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RESULTS AND DISCUSSION

3.6.1 Definição

O reúso de águas é a utilização dos efluentes tratados nas respectivas estações ou unidades de tratamento ou, ainda, o uso direto de efluentes em substituição à fonte de água normalmente explorada. A adoção deste procedimento contribui com a redução do volume de água captado e do efluente gerado pela indústria (MIERZWA; HESPANHOL, 2005).

Segundo Mancuso e Santos (2002), reúso de águas é o aproveitamento de águas previamente utilizadas, uma ou mais vezes, em alguma atividade humana, para suprir as necessidades de outros usos benéficos, inclusive o original. Pode ser direto ou indireto, bem como decorrer de ações planejadas ou não.

Através do ciclo hidrológico, a água se constitui em um recurso renovável. Quando reciclada através de sistemas naturais, é um recurso limpo e seguro que é, através da atividade antrópica, deteriorada em diferentes níveis de poluição. Entretanto, uma vez poluída, a água pode ser recuperada e reusada para fins benéficos diversos. A qualidade da água utilizada e o objeto específico do reúso estabelecerão os níveis de tratamento recomendados, os critérios de segurança a serem adotados e os custos de capital e de operação e manutenção associados (HESPANHOL, 2006).

3.6.2 Tipos de reúso

As principais modalidades de reúso de águas, de acordo com o fim a que se destinam, são o reúso para a irrigação de lavouras, irrigação de parques e campos, recarga de aqüíferos, fins potáveis e fins industriais, como água de resfriamento, água de caldeiras e águas de processo. Qualquer que seja o emprego das águas de reúso faz-se necessária a avaliação dos sistemas de tratamento e conseqüentemente a garantia da qualidade da água, a definição dos seus critérios de uso e os impactos e benefícios ambientais envolvidos no processo (VITORATTO; SILVA, 2004).

Para a aplicação do reúso em processos industriais, atenção especial deve ser dada à qualidade das águas em questão e aos efeitos potenciais na saúde dos usuários, nas instalações da indústria – como corrosão, incrustações e deposição de materiais sólidos nas tubulações, tanques e outros equipamentos – além dos efeitos nocivos aos processos produtivos, como alterações da solubilidade de reagentes nas etapas de processamento e alterações das características físicas e químicas dos produtos finais (VITORATTO; SILVA, 2004).

De acordo com Mancuso e Santos (2002), o reúso de água classifica-se em:

• Reúso indireto não-planejado: quando a água utilizada em alguma atividade humana é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada;

• Reúso indireto planejado: quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada em corpos d’águas superficiais ou subterrâneos para serem utilizados a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico;

• Reúso planejado ou reúso intencional: quando o reúso da água é resultado de uma ação humana consciente, a partir de uma descarga de efluentes, podendo ser de forma direta ou indireta. Neste caso, pressupõe-se a existência de um sistema de tratamento de esgotos que atenda aos padrões de qualidade requeridos pelo uso objetivado;

• Reciclagem de água: é o reúso interno da água em um determinado processo, antes de sua descarga em um sistema geral de tratamento ou outro local de disposição. Essas tendem, assim, como fonte suplementar de abastecimento do uso original. Este é um caso particular do reúso direto planejado.

As possibilidades e formas potenciais de reúso dependem, evidentemente, de características, condições e fatores locais, tais como decisão política, esquemas institucionais, disponibilidade técnica e fatores econômicos, sociais e culturais.

A FIGURA 3.2 apresenta, esquematicamente, os tipos básicos de usos potenciais de esgotos tratados, que podem ser implementados, tanto em áreas urbanas como em áreas rurais (HESPANHOL, 2006).

Esgotos

domésticos industriaisEsgotos

Urbanos Recreação Aqüicultura Agricultura Industrial

Não

potável Potável

Recarga de

aqüíferos Processos Outros

Natação Ski aquático,canoagem, etc. Pesca Dessedentação de animais Pomares e vinhas Forragens, fibras e culturas com sementes Culuras inseridas após processamento Culturas inseridas cruas Fonte: Hespanhol, 2006.

FIGURA 3.2 – Tipos de reúso de águas.

Os usos industriais que apresentam possibilidade de serem viabilizados em áreas de concentração industrial significativa são basicamente os seguintes: (HESPANHOL, 2006)

• Em torres de resfriamento, como água de "make-up"; • Na alimentação de caldeiras;

• Na construção civil, incluindo preparação e cura de concreto, e para compactação do solo;

• Na irrigação de áreas verdes de instalações industriais, lavagens de pisos e alguns tipos de peças, principalmente na industria mecânica;

3.6.3 Reúso na construção civil

A preocupação com a escassez de água acirrou-se apenas no final do século 20, quando as modificações climáticas passaram a preocupar os cientistas. A partir daí alguns setores produtivos adotaram medidas visando à racionalização no consumo de água. Na construção civil não foi diferente. As primeiras ações sobre a necessidade de construções com menor impacto sobre o meio ambiente iniciaram- se, surgindo investigações para diminuir o consumo na fabricação de materiais e na construção de prédios e, mesmo, para melhorar a gestão dos resíduos.

Nos EUA, o movimento organizou-se e foi criado o Conselho Nacional de Construções Verdes (USGBC), órgão regulamentador das normas de construção no país e certificador das obras que atendam às normas no mundo inteiro. Na China, as noções de desenvolvimento sustentável também ganharam ares mais oficiais na última década.

No Brasil há iniciativas interessantes como, por exemplo, a criação em agosto de 2007, do Comitê Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), que tem como um dos objetivos, otimizar o uso dos recursos naturais.

De acordo com o manual “Conservação e Reúso de Água em Edificações” publicado pela ANA em parceria com a FIESP e o Sinduscon-SP em 2005, no caso dos processos produtivos inseridos na construção da edificação (concretagem, terraplenagem etc) acredita-se que sejam possíveis diversas soluções que otimizem o consumo de água. No entanto, não há ainda hoje dados de pesquisas específicas que comprovem a possibilidade de aplicação de águas de menor qualidade para cura ou mesmo na produção de concreto, por exemplo. O que se vê na prática é iniciativa de determinadas construtoras para a otimização desse insumo e o desenvolvimento de alguns estudos pilotos em determinadas cidades do país.

Além disso, as poucas ações existentes estão relacionadas com o edifício em operação e pouco se fala no edifício em construção, embora o custo com o consumo de água no edifício em construção represente 0,7% do custo total da obra

(PESSARELLO, 2008). Levando-se em conta apenas o aspecto econômico, talvez não seja significativo. Entretanto, o custo ambiental também deve ser levado em consideração.

De todo modo, são necessários estudos de viabilidade técnica que comprovem a manutenção da qualidade de tais processos ao se utilizar efluentes de esgotos (domésticos ou industriais) tratados no lugar de água potável.

Benzer Belgeler