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De onde surgiu a idéia da sua candidatura à prefeitura de São Paulo, em março de ?

Era a primeira eleição depois da Revolução de  de março de . Eu tinha ficado muito ligado, por causa do período da conspiração, a Julio de Mesquita Filho, o Julinho. Uma ra- zão foi minha ligação pessoal; outra foi que sua esposa era contraparente da avó materna de Lila, D. Brazilia, e gostava muito de ambas. O fato é que passei a me entender bem com Julinho, embora ele fosse uma pessoa difícil, porque ti- nha idéias muito autoritárias e não admitia ser questionado. Quando se aproximou a hora da eleição, surgiram em São Paulo dez candidatos, todos atacando o movimento militar, uns mais, outros menos. Quem atacava menos era o movi- mento janista, que tinha o candidato mais forte, o brigadeiro Faria Lima. Jânio ainda tinha uma boa estrutura dentro da ci- dade de São Paulo, Faria Lima tinha ligações antigas com ele, e na verdade já estava em campanha havia mais de um ano. Era uma campanha organizada, com partido etc., como manda o figurino. Um belo dia, no meio daquele clima, Julinho me chamou e disse: “Dr. Paulo,” – ele não me chamava de Paulo – “o senhor tem que sair candidato a prefeito”. Respondi: “Mas como, candidato? Eu nem tenho partido!” Ele: “Não faz mal, o senhor vai sair candidato apartidário, com o apoio da ”. O presidente da  paulista era Roberto Costa de Abreu Sodré, mas quem mandava, sem dúvida alguma, era o Julinho, que o chamou e determinou que o indicado tinha que ser eu, como candidato apartidário. Roberto, que já ti- nha feito uma aliança com Faria Lima, não aceitou muito a idéia, mas, ao mesmo tempo, não podia se indispor com o Dr. Julio de Mesquita Filho. Fez-se então a convenção da , que indicou a mim para prefeito e ao deputado federal Nicolau Tuma para vice. Dois dias depois dessa convenção, Roberto teve um infarto – dizem que o infarto foi entre as- pas – e se afastou da campanha completamente.A brincadei- ra era apostar se eu iria receber dez ou  votos...Afinal, eu era totalmente desconhecido.Tínhamos  dias de campanha pela frente, meu candidato a vice-prefeito veio de Brasília e, ao chegar a São Paulo, renunciou. Nomearam um coordena-

dor da campanha, Oscar Klabin Segall, que não coordenou coisa alguma, porque não havia campanha. A , apavora- da com a minha derrota, me abandonou. Afrânio de Olivei- ra, a quem me referi anteriormente, era deputado da  e ficou comigo a sério. Daí nasceu uma amizade muito forte entre nós, que durou até o seu falecimento, três ou quatro anos atrás. Entre os udenistas que me apoiaram, alguns sem mandato e poucos com, posso citar também André Faria Pe- reira, George Oswaldo Nogueira, Herbert Levy e os filhos.

Minha campanha foi feita com sede na casa de D. Pérola Byington, e com o apoio das senhoras que participavam da Cruzada Pró-Infância, das Ligas Católicas, da Marcha da Fa- mília. A única idéia que me surgiu foi fazer um cafezinho na porta das fábricas. Na hora da entrada, bem cedo, as senho- ras levavam lá uma mesa, faziam um café, serviam para os operários que estavam entrando, e eu falava.

O senhor certamente recebeu apoio do jornal O Estado de S. Paulo.

Claro, o jornal me deu cobertura total. Se alguém pesquisar o jornal nesse período, verá que ele foi riquíssimo de notícias a respeito da minha paupérrima campanha. O apoio financeiro que recebi foi do Gastão Eduardo Vidigal, que espontanea- mente me mandou um cheque, e de um parente de D. Brazi- lia que eu não conhecia, Horácio Coimbra, que se entusias- mou com um ou dois programas de televisão que fiz e me mandou outro cheque. O resto veio do que essas senhoras conseguiam arrecadar em chás que eram dados na casa de D. Pérola, seguindo a tradição da Cruzada Pró-Infância. O comi- tê central ficou lá, na avenida Paulista, que não é o lugar ideal para se ter um comitê político. Sei que saímos trabalhando de uma maneira extremamente intensa, mas sabendo que era caso perdido. Mas caprichei muito no preparo dos programas de televisão. E, com um conhecimento razoável da cidade, de engenharia e de urbanismo, aventei uma série de propostas que realmente causaram certo impacto em São Paulo.Até en- contrei há pouco tempo uma carta de uma pessoa que eu não conheço e que também não me conhecia, lamentando eu não ter sido eleito prefeito. É uma carta extremamente carinhosa que me foi enviada no fim da campanha.

Outra coisa que foi interessante nesse período é que ha- via um bairro em São Paulo que era o recanto do Jânio, era in- tocável:Vila Maria. Dos dez candidatos, nenhum tinha feito comício lá, nem Faria Lima. Resolvi fazer um comício na Vila Maria. É evidente que pensaram que eu estava completamen- te louco. Pode ser que estivesse, mas acho que não: eu estava desesperado. Fui então para a praça central da Vila Maria, em cima de um caminhão. Eu tinha vindo poucos dias antes de Nova York, e tinha comprado um blazer na Brooks Brothers, que naquela época era a casa de roupas de homem mais co- nhecida na cidade. Era um blazer muito elegante. Quando eu estava subindo no caminhão, alguém me disse: “Não apareça no caminhão com um blazer desses! Você vai causar um impac- to contrário! Tire o blazer, arregace as mangas!” Eu disse: “Como? Esse blazer é meu! Comprei com o meu dinheiro, que eu ganhei, e tenho direito de usar! Não vou me fantasiar, não vou dar uma de Jânio, de botar caspa no ombro. Eu sou assim. Eu gosto desse blazer, por que não vou usar?” E fui para cima do caminhão com o meu blazer.

No início, houve alguns apupos. Um prefeito do interior que estava me apoiando tomou o microfone na hora, começou a fazer um discurso longo, o apupo começou a virar vaia, e eu, diante daquele povo, umas mil pessoas ou algo assim, comecei a me assustar. Eu cutucava o prefeito para ele terminar, ele continuava, e as vaias começaram a aumentar. Até que uma hora não tive dúvida, tirei o microfone da mão do prefeito e comecei a falar. Nesse instante – relato isso, porque mostra o que é a política e o que é a oportunidade – uma pessoa meio que subiu no caminhão e perguntou: “Ô moço, o senhor é o candidato?” Respondi:“Sou”. Ele:“Quero contar para o senhor o seguinte: acabei de perder o meu filhinho, porque chamei a ambulância, ela levou uma hora para chegar na minha casa, e quando chegou, o meu filhinho já tinha morrido”. Eu tinha posto o microfone na boca dele, e isso foi transmitido para a praça. Fez-se um silêncio absoluto, pararam os apupos, e eu comecei a falar: “Quero ser prefeito para acabar com isso. É preciso haver um apoio muito maior aos bairros.Aqui está fal- tando isso, está faltando aquilo”. Eu conhecia razoavelmente os problemas regionais de São Paulo. E aí eu não só me senti ou- vido, como houve um acréscimo de gente no comício. E fiquei

extremamente curioso de saber como aquele impacto, que eu sabia que tinha causado, iria repercutir na eleição.

Chegou o dia da eleição, começou a apuração, e fui cedo para o Ibirapuera, onde estavam sendo apuradas as urnas, para ver as zonas eleitorais de Vila Maria. Faria Lima estava ganhan- do disparado. Eu era o único dos dez candidatos a prefeito que estava ali, e a imprensa e a televisão vieram perguntar o que eu achava dos primeiros resultados. Eu disse: “Acho que não há a menor dúvida, precisaria acontecer um fato extraordinário para que o brigadeiro não fosse eleito prefeito de São Paulo. Na minha opinião, o novo prefeito é o brigadeiro Faria Lima”. Uma meia hora depois, chegaram dois ou três carros do comi- tê do Faria Lima. Eles queriam falar comigo, agradecer a mi- nha declaração, porque estavam com medo de que houvesse alguma interferência que viesse a impedir a eleição do briga- deiro e, com o meu pronunciamento, de certa forma eu tinha consagrado o resultado das urnas. Não dei importância a isso, mas estava curioso e quis saber: “O que houve em Vila Maria? Achei que eu teria mais votos lá”. Eles disseram:“Você nos deu um trabalho danado. Depois daquele seu comício, tivemos que ir praticamente de casa em casa para assegurar a nossa posição. Lá era o nosso reduto principal, e você o abalou bastante”. Aí eu me senti realizado, feliz, porque tinha provocado um im- pacto em Vila Maria.

O próprio brigadeiro mandou me chamar. Fui vê-lo, e ele disse assim: “Paulo, gostei muito das idéias que você expôs na televisão e gostaria de aproveitá-lo”. Respondi que estava cui- dando da minha vida empresarial, estava tocando as minhas coisas, não queria aceitar nenhum cargo público, mas estava à disposição dele. Ele perguntou se poderia me chamar, e res- pondi:“Quando o senhor quiser”. Ele me chamou várias vezes. Uma das coisas que eu disse a ele foi que o projeto de Prestes Maia93para a avenida  de Maio era muito acanhado e que ele

deveria, antes de executar aquele plano, reformular e ampliar razoavelmente a avenida, que era um eixo principal ao lado da

 de Julho e poderia tornar-se um gargalo, como já estava

acontecendo. Durante todo o período dele na prefeitura, esti- ve lá várias vezes e pude conversar e dar algumas idéias. Umas ele aproveitou, outras não, mas isso gerou uma ligação bastan- te amistosa entre nós.

 Francisco Prestes Maia foi duas vezes prefeito de São Paulo, de  a  e de  a .Ver DHBB.

 Laudo Natel era na época vice-governador de Adhemar de Barros, eleito em outubro de . Quando Adhemar de Barros foi cassado, em junho de , assumiu o governo de São Paulo e permaneceu no cargo até o final do mandato, em de janeiro de . Voltou ao governo do estado em  de março de , após ter sido eleito pela Assembléia Legislativa paulista em outubro de , por indicação do então presidente Médici, e concluiu o mandato em  de março de , quando foi substituído por Paulo Egydio Martins. Ver DHBB.

Se o senhor não queria aceitar cargo público, por que con- correu à eleição?

Porque o Julinho insistiu que, naquela hora em que a Revolução estava sendo acusada de ditadura, disso e daquilo, era preciso que alguém viesse defender os ideais iniciais da nossa participa- ção. Certos ou errados, os nossos ideais foram aqueles. Ingê- nuos ou não, nós pensávamos aquilo. Participamos para manter a democracia no Brasil, não para implantar uma ditadura. Mesmo sabendo que teria pouca chance de vencer, sua can- didatura teve essa motivação.

Exclusivamente esse motivo. Eu sabia que não havia a menor possibilidade de ser eleito. Isso está muito bem documenta- do nos arquivos do Estadão.

O senhor foi o quinto colocado na eleição, não foi isso? Foi. Aqueles que esperavam que eu fizesse de dez a  votos se surpreenderam, porque cheguei perto dos  mil e fui o quinto colocado em dez. O primeiro foi Faria Lima; o se-

gundo foi Laudo Natel;94o terceiro foi Auro de Moura An-

drade; o quarto foi Pedro Geraldo Costa, um populista que tinha um projeto do tipo alimentação a um real, remédio a um real. Fiquei em quinto, ao lado dele, e abaixo de mim fi- caram Franco Montoro, Lino de Mattos, um nome conheci- díssimo, e Januário Mantelli Neto, uma figura também im- portante na política municipal. Quer dizer, Nicolau Tuma – coitado, já faleceu – deve ter se arrependido de ter renuncia- do, por medo de que só fôssemos ter  votos.

Achei que essa campanha foi realmente uma experiência importante para mim. Numa eleição direta, o contato com o povo é extremamente agradável. Gosto muito disso.Você rece- be apoios em certas áreas e é rejeitado em outras. Isso você sente claramente, não é algo que um político possa esconder. Política é isso também, não é? Outra coisa que percebi foi que a televisão era o maior instrumento para um candidato alcan- çar o povo. Meus programas de televisão foram improvisados – porque não se tinha como, eram ao vivo, na época não havia marqueteiro – e foram muito bons.Talvez o fato de eu ser en- genheiro tenha ajudado. Estudei todos os planos do Prestes Maia, que até hoje é considerado o maior prefeito que São Pau-

lo já teve.Tive vários debates no Instituto de Engenharia e qua- se fui apedrejado, porque não concordei com isso. Acho que a visão de Prestes Maia para São Paulo sempre foi medíocre. Os planos dele não estavam à altura do crescimento que São Paulo já projetava de maneira óbvia. Eu tinha uma idéia do cresci- mento de São Paulo e já naquela época advogava a Marginal, que foi construída pelo Faria Lima, advogava o metrô, cuja pri- meira linha também foi iniciada por ele. Sem dúvida alguma, Faria Lima está entre os maiores prefeitos que São Paulo já teve. Eu, pessoalmente, não coloco Prestes Maia nesse nível. E do ponto de vista político, o que o senhor defendeu em sua campanha?

Na parte política, eu preguei que a Revolução tinha que se institucionalizar através do voto. Esse foi o meu tema político número um – e isso está registrado nas páginas de O Estado –, totalmente coerente com a minha idéia anterior. Eu inclusive não achava que a Revolução deveria se institucionalizar atra- vés do voto indireto. Era favorável a que as próximas eleições para governador se realizassem por voto direto. Não me lem- bro de todos os tópicos que abordei, mas com certeza isso consta dos arquivos de O Estado.

Outra coisa também interessante é que no dia em que foi apurado o resultado da eleição, minha casa ficou cheia de gente. Àquela altura eu tinha uma casa pequena, no Alto de Pinheiros, e todos os meus amigos foram para lá comemorar o que para mim foi uma vitória, embora eu tenha ficado em quinto lugar. Lá pelas tantas, vem um empregado e diz: “Dr. Paulo, tem alguém no telefone dizendo que o presidente quer falar com o senhor”. Eu digo: “Ah, manda não amolar!” Continuei lá conversando, mas o empregado voltou: “É sé- rio, Dr. Paulo, ele disse que é o presidente mesmo, de Brasí- lia”. Fui atender, e era! Era o Castello, me cumprimentando pela campanha que eu tinha feito em São Paulo.

Quando o presidente Castello Branco lhe telefonou, o se- nhor não o conhecia?

Não. Mas depois disso, um belo dia, Castello convidou Julio de Mesquita Filho, Ruy Mesquita e a mim para jantarmos com ele no Alvorada. Quando ele mandou o avião presiden-

cial nos apanhar em São Paulo, achamos que ia ser um jantar onde ele iria expor idéias de uma abertura maior, talvez nos consultar sobre as eleições, coisas desse tipo. Mas foi um jan- tar extremamente tenso, até com uma certa rispidez de tra- to entre ele e Julinho, que sugeriu algumas coisas que foram refutadas de pronto. Sobre o problema da eleição, ou o pro- blema político, ele não abordou nada. Fomos para o hotel, porque já era tarde para voltarmos para São Paulo, e Julinho se recolheu visivelmente aborrecido. Fiquei um pouco no sa- guão com o Ruy, e ainda me lembro de que trocamos a se- guinte expressão: “Bom, parece que aquela nossa Revolução, todos aqueles nossos objetivos foram esquecidos”.

Afinal, por que Castello Branco chamou vocês três, com avião presidencial e tudo?

Não sei. Não tinha nada a dizer e não pediu uma opinião. Foi uma conversa normal de jantar, em que o Julinho e ele se apos- saram do assunto, discutindo as políticas que iam ser orientadas na área financeira, na área de comércio exterior etc., mas com uma divergência quase que geral. O que um dizia, o outro re- futava. Ter assistido àquele jantar me deixou num tremendo mal-estar.Tive uma sensação de tempo perdido.

Existiria a possibilidade de Castello Branco estar esperando um apoio maior dos Mesquitas no jornal, e ter percebido que os Mesquitas estavam exigindo dele determinadas atitu- des para apoiá-lo?

É possível. Porque aí o Julinho já estava castigando, sem dú- vida. O fato é que nós voltamos para São Paulo descorçoa- dos. A atitude do Julinho era clara, como era a do Ruy: “Va- mos combater esse governo, porque não era isso o que nós queríamos, não era isso o que nós esperávamos”.A linha d’O

Estadofoi exatamente essa. Quanto a mim, pensando na si- tuação, cheguei à seguinte conclusão: só temos um jeito de restaurar o que se chama de statu quo ante, quer dizer, a nos- sa intenção de manter um Estado democrático – é através do próprio Exército. Eu não via outra maneira. Nesse ponto minha opinião entrou em desacordo com a do Julinho, por- que ele achava que isso era absolutamente inviável. Achava que a saída era combater o governo abertamente.

O que o senhor fez depois da eleição?

Continuei na minha vida normal, de empresário. Um dos resultados positivos da experiência foi que depois da campa- nha perdi a voz, fiquei num estado de exaustão absoluto, e alguém sugeriu que eu fosse para Campos do Jordão. Fre- qüentei Campos do Jordão dos seis meses até os  anos de idade, quando me mudei para o Rio.Todo ano, no inverno, meu pai alugava uma casa ou uma pensão e íamos para lá. Meu pai insistia muito que eu, com tantos filhos, devia pen- sar em ter uma casa lá, mas eu não me interessava. Ele tinha uma casa em Correias, que eu usava. Mas nessa ocasião fui para Campos do Jordão, como se diz, morto, um bagaço de cana, totalmente esgotado, e no fim de dois dias estava novo em folha. Pensei: não é possível, esse clima é maravilhoso! Fiquei lá uns dez dias, me lembrei das palavras de meu pai e comecei a procurar uma propriedade para comprar. Estava havendo uma grande crise imobiliária na ocasião e havia propriedades magníficas à venda, muito baratas. Acabei comprando um terreno onde fiz uma casa, que hoje está com  anos e é um paraíso. Essa é a única coisa que, se eu for vender, tenho certeza de que minha mulher, meus filhos e netos entrarão na Justiça com um interdito proibitório por insanidade mental minha...

       -

O senhor mencionou que na sua campanha defendeu a insti- tucionalização da Revolução pelo voto direto. Mas naquela época as eleições eram diretas mesmo.

Sim, mas isso foi mantido contra a vontade do Lacerda e do Magalhães Pinto. Os dois queriam eleições indiretas para go- vernador em , porque sentiam que seus candidatos se- riam derrotados. E aí criaram um foco de resistência, contra a posição do Castello. Foi aí que surgiu o chamado Grupo do Humaitá.

O que era esse Grupo do Humaitá?

Essa é uma expressão que foi usada como um jargão, da qual só fui tomar conhecimento quando fui para o Ministé-

 O arquivo do presidente Castello Branco foi doado pela família à Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), situada na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

rio da Indústria e Comércio, em janeiro de . Eu era o ministro mais jovem, estava com  anos. No ministério do Castello convivi praticamente com todos os remanescentes dos tenentes de : Juarez Távora, Cordeiro de Farias, Eduardo Gomes... Fiquei então muito ligado ao pessoal mais jovem da Casa Militar, e lá eu ouvia falar das histórias que tinham ocorrido.

Grupo do Humaitá, portanto, era uma expressão que os majores, tenentes-coronéis e coronéis da Casa Militar usa- vam. Comecei a perguntar, a querer saber, e um dos comen- tários que ouvi foi que, justamente em função da campanha que eu tinha feito para a prefeitura de São Paulo, em que eu pregava a eleição direta, tinha havido uma resistência de dois governadores, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, às eleições diretas para governador. Houve um comentário, cuja veraci- dade não posso afirmar, porque desconheço os detalhes, se- gundo o qual Rafael de Almeida Magalhães teria sido um dos que fomentaram essa resistência, que provocou o afastamen- to entre Lacerda e Castello.Tive a oportunidade de consul-

Benzer Belgeler