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II. Rusya Federasyonu

4. Rusya Federasyonu Anayasası’nın Geleceğ

Editado e distribuído anualmente por uma editora parisiense especializada nas vanguardas científicas e filosóficas que então orbitavam a universidade francesa, a Felix Alcan, o AS teve, ao longo dos quinze anos em que foi editado (1898-1913), um único diretor, Émile

Durkheim. Oriundo de uma família judaica e nascido em Épinal, no leste da França, em 1858, o futu oà pat oà daà es olaà so iol gi aà f a esa à era fruto do que havia de mais reputado em termos de educação nacional. Não bastasse o período como aluno da École Normale Supérieure (1879-1882) e o sucesso no concurso de agrégation de filosofia (1882), ele teve ainda a oportunidade de estagiar junto a expoentes da universidade alemã (1885-1886). A ida para o exterior estava vinculada a um projeto governamental visando acompanhar e, se possível, fazer frente aos avanços das ciências sociais alemãs. Não por acaso, de volta à França, graças a um decreto ministerial, um jovem Durkheim com pouco menos de trinta anos foi empossado na Faculdade de Letras de Bordeaux, primeiro como charge de cours (1887) e, alguns anos depois de seu doutorado, como professor titular (1896). Até o lançamento do AS, ele havia publicado três livros importantes (De la Division du Travail Social, Les Règles de la Méthode Sociologique e Le Suicide), os quais lhe garantiram, ao lado de algumas polêmicas, um renome considerável2.

Mas nem só do diretor vive uma revista. Um dos dados que torna mais singular a empresa do AS é a montagem de sua equipe e a definição de um programa mínimo de pesquisa. Diante de um cenário de institucionalização precária e, por conseguinte, da falta de profissionais capacitados a atuar na área, foram necessários dois anos de costuras e negociações para que fossem definidos os colaboradores do primeiro volume da revista. Destes, apenas três já tinham postos na universidade, Célestin Bouglé, Emmanuel Lévy e o próprio Durkheim, o mais velho e o único titular do trio. Havia ainda um colaborador que já possuía o título de doutor, Gaston Richard, cuja idade regulava a de com Durkheim, bem como oito jovens cuja agrégation fora obtida há pouco (dentre eles, Henri Hubert, Marcel Mauss, Paul Lapie, Paul Fauconnet e François Simiand). Três fatos correlatos contribuíram para que as assimetrias existentes em termos de idades e de vínculos institucionais fossem associadas a um grau de coesão pouco comum às outras revistas de época3. Em primeiro lugar, do ponto de vista morfológico, os membros da equipe do AS possuíam todos um perfil universitário, marcado pela obtenção do certificado de agrégation e pela passagem por importantes universidades ou grandes écoles. Em seguida, em um plano afetivo, as relações entre os membros iniciais do grupo foram reforçadas por laços de amizade – ou de parentesco no caso de Mauss e de Durkheim – mais ou menos intensos conforme o caso. Por fim, despontaram também entre eles afinidades no plano político. Simiand, Hubert, Mauss, Durkheim, Fauconnet, Bouglé, Lapie, todos atuaram publicamente em favor da revisão do processo do

2 FOURNIER, 2007: 105-328. 3

A literatura sobre o tema é considerável. Destaco, entre textos hoje clássicos e trabalhos mais recentes, KARADY, 1973, 1976 e 1979, BESNARD, 1979a, MUCHIELLI, 1998 e 2001, bem como FOURNIER, 2007.

Capitão Dreyfus, assim como estiveram próximos, como militantes ou simpatizantes, dos quadros dirigentes do momento socialista francês. A expansão do grupo não implicou um rompimento com esse padrão de relações inicialmente delineado.

A comparação de tal grupo original com aquele que animou o último volume da primeira série do AS, publicado sob a direção de Durkheim em 1913, reforça essas impressões iniciais. Afinal, dos onze fundadores, seis continuavam a participar da revista4. Destes, cinco eram professores em Paris (Durkheim, Bouglé, Simiand, Mauss e Hubert) e apenas um exercia suas atividades na província (Paul Fauconnet). Ao lado deles, figuraram então outros vinte e dois colaboradores, envolvendo desde professores do Collège de France e da Sorbonne (respectivamente Antoine Meillet e Albert Demangeon), até alunos dos membros mais antigos (Henri Beuchat, Jean Marx, Henri Jeanmaire, Georges Davy, entre outros). Ao que tudo indica, a adesão ao AS não comprometeu, ao menos não no referido intervalo (1898-1913), nem a ascensão universitária da carreira dos sociólogos nem o interesse dos jovens quanto à nova ciência.

Em termos programáticos, os objetivos declarados do AS eram, a princípio, modestos. No prefácio do primeiro volume, eles foram apresentados sucintamente nos seguintes termos (AS, 1898: i)5:

O Année Sociologique não tem por objetivo único, nem mesmo por principal, apresentar um quadro anual do estado no qual se encontra a literatura propriamente sociológica. Assim delimitada, a tarefa seria restrita demais e de medíocre utilidade, pois os trabalhos desse gênero são ainda muito pouco numerosos para que um órgão bibliográfico especial seja necessário aos pesquisadores. Nós acreditamos, porém, que os sociólogos precisam urgentemente de informes regulares sobre as pesquisas feitas nas ciências especiais, história do direito, dos costumes, das religiões, estatística moral, ciências econômicas, etc., porque aí se encontram os materiais com os quais a sociologia deve ser construída. Responder a essa necessidade, tal é, antes de tudo, a finalidade da presente publicação.

Tratava-se, portanto, de constituir uma arena pública, um espaço onde os trabalhos de todas as tendências, sobre os mais variados domínios, pudessem ser discutidos e comparados. Para tanto, a publicação foi subdividida em duas partes. A primeira era reservada a artigos de fôlego (mémoires originaux), um meio de colocar em prática e à prova o ofício de sociólogo. A segunda (analyses), por sua vez, reunia duas outras modalidades de texto: resenhas (comptes- rendus), textos que poderiam variar de meia a vinte páginas discutindo um livro ou um

4 Paul Lapie e Dominique Parodi, no entanto, continuavam a ter laços com o grupo. Apesar de nada

escrever para o volume de 1913, o nome deste figura entre os colaboradores da revista em sua folha de rosto, o que permite pensar que ele pode ter escrito resenhas sem as ter assinado.

conjunto coerente de livros, e notícias (notices), contendo a simples referência bibliográfica da obra, por vezes acrescida de um breve comentário. As resenhas e as notícias não estavam dispostas aleatoriamente na revista: elas eram ordenadas segundo as subdivisões da sociologia, tal qual os durkheimianos as concebiam6.

Entre 1898 e 1907, o formato e a periodicidade originais foram mantidos. A partir de 1908, contudo, o AS se tornou tri-anual, abandonando a publicação das mémoires originaux (que passaram a sair na forma de livros ligados a uma coleção dirigida por Durkheim na editora Alcan e intitulada T avaux de l’Année Sociologi ue). Dois volumes do AS foram publicados nesse formato novo, um em 1910 e outro em 1913, até que a mobilização geral de grande parte dos quadros da revista em decorrência da eclosão da Primeira Guerra Mundial inviabilizou a continuidade da revista. Uma segunda série só aparecerá mais tarde, em meados da década de 1920.

Cumpre, por fim, destacar que todo esse arranjo, seja no plano do perfil dos colaboradores seja no plano da forma e da periodicidade, faz do AS uma revista atípica entre suas contemporâneas. Afinal, nenhuma publicação consultada durante a pesquisa que culminou com a presente tese apresentou as mesmas características: a coesão do grupo, a exclusividade das contribuições (restritas apenas ao grupo) e o investimento nas resenhas7.

Benzer Belgeler