• Sonuç bulunamadı

3. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA

3.4. rGO/Ag/PEDOT Sentezi ve Karakterizasyonu

3.4.9. rGO/Ag/PEDOT Devre analizi

oficinas de TO. Segundo ela, no geral, as pessoas com resistência à desinternação eram mais lentas, tinham dificuldade para se concentrar e para participar dos grupos se comparados aos usuários que desejavam voltam para sua casa.

Laura procurava me auxiliar a conhecer o hospital, suas limitações, seus pontos fortes e as questões que poderiam vir a ser problematizadas na pesquisa e, sem dúvida, foi uma informante “mais do que privilegiada34”. Quando estava encerrando minha participação no setor de TO, em novembro de 2005, Laura, como a terapeuta ocupacional que a antecedeu, conseguiu um novo desafio profissional e estava se desligando do hospital.

As atividades de Terapia Ocupacional eram subdivididas em duas modalidades, programadas e livres. Na atividade programada, a profissional responsável escalava previamente alguns usuários, de acordo com interesse, estado emocional (estar fora de um momento de crise agudo) e ala em que estava internado, desenvolvendo diferentes atividades como confeitaria e panificação (que logo após a sua conclusão eram consumidos pelos usuários em uma pequena confraternização), fóruns de debates, pinturas, teatros e passeios. Na atividade livre, a profissional permanecia em uma sala, abertas a qualquer participação, não existindo escala, convocação ou obrigatoriedade. Nesta atividade, eram desenvolvidas oficinas de pintura, costura, bordado, entre outros.

Participei de atividades de confeitaria, fórum de debate e pintura. A atividade de confeitaria transcorreu com usuárias da ala A (foram convidados homens, porém nenhum quis participar). Laura, com o auxílio da terapeuta manual (TM), entrava nos quartos, enfermaria e nas salas de atividades da ala A, convidando todos para “fazer um delicioso bolo”. No entanto, apenas seis pessoas se interessaram e apenas três terminaram a atividade (as outras três ficaram ao lado da cozinha de panificação, reclamando de dores e, assim que possível, voltaram para a ala). Das usuárias que ficaram para fazer o bolo, uma se responsabilizou por coordenar a preparação, outra pela limpeza dos utensílios e a outra por preparar os alimentos.

Nesta atividade, uma usuária em particular me chamou a atenção. Pela manhã havia passado pela eletroconvulsoterapia (ECT) e no período da tarde estava disposta a realizar a tarefa de preparar os alimentos. Pedia constantemente que Laura colocasse música e, como este ambiente não possuía aparelhagem de som, começava a cantar e pedir a participação das pessoas presentes. Em um dado momento, Laura perguntou a esta usuária o porquê da pouca adesão da ala A na atividade de confeitaria, ao que a usuária respondeu “Ninguém quer fazer

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Segundo Sato e Souza (2001, p. 5): “os informantes privilegiados que, mais do que pessoas do local, comportam-se como auxiliares do pesquisador, distanciando-se do papel desempenhado no local e, por isso, adotando uma postura de co-pesquisador. Há pessoas que demonstram profunda compreensão sobre o trabalho de pesquisa, tal qual o fazemos. Aparecem espontaneamente, em geral manifestando sua apreciação distanciada sobre o local, sobre as pessoas, sobre os papéis sobre os poderes e denunciando regras tácitas e dando "dicas" sobre o quê realmente acontece e que não é dado ao público de imediato. Em geral, são guias importantes para o pesquisador e, muitas vezes, tomam o pesquisador como cúmplice ou confidente".

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bolo! Você deveria perguntar para a gente o que queremos fazer...” As demais usuárias

concordaram com essa colocação, mas não questionaram a profissional.

A atividade de pintura, desenvolvida na ala B, contou com a presença de cerca de quarenta usuárias. Pela primeira vez desde minha inserção neste hospital, tive a sensação de estar em um hospital psiquiátrico, na acepção estigmatizada do termo. Quando entrei na ala, vi várias usuárias em estado de crise aguda, tendo alucinações, tirando a roupa, gritando ou tentando agredir alguém. Os auxiliares de enfermagem conversavam, pediam para as usuárias se acalmarem, mas em diversos casos de nada adiantava. A atividade proposta consistia em desenhar livremente com lápis de cor e giz de cera. Sem nenhuma inibição, as usuárias desenhavam compulsivamente, terminavam um desenho e davam início a outros. Depois de terminado um desenho, elas procuravam falar sobre sua produção, narrando em seguida, sua história de vida, de internação e de relacionamentos. Algumas choravam, pediam para sair, falar com um familiar ou médico ou pediam cigarros, enquanto Laura se queixava da falta de materiais e de horários disponíveis de atividades para esta ala. Ficamos apenas uma hora nesta atividade e fomos para outro setor, recebendo inúmeras reclamações das usuárias que pediam mais tempo para elas. Foram feitas outras reclamações como falta de atendimento psicológico, falta de atividades recreacionias e falta de contenção de usuárias que roubam pertences das colegas de quarto.

A atividade de debate, nomeada “Assembléia”, tinha o objetivo de receber críticas e propostas de melhorias para o hospital, além de discutir temas que estavam em voga na política, na sociedade ou nos esportes. Especificamente neste dia, tratamos de assuntos gerais do hospital e do referendo sobre o desarmamento. Participaram ativamente quinze usuárias das alas C e D, com outras dez lastimando não poder participar em função de consulta agendada com a psiquiatria. No todo, pode-se dizer que as usuárias mostraram-se envolvidas na atividade de expor seus pontos de vista e opiniões. Laura disse estar contente com as argumentações e sugestões, o que ela atribuiu à "evolução clínica" das usuárias.

4.4.5 Setor de Assistência Social

A Assistência Social contava com o trabalho de apenas uma profissional da área, além do auxílio das irmãs de caridade. Por se tratar de um hospital de curta estadia, as atividades desenvolvidas focalizavam a prevenção do abandono, a reintegração do usuário na sociedade e a participação de familiares e amigos no acompanhamento do tratamento do usuário. Quando esses não mais visitavam o usuário, a assistente social entrava em contato para conhecer os motivos que ocasionaram a falta de visitas e participação na reunião de familiares, conduzida pelo médico psiquiatra. Por este motivo, a assistente social participava, de todas as reuniões de familiares com o psiquiatra, anotando relatos de dificuldades de convívio, além de fazer orientações sobre

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Benzer Belgeler