2. MATERYAL ve METOT
2.4. Uykulu Sürüş Algılama Sistemi
2.4.2. Yüz Tanıma
2.4.2.1. Yüz Tanıma Yöntemleri
2.4.2.1.1. Resimden Yüz Tanıma Yöntemleri
Recorte 1 (S-1):
O ensino cartilha muda ou o ensino que a cartilha muda?
Qual o papel do ensino atualmente? Lecionar e não ensinar nada ou promover a transformação no(s) sujeito(s) e na sociedade de maneira mais ampla? Essas indagações provocadas com a leitura de “Educação pela Pedra” oferecem um norte para que tipo de ensino se pretende e, diga-se de passagem, um norte não estático, não impessoal e não maniqueísta.
O que nos chama atenção neste recorte é que S-1 inicia a sua produção apresentando ao leitor várias indagações, provavelmente, motivadas pela sua leitura da poesia utilizada como referência para escrita do seu texto, indiciando a sua relação com o outro (interlocutor) e com o interdiscurso. Observa-se a tentativa de produção de um texto dissertativo- argumentativo, tal como fora solicitada. Isso pode ser constatado com o uso de “Essas indagações provocadas com a leitura de “Educação pela Pedra” ”, em que o sujeito-professor
4A fim de facilitarmos a leitura da análise dos dados, enumeramos os recortes de acordo com a ordem que aparecem neste trabalho. Além disso, indicamos, por meio da sigla (S-nº), a qual sujeito-professor corresponde o recorte utilizado.
não determina em quem a leitura pode provocar “indagações”, deixando o sentido generalizante, pois não escreve que foi nele que a leitura suscitou tais questões. Há um indício de apagamento da subjetividade, talvez em função do que conhecemos sobre as exigências de construção de textos objetivos, impessoais, como a escola ensina que deve ser uma dissertação.
Interessante destacar, no final do recorte 1, como S-1 marca a sua identidade quando se refere ao direcionamento do ensino e utiliza, para tanto, termos como: não estático, não impessoal e não maniqueísta, para marcar o seu posicionamento e a formação ideológica à qual se filia, demonstrando não se identificar com formações discursivas que defendem visões educacionais estáticas, dicotômicas e impessoais; assim, entendemos que o sujeito-professor expôs, por meio do sua filiação ideológica, traços de subjetividade.
Recorte 2 (S-1):
Essa lógica que muitas vezes nos cerca no ambiente de trabalho, a lógica da escolha disso em detrimento daquilo, do “ou isto ou aquilo”, e fazendo alusão aos versos de Cecília Meireles, tem-se um cenário de opções e definições de rumos. E o professor desde sua formação inicial é obrigado a definir-se teórica e praticamente, pensando qual teórico irá sustentar seu discurso ou quais recursos materiais serão utilizados para contribuir com a aprendizagem efetiva de seus alunos.
Podemos notar que S-1, a partir dos textos de referência, do já-dito, produziu novos sentidos e historicizou o seu dizer. Notam-se pistas de que o sujeito identificou-se tanto com os textos literários fornecidos (LINS DO REGO; MELLO NETO, 2011) como leitura anterior à produção textual, quanto com os textos acadêmicos com os quais teve contato na universidade. Interpretamos que o acesso aos autores literários, cujos textos oferecemos como matéria-prima para a produção textual, fez reverberar a memória discursiva e ele se sente autorizado a citar Cecília Meireles como argumento de autoridade, que pode funcionar como indício de identificação do sujeito com a literatura; além disso, ele brinca com os significados da palavra “muda”, ao recorrer à polissemia, recurso tão utilizado em textos literários.
Entretanto, como se trata de um texto dissertativo-argumentativo solicitado por um pesquisador, em um contexto acadêmico, o sujeito tenta articular o literário com o acadêmico,
como se observa em “E o professor desde sua formação inicial é obrigado a definir-se teórica e praticamente, pensando qual teórico irá sustentar seu discurso ou quais recursos materiais serão utilizados para contribuir com a aprendizagem efetiva de seus alunos.” No parágrafo seguinte, observamos o mesmo funcionamento discursivo, pois o sujeito cita, novamente, Cecília Meireles. Importante observar que S-1 começa seu discurso se posicionando como sujeito-professor que faz parte do contexto escolar ao utilizar o pronome “nos”, mas não sustenta este dizer quando finaliza o parágrafo falando sobre o professor, como se não fosse ele.
Essa marca linguística aparece em outros momentos do texto, nos quais o sujeito se implica no discurso utilizando verbos e pronomes em primeira pessoa, o que pode indiciar uma identificação do sujeito com o “ser professor”. Contudo, o sujeito não sustenta este posicionamento, pois observamos, por meio da utilização de verbos no infinitivo, pronomes indefinidos e em terceira pessoa, que há uma oscilação desta posição e, por conseguinte, de identificação. No recorte 3, podemos novamente perceber a movimentação do sujeito de posição discursiva:
Recorte 3 (S-1):
Nesse momento é que deve-se instaurar e instigar a reflexão do professor: o que se pretende com esta ou aquela atividade? Que tipo de ensino estou promovendo?
Por meio da presença dessas marcas linguísticas, inferimos que S-1 ora se identifica com o “ser professor” ora adota um olhar de distanciamento, como se analisasse de fora o outro que o constitui ou o outro com o qual não se identifica. Podemos considerar também, em nossa análise, que há quanto tempo o sujeito exerce a sua profissão pode interferir no seu modo de dizer, pois entendemos que caso seja um professor recém-formado, talvez ainda não esteja totalmente confortável na posição que ocupa; portanto, ora produz sentidos a partir do lugar de professor; ora a partir de outra posição discursiva, o que justificaria os usos linguísticos que criam o efeito de sentido de proximidade e de afastamento.
Recorte 4 (S-1):
Não raro esse professor adentra rotas lúgubres e acidentadas, e somente num momento posterior é que se convence que o “isto” não foi melhor que o “aquilo”. É possível adensar-se nessa “lógica compacta” e sintetizar no “isto” e “aquilo”, pensando um movimento aglutinador, de inclusão e pertencimento e, portanto, não excludente? É por esse motivo que o título traz diferentes rumos a trilhar: escolher uma “cartilha muda”, atribuindo muda como um adjetivo de cartilha ou, deve-se visar uma cartilha que muda e, portanto, aqui atua como verbo mudar.
Interessante destacar, nesse recorte, a movimentação de sentidos que S-1 propõe ao usar os pronomes demonstrativos “isto” e “aquilo”, falando da escolha que está sempre presente e que marca a construção da identidade profissional do professor, assim como a construção da sua escrita que também é marcada pela escolha destes ou daqueles sentidos. Percebemos que o sujeito faz novamente referência à poesia da Cecília Meireles, desta vez sem marcar o nome da autora, mas utiliza como recurso linguístico o título de uma de suas poesias, “Ou isto ou aquilo”, e através desta marca procura expressar toda a sua angústia em ter de escolher, mas ao mesmo tempo assume essa escolha como sendo necessária e responsável.
Observamos, também, no recorte 4, que S-1 considera o seu leitor ao explicar a proposta do título da sua produção: “O ensino cartilha muda ou o ensino que a cartilha muda?”; e procura, como estratégia de antecipação, argumentar sobre os diferentes sentidos que a palavra “muda” pode assumir quando é utilizada como adjetivo e quando é empregada como verbo. Com isso, entendemos que o S-1 considera o outro no seu texto e procura movimentar-se em diferentes posições discursivas. Também destacamos que o sujeito soube usar o seu título como pista da direção argumentativa pretendida pelo autor e que o leitor poderia esperar do seu texto, ao condensar a ideia principal que iria abordar no seu discurso.