4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.2. Renk Analizi (L*, a*, b*)
AUGUSTI (2000) define a poda como a eliminação ou o encurtamento de parte dos ramos da planta para facilitar a formação, a iluminação e a aeração da copa, com o intuito de melhorar quantitativa e qualitativamente a produção dos frutos.
A poda em citros deve ser analisada como uma medida útil sob condições específicas ou como parte de um programa de manejo. Ainda é uma prática cultural de uso restrito e pouco freqüente entre os citricultures brasileiros.
No Brasil, sua utilização deu-se com o propósito de auxiliar no arejamento de pomares adensados e no controle da clorose variegada dos citros (DE CARVALHO et al., 2005).
Com o adensamento dos pomares nos últimos anos para o melhor aproveitamento de áreas de plantio, visando a elevar a produtividade e a obter maiores lucros num período de tempo menor, amortizando o alto investimento da implantação do pomar, alguns tipos de poda vêm sendo utilizados (LEYVA et al., 1986). Há uma tendência para que a poda mecânica seja mais utilizada devido ao destino da produção brasileira, qual seja, a indústria, e ao menor custo que a poda manual (DONADIO & RODRIGUEZ, 1992).
A poda executada mecanicamente facilita o trânsito de tratores e implementos, as operações de colheita e as aplicações de defensivos (RONDON & LOPEZ, 1988; DONADIO & RODRIGUEZ, 1992). Contudo, esse tipo de poda não elimina a poda manual, que auxilia no arejamento de pomares adensados e no controle de algumas doenças.
A poda não deve ser indiscriminada, pois a remoção de tecido sadio, mais que o necessário, interfere diretamente na área foliar das plantas, prejudicando a fotossíntese e, indiretamente, na relação C/N da planta, podendo limitar a disponibilidade e aumentar a competição por reservas de carbono entre as etapas de frutificação, enraizamento e crescimento vegetativo, reduzindo, severamente, o crescimento e a frutificação de plantas jovens e a produtividade de plantas adultas (SYVERTEN, 1999). Após a poda, prevalece o consumo energético destinado à reconstituição da copa em
detrimento das raízes e do desenvolvimento dos frutos (DUNCAN & EISSENSTAT, 1993, citados por DE CARVALHO et al., 2005).
Todavia, há divergências entre vários pesquisadores quanto à necessidade de realizar podas em plantas cítricas. Para MOREIRA (1941), as plantas cítricas adultas não requerem podas, ou exige pouco, tal como a maioria das plantas com folhas persistentes. De acordo com LEWIS & MCCARTY (1973), a poda seria a última operação cultural necessária ao pomar, uma vez que não é essencial para o crescimento nem para a produção das plantas cítricas, o que é corroborado por DORNELLES (1978), que afirma que as plantas cítricas não exigem poda de produção como ocorre com as rosáceas e outras frutíferas.
ZARAGOZA et al. (1987), citados por STUCHI (1994), consideram um erro plantar adensadamente, contando com a poda mecânica para limitar eficazmente o tamanho da copa. A poda deve ser considerada um corretivo do tamanho de plantas, aplicando-a em pomares com problemas de superpopulação e não como medida usual para o controle permanente do tamanho das plantas em pomares adensados.
Quanto à produtividade das plantas, AUGUSTI (2000) e AMOROS (1985) afirmam que os objetivos principais da poda são propiciar tamanho e volume adequados da copa, favorecer a produção sem alternância de safras, facilitar os tratos culturais, reduzir os custos e melhorar a rentabilidade.
Entretanto, existem outras razões para executar podas em plantas cítricas. Segundo DONADIO & RODRIGUEZ (1992) e AGUSTÍ (2000), alguns tipos de podas podem melhorar a qualidade dos frutos quando o objetivo é atender à produção de frutos para o consumo in natura, bem como aumentar a longevidade das plantas, principalmente em países de clima tropical, onde é menor que a de países de clima subtropical.
Mas, para TUCKER et al. (1998), a poda é uma maneira de remover partes danificadas das plantas, por qualquer que seja a causa. Neste sentido, como medida auxiliar no controle de doenças, AGUSTÍ (2000) comenta que o aumento da incidência de luz no interior da copa, mediante a poda, estimula as brotações, bem como melhora a aeração e a penetração das caldas de pulverização (DONADIO & RODRIGUEZ,1992)
e, como conseqüência, reduz a presença de musgos, liquens e fungos que se desenvolvem devido à baixa iluminação (RONDON & LOPEZ, 1988).
SOUZA et al. (2004) também relatam que, nos tabuleiros costeiros dos Estados da Bahia e Sergipe, a poda tem sido utilizada em plantas cítricas como medida fitossanitária para remoção de ramos comprometidos em pomares com mais de 10 anos de idade.
A principal aplicação da poda manual pelos citricultores brasileiros tem sido como medida auxiliar num programa de manejo de pragas e doenças, principalmente aquelas que se desenvolvem no interior da copa das plantas, tais como rubelose (ROSSETTI, 1995); melanose (SALVO FILHO, 1998; SANTOS FILHO & LARANJEIRA, 2003); leprose (BITANCOURT, 1955; OLIVEIRA, 1986; ROSSETTI, 1995; BARRETO & PAVAN, 1995; CATI, 1997; BASSANEZI, 2001; BASSANEZI, 2004; OLIVEIRA & PATTARO, 2004; GRAVENA, 2005), e clorose variegada dos citros “CVC” (LOPES, 1999); brocas; pinta preta “Guinardia citricarpa” (Kiely) (GÓES et al., 2004) e cancro- cítrico “Xantomonas axonopodis” pv. citri (Valterin) (PORTO, 1993, citado por DE CARVALHO et al., 2005).
Em outros países, como na Argentina, a poda também tem sido utilizada como tática de manejo no controle do cancro-cítrico “X. axonopodis” pv. citri (ZUBRZYCKI, 1998), na África do Sul, sobre o nematóide “Tylenchulus semipenetrans” (Kobb, 1913) (MASHELA & NTHANGENI, 2002), da broca “Elaphidion cayamae” (Fisher, 1932) (Coleoptera: Cerambicidae) (GONZÁLES et al., 1990), em Cuba.
São vários os tipos de podas praticados, distintos de acordo com suas finalidades, sendo rotineira em alguns países. Embora tenham se alencado diversos benefícios decorrentes dessa prática, há também aspectos negativos devido à poda, principalmente quando esta é realizada de maneira e/ou época imprópria.
Segundo BERGER (1998), a poda realizada em época inadequada pode ser uma das causas do declínio dos citros, devido ao estresse causado às plantas. Algumas operações mecanizadas de manejo do solo, como subsolagem, em conjunto com a poda das plantas cítricas, também não são indicadas, pois, nesta situação, a água
disponível às plantas diminui com o aumento da intensidade da poda (SOUZA et al., 2004).
Muitas vezes, as podas são mais severas e mais freqüentes do que o necessário (ZARAGOZA & ALONSO, 1981) e efetuadas erroneamente por falta de pessoal capacitado, pois, de acordo com PRALORAN (1977), trata-se de uma operação que requer técnica e destreza (AMOROS,1985).
Segundo AMOROS (1985), alguns autores americanos afirmam que, em algumas variedades espanholas, os rendimentos são inferiores ao normal por excesso de poda, e quanto mais severa for a poda, menor será a produção das safras subseqüentes (FUCIK, 1977; BOSWELL et al., 1978; SALOMON & AHITUV, 1970, citados por CARY 1977).
SILVEIRA et al. (1994) constataram que em podas mais leves, em plantas de laranja da variedade “Valência”, a recuperação da produção é mais rápida comparada a podas mais severas, pois produzem no segundo ano após, igualando-se em produtividade à testemunha no terceiro ano. Podas mais severas reiniciaram a produção somente no terceiro ano, e, nelas, tanto a produção como a recuperação da área de projeção da copa foram menores em relação às que receberam podas mais leves.
LEWIS et al. (1963), citados por WARDOWSKI et al. (1986), constataram que, após 6 anos da realização da poda de esqueletização em laranja “Valência” e “Washington navel”, não houve aumento na produção das plantas podadas, e o incremento no tamanho dos frutos não justificou o custo da poda.
Segundo WARDOWOWSKI et al.(1986), na Itália, a poda drástica realizada em plantas cítricas aumenta os custos de produção, e, na Espanha, de acordo com AZNAR (1998), a mão-de-obra empregada nas podas representa 19% dos 42% dos custos de produção de frutos cítricos para a exportação. Há 34 anos, Lewis & McCarty (1973) já mencionavam que devido aos altos custos, ao longo dos anos, em algumas regiões citrícolas do mundo, essa prática havia diminuído. Contudo, na Espanha, Itália, Israel e Japão, países em que a poda manual é uma necessidade, por produzirem frutos para o
consumo in natura, tem sido desenvolvidos equipamentos e técnicas que possibilitam a poda a custos mais baixos e com mais eficiência.
3 MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi instalado na Fazenda São Pedro, propriedade pertencente ao grupo Branco Peres, localizada no Município de Reginópolis-SP. As plantas utilizadas foram da variedade “Pêra” enxertadas sobre tangerina “Cleópatra”, com 12 anos de idade, espaçadas 7 x 4 metros e irrigadas por gotejamento.
Inicialmente, foram inspecionadas 500 plantas com a finalidade de determinar o nível de infecção de leprose em cada uma delas. A classificação das plantas quanto à severidade da doença baseou-se na escala visual de notas atribuídas à planta inteira.
Conforme a escala de severidade da leprose (Tabela 1), 86% das plantas receberam nota 3 e, nas demais, atribuiu-se nota 4. Aquelas que apresentaram nota 3 foram selecionadas e utilizadas no experimento.
Tabela 1. Escala de notas para avaliação da severidade da leprose em plantas de citros. (1) plantas sem lesões;
(2) plantas com lesões em alguns ramos finos;
(3) plantas com lesões em alguns ramos internos de maior diâmetro e vários ramos finos; (4) plantas com lesões em muitos ramos internos e finos.
Antes de se estabelecerem as parcelas, foi determinado o nível de infestação de B. phoenicis do talhão, mediante a adoção da metodologia convencional (CATI, 1997) e constatou-se que o nível se encontrava abaixo de 10%.
Delineamento experimental – adotou-se um fatorial constituído por três fatores:
(A) fator poda, com seis níveis:(1) poda drástica; (2) poda intermediária intensa sem lesões de leprose; (3) poda intermediária com lesões de leprose; (4) poda leve; (5) sem poda, e (6) replantio; (B) fator acaricida, com três níveis: (1) sem acaricida; (2) spirodiclofen; (3) calda sulfocálcica; (C) fator poda leve de condução, com dois níveis:
(1) com poda leve de condução; (2) sem poda leve de condução. A combinação dos fatores, com os respectivos níveis (6 x 3 x 2), resultou em 36 tratamentos, que foram repetidos 4 vezes, em blocos casualizados, sendo cada parcela constituída por 3 plantas dispostas em linha.
De conformidade com os tratamentos, as plantas cítricas foram submetidas aos seguintes tipos de podas:
- Poda drástica: caracterizou-se pela eliminação total da copa e do ramo
primário central até sua base, permanecendo apenas o tronco e 3 a 5 ramos primários dispostos lateralmente, podados a 1,30m do solo (PRALORAN, 1977; AMOROS, 1985; DONADIO & RODRIGUEZ, 1992; RODRIGUEZ, 1991). A poda drástica atribuiu às plantas a forma de “taça” (Figura 1).
Figura 1. Plantas submetidas à poda drástica.
- Poda intermediária intensa sem lesões de leprose: caracterizou-se pela
remoção de todos os ramos sintomáticos, deixando nas plantas de 3 a 4 ramos primários, secundários, bem como folhas e frutos que não apresentavam lesões de eprose. As plantas submetidas a esse tipo de poda tiveram o volume de copa bastante reduzido (Figura 2).
Figura 2. Plantas submetidas à poda intermediária intensa sem lesões de leprose.
- Poda intermediária com presença de lesões de leprose: é caracterizada
pela permanência de 5 a 6 ramos primários, secundários, folhas e frutos com alguns sintomas da doença, conservando um volume de copa maior que o da poda intermediária intensa. Uma poda de limpeza foi realizada para a retirada de ramos secos e/ou muito lesionados com leprose.
- Poda leve: consta da eliminação dos ramos secos e alguns ramos de
crescimento vertical mal posicionados no interior da copa das plantas (PRALORAN, 1977; AZNAR, 1998; ARBIZA, 1998). Para aumentar a luminosidade e facilitar a penetração da calda de pulverização no interior da copa (KOLLER, 1994; DONADIO & RODRIGUEZ, 1992), foram efetuadas aberturas (“janelas”), mediante a retirada de um ramo central no topo da planta (DONADIO & RODRIGUEZ, 1992) e dois nas laterais, com diâmetro aproximado de 5 cm. As plantas submetidas a este tipo de poda mantiveram sua arquitetura original (Figura 3).
Figura 3. Planta submetida à poda leve.
No tratamento sem poda, as plantas não sofreram intervenção alguma, permanecendo em seu estado original (Figura 4).
O replantio consistiu na substituição das plantas do pomar por plantas novas (Figura 5 B).
Figura 5 . Arranque de plantas (A) e replantio (B).
As podas executadas com serras e tesouras manuais, bem como o replantio foram realizados em outubro de 2003, após a principal colheita da variedade “Pêra”.
Nas plantas submetidas às podas, aplicou-se, na região do corte de ramos com diâmetro superior a 3 cm, através de pincelamento, uma solução de oxicloreto de cobre (10%). Todavia, naquelas em que se realizou a poda drástica, seus troncos e ramos primários foram pintados com tinta acrílica látex branco, diluída a 50% logo após a poda, para evitar a escaldadura (BITANCOURT, 1955; MOREIRA, 1941).
A poda leve de condução, visou a eliminar lesões de leprose em ramos novos
que surgiram posteriormente à instalação do experimento (Figura 6).
Figura 6. Inspeção (A) e poda de ramos lesionados por leprose (B).
Nível de infestação do ácaro da leprose – foram realizados, quinzenalmente,
levantamentos populacionais visando a determinar o nível de infestação do acarino nas plantas submetidas à poda leve e sem poda. Em cada parcela, foi amostrada a planta central, da qual foram examinados, aleatoriamente, três frutos dentre aqueles localizados no interior da copa das plantas e com presença de verrugose. Para tanto, utilizou-se de uma lupa de campo de 10 vezes de aumento, aplicada para observar toda a superfície do fruto. Considerou-se infestado o fruto que apresentava pelo menos um ácaro (PATTARO, 2003). Na ausência de frutos, foram avaliados três ramos, em início de suberificação, com aproximadamente 25 cm de comprimento, desprezando-se as brotações.
Levantamento dos ácaros predadores – por ocasião das inspeções do ácaro
B. phoenicis, foram quantificados os ácaros predadores da espécie I. zuluagai e do gênero Euseius, seguindo a metodologia utilizada para a inspeção do B. phoenicis.
Aplicação dos produtos – as pulverizações dos produtos naqueles tratamentos
que implicariam o uso do spirodiclofen e da calda sulfocálcica, basearam-se no nível de controle do B. phoenicis, realizado quinzenalmente, nos tratamentos com poda leve e
sem poda, com ou sem poda de condução. O nível de controle adotado foi de 8,33% para todos os tratamentos nos quais constavam aplicações de acaricidas. Os produtos utilizados foram: spirodiclofen, na dosagem de 20 ml p.c./ 100 L de água, e calda sulfocálcica Fertibom®, na dosagem de 4.000 ml p.c./100 L de água, visando ao controle de B. phoenicis.
Para as demais pragas, quando necessário, foram efetuadas aplicações de produtos em toda a área experimental, dando-se preferência àqueles seletivos aos ácaros.
As aplicações foram realizadas com um pulverizador “tipo pistola”, despendendo- se um volume de calda suficiente para proporcionar uma completa cobertura das plantas.