• Sonuç bulunamadı

função adicional, referencial. Cada uma delas possui um objetivo comunicativo específico, os quais foram sintetizados respectivamente por Mentrup (1982: 10): “a ‘intenção de uma instância [de x] fora do sujeito [de y], que está orientada a um resultado ou então à sua realização por meio do sujeito [y]’: ‘vontade alheia’” 142 e “(x) atualiza (k) (=texto), (k) leva conhecimento a (y) e (y) considera (k), (x) intencionalmente faz com que (y) conheça características de (z) (do Objeto)” 143.

Com isso, o objetivo comunicativo para os textos com função apelativa é definido da seguinte forma:

140

Im Rahmen der Pharmakotherapie erfüllen Packungsbeilagen eine wichtige Funktion: Ihre Angabe sollen für die Nachhaltigkeit, die Sicherheit und die Effektivität der ärztlichen Therapie sorgen, zusätzlich zu den in einem persönlichen Gespräch mit dem Arzt erhaltenen Anordnungen. Der Patient soll vollständig über den Sinn der Behandlung, die ordnungsgemässe Anwendung des Arzneimittels sowie über alle möglichen Risiken informiert sein, die mit der Einnahme des Medikaments in Verbindung stehen

141

Die Packungsbeilage gibt dem Patienten Auskunft über den Zweck und die korrekte Anwendung des Arzneimittels: so zur Krankheite oder zu den Beschwerden, die es heilen oder lindern soll, über die Art der Anwendung und die Dosierung, über die Gegenanzeigen und die Symptome möglicherweise auftretender unerwünschter Wirkungen.

142

die ‚Intention einer Instanz [des x] ausserhalb des Subjekts [des y], die auf ein Ergebnis bzw. dessen Realisierung durch das Subjekt [y] gerichtet ist‘: ‚fremder Wille‘

143

(x) (k) (=Text) aktualisiert, (k) (y) zur Kenntnis bringt und (y) (k) zur Kenntnis nimmt, bewirkt (x) absichtlich, dass (y) Eigenschaften des (z) (des Objekts) erfährt

um produtor responsável atualiza o texto instrutivo, leva conhecimento ao consumidor e esse lê o texto, o produtor intencionalmente faz com que o consumidor conheça características do produto, e o produtor deseja que o consumidor utilize o produto da maneira correta.144 (MENTRUP, 1982: 10)

Tendo em vista a realidade específica das bulas, a fórmula do objetivo comunicativo dos textos instrucionais pode ainda ser adaptada, para traduzi-la melhor:

[...] uma empresa farmacêutica (x) elabora a bula (k), levando ao consumidor (y) conhecimento sobre um medicamento (z) e o consumidor (y) lê a bula (k), a empresa (x) intencionalmente faz com que o consumidor (y) conheça as propriedades do medicamento (z) [função referencial ou informativa], e a empresa (x), quer que o consumidor (y) utilize o medicamento (z) da maneira correta [função apelativa]. 145 (MENTRUP, 1982: 18)

Hoffmann (1983: 142) indica que um estudo mais detalhado poderia diferenciar os vários tipos de objetivos das partes para cada público-alvo (relacionados ao produto, ao receptor, às autoridades), estratégias e meios para alcançá-los. Entretanto, esse não é o foco principal desta pesquisa e a ideia ficará registrada como sugestão para trabalhos futuros.

4.1.6 Função comunicativa

Os trabalhos que se ocuparam de analisar a bula do ponto de vista dos gêneros textuais concordam que ela pertence ao grupo dos textos instrucionais (Anleitungs-/Anweisungstexte) (BERG-SCHMITT, 2003: 57-58; FANDRYCH; THURMAIR, 2011: 191; HOFFMANN, 1983: 138; KÜSTER, 1982: 105; MENTRUP, 1982: 9; MÜLLER, 2006: 10; NEUBACH, 2009: 77; SCHULDT, 1992: 66).

Devido a um conjunto de características, e, sobretudo, devido à sua função textual, a bula se assemelha a outros gêneros, como o manual de instrução e a receita culinária, que também são considerados textos instrucionais. Fandrych e Thurmair (2011: 191) afirmam que se trata de gêneros “que são semelhantes [...] por conta de sua função” 146. Assim como as bulas, esses gêneros são polifuncionais, ou seja, possuem mais de uma função textual, sendo que uma delas é dominante e mais uma é adicional, no mínimo. A semelhança entre eles é

144

ein verantwortlicher Produzent den Anleitungstext aktualisiert, dem Konsumenten zur Kenntnis bringt und dieser den Text zur Kenntnis nimmt, bewirkt der Produzent absichtlich, dass der Konsument Eigenschaften des Produkts erfährt, und will der Produzent, dass der Konsument das Produkt richtig gebraucht

145

[...] ein pharmazeutisches Unternehmen (x) die Packungsbeilage (k) verfasst, dem Käufer (y) eines Medikamentes (z) zur Kenntnis bringt und (y) (k) zur Kenntnis nimmt, bewirkt das Unternehmen (x) absichtlich, dass der Käufer (y) Eigenschaften des Medikamentes (z) erfährt [Informationsfunktion], und will das Unternehmen (x), dass der Käufer (y) das Medikament (z) richtig gebraucht [Appellfunktion]

146

possuir como função dominante a função apelativa (Appellfunktion) (BRINKER, 2010: 101), que também é denominada por outros autores como: função instrucional (FANDRYCH; THURMAIR, 2011: 191), diretiva (MENTRUP, 1982: 10), função instrucional e apelativa (MÜLLER, 2006: 10), função apelativa (NEUBACH, 2009: 77), instruir/ orientar (SCHULDT, 1992: 39).

De acordo com a definição de Brinker (2010: 101), na função apelativa (Appellfunktion): “O emissor dá a entender ao receptor que quer levá-lo a adotar um determinado posicionamento frente a alguma coisa (influência da opinião) e/ou a executar uma determinada ação (influência do comportamento)” 147. No caso das bulas, trata-se mais especificamente da segunda opção, ou seja, de direcionar um comportamento.

Brinker (2010: 103) afirma que as bulas, os manuais de instrução e as receitas culinárias, diferentemente dos textos publicitários, dos contratos e das leis, cuja função dominante também é a função apelativa (Appellfunktion), pertencem a um subgrupo de textos que representa uma variação dentro desse grupo. O que os textos dessa variação têm em comum é que “em princípio, nos textos desse tipo, o emissor não quer levar os receptores a uma ação imediata, mas quer informá-lo sobre determinadas etapas ou possibilidades na ação” 148 (BRINKER, 2010: 103).

O autor ilustra essa definição com a chamada ‘relação se-então’ (Wenn-dann-

Relation): “Se o aparelho X deve ser usado, então deve-se atentar às indicações em anexo” 149 (BRINKER, 2010: 103). Por isso, é muito comum que esse desdobramento da função apelativa (Appellfunktion) seja frequentemente denominado como ‘instrução’. No caso das bulas, a ‘relação se-então’ (Wenn-dann-Relation) poderia ser descrita especificamente da seguinte forma: Se o paciente quer ingerir/aplicar o medicamento ou se tem dúvidas a respeito de aspectos relacionados à ingestão/aplicação do medicamento, então ele deve ler a bula para saber como proceder (cf. FANDRYCH; THURMAIR, 2011: 181-182).

Algumas partes da bula apresentam essa função mais nitidamente, como os itens destinados ao modo de usar, à posologia, à superdose e ao armazenamento (cf. MENTRUP, 1982: 19; SCHULDT, 1992: 63; MÜLLER, 2006: 10). Por todo o texto da bula, a função apelativa (Appellfunktion) fica mais evidente devido a certas escolhas da configuração

147

Der Emmittent gibt dem Rezipienten zu verstehen, das ser ihn dazu bewegen will, eine bestimmte Einstellung einer Sache gegenüber einzunehmen (Meinungsbeeinflussung) und/oder eine bestimmte Handlung zu vollziehen (Verhaltensbeeinflussung)

148

Der Emittent will in Texten dieser Art den Rezipienten prinzipiell nicht zu einer unmittelbaren Handlung veranlassen, sondern ihn über bestimmte Handlungsschritte und –möglichkeiten informieren

149

linguística, como imperativo/formas imperativas, infinitivo 150, verbos modais e orações condicionais (cf. CINTRA, 2012). Alguns meios extralinguísticos também apoiam a função apelativa (Appellfunktion) da bula, entre os quais se destacam a presença de elementos gráficos, como imagens, tabelas e diagramas, que ilustram como as ações devem ser executadas e qual será o resultado final delas.

A função adicional mais presente no texto da bula é a função referencial (Informationsfunktion), de acordo com a classificação de Brinker (2010). Outros autores também denominam essa função adicional como função constativa-assertiva (FANDRYCH; THURMAIR, 2011: 183), informativa (MENTRUP, 1982: 10), descritiva (MÜLLER, 2006: 10), informativa (NEUBACH, 2009: 77). Segundo Brinker (2010: 98), com a função referencial (Informationsfunktion), “o emissor dá a entender ao receptor que quer compartilhar um conhecimento com ele, quer informá-lo sobre algo” 151. Essa função é adicional para as bulas, mas é dominante para gêneros como relatório, notícia, resenha e carta e, nelas, os trechos com função informativa são: a identificação do medicamento, as indicações e contra-indicações e os efeitos colaterais (MENTRUP, 1982: 19; NEUBACH, 2009: 78)

Os gêneros que possuem a função referencial – como dominante ou como adicional – dividem-se entre objetivos (sachbetont) e subjetivos (meinungsbetont), segundo a classificação de Brinker (2010: 100). Para o autor, uma tendência não exclui a outra, embora seja relativamente fácil notar o predomínio de uma delas, por exemplo: um texto com função referencial, como a resenha, apresenta fatos concretos, ou seja, possui traços objetivos (sachbetont), mas o que predomina é sua característica subjetiva (meinungsbetont), já que manifestar uma opinião é a essência desse gênero (o leitor da resenha procura esse tipo de texto para saber o que o autor achou de um filme ou um livro). No caso das bulas, o tom objetivo (sachbetont) se destaca, uma vez que nos trechos referenciais o propósito é compartilhar um fato baseado em fontes científicas, pesquisas clínicas, testes etc., evitando, portanto, avaliações explícitas linguisticamente e apelos emocionais.

Em resumo, é possível dizer que “as bulas apresentam uma combinação com relação à função textual: a intenção comunicativa do produtor do texto é tanto informar o leitor como

150

Embora esse seja empregado com uma frequência cada vez menos – apesar de ser uma forma curta e direta –, pois há uma tendência de aproximação com o leitor e, portanto, incluir um tratamento mais pessoal com o sujeito.

151

Der Emittent gibt dem Rezipienten zu verstehen, dass er ihm ein Wissen vermitteln, ihn über etwas informieren will

também orientar/ instruir” 152 (NEUBACH, 2009: 78). Quando a autora usa o termo ‘combinação’ (Mischform), ela está se referindo à polifuncionalidade das bulas; no entanto, nessa afirmação, as duas funções estão colocadas como paralelas/ iguais (tanto informar como orientar/ instruir), ou seja, a autora não destacou a predominância de uma sobre a outra, ao contrário do que foi visto nessa análise (cf. FANDRYCH; THURMAIR, 2011: 183).

4.2 Requisitos da produção textual