4.2. Yazılım
4.2.2. Robotik Kontrol Yazılımı
Preponderantes para a manifestação dos processos que envolvem o adoecimento, os determinantes sociais de saúde existentes em território específico permitem perceber as iniquidades entre diferentes grupos populacionais e a influência dessas iniquidades na saúde dos mais vulneráveis. Conhecer as características socioeconômicas e culturais de uma área territorial específica pode ser essencial para a análise de riscos, prevenção de agravos e para o planejamento local de intervenções em saúde. Isso requer o olhar voltado para o dinamismo do espaço e das ações a serem ali inseridas como estratégias de promoção da saúde, prevenção de doenças e controle de riscos.
Ao se abordar questões inerentes ao HIV/aids, entre outras questões, deve-se perceber as PVHA em todas as suas dimensões, não somente clínicas, mas sobremodo quanto aos aspectos referentes às condições de vida e de trabalho, por serem fatores essenciais para sua saúde, bem-estar e qualidade de vida. Muitos sofrem com a exclusão social decorrente do estigma comum aos portadores do HIV, vivenciando restrições sociais desencadeadoras de vulnerabilidades diversas (SANTOS, 2011), pois pessoas com aids se encontram à margem da sociedade contemporânea.
Na atualidade, compreende-se a saúde como conceito mais amplo, segundo o qual a doença é identificada como evento multicausal, em que estão envolvidos não somente aspectos de cunho biológico, como também sociais, econômicos e políticos. Dessa forma, é
mister um olhar diferenciado sobre a situação de vida de indivíduos e comunidades, particularmente, de pessoas vivendo com HIV/aids.
Diante dessa realidade, urge promover ações, não somente assistenciais, mas também ambientais, no plano intersetorial e multidisciplinar, que incidam no âmbito dos determinantes de saúde. Evidentemente, não há dissociação entre determinantes sociais e ambientais da saúde (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE, 2012a) e estudos sob essa perspectiva contribuem decisivamente para a compreensão do processo saúde-doença e para a tomada de decisão política pelos diversos atores sociais envolvidos, tais como gestores, profissionais e a própria população sobre a saúde de uma área territorial específica.
Neste contexto, insere-se o papel da Enfermagem. Profissional responsável pelo cuidado direto das pessoas, depara-se cotidianamente com a influência de determinantes sociais no processo saúde-doença na vida de indivíduos e comunidade. Em sua formação, o enfermeiro é orientado a olhar além da doença, na direção de um entendimento ampliado dos processos que influem no conceito corrente de saúde, objetivando melhor assistir grupos vulneráveis, e de modo particular, sujeitos acometidos pela aids, enfermidade grave que acompanhará seus portadores pelo resto de suas vidas.
Pessoas HIV positivo precisarão ser assistidos, em algum momento de sua história, por profissionais de Enfermagem. Cuidadores por excelência, enfermeiros atuam em diferentes áreas: em unidades de assistência primária, nos atendimentos de urgência e emergência, em hospitais gerais ou especializados, e sua atenção em saúde não poderá ser descontextualizada da realidade social de PVHA. Quer na atenção primária ou secundária, quer na gestão de instituições ligadas ao setor saúde, o enfermeiro é capaz de intervir direta ou indiretamente no risco e vulnerabilidade social de comunidades e grupos, contribuindo no empoderamento de indivíduos, famílias e a sociedade para mudança das condições desfavoráveis em que vivem. Em países latino-americanos como o Brasil, melhorias foram alcançadas neste sentido, mas ainda não foram suficientes na redução das iniquidades (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2012b).
Articuladoras da atenção multiprofissional, enfermeiros atuam na diferentes dimensões do processo saúde e doença de indivíduos e grupos, considerando contexto sócio- ambiental e estimulando a corresponsabilidade local, possibilitando assim, o desenvolvimento de trabalho com grande abrangência frente à determinação social da saúde (SANT’ANNA et al., 2010). Dessa forma, a inserção de enfermeiros em pesquisas que considerem a influência das condições sociais e de vida na saúde das comunidades, de modo particular, de grupos populacionais mais vulneráveis, torna-se essencial para melhor compreensão desses processos
e para atuação desse profissional na linha de frente dos processos decisórios locais para melhoria da qualidade de vida e saúde da população em situação de risco.
Nas últimas décadas, a discussão sobre a determinação social da saúde acompanhou a evolução do HIV/aids no país e deve subsidiar as práticas de prevenção e controle da doença. Acredita-se ser imprescindível o conhecimento sobre como a infecção tem evoluído no país, a caracterização sociodemográfica dos seus portadores e a identificação dos fatores determinantes e condicionantes do processo saúde-doença do HIV positivo, sobretudo dos pacientes suscetíveis a coinfecções. Deste modo, será possível direcionar políticas públicas eficazes para a promoção da saúde desses indivíduos.
Pesquisas usando SIG na análise de agentes patológicos em seu ambiente geográfico são cada vez mais frequentes (BONFIM; MEDEIROS, 2008). Entretanto, nos últimos anos, estudos com destaque no espaço histórico, cultural e socioeconômico têm crescido e são muito úteis na compreensão da doença para além dos aspectos meramente biológicos. Na ótica de Barcellos et al. (2002), o espaço é resultado de aspectos não somente físicos, mas também históricos e sociais, e estes determinam as condições para a produção do adoecimento.
Construído socialmente, o processo saúde-doença está inserido na ideia mais ampla de condições de vida (BRASIL, 2006). Ao se deparar com a realidade de pessoas afetadas pelo HIV, já suscetíveis em decorrência do estágio no qual se encontra sua infecção e cuja grande parte vive em condições socioeconômicas e ambientais favoráveis ao seu adoecimento, a presente pesquisa trará dados significativos no estabelecimento de políticas públicas de saúde eficazes e de intervenções no espaço onde reside essa população. Com estas iniciativas, pretende reduzir suas vulnerabilidades, mediante análise do território onde vivem, bem como dos fatores característicos deste território, consideradas determinantes para a produção da saúde de pessoas com aids. Consoante ressaltam, Faria e Bortolozzi (2009), ao inserir as condições físicas e sociais manifestas no espaço dentro do contexto do desenvolvimento técnico-científico, a saúde compreende a doença como resposta de uma dinâmica social complexa.
Como mostra a realidade, o avanço tecnológico na área biomédica e na indústria farmacêutica tem contribuído para inibir o avanço da aids. Ademais, conforme se constata, 60% a mais de pessoas tiveram acesso ao tratamento para aids, com consequente redução na mortalidade por HIV (JOINT UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2012). Assim, a expectativa de vida das PVHA aumentou consideravelmente ao longo dos anos, desde os primeiros diagnósticos da infecção.
Entretanto, a tecnologia e o tratamento, embora necessários, não são suficientes na redução das vulnerabilidades de grupos e os investimentos não podem se restringir a medidas paliativas. Desse modo, a vida de pessoas com aids deve ser beneficiada por medidas que contemplem também ações socioeconômicas e intervenções mais abrangentes. Em países- latino americanos como o Brasil, melhorias foram alcançadas, mas ainda são insuficientes na redução das iniquidades (ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE, 2012b). Logo, a análise socioambiental permite correlacionar saúde e condições de vida, identificando fatores que condicionam o adoecimento de indivíduos infectados. Com base no princípio da equidade, pode-se direcionar um investimento maior em áreas de grupos vulneráveis a adoecer e sociais desfavorecidos. A compreensão abrangente da realidade regional torna-se instrumento de transformação do ambiente onde se vive, por meio da adaptação das politicas públicas vigentes ao contexto socioespacial local, do fortalecimento das capacidades comunitárias e do estímulo à criação das redes sociais de apoio a pessoas vulneráveis. Neste âmbito, estudos de análise geoespacial são imprescindíveis para ações em saúde em seu conceito mais amplo e multicausal.
Ante aos aspectos descritos, este estudo baseia-se na seguinte Tese:
- Aglomerados da aids espacialmente distribuídos são caracterizados e influenciados por determinantes sociais de saúde presentes em base territorial do Estado do Ceará.
Dessa forma, a presente pesquisa é inédita ao associar geoanálise da aids no contexto de um Estado do Nordeste Brasileiro, utilizando o Modelo de Determinação Social adotado pela CNDSS.
2 OBJETIVOS