1. TEFSİR TARİHİ’NİN USÛL BÖLÜMÜ
1.3. Rivayet Tefsiri Değerlendirmeleri
O grupo estudado está composto por 12 mulheres (Tabela 2), quatro de classe média – Camila, Cíntia, Gaia e Milena –, quatro batalhadoras – Diná, Lidiane, Rafaela e Ruth – e quatro raladoras – Adriele, Fátima, Mirela e Xaiane.
Tabela 2 – Entrevistadas – dados pessoais
Idade Profissão Escolaridade Filhos Onde mora
Camila 28 Funcionária pública Ensino superior Assistente social Superior completo Mestrado Doutorado andamento - Porto Alegre – Cidade Baixa
Cíntia 29 Funcionária pública Ensino superior Fisioterapeuta Superior completo Superior andamento Especialização - Porto Alegre – Bom Fim
Gaia 27 Tradutora Superior completo
Superior andamento
- Porto Alegre – Petrópolis
Milena 29 Funcionária pública Ensino superior Publicitária Superior completo Especialização - Porto Alegre – Ipanema
Diná 27 Funcionária pública Ensino médio Técnica em Gestão
Superior completo - Guaíba
Lidiane 29 Manicure Médio incompleto - Viamão
Rafaela 32 Assistente administrativa
Superior andamento - Gravataí
Ruth 35 Vendedora
Telemarketing
Superior incompleto 2 Porto Alegre - Vila Nova
Adriele 33 Serviços gerais Fundamental completo 1 Porto Alegre - Rubem Berta
Fátima 37 Diarista Fundamental
incompleto
2 Porto Alegre - Restinga
Mirela 33 Faxineira Fundamental
incompleto
4 Viamão
Xaiane 28 Desempregada Médio incompleto 2 Porto Alegre -
Jardim Carvalho
Em relação ao número de entrevistadas, estamos de acordo com Gaskell (2002, p. 71), que defende que em uma pesquisa qualitativa em profundidade ―é essencial quase que viver e sonhar as entrevistas – ser capaz de relembrar cada ambiente‖. Para isso, o autor salienta, o número67 de pesquisados não pode se estender.
67 Para Souza (2009a, p. 434), ―o inimigo de qualquer pesquisa empírica crítica que reflete sobre seus pressupostos é o ‗fetiche do número‘. Reflexo inequívoco de uma sociedade da cultura de massas que transforma toda ‗qualidade‘ em ‗quantidade‘, como diria Georg Simmel [...] a ‗quantidade‘ de pessoas entrevistadas se transforma, por debaixo do pano, no único critério de ‗cientificidade‘ de pesquisas empíricas numa sociedade da informação sem reflexão‖.
Lindlof e Taylor (2011) destacam que, em uma pesquisa qualitativa, o pesquisador geralmente inicia sua investigação com algumas pessoas que se encaixam aos interesses do estudo. Depois, se preciso, outros membros vão sendo incluídos para complementar e aprofundar os dados, até que os novos informantes não acrescentem novas informações.
Tomando ambas as orientações, sabíamos que o número de pesquisadas seria pequeno, para que fosse possível aprofundar o estudo com os três grupos e, ao mesmo tempo, deveria ser suficiente para podermos vislumbrar as caraterísticas expressivas de cada grupo. Assim, em um primeiro momento, que poderíamos entender como uma fase de experiência – nos meses de maio, junho e julho de 2012 –, foram entrevistadas duas mulheres de classe média e duas batalhadoras – ainda estudávamos a inclusão das raladoras na pesquisa. Na ―segunda fase‖, realizada entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014, (re)iniciamos a pesquisa de campo com a ideia de entrevistarmos três mulheres de cada uma das três classes. Mantivemos uma informante da classe média e uma batalhadora da primeira fase. Logo, sentimos a necessidade de acrescentar ao menos uma informante batalhadora, visto que essa, sendo uma nova classe (trabalhadora), é a mais desafiadora e de mais difícil compreensão. Para mantermos a uniformidade, também incluímos mais uma mulher de classe média e mais uma raladora, completando o grupo de 12. Como se pode perceber nos capítulos empíricos, há uma significativa consonância nos modos de ser e nas opiniões das entrevistas em cada grupo, claro que sempre com exceções, o que nos fez entender que quatro seria um bom número de representantes por grupo.
Por último, entendemos que o conhecimento originado no convívio diário – especialmente no que diz respeito à classe média –, assim como em investigações anteriores – uma vez que raladoras e batalhadoras já foram objeto de pesquisa68 –, não é descartado no momento de se levar a cabo uma investigação científica. Como coloca Alasuutari (1999, p. 8), especialmente quando se estuda culturas urbanas e mídia, ―a ‗pesquisa de campo‘ iniciou anos antes‖.
No que tange ao aspecto geracional, as mulheres entrevistadas estão compreendidas em uma faixa etária de 10 anos, possuindo entre 27 e 37 anos. Nos contatos feitos,
68 Venho estudando as classes populares, como comentado na introdução do trabalho, desde a graduação. Esse grupo social já compôs o objeto das pesquisas de que participei nos seguintes momentos: pesquisa de iniciação científica, trabalho de conclusão de curso, pesquisa de mestrado e pesquisa coordenada pela orientadora desta tes. Entretanto, em nenhuma das ocasiões essas classes foram entendidas, especificamente, como ―ralé‖ e ―batalhadores‖. Ademais, não havia ainda realizado um estudo com viés comparativo, um interesse presente em meus projetos de TCC e dissertação, mas que não se concretizou. A pesquisa de iniciação científica, coordenada pela professora Veneza Ronsini (UFSM), resultou em um trabalho comparativo, todavia, posteriormente à minha desvinculação do grupo.
buscamos69 mulheres com idade entre 25 e 40 anos, e os casos específicos reduziram o intervalo de 15 para 10 anos. Essas idades se devem ao objetivo de estudar mulheres adultas – o IBGE considera jovens as pessoas com até 24 anos e idosos aqueles com idade a partir de 60 anos–, sem, no entanto, ampliar o intervalo de idade, de modo que a variável geração não fosse significativa.
Há, mesmo assim, uma relativa diferença de idade entre os grupos, que coloca as componentes da classe média como as mais novas e as raladoras como as mais velhas: as mulheres de classe média têm 27, 28, 29 e 29 anos – média de 28,25 anos; as batalhadoras têm 27, 29, 32 e 35 – média de 30,75 anos; e as raladoras, 28, 33, 33 e 37 anos – média de 32,75 anos. A média de idade, assim, varia em 4,5 anos. Essa diferença não chega a afetar, significativamente, o consumo de programas televisivos na infância e adolescência, por exemplo, visto que o Xou Xuxa, para citar um bastante mencionado, ficou no ar de 1986 a 1993, compreendendo a infância de todas as entrevistadas. Em outros casos, a diferença propicia especificidades no consumo midiático, como se percebe com a série O elo perdido, transmitida no SBT nas décadas de 1980 e 199070, citada apenas pela entrevistada mais velha. Depois de concluída a descrição das informantes , observou que a impressão é de que a diferença de idade é maior do que de fato é. Entendemos que isso ocorre por alguns motivos, como: todas as raladoras são mães, são ou já foram casadas, não moram com os pais e não estudam – entendemos que estar estudando possa dar uma ideia de ―jovialidade‖. No caso das mulheres de classe média, pelo contrário: nenhuma é mãe, nenhuma é ou foi casada, apenas uma já saiu da casa dos pais e apenas uma não possui vínculo com instituição de ensino. No entanto, essa diferença não decorre da idade, pois todas as mulheres da ralé se tornaram mãe aos 21 anos ou antes, mais ou menos na mesma idade em que casaram e saíram da casa dos pais, e elas pararam de estudar há muitos anos.
Entendemos que são os próprios modos de vida, relacionados à classe social, que geram esse ―efeito‖ de diferença. Vale observar, nesse sentido, que as raladoras possuem uma fisionomia muito mais envelhecida do que as batalhadoras e, especialmente, do que as mulheres de classe média. Adriele e Mirela, por exemplo, de 33 anos, não parecem ter praticamente a mesma idade da batalhadora Rafaela, de 32 anos, ou ser apenas quatro anos mais velhas que Cíntia e Milena, com aspectos muito mais joviais.
69 O contato com as entrevistadas foi possível através da indicação de conhecidos da pesquisadora. Em nenhum dos casos, uma entrevistada foi indicada por outra.
Acerca da separação por classes, partindo de Quadros, Gimenez e Antunes (2013), as mulheres que compõem esta pesquisa podem ser classificadas como pertencentes à média classe média, à baixa classe média e à massa trabalhadora, como apresentado no segundo capítulo. Aqui, dividimos as entrevistadas em classe média, batalhadoras e raladoras. Entre aquelas denominadas raladoras, duas são diaristas, uma é auxiliar de serviços gerais e uma está desempregada. As mulheres apresentadas como batalhadoras trabalham como vendedora em telemarketing, assistente administrativa, técnica em gestão e manicure/depiladora. Já as entrevistadas da classe média, são tradutora, fisioterapeuta, publicitária e assistente social.
As mulheres da classe média vivem nos bairros Petrópolis, Bom Fim, Ipanema e Cidade Baixa. As batalhadoras residem no bairro porto-alegrense Vila Nova e nas cidades das região metropolitana, Guaíba, Gravataí e Viamão. Por sua vez, as raladoras moram nos bairros porto-alegrenses Restinga, Rubem Berta e Jardim Carvalho e na cidade de Viamão. Como se pode verificar no mapa abaixo (Figura 4), as batalhadoras são as que vivem nos locais mais distantes da região central de Porto Alegre – em que se lê a palavra ―Porto Alegre‖, no mapa – , onde todas trabalham. O que se identifica é que elas optam por regiões com custo de vida mais baixo, mas que não são vistos como violentos, por exemplo.
Figura 4 – Mapa de localização da moradia das entrevistadas - Grande Porto Alegre
Fonte: Sifuentes (2014) a partir de dados do mapa 2014 © Google
O gráfico (Gráfico 8) a seguir mostra o rendimento médio por domicílio nos bairros de Porto Alegre e nas cidades da região metropolitana em que as entrevistadas residem. O rendimento vai ao encontro da separação de classes que usamos, excetuando-se, apenas, o
caso da batalhadora Ruth, que vive no bairro Vila Nova, na zona sul de Porto Alegre, com renda média menor do que a cidade de Viamão, onde uma batalhadora e uma raladora moram, e que o bairro Jardim Carvalho, onde reside uma raladora. Ruth adquiriu, recentemente, seu apartamento próprio, de um quarto, e talvez seu salário de cerca de R$ 2,5 mil – com o qual sustenta a ela e à filha, além de ajudar nas despesas do filho, que não mora com ela – fez necessário que ela buscasse um local mais barato para conseguir essa realização.
Gráfico 8 – Rendimento médio por domicílio, em salários mínimos, nos bairros/cidades de moradia das entrevistadas
Fonte: Sifuentes (2014) com base em dados do IBGE – Censo 2010 e Procempa/ Porto Alegre
Por fim, sobre o grupo estudado, um primeiro encontro foi realizado com outras seis possíveis informantes. Essas mulheres contatadas, que não compõem o grupo aqui estudado, responderam ao menos a um instrumento. Por diversos motivos, a pesquisa com elas não foi adiante. Em dois casos, a interrupção foi determinada pelas informantes. Em um deles, de uma raladora, após a primeira entrevista – sobre sua vida – não aceitou realizar outros encontros. Uma segunda entrevista chegou a ser agendada no mesmo local da primeira entrevista, a casa de uma patroa. No entanto, apesar de estar na casa, não atendeu ao interfone ou ao telefone. Logo em seguida, ela também deixou de ir trabalhar na casa dessa cliente, sem dar satisfações. Em outro caso, o marido não permitiu que a batalhadora participasse da pesquisa. Nos outros casos, a não continuidade partiu da pesquisadora, pois entendi que as mulheres não estavam dentro do perfil – por exemplo, foram contatadas para compor o grupo
das raladoras, mas seriam melhor classificadas como batalhadoras, grupo que já estava completo.
Houve, ainda, um caso em que desisti de prosseguir com as entrevistas por insegurança em relação ao local de moradia da entrevistada. No primeiro contato, no salão de beleza onde ela trabalhava, marcamos de conversar novamente em sua casa no horário da novela das oito. Em nossa primeira conversa, ela destacou o quão violento era o local onde morava, o bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, o que a havia forçado a construir um alto muro em volta da casa. Também relatou que o marido sempre a buscava quando voltava tarde para casa. Não querendo me arriscar mais do que já me arriscava71, acabei desistindo do encontro, pois precisaria voltar sozinha para casa após as 22 horas.