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3.2. KARADENİZ’DE SERBEST BÖLGELER

3.2.3. Rize Serbest Bölgesi

O efeito na redução de EA por meio do uso da LVSC vem sendo estudado excessivamente nos últimos anos.

No estudo de Yuan et al.(233), a LVSC da OMS foi aplicada em dois hospitais na República da Libéria com recursos limitados, no período de 2008 a 2009. Na fase pré-intervenção, os dados foram coletados prospectivamente de processos cirúrgicos e dos resultados de 232 pacientes submetidos à cirurgia. Na fase pós- intervenção (após a introdução da LVSC), os dados foram coletados de 249 pacientes cirúrgicos. A LVSC foi associada com melhoria significativa (p < 0,05), em termos gerais de processos e resultados cirúrgicos. No hospital 1, a LVSC foi significativamente associada a uma melhor adesão à medida composta de processos cirúrgicos, mas não foi associada a melhores resultados cirúrgicos. Por outro lado, no hospital 2, a LVSC foi significativamente associada a melhores resultados cirúrgicos, mas não foi associada a uma melhor adesão à medida composta de processos cirúrgicos. Os autores sugerem que o mecanismo de melhoria da LVSC pode ser influenciado pelas diferenças no nível hospitalar, envolvendo a disponibilidade de recursos necessários para concluir os processos recomendados, a variação no funcionamento da equipe e o contexto organizacional(233).

Weiser et al.(29) reportaram que a LVSC pode funcionar de forma eficaz mesmo em cirurgias de urgência. O estudo prospectivo foi realizado antes e após a introdução da LVSC da OMS e envolveu 1.750 pacientes ≥ 16 anos submetidos à cirurgia de urgência, não cardíaca, em um grupo diversificado de 8 hospitais localizados em diferentes países. Foi definida, como cirurgia de urgência, aquela na qual a operação teria que ser realizada até 24 horas após admissão. No período pré- intervenção (antes da aplicação da LVSC), foram acompanhados 842 pacientes e após a introdução da LVSC, 908 pacientes. Foi observada redução de 67% nas complicações cirúrgicas (18,4% pré e 11,7% pós - p = 0,0001) e redução de 2,3% nas mortes (3,7 pré e 1,4% pós - p = 0, 0067). A adesão às medidas de segurança melhorou de 18,6% para 50,7% (p<0,0001).

Em uma pesquisa qualitativa com o objetivo de identificar as práticas de segurança do paciente no Centro Cirúrgico, incluindo a opinião de enfermeiros sobre a LVSC, os resultados da análise de conteúdo das entrevistas mostraram que para grande parte dos entrevistados, a “opinião foi favorável”, ou seja, a LVSC foi considerada um instrumento útil para a redução dos riscos, importante para a reflexão, averiguação, rotinização e sistematização da execução de procedimentos essenciais para a segurança do paciente na sala operatória, e eficaz na sua promoção. Entretanto, alguns participantes emitiram “opinião parcialmente favorável”, alegando que a LVSC pode ser redutora, não contemplando aspectos que consideram necessários de melhoria para maior adesão ao instrumento, tais como a falta de responsabilização dos integrantes da equipe cirúrgica, a não definição do coordenador da LVSC, a falta de apoio por alguns cirurgiões, o não envolvimento de todas as pessoas no projeto de implementação do instrumento e a implantação da LVSC por imposição, e não por motivação da equipe cirúrgica(141).

Em 2015, Melekie & Getahun(234) realizaram um estudo observacional prospectivo em um hospital universitário da Etiópia com o objetivo de avaliar o cumprimento da LVSC da OMS adaptada, localmente, em 282 pacientes submetidos a cirurgias eletivas e de emergência no período de janeiro a março de 2013. A LVSC foi utilizada em 39,7% (112/282) dos casos, sendo a maioria em procedimentos cirúrgicos de emergência. As etapas antes da indução anestésica, antes da incisão cirúrgica e antes da saída do paciente da sala operatória não foram realizadas em 30,5% (273/896), 35,4% (436/1.232) e 45,7% (307/672), respectivamente. As principais razões relatadas para o não uso do instrumento foram falta de capacitação (45,1%) e de cooperação entre os membros da equipe cirúrgica (21,6%).

Várias autoridades proeminentes no campo da segurança do paciente têm proposto o uso de LVSC na tentativa de prevenir erros relacionados à cirurgia. Estes instrumentos vem sendo desenvolvidos cuidadosamente por especialistas da área, e têm evoluído ao longo do tempo para capturar apenas as considerações essenciais(67).

Em janeiro de 2009, a NPSA tornou obrigatória a utilização da versão adaptada da LVSC da OMS, sendo implantada em 100% dos hospitais da Inglaterra e do País de Gales. Um estudo piloto em dois hospitais britânicos foi realizado pouco antes destes alertas e demonstrou que a aplicação da lista não foi um processo simples. Os autores não observaram o mesmo declínio nas complicações

cirúrgicas e óbitos, como no estudo da OMS(28). No entanto, mencionaram melhorias em práticas de segurança, como administração de antibióticos profiláticos no tempo correto e aprimoramento da comunicação entre a equipe cirúrgica(39).

Recentemente, no Canadá, uma LVSC contendo 26 itens de segurança foi adaptada pelo Instituto de Segurança do Paciente Canadense (Canadian Patient Safety Institute). A divulgação pública dos seus níveis de adesão é obrigatória, pelo MS do Canadá, desde julho de 2010(235). Dados de 2011 revelam a adesão ao preenchimento da lista em torno de 99,0% nos hospitais de Ontário(236).

No estudo de 1.440 procedimentos cirúrgicos realizado por Fourcade et al.(237), em 2010, foram incluídos 18 centros que estavam aplicando a LVSC obrigatória pela Autoridade Nacional Francesa para a Saúde (French National Authority for Health). A análise incluiu 1.440 procedimentos cirúrgicos, sendo 80 registros aleatórios de cada centro. No geral, 1.299 checklists foram incluídos e 28.578 itens da lista foram analisados. A taxa de adesão média ao checklist foi de 90,2% e a taxa de preenchimento, 61%. As principais barreiras para a implementação da lista nas instituições, identificadas por meio de entrevistas e questionários com equipe cirúrgica, foram: a duplicação de itens existentes no checklist (16/18 centros); má comunicação entre o cirurgião e o anestesiologista (10/18); o tempo gasto para preenchimento da LVSC e nenhum benefício percebido; falta de compreensão e tempo de checagem de itens (9/18); ambiguidade (8/18); riscos não identificados na lista (7/18); confirmação oral de itens desnecessária e dificuldade de identificação do coordenador da lista durante cirurgia de emergência ou procedimento cirúrgico rápido (6/18)(237).

Um estudo realizado na Finlândia, envolvendo 150 pacientes (83 antes e 67 após a implementação da LVSC da OMS adaptada), objetivou avaliar o impacto da aplicação da lista sobre as questões relacionadas com a segurança na sala operatória e em EA pós-operatórios em neurocirurgia. A partir de questionários estruturados entregues à equipe cirúrgica na sala operatória, os autores avaliaram as respostas dos entrevistados por meio de análise retrospectiva de prontuários eletrônicos, comparando-se o tempo de internação, EA relatados e reinternações nas duas fases do trabalho. O estudo reportou que a comunicação entre o cirurgião e o anestesiologista foi reforçada, e as questões relacionadas com a segurança foram melhoradas quando a lista foi utilizada. As readmissões não planejadas de

pacientes reduziram de 25% para 10% (p = 0,02) bem como as taxas de ISC (de 19% para 8%; p = 0,04)após a implementação da LVSC(238).

Bashford et al.(239) aplicaram a LVSC da OMS, adaptada localmente, em uma unidade de cirurgia plástica reconstrutiva de um hospital na Etiópia, no período 2011-1012. A intervenção envolveu os elementos: consulta, liderança local, introdução formal da LVSC com capacitação, e monitoramento da adesão com auditoria e retorno. A adesão à LVSC após um mês de implantação foi de 83% (38/46 casos com anestesiologias geral) com 6 listas preenchidas de forma incompleta no Sign Out (16%).Em oito meses de implantação a LVSC foi aplicada em 289 cirurgias com anestesiologia geral, sendo 65% a taxa de adesão ao instrumento. O Sign Out foi reportado como a etapa mais difícil de preenchimento e incompleta em 25% dos casos.

Em Portugal, no ano 2010, a Direção Geral da Saúde emitiu a circular normativa nº. 16/2010, que determinou a implementação obrigatória do programa Cirurgia Segura Salva Vidas, estabelecido pela OMS, em todos os serviços cirúrgicos do país(240).

Alguns estudos relatam que a implementação da LVSC não mostrou melhoras nos resultados dos pacientes, a exemplo do trabalho realizado por Sewell et al.(241), na Inglaterra, no qual a LVSC da OMS foi aplicada em cirurgias da especialidade de ortopedia. No estudo não houve redução significativa nas taxas de complicações (de 8,5% no período pré-intervenção para 7,6%, no período pós-intervenção) e nem nas de mortalidade (1,9% no período pré-intervenção e 1,6% no período pós- intervenção). No entanto, as equipes cirúrgicas relataram melhoria da comunicação na sala operatória(241).

Em 2014, Urbach et al.(242) realizaram um estudo em Ontário, Canadá, envolvendo 101 hospitais, 3 meses antes e depois da implementação de uma LVSC, envolvendo 109.341 e 106.370 procedimentos realizados, respectivamente. Contrastando com alguns estudos realizados, a implementação da LVSC em Ontário, no Canadá não foi associada com reduções estatisticamente significativas nas taxas de mortalidade e de complicações cirúrgicas.

No Brasil, em um estudo desenvolvido por Cunha et al.(243), a LVSC foi capaz de evitar 3 falhas onde, por incorreção nos dados ou formulários de agendamento, as cirurgias foram marcadas para o órgão contralateral e puderam ser corrigidas antes que causassem danos aos pacientes.

Em um trabalho realizado por Freitas et al.(244) com o objetivo de avaliar a adesão à LVSC, dados respectivos de 375 cirurgias (212 ginecológicas e 163 urológicas) foram avaliados em 2 hospitais localizados em Natal, Rio Grande do Norte (RN). A LVSC esteve presente em 60,8% das cirurgias (IC 95%: 55,3% – 65,2%), estando completamente preenchida em 3,5% (IC 95%: 1,1% – 6,0%). A existência da LVSC se relacionou com as cirurgias ginecológicas e à maior duração da cirurgia, enquanto a melhor qualidade no preenchimento foi relacionada às cirurgias urológicas. De acordo com os autores, estas diferenças sugerem a influência das distintas estratégias de implantação da LVSC utilizadas em cada hospital participante.

Outros trabalhos descritos no Brasil sobre LVSC descrevem a elaboração e a validação de instrumentos, baseados no proposto pela OMS(9), para implementação em diversas especialidades cirúrgicas.

No estudo conduzido por Anger et al.(245) em um hospital em São Paulo (SP), no ano 2011, foi feita a descrição de uma LVSC para ser utilizada na última etapa da consulta pré-operatória de cirurgias plásticas estéticas, composto de 29 perguntas, com respostas do tipo sim e não, quatro espaços para inserção de dados e uma questão para classificação do nível de risco em trombose venosa profunda. Os quesitos foram divididos em três tabelas relativas a três áreas: anestesiologia, aspectos psicológicos e riscos clínicos. As respostas foram enquadradas em quatro cores, que identificam o nível de risco e sugerem o grau de atenção requisitada(245). De acordo com os autores, a classificação das respostas por cores, relacionando-as com níveis de risco, objetiva chamar a atenção do cirurgião na avaliação final individual de cada paciente.

Uma LVSC foi adaptada com o objetivo de asseverar práticas seguras durante implementação em cirurgia cardíaca pediátrica em um hospital localizado em São José do Rio Preto (SP), conforme trabalho descrito por Croti et al(246), em 2011. O instrumento é dividido em quatro partes: antes da indução anestésica, antes da incisão da pele, após o término da operação e na passagem do caso operado à equipe da UTI. Um vídeo autoexplicativo foi disponibilizado para auxiliar a implantação da LVSC e ajudar a evitar falhas no atendimento à criança durante o pré, intra e pós-operatório imediato(246).

Apesar dos benefícios comprovados da LVSC, a integração da LVSC à prática clínica na área da saúde ainda não se faz de forma tão rápida e ampla como

em outros campos. Com o estabelecimento do PNSP e outros regulamentos recentemente vigentes no país, avanços e melhorias na adoção e implementação da LVSC nos serviços de saúde podem ser observadas em um futuro próximo.

2.2.6.3. Principais desafios para a aplicação da Lista de Verificação de

Benzer Belgeler