao desenho em grelha, donde se percebem eixos norteadores do crescimento. No Plano da Cidade Nova, a angulação desses eixos não é seguida, assim como Polidrelli também não procura encaixar seu desenho em grelha em conformidade com a topografia local.

Porém, o aspecto mais marcante a distinguir os dois desenhos – existente na cidade antiga e proposto na cidade nova – é a diferença de escala dos seus respectivos traçados. Enquanto a cidade antiga apresenta um desenho tipicamente colonial, com ruas mais estreitas e respeitando a dimensão humana, o traçado proposto por Polidrelli é mais amplo, com quadras maiores, pressupondo a utilização de transporte em veículos para vencer as grandes distâncias.

Não foi pensado um traçado intermediário de transição entre a cidade antiga e a nova, ou algum mecanismo que integrasse as duas linguagens. O desenho da Cidade Nova

não se propõe a interagir com a cidade existente. Tal relação poderia ser realizada quando da definição em micro escala, ou seja, de como funcionariam os lotes e quadras. Contudo, a proposta também não fornece indicativos relacionados aos usos a serem atribuídos aos quarteirões. Segundo Lima, (1999, p. 44), o desenho “não apresenta, portanto, qualquer preocupação com alguma forma de zoneamento, e toda a hierarquização do espaço se restringe à diferenciação entre ruas (desenhadas no sentido leste-oeste) e avenidas (no sentido norte-sul)”.

A idéia de uma “cidade nova”, situada num local privilegiado (mais alto e mais plano que a cidade até então existente), com o mínimo de contato com a cidade antiga e o seu tratamento diferenciado (projetado por um profissional especializado, dentro de padrões europeus e com um desenho totalmente distinto do que existia na cidade antiga), é a solução perfeita para “melhorar a cidade” e condiz com os discursos de presidentes de província, médicos e engenheiros que ao longo do século 19 falavam por um lado das belezas naturais de Natal e por outro das mazelas causadas pelas bexigas, pelas chuvas e pelos miasmas emanados pelos cemitérios, matadouros públicos e demais edificações de uso “sujo”. Ora, se era comprovado pelos especialistas mais respeitados na época, que determinados prédios e ocorrências naturais (como lagoas e manguezais) não eram próprios para o contato humano, e se deslocar todos esses equipamentos se tornava muito dispendioso para o governo (retoma-se aqui o fato de que durante muitos séculos, depois da colonização, o Rio Grande do Norte ainda causava prejuízo aos cofres portugueses com sua pouca lucratividade e altíssimos custos com reparos ocasionados pela ação das chuvas, investimentos para cura de bexigas e topografia acidentada, que carecia de uma série de reparos), a saída mais eficaz era deslocar as pessoas desta cidade “condenada” para uma outra “nova”, “moderna”, “saudável”.

Com uma só solução, de custo muito mais baixo para os cofres públicos (do que reparar os problemas existentes), se pretendeu promover o crescimento da cidade (para que ela finalmente merecesse o título de cidade não só de direito mas de fato) e consolidar o processo de exclusão social (é evidente que a moradia na “cidade nova” não se estendia à toda a população de Natal, mas somente aqueles que pudessem manter um lote bem maior, com residências de melhor qualidade e que tivesse transporte adequado para se deslocar por estas grandes distâncias). Esta tese é endossada também por Lima (1999, p. 47), ao afirmar que o Plano da Cidade Nova ou Polidrelli representou:

Uma dupla solução para o desejo de auto-segregação das classes dominantes locais. Por um lado, o Plano Polidrelli superaria o antigo desenho irregular originário da cidade colonial, onde as classes sociais conviviam, praticamente, no mesmo espaço ou guardando uma certa contigüidade. Por outro lado,

serviriam como um refúgio, onde as classes dominantes poderiam se proteger do contato com as péssimas condições ambientais e das epidemias que, então, grassavam pela cidade.

Feitas estas reflexões, o que se deduz acerca da visão de meio ambiente para as classes elitistas de Natal (ou seja, para as pessoas que estavam a frente do governo local e que decidiam e atuavam sobre o tecido urbano) é que o meio ambiente deveria ser modificado e controlado (através dos aterros, drenagens, construções de pontes, dentre outros), e quando não fosse possível, deveria ser “esquecido”, deixado para trás, e relocadas as pessoas para ambientes menos agressivos (e a preferência eram lugares tão inacessíveis que inviabilizasse a fixação dos de menor poder aquisitivo, os quais também eram deixados para trás). Apesar de tais idéias não terem vingado imediatamente, logo quando foram propostas, as sementes da auto segregação das elites permaneceram no ideário dos governantes, de modo que todos os planos subseqüentes redesenharam a cidade incorporando o Plano Polidrelli, consolidando a Cidade Nova (atuais bairros de Tirol e Petrópolis) como o espaço da elite – até os dias de hoje.

Benzer Belgeler