A comunicação é uma necessidade humana desde sempre. Permutar informações, registrar fatos, manifestar ideias e emoções são fatores que contribuíram para a evolução das formas de se comunicar (SILVA &NEVES, 2003).
Lévy (1999) vem ressaltar que com o decorrer do tempo, o homem foi aperfeiçoando cada vez mais sua capacidade de se relacionar e, conforme as necessidades foram surgindo, ele foi se adaptando a elas e com isso a comunicação foi avançando.
O século XX foi um período dinâmico e transformador. Um novo mundo tomou forma no final do milênio. Originou-se aproximadamente no fim dos anos 60 e meados da década de 70, período de coincidência histórica de três processos independentes – a revolução da tecnologia da informação, a crise econômica do capitalismo e do estatismo e a consequente estruturação de ambos; e o apogeu dos movimentos sociais e culturais, representados pelo liberalismo, direitos humanos, feminismo e o ambientalismo (CASTELLIS, 1999). Contudo, com a interação entre esses processos e reações por eles desencadeadas que surgiu uma nova estrutura social dominante, a sociedade em rede; uma nova economia – a economia informacional/global; e uma nova cultura, a cultura da virtualidade real.
Eis, pois a Era da Informação, período histórico em que há possibilidade de interação com novos aparatos tecnológicos, que estabelecem novas formas de comunicação entre as pessoas e das pessoas com coisas. A humanidade vivencia uma revolução, que tem como elemento central a tecnologia da informação e da comunicação (BRANCO 2005).
A Era da Informação consiste em uma revolução que é responsável por muitas mudanças na sociedade, modificando conceitos, formas de comunicação, de produção, educação, entretenimento e comercialização. A utilização de recursos tecnológicos está transformando todas as atividades existentes, tornando-as um primoroso instrumento para o desenvolvimento de várias áreas das organizações (PERINI, 2011).
As informações, na atualidade, são em tempo real. Atualmente vive-se numa era de transformações, de interdependência global com a internacionalização da economia, nomeada por Tapscott de "Economia Digital", que se baseia no capital intelectual humano e nas redes, por meio das quais conhecimento e informação se transformam em meios de produção (TAPSCOTT, 1999) e são mediadas pela tecnologia. Entretanto, vive-se em um
“mundo fugaz”, em mudança rápida, no qual as fundações sociais, econômicas, culturais e políticas da sociedade estão sendo redefinidas numa base contínua (GIDDENS, 2003).
O termo tecnologia vem do grego “tekhne” que significa “técnica, arte, ofício”, e juntamente com o sufixo “logia” que significa “estudo”. É um termo bastante abrangente, mas que pode ser definido como um conjunto organizado de todos os conhecimentos quer científicos, empíricos ou intuitivos, empregados na produção e comercialização de bens e de serviços (MATTO & GUIMARÃES; 2009)
Atualmente a Tecnologia da Informação (TI) vem representando importante papel na comunicação, pois é através dessas ferramentas que as pessoas vêm se comunicando sem fronteiras. Segundo Lévy (1999), novas formas de pensamento e de convivência estão sendo organizadas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, nas instituições escolares, nos locais de trabalho e até mesmo no lazer, estão dependendo dos aparatos informatizados que estão a cada dia mais avançados.
Para Afonso (2002), as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) existem desde tempos imemoriais, através de correspondências em papel, rádio, televisão, jornais e revistas convencionais. Contudo suas formas digitais são um fenômeno que se consolidou na última década do século XX. Nos últimos anos, houve uma explosão de novos artefatos digitais de comunicação, bem como a proliferação de aplicativos computacionais e de suas possibilidades de uso. Assim, se faz necessário o uso do termo Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) visto que englobam equipamentos eletrônicos que se baseiam seu funcionamento em uma lógica binária.
A evolução da TI tem sido imensa e o advento da rede mundial de computadores (Internet) foi um significativo avanço neste processo. A internet impeliu a globalização, superando a distância entre os países, quebrando fronteiras físicas, aproximando culturas e diferentes valores pessoais. Através da internet, sistemas de comunicação e informação foram criados, democratizando as informações e gerando inclusão digital. A tecnologia além de ser instrumento de inclusão social, adquiriu novo contorno, não mais como incorporação ao mercado, mas como incorporação à cidadania e ao mercado, garantindo acesso à informação e barateando os custos dos meios de produção multimídia através das novas ferramentas que ampliam o potencial crítico do cidadão (Pretto & Pinto, 2006).
A Internet é apenas um componente infraestrutural de uma enorme constelação de artefatos técnicos empresariais, domiciliares ou nômades, que vão desde os telefones celulares aos apoios digitais de fácil mobilidade, tais como:fax,computadores portáteis ou de mesa,leitores de áudio com ou sem dispositivo de gravação, leitores de DVD, livros
eletrônicos,televisores, antenas parabólicas, terminais de jogos e aparelhos de TV digital. (PROULX, 2010)
Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) são tecnologias e métodos para acessibilizar o conteúdo da comunicação para a transmissão e distribuição das informações.
As TDIC podem ser compreendidas como conjunto convergente de tecnologias (hardware, software), telecomunicações e radiodifusão e optoeletrônicas (Catellis, 2003) assim como pessoas envolvidas na obtenção, armazenamento, tratamento, comunicação e disponibilização de informação. Elas têm sido consideradas um dos componentes mais importantes em diversos ambientes de trabalho, e praticamente, todas as organizações têm utilizado ampla e intensamente essa tecnologia, tanto em nível estratégico como operacional (ALBERTIN, 2009, ALBERTIN & ALBERTIN, 2012).
Em consonância, Pacievitch (2007) relata que a TDIC pode ser definida como ferramentas tecnológicas, utilizadas de forma integrada, com um objetivo comum. As TDIC já fazem parte do dia-a-dia das pessoas, com os computadores espalhados em bancos, escolas, bibliotecas, hospitais, comércio, em exames como ressonâncias, ultrassonografias, etc. São consideradas TDIC internet, wireless, bluetooth, computadores pessoais, câmeras de vídeo, cartões de memória, CD, DVD, pen drives, telefones celulares, televisão por assinatura, as tecnologias digitais de captação e tratamento de imagens e sons, entre outros. Importante assinalar, ainda, que o desenvolvimento de mediadores da comunicação como o e-mail, o chat, os fóruns, a agenda de grupo on line, comunidades virtuais, web cam, entre outros, revolucionaram profundamente as relações humanas
Hoje, as TDIC são aplicadas nas mais distintas áreas, e pode-se dizer que dificilmente exista alguma área em que não se possa utilizar a tecnologia para aperfeiçoar e superar seu desempenho. Para Robredo (2003), com as TDIC há maior facilidade e rapidez de acesso à informação, favorecendo as empresas terem fronteiras cada vez menores em relação ao seu meio ambiente, a trabalharem cada vez mais "em rede" com outras empresas e, seus profissionais também trabalharem cada vez mais conectados. As TDIC são utilizadas nos mais diversos setores da economia – na agricultura, na indústria e na oferta de serviços.
Atualmente, espera-se que os indivíduos da pós-modernidade aprendam vários conhecimentos e competência em formas diferentes e diferenciadas, em função, muitas vezes, de exigências de sua situação. As mudanças educacionais são reflexos das mudanças do mundo do trabalho. Hoje, considera-se que a empregabilidade de um indivíduo depende de sua competência em adaptar-se a diferentes exigências e situações just in time. A flexibilidade
nas práticas de trabalho, a pronta operacionalidade quando e onde for necessário são inerentes neste “novo” mundo do trabalho, e para isto espera-se que os indivíduos tornem-se eternos alunos, capazes de empreender um aprendizado apropriado durante toda vida. As formas de obtenção destes aprendizados podem envolver instituições formais de educação, aprendizado a distância ou ambientes não formais. As formas educacionais podem ser personalizadas e ajustadas para as necessidades e exigências individuais, outras podem ser fomentadas na forma de instrução de massa. (SELWYN, 2008).
Desta forma, o uso das TDIC na Educação tem duplo papel; em que o primeiro está relacionado à promoção da inclusão social em termos de oportunidades e resultados educacionais, haja vista que as TDIC foram promovidas como meios particularmente apropriados para que os indivíduos desempenhem papéis ativos na melhoria das perspectivas educacionais, e aqueles que estivessem “previamente marginalizados” pudessem participar melhor da Educação. O segundo é o uso da educação para garantir a inclusão social em termos de oportunidades e resultados tecnológicos. Neste sentido as escolas, faculdades, bibliotecas e museus propiciam um acesso às TDIC, uma vez que se considera que a formação em competências e perícias tecnológicas fornece aos indivíduos as capacidades informacionais necessárias para tirar o melhor proveito de tais tecnologias. Assim, as TDIC têm se mostrado fortes aliadas à Educação, não somente pelo papel que desempenham na diminuição de obstáculos físicos em relação ao tempo e espaço, mas principalmente pelas inúmeras possibilidades de troca de conhecimento, elevando processos de interação e integração.
A educação a distância (EAD) não se trata de uma nova modalidade educacional. Na realidade, ela foi concebida como modalidade educacional alternativa para transmitir informações e instruções aos alunos por meio do correio e receber destes as respostas às lições propostas. (ALMEIDA, 2003) A EAD tornou os processos educativos presenciais acessíveis às pessoas residentes em áreas isoladas ou àqueles que não tinham condições de cursar o ensino regular no período apropriado.
A integração entre a tecnologia digital com os recursos da telecomunicação evidenciou possibilidades de ampliar o acesso à educação, embora esse uso por si não implique nas práticas mais inovadoras e não represente mudanças nas concepções de conhecimento, ensino e aprendizagem ou nos papéis do aluno e do professor. O advento TDIC reavivou as práticas de EAD devido à flexibilidade do tempo, quebra de barreiras espaciais, emissão e recebimento instantâneo de materiais, o que permite realizar tanto as tradicionais formas mecanicistas de transmitir conteúdos, agora digitalizados e
hipermediáticos, como explorar o potencial de interatividade das TDIC e desenvolver atividades a distancia com base na interação e na produção de conhecimento (ALMEIDA, 2003) Na EAD, através da incorporação de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), os estudantes e professores têm a possibilidade de se relacionar, trocar informações e experiências, realizar trabalhos em grupos, debates, fóruns, tornando a aprendizagem mais expressiva.
As TDIC, quer na modalidade presencial ou à distância, podem ser desenvolvidas para que os conhecimentos disciplinares significativos possam ser melhor aproveitados pelos alunos. Entretanto, para que aconteça, é necessário levar em consideração que a aprendizagem é um processo reconstrutivo, cumulativo, autorregulado, intencional, além de situado e colaborativo (Miranda, 2007).
Para Arraes et al (2007), através do trabalho colaborativo, profissionais distantes geograficamente podemtrabalhar em equipe, em que o intercâmbio de informações gera novos conhecimentos e melhoria das competências entre estes.
Acredita-se que hoje, a maioria das pessoas se agrupa por meio destas tecnologias digitais de comunicação e informação, como própria exigência do mundo contemporâneo, em que a não adequação passa a ser vista como desatualização e/ou não competência e qualificação como, por exemplo, a cargos almejados profissionalmente.