3.2. KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE İÇ KONTROL SİSTEMİ
3.2.1. Ön Büro Bölümünde İç Kontrol Sistemi
3.2.1.1. Rezervasyon Sürecinin İç Kontrol Açısından Değerlendirilmesi
Do ponto de vista do nosso foco nesta tese, que é sobre o conflito e o interesse, tanto na república de Sieyes como na de Rousseau, o conflito de interesses se encontra fora da comunidade política, em favor da unidade da república. No entanto, a maneira como isso se dá em cada um dos autores é um pouco diferente. Vejamos.
Para Rousseau, há divergências entre interesses particulares (individuais ou coletivos, sempre parciais), mas elas não importam para a formação da vontade geral, que é aquilo que informa a legislação da república. Cada um pode ter interesses particulares, até mesmo contrários à vontade geral, desde que haja mecanismos (um legislador) capazes de expressar, por meio de leis, essa vontade geral. A unidade se dá pela totalidade de cidadãos que expressam seu interesse comum na vontade geral, que se externaliza nas leis. Em Rousseau, existe o indivíduo, que só se torna livre na república, mas a vontade geral não guarda relação com qualquer manifestação individual. Inclusive, pode ser que nenhuma das vontades individuais ou parciais, dentro da comunidade, coincidam com a vontade geral. Esta não é produto de soma, de negociações, ou de ponderações. É algo que emerge a partir do interesse comum da comunidade política, variando de comunidade para comunidade, como vimos. Na comunidade política de Rousseau, a formação de sujeitos coletivos não é estimulada, e pode ser considerada até mesmo algo ameaçador para a mesma comunidade. A vontade de sujeitos coletivos pode induzir a enganos a respeito da vontade geral, produzir facções, enfim, ser algo pernicioso para a vida da república. A unidade de Rousseau é totalidade.
Para Sieyes a unidade se dá de forma bem diferente. Em primeiro lugar, ela é mediada pela maioria, e daí ser possível para ele colocar a vontade e o interesse do Terceiro Estado como coincidentes com a vontade e o interesse nacionais. A unidade tem a ver com soma numérica de vontades individuais e é, dessa forma, parcial. Em Sieyes, é possível que a parte signifique o todo. O único (e, obviamente, significativo) requisito, é que essa parte seja a maioria. Com isto, a vontade comum coincide com vontades individuais. Não de todos os indivíduos, mas da maioria deles. Assim é que ele pode formular: “O que é a vontade de uma nação? É o resultado das vontades individuais, como a nação é o resultado dos indivíduos” (p. 141). A liberdade comum, a segurança e a coisa pública, para Sieyes, é obtida a partir do atendimento dos interesses da maioria. Lembremos que é contra os privilégios que Sieyes se insurge e é por causa deles que o autor destinará suas farpas à formação de sujeitos coletivos na comunidade política:
“A grande dificuldade vem do interesse pelo qual um cidadão está ligado somente com alguns outros. Daí se originam projetos perigosos para a comunidade e se formam os inimigos públicos mais temíveis.”
“Não nos surpreendamos, pois, se a ordem social exige com tanto rigor que não se permita aos cidadãos dispor-se em corporações, se chega a exigir que os mandatários do poder público que, pelas exigências das circunstâncias formam verdadeiros corpos, renunciem, enquanto durar seu emprego, a serem eleitos para a representação legislativa.” (p. 143) Além disso, para Sieyes a consideração de sujeitos coletivos pode criar dificuldades para que se verifique o interesse da maioria e, conseqüentemente, da nação. A república unitária de Sieyes, portanto, é a da unidade de acordo com o interesse da maioria dos indivíduos. Mas como se encontram os interesses em conflito nessa unidade? Ora, se há o interesse de uma maioria que coincide com o da nação, o conflito só pode vir de minorias. Interesses de minorias são facciosos e, no limite, se encontram em oposição ao interesse nacional da maioria e, portanto, devem ser eliminados. Os interesses que não coincidem com o da maioria devem ser colocados de fora da comunidade política. Eles, se atendidos, serão vistos como privilégios, e como tais não devem informar a formulação e a obtenção daquilo que possa ser o bem geral e comum.
A unidade de Rousseau, portanto, é a da totalidade; a de Sieyes é a da ma ioria, a da parte pelo todo. Esta diferença se reforça se considerarmos a idéia que cada
um dos autores tem de representação. Embora Rousseau admita algum tipo de representação no governo (que corresponderia ao poder executivo, em termos atuais), em relação ao legislativo, detentor da soberania, sua intransigência com qualquer tipo de representação é conhecida. Não há possibilidade de representação porque não há como reduzir a totalidade, que sedimenta a vontade geral, a ser tomada em sua parte. Em Sieyes, ao contrário, não só é possível a representação, como ela é desejável. Para Sieyes, os representantes não representam uma parcela da população, mas a totalidade da nação55. Ele admite a possibilidade de que um conjunto de pessoas possa agir de acordo com os interesses de toda a república. Isto é possível porque ele vê a nação não como um conjunto de interesses diversos, mas como algo cimentado por interesses fundamentados em qualidades comuns a todos os cidadãos: “o direito de fazer-se representar só pertence aos cidadãos por causa das qualidades que lhes são comuns e não devido àquelas que os diferenciam” (p. 144). A defesa da representação o distancia de Rousseau, e ao assumir tal concepção de representação, consolida a retirada do conflito de interesses do interior da vida política republicana. Se cada representante age em nome da nação como um todo, o interesse da nação é um só, sem, portanto, haver conflito.
Enfim, nas duas obras analisadas neste capítulo, o conflito de interesses, ainda que por razões diferentes, se encontra fora da vida política da república, que é unitária.
55Para uma tipologia das diversas concepções de representação ver PITKIN, 1972. Aqui, estou tendo como
referência apenas a oposição entre uma concepção de representação como ação em nome de alguém (acting for) e em nome da república como um todo (standing for).