3. S – METRİK UZAYLARDA BAZI SABİT NOKTA TEOREMLERİ
3.1 Rhoades Daralma Fonksiyonunun S – Metrik Uzaylar Üzerinde
A década de 1990 foi marcada pela turbulência do fim da Guerra Fria, mas, também, pelas conferências das Nações Unidas de caráter social. A II Conferência das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (Habitat II), sediada em Istambul, na Turquia, foi a última conferência da década de 1990 com temática social, encerrando o ciclo que se iniciou em 1992 com a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92).
O fim da Guerra Fria possibilitou que novas temáticas fossem incluídas na agenda internacional, como já abordado anteriormente. Além do mais, com o fim do
embate entre os blocos socialista e capitalista, as diferenças entre o norte desenvolvido e o sul subdesenvolvido ficaram mais evidentes, o que de alguma forma ressaltou a discussão de problemáticas sociais que haviam sido ofuscadas pela disputa de poder entre Estados Unidos e União Soviética. Enquanto o período da Guerra Fria manteve uma distinção entre temas de high politics e low politics, com a preponderância de questões de segurança e defesa nacional, o período posterior se caracterizou pela minimização da segmentação das temáticas (KEOHANE; NYE, 2001).
Era necessário, portanto, pensar a nova dinâmica das relações internacionais, e as Nações Unidas tiveram um papel de destaque ao inserir os temas sociais na pauta do debate entre os países-membros. Dessa maneira, a ONU respondeu às transformações que ocorriam no contexto internacional.
Como sugere Alves:
[...] as grandes conferências da década de 1990 procuraram abordar os múltiplos fatores dos respectivos temas em suas interconexões, inserindo o local no nacional e este no internacional, com atenção para as condições físicas e humanas do espaço em que se concretizam. Corroboraram, dessa forma, a percepção de que certos assuntos vitais são, agora mais do que nunca, inquestionavelmente globais, exigindo tratamento coletivo e colaboração universal (2001, p. 34).
As seis conferências sociais da década de 1990 compreenderam: a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), sediada no Rio de Janeiro, em 1992; a Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena, em 1993; a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, estabelecida no Cairo, em 1994; a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social, sediada em Copenhague, em 1995; a IV Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Pequim, em 1995; e a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat II), constituída em Istambul, em 1996.
Tais conferências foram pensadas de maneira “sistêmica, não compartimentada, de forma tal que as deliberações de uma conferência fossem influenciar as demais e não apenas as subsequentes” (ALVES, 2001, p. 34). Assim, dois importantes conceitos permearam as cúpulas: o de desenvolvimento sustentável, consolidado na ECO-92; e o de direitos humanos, discutido na Conferência Mundial sobre Direitos Humanos em Viena. Esta conferência teve um papel de destaque, pois reafirmou a defesa dos direitos humanos como um imperativo para todos os Estados e favoreceu a criação posterior de
outros direitos humanos, como o direito à moradia, estabelecido na Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos, em 1996.
A Habitat II se insere no período pós-Guerra Fria e na chamada década das conferências sociais. O contexto em que ocorre a conferência sobre assentamentos humanos é primordial para entender por que a questão da habitação ganha tratamento internacional. A ampliação do que se entendia como temas a serem tratados na esfera internacional propiciou a introdução da temática dos assentamentos humanos nas discussões no âmbito das Nações Unidas.
Outro fator também relevante que favoreceu a inserção dessa temática na arena internacional foi o intenso processo de urbanização e suas consequências para saúde, moradia, empregabilidade e dignidade de vida da população das cidades, principalmente dos países menos desenvolvidos. Como afirmou o secretário da Habitat II, Wally N´Dow, “Nenhuma guerra mata tanto!10.
O tratamento de questões intrinsecamente relacionadas com o ambiente urbano naturalmente retomou muitos pontos que haviam sido tratados nas conferências anteriores, uma vez que temas como direitos humanos, papel da mulher e meio ambiente encontram-se explícitos no espaço urbano. É nas cidades que os problemas (e as soluções) são mais facilmente visualizados e, assim, a Habitat II retomou as temáticas abordadas nas conferências anteriores de maneira a contextualizá-las no ambiente urbano.
Portanto, a última conferência das Nações Unidas da década de 1990 congregou, em maior ou menor escala, todos os temas tratados nas conferências anteriores. A Habitat II apresentou uma síntese dos problemas, mas também das possíveis soluções, com os quais tanto as sociedades nacionais quanto a internacional precisavam encontrar formas de lidar.
O pioneirismo da Habitat II não se refere somente à afirmação da temática dos assentamentos humanos como tema da agenda internacional, mas abrange ainda a participação de novos atores nas discussões oficiais.
O sucesso da implementação dos programas traçados na conferência dependia da cooperação com os atores nacionais responsáveis por aplicar os planos de ação, como explicita Machado Filho:
Considerando-se a tônica dos debates nessas conferências, num enfoque simultaneamente global e local, percebe-se que as estratégias nelas esboçadas para a solução dos problemas pautam-se na combinação de uma cooperação descentralizada e uma ação localizada. Para a promoção da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos em todo o mundo, é necessário implementar programas e políticas que mobilizem ao mesmo tempo recursos e instituições locais, nacionais, regionais, internacionais e transnacionais (1998, p. 94).
Dessa forma, a fim de garantir a implementação das ações acordadas em Istambul, atores nacionais, em especial governos locais, organizações da sociedade civil organizada e a academia foram convidados a participar oficialmente da conferência.
A participação oficial de governos locais, juntamente com ONGs e outros atores não governamentais, em uma cúpula das Nações Unidas era algo que não havia ocorrido em nenhuma das conferências anteriores, portanto, trata-se de um fato relevante para a representação internacional desses atores e suas demandas e para o funcionamento de uma conferência mundial. Nas cúpulas anteriores, ocorreu forte movimentação da sociedade civil organizada11; já em 1992, as ONGs estavam presentes em grande número no Rio de Janeiro, no entanto não puderam participar da conferência oficial e ficaram relegadas aos fóruns paralelos.
A Conferência de Istambul, realizada 20 anos depois da sua antecessora, significou a retomada da discussão em torno da questão urbana, mas a partir de uma nova perspectiva sobre a problemática, tendo em vista as mutações do contexto internacional e das condições dos assentamentos humanos. A temática dos assentamentos humanos passou, portanto, a ser um tema global, mas com claras implicações locais, logo, a sua discussão em uma cúpula mundial demandava não somente a participação dos governos nacionais, mas também dos locais.