1. ROTİFER EKİMİ YAPMAK VE BESLEME
1.7. Rotiferin Beslenmesi
As Organizações Sociais foram introduzidas no ordenamento jurídico brasileiro com a edição da Lei n.º 9.637, de 15 de maio de 1998, e trata-se de uma qualificação que poderá ser concedida pelo Poder Executivo, por ato discricionário, às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, constituídas sob a forma de associação ou fundação, que atuem na área do ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde.
Diversamente do que ocorreu com a Lei das OSCIPs, a Lei das OSs ensejou a propositura de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. A primeira delas (ADIN nº 1923-6) foi ajuizada em 01.12.1998 pelo Partido dos Trabalhadores em litisconsórcio com o Partido Democrático Trabalhista, que se encontrava sob a relatoria inicial do Ministro Ilmar Galvão e atualmente sob a relatoria do Ministro Eros Grau, tendo sido indeferida a liminar em 01.08.2007 por maioria de votos, para suspender os efeitos dos artigos 1º, 5º, 11 a 15, 17 e 20 da Lei nº 9.637/98, bem como do inciso XXIV do artigo 24 da Lei nº 8.666/93, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 9.648/98 e pendente ainda de julgamento de mérito.
A segunda ADIN (nº 1943-1) questionando dispositivos da Lei 9.637/98 foi ajuizada em 13.01.1999 pelo Conselho Federal da OAB, inicialmente sob a relatoria do Ministro Ilmar Galvão, substituída pelo Ministro Carlos Aires Britto. Também não houve ainda julgamento de mérito desta ADIN.
Silvio Luis Ferreira da Rocha afirma que
A criação da organização social foi um dos frutos produzidos pela Reforma do Estado, iniciada pelo Governo Collor e levada adiante no Governo Fernando Henrique, marcada por fortes traços do neoliberalismo e que recorre à desestatização, à privatização e à
216 VIOLIN, Tarso Cabral, Terceiro Setor e as parcerias com a Administração Pública: Uma análise
desregulamentação para reduzir sensivelmente a participação do Estado na atividade econômica e, sobretudo, na prestação de serviços públicos.217
Conforme nos ensina Paulo Modesto, as Organizações Sociais têm como objetivo o “incentivo à gestão direta pela comunidade de serviços sociais e assistenciais, fora do aparato burocrático do Estado, porém com apoio direto dele e com sua assistência permanente (organizações não governamentais, associações de utilidade pública, escolas comunitárias)”.218
Os requisitos específicos para que as entidades privadas sem fins lucrativos, constituídas sob a forma de associação ou fundação, habilitem-se à qualificação como organização social, nos termos do art. 2º da Lei 9637/98, são:
I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre:
a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de atuação;
b) finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades;
c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação superior e de direção, um conselho de administração e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas àquele composição e atribuições normativas e de controle básicas previstas nesta Lei;
d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação superior, de representantes do Poder Público e de membros da comunidade, de notória capacidade profissional e idoneidade moral;
e) composição e atribuições da diretoria;
f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da União, dos relatórios financeiros e do relatório de execução do contrato de gestão;
g) no caso de associação civil, a aceitação de novos associados, na forma do estatuto;
h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio líquido em qualquer hipótese, inclusive em razão de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade;
217 ROCHA, Silvio Luis Ferreira da, Terceiro Setor, p. 81.
i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos legados ou das doações que lhe foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades, em caso de extinção ou desqualificação, ao patrimônio de outra organização social qualificada no âmbito da União, da mesma área de atuação, ou ao patrimônio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, na proporção dos recursos e bens por estes alocados;
II - haver aprovação, quanto à conveniência e oportunidade de sua qualificação como organização social, do Ministro ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do Estado.
Ressalte-se que os dirigentes estatutários de uma entidade qualificada como OS podem ser remunerados desde que não possuam outros títulos incompatíveis com tal remuneração como, por exemplo, o título de utilidade pública e o CEBAS.
As entidades qualificadas têm como vantagem a declaração de interesse social e de utilidade pública, possibilitando firmar contrato de gestão com o Poder Público a fim de obterem recursos orçamentários, bens públicos e servidores para a consecução de suas atividades de interesse coletivo.
O inciso XXIV, da Lei nº 8.666/93, dispensou a licitação para celebração de contrato de prestação de serviços com as Organizações Sociais para as atividades contempladas no contrato de gestão, acarretando grande celeuma doutrinária tendo em vista que os contratos administrativos celebrados pela Administração que prevejam vantagens devem preceder de processo licitatório.
Ademais, o contrato de gestão celebrado entre a Administração e a organização social submete-se ao regime de direito público, devendo ser observados os seguintes princípios conforme dicção do art. 7º da Lei nº 9.637/98, quais sejam, “legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e, também, os seguintes preceitos: I - especificação do programa de trabalho proposto pela organização social, a estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execução, bem como previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade e produtividade; II - a estipulação dos limites e critérios para despesa com remuneração e vantagens de qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes
e empregados das organizações sociais, no exercício de suas funções. Parágrafo único. Os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da área de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas dos contratos de gestão de que sejam signatários.”
Com a crítica da qual concordamos integralmente, Maria Sylvia Zanella Di Pietro constata que os instrumentos jurídicos de fomento denominados contrato de gestão e termos de parceria, passíveis de formalização entre entidades qualificadas, respectivamente, de organizações sociais e organizações da sociedade civil de interesse público, e o poder Público, têm a mesma natureza jurídica e por isso submetem-se ao mesmo regime jurídico219.
Assim são as lições da autora:
O objetivo em ambas as entidades é o mesmo: instituir parceria entre o poder público e uma organização não governamental qualificada pelo poder público, sob certas condições, para prestar atividade de interesse público mediante variadas formas de fomento pelo Estado. Os dois tipos de entidade atuam na área dos chamados serviços públicos não exclusivos do Estado ou, mais especificamente, na área dos serviços sociais, que a Constituição prevê como serviço público e como atividade aberta à iniciativa privada, como saúde, educação, cultura etc. Só que, em um caso, a entidade assim qualificada recebe o título de organização social e, no outro, o de organização da sociedade civil de interesse público; no primeiro caso, o instrumento jurídico pelo qual se concretiza a parceria é denominado de contrato de gestão; no outro, é denominado de termo de parceria. O instrumento é praticamente o mesmo, apenas recebendo denominações diversas pelo legislador. Trata-se de miscelânea terminológica para designar entidades que, em termos genéricos, apresentam características muito semelhantes e que, por isso mesmo, mereciam submeter-se ao mesmo regime jurídico.220
No estado de São Paulo, as OSs são regidas pela LC 846/98, e no âmbito municipal paulista pela Lei nº 14.132/06, regulamentada pelo Decreto nº 47.453/06, tendo sido mais utilizada na área da saúde.
Outros Estados têm também editado leis que disciplinam na sua esfera de governo as organizações sociais. No âmbito da saúde, podemos mencionar os estados da Bahia (Lei nº 7.027/97, revogada e substituída pela Lei nº 8.647/2003), Minas Gerais, Pará (Lei nº 5.980/96), Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás (Lei nº 15.503/2005) e Santa Catarina (Lei nº 12.929/2004), cujas leis permitem parcerias
219 PIETRO, Maria Sylvia Zanella Di, Parcerias na Administração Pública. Concessão, Permissão,
Franquia, Terceirização, Parceria Público-Privada e outras Formas, p. 264.
destas entidades assim qualificadas com o Estado por meio de contratos de gestão para a prestação de serviços de saúde.
As nossas críticas ao modelo das organizações sociais como mecanismo de fuga do Estado ao regime jurídico administrativo na prestação de serviços públicos mediante a celebração de contratos de gestão, serão oportunamente tratadas nos dois próximos capítulos, quando adentraremos especificamente no objeto de análise proposto neste trabalho, sem, contudo, pretender dizer que todo o esforço empreendido até este ponto represente assuntos alheios ao nosso objeto, tendo em vista a imprescindibilidade que se revestiram para conformar e sistematizar todo nosso pensamento sobre o tema e estabelecer os pressupostos necessários ao que adiante será tratado.
Porém, antes de passarmos à análise central do presente trabalho, faremos uma abordagem sintetizada de dois projetos de lei que estão em trâmite atualmente e que interferem diretamente no estudo aqui perfilhado, sendo eles o Anteprojeto de Lei Orgânica da Administração Pública Federal e entes de colaboração e a Proposta do Estatuto Jurídico do Terceiro Setor.
3.4 AS PERSPECTIVAS DO TERCEIRO SETOR NO ANTEPROJETO DE LEI