Evre 3 Diyafragmanın her iki tarafında lenf düğümü bölgeleri (III), lokal
B: Aşağıdaki kriterlerden en az birinin varlığı;
2.3. RELAPS/ REFRAKTER LENFOMALAR
O tratamento dos dados seguia as diferentes etapas da pesquisa, adotando as referências teóricas e metodológicas que me pareciam mais adequadas em cada etapa. Por isso, os dados eram revisitados a todo momento, até chegar à configuração que apresento
neste texto. Primeiro utilizo aqueles que me permitem exemplificar o contexto escolar em suas dimensões ‘macro’: currículo e organização do trabalho. Depois uso trechos de aulas e entrevistas que me permitem mostrar padrões típicos de interação em sala de aula de modo a desvendar as práticas sociais em cada disciplina. Depois dessa caracterização mais geral, mobilizo os dados para caracterizar a atividade interdisciplinar, núcleo dessa pesquisa, que foi desenvolvida em torno do tema Água. Ao caracterizá-la como atividade na perspectiva de Leont’ev (1978), crio condições para discutir, no capítulo seguinte, a questão da transferência e sua relação com a aprendizagem nessa atividade. Para isso, retomo dados das atividades do capítulo 3, agora com detalhes que focam as situações de suposta transferência de aprendizagem. A apresentação e a organização dos dados não seguem uma linha temporal, elas traduzem minhas idas e vindas no esforço de compreensão da complexidade da aprendizagem das atividades de sala de aula, por isso, eles reaparecem em diferentes partes do texto. Além disso, a articulação dos dados é feita com as referências teóricas de maior destaque em cada capítulo. Os pressupostos para seleção e tratamento dos dados (nem sempre conscientes ou explícitos) são, por isso, parte constitutiva do modo que adotei de desenvolver as diversas fases do trabalho. Como afirma Santos (2004, p. 94), os pressupostos são partes constitutivas “das lentes com que ‘vê’, dos argumentos com que apresenta os seus pontos de vista e das formas que escolhe para projectar (para fora, como no cinema) o que viu, sentiu e pensou.” Acredito que foi exatamente a simultaneidade entre a reflexão e análise crítica dos dados e a coleta desses que possibilitou a construção de um conjunto de dados que se mostrou apropriado para a compreensão do problema em estudo nesta pesquisa.
Utilizei as transcrições de aulas e entrevistas para esclarecer e confirmar as afirmações que faço acerca das questões de investigação. A princípio, assisti às aulas e transcrevi partes daquelas que estavam relacionadas ao tema Água. A partir dessas transcrições, organizava as entrevistas com os alunos e professoras. No decorrer das observações, o volume de gravações foi crescendo e não conseguia mais transcrever as aulas antes das entrevistas, então apenas ouvia e recorria às anotações de campo para selecionar os pontos de discussão e os alunos para as entrevistas. Tentei também, de início, levar as fitas para serem digitalizadas num estúdio da própria cidade, para agilizar as transcrições, mas não deu muito certo porque não estava conseguindo preservar o anonimato dos sujeitos. Essas são especificidades que temos que enfrentar quando realizamos pesquisa em contextos como o que descrevo neste trabalho. Temos que estar atentos o tempo todo aos detalhes, pois a exposição dos sujeitos poderia gerar a interrupção da coleta de dados ou uma mudança no relacionamento entre mim e eles. Para garantir também a coerência do discurso em sala de
aula, optei por eu mesma transcrever as fitas (áudio e vídeo), pois era quem tinha mais familiaridade com o contexto.
Assim, à medida que tinha acesso aos equipamentos de vídeo, ia fazendo as transcrições completas ou parciais das aulas. A transcrição das aulas e entrevistas não foi apenas um trabalho mecânico, uma vez que me exigiu que eu estivesse atenta aos detalhes que eram representados de formas verbais e não-verbais. Minha preocupação era de não caricaturar as pessoas pelas suas falas. Então procurei transcrever as falas de acordo com a pronúncia, desde que essa não comprometesse a compreensão do episódio. Para esclarecer algumas falas, fiz vários comentários tomando o cuidado de não detalhar muito a ponto de os dados ficarem muito rebuscados e perder a precisão.
Para analisar o papel das professoras em sala de aula e sua contribuição na construção de significados pelos alunos e nas práticas de transferência de aprendizagem, ficava atenta às formas como elas organizavam e orientavam uma atividade em sala de aula e quais suas intenções com aquela atividade. Tentava também identificar o que caracterizava o discurso entre professora-aluno, aluno-aluno, os padrões de interações e intervenções da professora no momento de trabalho dos alunos.
As aulas de Artes significaram muito no meu trabalho de campo. A primeira aula de Artes, mesmo que nela não tenham sido propostas atividades escolares organizadas em torno do tema Água, mostrou-me a possibilidade de usar referências teóricas para analisar aquelas práticas, que não estavam colocadas inicialmente como a questão da cognição situada, da transferência de aprendizagem e os significados que os alunos constroem nessas situações de transferência. Ao refletir sobre as aulas de Artes, redirecionei o meu referencial teórico e o meu olhar sobre as aulas das outras disciplinas que estavam desenvolvendo atividades em torno do tema Água.
Como afirmam Green et al .(2001) ao longo do tempo surgem no campo novas questões de pesquisa e novos eventos que conduzem a análises de diferentes pontos de vista, com diferentes sujeitos e diferentes espaços. Segundo esses autores, na etnografia, à medida que se vão apreendendo os processos e práticas sociais do grupo acrescentam-se passos na pesquisa, modificando perguntas e formas de participação do pesquisador no campo. Foi exatamente isso o que aconteceu neste trabalho.
Por tudo isso, considero adequada minha opção pela etnografia como abordagem metodológica. Ela se justifica porque, na pesquisa em sala de aula, por ser observacional, descritiva e interpretativa, o uso do método etnográfico me permitia observar a realidade da sala de aula, descrever essa realidade e compreender os significados que ela tem para as
pessoas que compartilham essa realidade. Não me refiro ao método etnográfico da antropologia, mas à etnografia adotada como lógica de investigação qualitativa em sala de aula. Nessa abordagem, os fenômenos são observados em toda sua complexidade e no contexto natural em que acontecem. Os dados coletados foram descritos e interpretados, utilizando as estratégias de observação participante e a entrevista em profundidade.
Assim, na perspectiva etnográfica adotada tive que buscar múltiplos pontos de vista para avaliar a adequação das interpretações dos dados. Para fazer tais interpretações, foi importante utilizar várias estratégias para coleta de dados como a observação participante nas aulas, reuniões de professores, atividades extraclasse dos alunos28 e realização de entrevistas individuais e coletivas com professores e alunos. Ao mesmo tempo em que cada grupo me fornecia, individualmente, uma visão situada relacionando papéis, normas e expectativas, durante as entrevistas, coletivamente, a descrição das situações se constituia em amplas práticas e processos culturais da escola. Enfim, a adoção da perspectiva etnográfica me proporcionou capturar a construção da vida dos alunos dentro da sala de aula como um grupo social e suas práticas dentro desse grupo.
B Descobrindo a sala de aula como um campo de práticas sociais
Nesta segunda parte, faço a caracterização geral das práticas sociais típicas das aulas nas disciplinas escolares que tiveram relação com o trabalho interdisciplinar em torno do tema água, que vai ser apresentado no capítulo 3. A caracterização é feita incorporando a historicidade da atividade e identidade dos sujeitos nas práticas da escola e da sala de aula.
Inicialmente, planejava participar somente das aulas que abordassem as propostas interdisciplinares desenvolvidas na escola. À medida que fui avançando nas observações, fui percebendo que a interdisciplinaridade poderia se configurar em situações não planejadas para isso e que, para identificar essas situações, seria importante acompanhar as práticas de sala de aula em diferentes disciplinas. Para caracterizar as diferentes práticas escolares observadas, vou primeiro fazer uma breve discussão sobre a noção de cultura e de prática social, para então apresentar as situações caracterizadas por mim como práticas de sala de aula, 28 Durante o período que estive acompanhando as turmas, os alunos foram visitar uma exposição de artes num
desenvolvidas nas diversas disciplinas escolares. Essas práticas depois vão se integrar a outras práticas na discussão da atividade interdisciplinar Água.