• Sonuç bulunamadı

Com relação à localização da sílaba tônica saliente nos GTs, em geral, ela se encontra na sílaba acentuada do item lexical do último elemento gramatical do GT, sendo esta forma considerada como tonicidade neutra, em outras palavras, quando a sílaba tônica saliente recai em qualquer outro lugar no GT, este é considerado portador de tonicidade marcada. Halliday (2005, p. 252) explicita, então, o que é considerado como posição final da sílaba tônica saliente:

In neutral tonicity, then, the tonic begins at the final element of clause

structure unless this contains only ‘fully grammatical items’, that is, on final

Adjunct (if any) other than items such as there, to him; otherwise on Complement (if any) other than personal pronouns or items such as it, some, and the substitute one; otherwise on Predicator (if any) other than those consisting of auxiliaries only or with the substitute do (unless the subject is a pronoun, in which case even a fully grammatical Predicator – one consisting only of fully grammatical items – will, if final in the clause, carry the tonic).

Any other placing of the tonic is ‘marked’ tonicity.166

Levando em consideração a importância da localização da tonicidade para a formação da unidade de análise na abordagem sistêmico-funcional, o grupo tonal, e também as características fonéticas e gramaticais da sílaba tônica saliente, os dados relativos a esse aspecto em PB e, posteriormente, em IA, são apresentados a seguir.

No corpus em PB, dos 142 GTs, apenas 20 apresentam tonicidade marcada, 14% do total (Tabela 5). Dentre os GTs com tonicidade marcada, 4 aparecem na Cena 1; 10, na Cena 2 e 6, na Cena 3; a cena 2 é a que apresenta a porcentagem mais alta de GTs de tonicidade marcada em PB, 50%. Em relação à tonicidade marcada não há grande diferença na produção dos personagens principais: 11 GTs produzidos pelo Burro e uma quantidade ligeiramente

166 “Na tonicidade neutra, então, o componente tônico se inicia no elemento final da estrutura da oração a não ser

que este contenha apenas ‘itens gramaticais plenos’, isto é, no Adjunto final (se houver) ao invés de outros itens

como lá e para ele; ou senão no Complemento (se houver) do que em pronomes pessoais ou itens, como esse,

alguns e os compostos de one; ou senão no Predicador (se houver) do que nas locuções verbais que consistam só

de verbos auxiliares ou do verbo do como um substituto ( a não ser que o sujeito seja um pronome, nesse caso, até um Predicador composto de itens gramaticais plenos, se no final da oração, carregará a tônica. Qualquer

inferior, 8 GTs, por Shrek. Ainda há um GT de tonicidade marcada produzido por Lorde Farquaad. Dessa maneira, pode-se concluir que o tipo de fala característico de cada personagem não contribui para o sistema de tonicidade no material analisado.

Tabela 5 – Frequência de GTs de tonicidade marcada em PB por cena e por personagem

Cena 1 Cena 2 Cena 3 TOTAL

Shrek 3 4 1 8

Guarda - - - -

Farquaad 1 - - 1

Burro - 6 5 11

TOTAL 4 10 6 20

Ao verificar as classes gramaticais dos elementos em que recai a proeminência tônica nos casos de tonicidade marcada, é possível notar uma preferência, em PB, por salientar os verbos, ou Predicador, na terminologia de Halliday citada acima, nas orações, ao invés de seus complementos ou adjuntos: dentre o total de 20 ocorrências, 9 possuem um verbo como portador da sílaba tônica saliente do GT, como pode ser observado no Quadro 13.

Quadro 13 – Tonicidade marcada e classe gramatical da sílaba tônica saliente em PB Classe gramatical da

sílaba tônica saliente

GT de tonicidade marcada

Verbo //3 ^ Eu já es/tou numa/busca//

//1 ^ porque ele en/cheu de gente esqui/sita// //1 há /mais do que se ima/gina nos /ogros// //1 ^ e /tem ca/madas//

//5“Céus, não /gosto de pa/vê”//

//5 ^ Os /ogros não /são como a ce/bola//

//1 Não /vem com essa his/tória de enxofre /não// //1 ^ e não /saiu do /chão também /não//

//1 ^ mas /olha a localiza/ção//

Pronome //1 ^ pra recupe/rar o /meu /pântano//

//1 Onde vo/cê jogou aquelas criaturas de /contos de fadas// //5 ^ e /eu lhe de/volvo o /seu /pântano//

//3 Já conheceu al/guém que você fa/lasse//

//1 ^ O pa/vê deve ser a /coisa mais delici/osa de/todo o /mundo//

Substantivo //1 ^ os /ogros têm ca/madas// //1 nós /dois temos ca/madas// //1 todo /mundo167 adora /bolo//

//1 ^ eu/tenho uma confi/ssão pra te fa/zer// //1 ^ os /burros não têm ca/madas//

Advérbio //1 ^ Eu tava a/té de boca a/berta//

167

Para essa classificação, foi considerada a expressão “todo mundo”, de acordo com a classificação de Borba (2004, p. 1362).

No Quadro 13, observam-se os GTs mencionados de acordo com a classificação gramatical das palavras que carregam a tônica nos GTs marcados. Além dos 9 GTs em que a tônica recai no verbo, há também os outros GTs de tonicidade marcada relacionados à classe de palavra da tônica: pronomes, 5 GTs; substantivos, 5 GTs; e advérbio, 1 GT.

Ainda é válido observar qual o papel sintático das duas outras classes de palavras com participação significativa, se consideradas em conjunto, pronome e substantivo, que totalizam 10 GTs, de um total de 20, 50%. Dentre essas dez ocorrências listadas no Quadro 13, em apenas 2, a tônica não recai sobre o núcleo do sintagma nominal ao qual pertence a palavra focalizada: “pra recuperar o meu pântano” e “o pavê deve ser a coisa mais deliciosa de todo o mundo”, nos quais “meu” e “todo” têm função atributiva com relação ao núcleo dos sintagmas aos quais pertencem, respectivamente, “pântano” e “mundo”.

Considerando os dados apresentados, é possível concluir que, a tonicidade marcada não é muito produtiva no corpus em PB e, quando ocorre, possui uma característica específica. Em casos de tonicidade marcada foi possível reconhecer que o foco recai preferencialmente em verbos ou em palavras/expressões que são o núcleo de sintagmas nominais.

Realizando o mesmo processo de levantamento dos GTs de tonicidade marcada em IA, nota-se que há um número próximo de GTs a serem destacados, 19, cerca de 13% do total de GTs da versão em IA. A distribuição da tonicidade marcada, que pode ser observada na Tabela 6, ocorre da seguinte forma: 7 GTs na Cena 1, 11 GTs na Cena 2 e 1 GT na cena 3. Observa-se uma distribuição irregular em que aproximadamente 60% dos GTs se concentram na segunda cena do corpus, em que o foco está na discussão da identidade do personagem principal do filme. Com relação aos personagens que produzem esses GTs não há um fator de destaque: 9 GTs são enunciados pelo Shrek; 7, pelo Burro; 2 pelo Lorde Farquaad e, ainda, 1 pelo Guarda.

Tabela 6 – Frequência de GTs de tonicidade marcada em IA por cena e por personagem

Cena 1 Cena 2 Cena 3 TOTAL

Shrek 3 5 - 9

Guarda 1 - - 1

Farquaad 3 - - 2

Burro - 6 1 7

No Quadro 14, há a lista de todos os GTs cuja sílaba tônica recai em outro elemento estrutural da oração que não o final; o agrupamento dos enunciados foi feito de acordo com a categoria gramatical da palavra que contém a tônica.

Quadro 14 – Tonicidade marcada e classe gramatical da sílaba tônica saliente em IA

Classe gramatical da sílaba tônica saliente

GT de tonicidade marcada Substantivo //1 What /kind of /quest//

//1 Why don't you just /pull some of that /ogre stuff on him// //1 Onions /have /layers//

//1 Ogres have /layers// //1 ^ We /both have /layers//

//1 Just the /word par/fait make me start /slobbering// //1 Donkeys don't /have /layers//

Pronome //2 Your swamp//

//1 my swamp// //1 I don't get it//

//4 ^ For /your infor/mation// //1 Everybody loves /cakes// Advérbio //5 ^ I'm al/ready on a /quest//

//3 which you /only don't /have// //1 Ogres are /not like /cakes// Adjetivo //1 ^ I /have a /better i/dea//

//1 ^ you /know the /whole /ogre trip// Verbo //3 ^ Shall I /give the order//

//3 ^ and I'll /give you//

Apesar de a incidência de GTs de tonicidade marcada em IA estar concentrada em uma das cenas analisadas, a observação de mais classes de palavras que carregam a tônica em IA, 6 classes gramaticais (substantivo, pronome, advérbio, adjetivo e verbo) em oposição a apenas 4 (substantivo, verbo, pronome e advérbio) em PB, demonstra maior mobilidade no uso desse recurso na versão em IA, como pode ser observado no Gráfico 2 adiante.

Além da diferença de alcance de mais variedade com relação à classe de palavras, outras duas características dos dados chamam a atenção: a) a baixa presença de verbo em IA, em contraste com a grande presença dos mesmos em PB, e a semelhança na quantidade de substantivos e pronomes. Uma hipótese seria a de que as diferenças dos dados aparentes no Gráfico 2 são devidas a uma maior presença das tônicas em IA em sintagmas nominais e não em verbais. Para isso, é preciso observar qual é o papel sintático das tônicas em cada GT.

Gráfico 2 – Distribuição da tônica por classes gramaticais em PB e IA

Com relação às funções sintáticas das palavras focalizadas nos GTs de tonicidade marcada em IA, é possível constatar um equilíbrio entre as posições sintáticas de núcleos e de modificador de sintagmas. Em 55% dos casos listados no Quadro 14, as tônicas recaem em vocábulos que têm a função de modificar o núcleo dos sintagmas a que pertencem. Os três advérbios listados têm função de modificador dos verbos a eles relacionados: “already” modifica “am”; “only”, “don’t have” e “not”, “are”. Não só os sintagmas verbais é que podem apresentar tônicas em elementos de posição sintática de modificador, os sintagmas nominais também apresentam itens de função atributiva focalizados. Esses itens podem pertencer a diferentes classes gramaticais, por exemplo: adjetivos, como “better” que modifica “idea”; substantivos, como “ogre” diante de “stuff”; e pronomes, como “your” que caracteriza “swamp”. Há 7 ocorrências desse tipo no corpus analisado (cf. Quadro 14). O restante das tônicas funciona como núcleo de sintagmas: o verbo “give” aparece duas vezes em posição sintática de núcleo de sintagma verbal; alguns pronomes, como “I” no GT “I don’t get it”, assim como, alguns substantivos, como “onions” em “onions have layers”, são núcleos de sintagma nominais, totalizando 7 GTs com as mesmas características (cf. Quadro 14). Os Gráficos 3 e 4 apresentam a relação entre esses dados de caráter sintático do IA com os do PB.

Gráfico 3 – Distribuição sintática tonicidade marcada em PB e IA

Gráfico 4 – Relação entre a posição de núcleo e de modificador de sintagmas das tônicas em PB e IA

A partir das considerações feitas em relação aos dados apresentados, pode-se afirmar que a tonicidade marcada no material analisado da versão em IA apresenta características bem diferentes da versão em PB. Os dados apontam para uma maior variabilidade na tipologia de classes gramaticais que podem ter saliência tônica em IA. Além disso, devido ao equilíbrio dos dados com relação a elementos com função sintática nuclear ou de modificador, demonstra-se flexibilidade linguística de produção de foco em diversas posições sintáticas nessa língua.

Em resumo, pode-se constatar, por meio da frequência e da variação dos dados encontrados nos GTs de tonicidade marcada, duas caracterizações diferentes entre as línguas analisadas, apesar da baixa produtividade do recurso estudado nas duas versões analisadas. Em PB, a tonicidade marcada realiza-se preferencialmente com verbos e restringe-se a ocorrer praticamente só com elementos que exerçam a função sintática de núcleo de sintagmas. Já em IA, a focalização de elementos parece ser irrestrita, devido ao fato de ocorrer com mesmo nível de produtividade entre elementos cujas funções sintáticas divergem, como núcleos ou modificadores, no corpus. O fato de também ser possível ter proeminência tônica em termos de classes de palavras diversas em IA indica mais mobilidade de uso desse recurso nessa língua do que em PB.

Nesta subseção, discutiu-se a ocorrência de tonicidade marcada, ou seja, em qualquer posição que não seja a de elemento final em GT. Nesse tocante, foram discutidos casos de tons simples; porém, a tonicidade em tons compostos também é interessante notar, pois só nesse tipo de tom é que é possível observar mudança de tonicidade sem alterar a tonalidade.

Benzer Belgeler