2. ALANYAZIN
2.2. Rekreasyon
2.2.2. Rekreasyonel aktivitelerin sınıflandırılması
As propriedades mecânicas de maior interesse em bionanocompósitos flexíveis são as que se relacionam com a resistência à tração. Tais propriedades incluem a tensão na ruptura (TR), alongamento na ruptura (AL) e módulo de elasticidade (ME). Essas propriedades estão diretamente relacionadas à natureza do material utilizado e com a coesão da matriz polimérica formada (Cuq et al., 1998). O efeito da inserção de nanofibras celulósicas de bambu com quatro concentrações após 5 e 30 passagens pelo desfibrilador mecânico sobre as propriedades mecânicas dos bionanocompósitos foi avaliada até o rompimento das amostras.
A figura 5.33 mostra os valores médios e desvio padrão de tensão na ruptura, alongamento na ruptura e módulo de elasticidade da blenda (80P20A) e bionanocompósitos reforçados com diferentes teores de nanofibras obtidas com 5 (Figs. 5.33a-c) e 30 (Figs. 5.33d- f) passagens através do desfibrilador mecânico. Os valores médios de TR, AL e ME obtidos para a blenda de controle (80P20A) foram de 26,3 MPa; 186% e 503 MPa, respectivamente. Não foi observado aumento significativo (p≥0,05) da TR durante a inserção de nanofibras celulósicas de bambu obtidas com 5 passagens pelo desfibrilador (Fig. 5.33a). O bionanocompósito reforçado com 4,5% de nanofibras com 5 passagens apresentou valor significativamente maior (p≤0,05) de AL em relação as outras amostras, tornando o filme cerca de 29% mais dúctil do que a blenda de controle (Fig. 5.33b). O ME aumentou significativamente (12% em relação a blenda de controle) para o bionanocompósito com 0,5% de nanofibras, diminuindo para bionanocompósitos contendo 4,5 e 6,5% de nanoreforço (Fig.
5.33c). A adição de 4,5 e 6,5% de nanofibras celulósicas de bambu obtidas com 30 passagens pelo desfibrilador resultou em melhorias significativas (p≤0,05) de TR (Fig. 5.33d) e AL (Fig. 5.33e) dos bionanocompósitos. Com a inserção de 6,5% de nanofibras na matriz, os aumentos estimados para os valores de tensão e alongamento na ruptura foram de aproximadamente 24 e 51%, respectivamente, em relação a blenda de controle, enquanto que o ME diminuiu significativamente (p≤0,05) em torno de 40% (Fig. 5.33f).
Fig.5.33 – Valores médios e desvio padrão das propriedades de tração: (a) Tensão de ruptura - TR; (b) alongamento na ruptura - AL; (c) módulo de elasticidade – ME de blenda e bionanocompósitos com diferentes teores de nanofibras (0,5; 1,5; 4,5 e 6,5%) após 5 passagens pelo desfibrilador mecânico. (d) TR; (e) AL; (f) ME de blenda e bionanocompósitos com diferentes teores de nanofibras (0,5; 1,5; 4,5 e 6,5%) após 30 passagens pelo desfibrilador. Valores médios referentes a 5 medidas. As barras indicam os valores do desvio padrão. As letras “A” e “P” se referem ao FMM e PVA, respectivamente, enquanto os números antes das letras estão relacionados
as proporções de cada polímero na blenda. a, b, c, d, e: médias com letras iguais para cada
bionanocompósito/blenda não diferem entre si pelo teste da mínima diferença significativa de Fischer a 5% de probabilidade.
A menor performance dos bionanocompósitos com nanofibras obtidas com 5 passagens pelo desfibrilador, em relação a 30 passagens, foi provavelmente porque a primeira desenvolveu algum tipo de aglomeração que desencadeou a formação de fissuras e/ou rachaduras em suas microestruturas. As figuras 5.11a e f e 5.12a e f mostram claramente a morfologia mais enovelada das nanofibras com 5 passagens pelo desfibrilador em relação as nanofibras com 30 passagens, as quais apresentaram valores médios de rugosidade (Ra) e largura de 1 ± 1nm e 10 ± 6nm, respectivamente, valores estes que indicam maior dispersão e individualização dos feixes de nanofibras. Isso significa, dentre outras coisas, melhorias nas propriedades mecânicas
de tração, uma vez que quanto maior a individualização dos feixes, maior o número de hidroxilas livres e área superficial destes nanoreforços, melhorando assim, sua interação com a matriz e proporcionando um melhor desempenho como reforço (Bilbao-Sainz et al. 2011). A melhoria da distribuição das nanofibras na matriz conduziu a um empacotamento mais eficiente e a uma estrutura mais compacta (Petersson et al. 2007; Lu et al. 2008; Jonoobi et al. 2010; Xu
et al. 2013).
O valor de TR (27,5 MPa) apresentado pelo bionanocompósito utilizando 4,5% de nanofibras com 5 passagens pelo desfibrilador foi menor do que o valor apresentado pelo PELBD – polietileno linear de baixa densidade (37 MPa), PP – polipropileno (35 MPa) e maior que o valor apresentado pelo PEBD – polietileno de baixa densidade (6,9-16 MPa), PEA – poliésteramida (17 MPa) e muito maior que o polietileno de baixa densidade altamente ramificado (8,5-10,5 MPa), os quais são polímeros frequentemente utilizados na produção de embalagens flexíveis para indústria de alimentos e setor agrícola (Averous, 2004; Auras et al. 2004). Para os bionanocompósitos com 4,5 e 6,5% de nanofibras após 30 passagens pelo desfibrilador, os valores de TR (31,9 e 32,6 MPa, respectivamente) se aproximaram bastantes dos valores encontrados para os polímeros PELDB (37 MPa) e PP (35 MPa).
Entretanto, os bionanocompósitos com 4,5% de nanofibras após 5 e 30 passagens pelo desfibrilador mecânico e o bionanocompósito formado por 6,5% de nanofibras e 30 passagens, apresentaram valores inferiores de AL em relação aos polímeros PELBD (630%), PEBD (100- 800%) e PEBD altamente ramificado (500%), mas superiores à de outros, a exemplo do PP (100%), PLA - ácido poli lático (3-6%) e PGA – ácido poliglicólico (2-20%) (Auras et al. 2004). Neste contexto, com exceção do PELBD, os bionanocompósitos mencionados anteriormente foram mais resistentes e menos flexíveis, se comparados aos filmes produzidos pelos polímeros PEBD e PEBD altamente ramificado e mais flexíveis comparados aos biofilmes produzidos por PP, PLA e PGA, mas, totalmente biodegradáveis. Os resultados mostraram também que os bionanocompósitos produzidos com nanofibras com 30 passagens pelo desfibrilador foram mais fortes e flexíveis, portanto mais tenazes e dúcteis do que aqueles produzidos com 5 passagens. O valor da TR do bionanocompósito com 4,5% de nanofibrila e 30 passagens pelo desfibrilador foi 16% mais elevado do que o apresentado pelo bionanocompósito com o mesmo teor de nanoreforço e 5 passagens. Este aumento foi bem maior para o AL, chegando a 47% de elevação para amostras com 6,5% de nanofibras e 30 passagens pelo desfibrilador, em relação a amostra com 6,5% de nanofibrila com apenas 5 passagens. Neste contexto, torna-se essencial que os bionanocompósitos, quando utilizados nos
setores agrícolas e de embalagens, mantenham sua integridade sob tensão aplicada durante sua utilização, transporte e manuseio.
A microscopia eletrônica de varredura (MEV) permitiu visualizar a homogeneidade da microestrutura de superfície dos bionanocompósitos, incluindo a presença de fissuras, rachaduras e delaminações que podem afetar as propriedades mecânicas e de barreira do material. As figuras 5.34a-b mostram micrografias da blenda de controle (80P20A) com superfície contínua e coesa. Não foram observadas separações de fases entre os polímeros (FMM e PVA), o que demonstra boas interações entre eles. Estudos prévios (Frost et al. 2011; Han et al. 2009; Tudorachi et al. 2000) também mostraram uma boa compatibilidade entre o amido de mandioca e o álcool polivinílico devido a presença de elevadas ligações de hidrogênio em ambos os polímeros. O Bionanocompósito com 0,5% de nanofibras obtidas após 5 passagens pelo desfibrilador mecânico apresentou algumas rachaduras e bolhas erupcionadas (Fig. 5.34c). Resultados semelhantes foram relatados por Jayasekara et al. (2004) e Rindlav- Westing et al. (2002), que apontaram o enrugamento da superfície devido ao processo de secagem a vácuo do metalizador e do próprio MEV, bem como a secagem da solução filmogênica, como prováveis causas destas fissuras. Os autores sugeriram que a presença de nanofibras e aglomerados de nanofibras no interior da matriz desencadearam este tipo de comportamento. As amostras com 1,5 e 6,5% de nanofibras obtidas com 5 passagens pelo desfibrilador apresentaram grandes rugosidades devido a formação de aglomerados/agregados de nanofibras no interior da matriz (Figs. 5.34d e f). Dentre todos os bionanocompósitos reforçados com nanofibras de bambu obtidos com 5 passagens, aquele com 4,5% de concentração foi o que apresentou uma melhor distribuição no interior da matriz biodegradável (Fig. 5.34e). Este desempenho foi coincidente com os valores médios apresentados para a tensão de ruptura (Fig. 5.33a) e alongamento na ruptura (Fig. 5.33b) e também consistentes com os resultados dos ensaios de permeabilidade e solubilidade ao vapor de água.
A figura 5.35 mostra as micrografias dos bionanocompósitos reforçados com nanofibras celulósicas de bambu obtidas com 30 passagens através de desfibrilador mecânico. Neste caso as nanofibras se mostraram mais dispersas e mais bem distribuídas no interior da matriz para todas as concentrações. A superfície mais compacta, a coesão, a homogeneidade do filme, a ausência de separação de fases e a presença mínima de bolhas, aglomerados e fissuras revelaram a melhora da microestrutura destes bionanocompósitos (Mali et al. 2004). Conforme relatado anteriormente, com 30 passagens pelo desfibrilador, as nanofibras apresentaram uma melhor interação com a matriz devido a redução dos seus diâmetros, os quais melhoraram significativamente a superfície de contato intensificando o número de hidroxilas livres para
formação de ligações. Novamente, estes resultados foram consistentes com o desempenho mecânico e físico (permeabilidade e solubilidade ao vapor de água).
Fig.5.34 – Microscopia eletrônica de varredura típica (MEV). Micrografias de: (a) e (b) blendas de controle (80P20A - 80% de PVA e 20% de amido), com uma ampliação de 300x e
1000x, respectivamente; e bionanocompósitos reforçado com diferentes teores de nanofibras de bambu obtidos com cinco passagens através do desfibrilador: (c) 0,5%; (d) 1,5%, (e) 4,5% e (f) 6,5%, com uma ampliação de
500x. Setas e círculos indicam fissuras e a formação de clusters.
Fig.5.35 - Microscopia eletrônica de varredura típico (MEV). Micrografias de bionanocompósitos reforçados com diferentes teores de nanofibras de bambu obtidos com 30 passagens
através de desfibrilador mecânico: (a) 0,5%, (b) 1,5%, (c) 4,5%; e (d) 6,5%. As setas mostram fissuras. Ampliação: 500x.
Os amidos em geral apresentam natureza cristalina atribuída as organizações das moléculas de amilopectina no interior do grânulo (Moorthy, 2002). O PVA é um polímero predominantemente amorfo, mas existem alguns cristalitos que são formados como resultado de segmentos alinhados da cadeia polimérica que interagem entre si. O número de cristalitos ou grau de cristalinidade varia com o grau de hidrolise podendo chegar até 50%, quando totalmente hidrolisado (Bassner & Klingenberg, 1998).
Conforme demonstrado na figura 5.36 foi observado um pico de difração característico bem definido à 19,6º, bem como a formação de um ombro a 22,5º. Resultados semelhantes foram observado por Das et al. (2010) em filme de álcool polivinílico plastificado com glicerol, obtido por “casting”. Todos os bionanocompósitos mostraram um perfil semelhante de difração com um pico agudo em 19,6º (Figs.5.36a e b). Este pico, segundo Das et al. (2010), é atribuído ao arranjo ordenado das moléculas de PVA nos bionanocompósitos, o que demonstra que a cristalinidade foi influenciada por esse polímero, como já era esperado, uma vez que apenas 20% de solução de FMM foi utilizado na formação da blenda. De acordo com os dados apresentados na Figura 5.36b, a cristalinidade dos bionanocompósitos contendo nanofibrila, com 30 passagens pelo desfibrilador, em todas as concentrações, se mostrou superior aos valores apresentados pelos bionanocompósitos contendo nanofibras com apenas 5 passagens, contudo sem a ocorrência de grandes diferenças. Este comportamento sugere que as nanofibras com 5 passagens não atuaram como sitio de nucleação, prejudicando desta forma, o arranjo cristalino da matriz polimérica do bionanocompósito.
Fig.5.36 - Difração de raios x (XRD) de bionanocompósitos reforçados com: (a) nanofibras de bambu em diferentes conteúdos (0,5%, 1,5%, 4,5% e 6,5% base seca) obtidos com cinco passagens através do desfibrilador; e (b) nanofibras de bambu em diferentes teores obtido com 30 passagens. 80P/20A refere-se à blenda de controle
A melhoria da cristalinidade dos bionanocompósitos com concentrações de 6,5 e 4,5% de nanofibras com 30 passagens pelo desfibrilador, e com 4,5% com 5 passagens, pode ter ocorrido pelo efeito da nucleação provocada pelas nanofibras na blenda de controle, como demonstrado durante as análises de DSC. Outro fator não menos importante, que deve ser considerado, está relacionado a dispersão e a homogeneidade destes nanoreforços na blenda. A incorreta distribuição dos agentes de reforço na matriz pode levá-los a atuar como concentradores de tensão, podendo influenciar negativamente nas propriedades do compósito, o que não foi observado neste trabalho, pelo contrário, o que ocorreu foi uma melhoria nas propriedades mecânicas, física e de barreira com a elevação da concentração de nanofibras, o que corrobora com os resultados encontrados nas análises de DRX. Segundo Sahebian et al. (2009), a obtenção de nanofibras com dimensões menores pode ter contribuído para esta tendência de aumento no índice de cristalinidade. Fenômenos semelhantes foram observados na literatura utilizando-se outros nanoreforços em matrizes poliméricas, a exemplo das nanoargilas, nanotubos de carbono e nanocristais de celulose (Wang et al., 2005; Xu et al., 2008; Chen & Wu, 2007).
O deslocamento observado nos difratogramas das blendas com nanofibras para todas as amostras, em relação a blenda de controle, para 2ϴ maior, pode ter ocorrido pela presença física das nanofibras, que restringiram a movimentação das cadeias na interface cristalino-amorfa, reduzindo, por conseguinte, as distâncias interlamelares. Provavelmente, estas mudanças facilitaram a formação de cristalitos com diferentes tamanhos, com alguns deles maiores que aqueles encontrados na blenda de controle. Isso pode explicar também as oscilações nos valores dos índices de cristalinidade dos bionanocompósitos, que apresentaram uma tendência de elevação para maiores teores de nanofibras. Além disso, diversos fatores podem ter influenciado a qualidade de interface da matriz com a fase dispersa, dentre os quais destacam-se a forma apresentada pelos nanorefoços, tamanho, concentração e grau de dispersão ocorridos ao longo da blenda. Os índices de cristalinidade dos bionanocompósitos variaram entre 31,8 a 39,2% para nanofibras com 5 passagens pelo desfibrilador, sendo a concentração de 4,5%, a única a ter apresentado cristalinidade superior à da blenda de controle (Ic=37,6). Os bionanocompósitos produzidos com nanofibras com 30 passagens pelo desfibrilador apresentaram duas concentrações, 4,5 e 6,5%, com maiores índices de cristalinidade (39,4 e 41,3) em relação a blenda de controle.
As propriedades ópticas dos bionanocompósitos, no caso das embalagens, podem influenciar a apresentação do produto embalado. Muitas vezes torna-se desejável uma embalagem mais transparente que permita a visualização do produto em seu interior (Sakanaka,
2007). O brilho e a transparência de algumas embalagens plásticas constituem uma ferramenta para uma boa apresentação visual do produto, porém, muitas vezes se faz necessário a proteção contra a incidência de luz de produtos sensíveis a reações de deterioração catalisadas pela luz (Sarantópoulos et al., 2002), como também é o caso de alguns “much-films” e coberturas para estufa, utilizadas no setor agrícola. Estas características são consequências da morfologia ou estrutura química relacionadas à massa molar dos componentes utilizados (Chen, 1995).
As figuras 5.37a-b mostram as curvas de transmitância ótica para os bionanocompósitos obtidos, onde os produzidos com nanofibras celulósicas, após 30 passagens pelo desfibrilador mecânico, apresentaram-se mais transparente (Fig. 5.37b). De maneira geral, os bionanocompósitos tornaram-se mais opacos com a elevação da concentração de nanofibras em ambas as passagens pelo desfibrilador (Figs. 5.37a-b). O aumento desta concentração de nanofibras, desencadeando a formação de aglomerados que não se dispersaram de maneira eficiente nas blendas, pode ter sido a causa da maior opacidade. Este conceito foi reforçado pelas imagens realizadas dos bionanocompósitos através de microscopia eletrônica de varredura (Figs. 5.34c-f e 15.35a-d). Este comportamento foi mais acentuado para os bionanocompósitos formados por nanofibras com 5 passagens pelo desfibrilador mecânico, que não proporcionou às suspensões cisalhamento necessário para a desfibrilação das fibras maiores ou fragmentos de fibras, os quais refletiram, absorveram ou desviaram o feixe de luz incidente comprometendo a transmissão da luz através da amostra. Resultados semelhantes foram encontrados por Bilbao-Sainz (2011).
Fig.5.37 - Valores médios e desvio-padrão de transmitância de luz na faixa de 400-800 nm de comprimento de onda, através da blenda de controle e bionanocompósitos: a) contendo nanofibras celulósicas de bambu (em
diferentes concentrações) obtidas com 5 (cinco) passagens pelo desfibrilador mecânico; b) obtidas com 30 (trinta) passagens. Os triângulos coloridos referem-se a matriz de controle (80P20A, composta por 80% de PVA
As nanofibras obtidas com 30 passagens pelo desfibrilador, apresentaram larguras médias inferiores às obtidas com 5 passagens (cerca de 8 vezes menor), mostrando-se também mais individualizadas, como evidenciou a análise de microscopia de força atômica (Fig.5.11). Por este motivo, os reforços nanométricos (30 passagens) se dispersaram de forma mais homogênea na blenda resultando em fortes interações com os grupos reativos da mesma, melhorando a transparência dos bionanocompósitos.
Os valores da transmitância em 800 nm reflete a transparência do bionanocompósito, que por sua vez, pode fornecer informações a respeito do tamanho das nanofibras dispersas na matriz (Kampeerapappun et al., 2007). A transmitância da blenda 80P20A em 800 nm foi de 85%, enquanto a dos bionanocompósitos ficou entre 79 e 84% para nanofibras com 30 passagens pelo desfibrilador e 60 e 78% para nanofibras com 5 passagens, respectivamente. O acúmulo da concentração de nanofibras nos bionanocompósitos, para ambas as passagens (5 e 30) provocou a redução da transmitância. O menor valor de transmitância apresentado pelas amostras com 5 passagens pelo desfibrilador é indício da existência de partículas maiores, pobre compatibilidade e separação de fase entre a blenda e o nanoreforço (Yin et al., 2005), o que reitera as explicações das seções anteriores. Em contraste, os valores de transmitância para os bionanocompósitos contendo nanofibras com 30 passagens pelo desfibrilador, apresentaram-se mais próximo da transmitância da blenda e também mais transparentes em relação aos bionanocompósitos produzidos com 5 passagens. De acordo com Chen et al. (2008), que encontrou o mesmo comportamento para matriz de PVA reforçada com nanocristais de amido e amido de ervilha, isso comprova que as nanofibras com 30 passagens inseridas nos bionanocompósitos, apresentaram tamanho nanométrico homogeneamente disperso na blenda 80P20A. Resultados semelhantes foram encontrados na literatura (Savadekar & Mhaske, 2012; Iwamoto et al., 2005; Bielecki et al., 2005; Chavez-Pacheco et al., 2004).
A utilização de bionanocompósitos no setor de embalagens, para produtos de baixa permeação deve ter como principal função evitar, ou pelo menos diminuir, a migração do vapor de água entre o produto e o meio ambiente, o que pode desencadear alterações físicas e sensoriais criando condições favoráveis para o desenvolvimento de micro-organismos, além de provocar a perda de textura, aparência e das propriedades mecânicas (Mali et al., 2004). Na cobertura do solo, a diminuição da perda de água é um aspecto positivo, principalmente porque permite a utilização de turnos de regas mais longos, economizando água e reduzindo as perdas de umidade por evaporação (Vanderwerken & Wilcox-Lee, 1988).
Os valores médios encontrados para a taxa de transmissão de vapor de água (TPER) e permeabilidade ao vapor de água (PER) para os bionanocompósitos reforçados com nanofibras com 5 e 30 passagens pelo desfibrilador mecânico, estão apresentados na figura 5.38
Fig.5.38 – (a) Valores médios e desvio-padrão de TPER (taxa de transmissão de vapor de água) e (b) PER (permeabilidade ao vapor de água) da mistura 80P20A reforçado com diferentes concentrações de nanofibras de polpa celulósica de bambu. Concentração de nanofibras em peso seco. Média de 3 medidas seguidas pelo desvio-
padrão entre parênteses. A seta mostra a curva para a amostra com 30 passagens pelo desfibrilador. Letras minúsculas (a-d) representam comparações estatísticas utilizando o teste de Scott-Knott, enquanto letras
diferentes indicam (p≤0,05) diferenças significativas entre os valores.
Os teores mais baixos (0,5% e 1,5%) de nanofibras para ambos os números de passagens pelo desfibrilador conduziram a pequenos decréscimos nos valores de TPER e PER, sendo que os bionanocompósitos produzidos com nanofibras após 30 passagens, apresentaram valores de PER e TPER não significativos a nível de 5% em relação a blenda de controle, para ambos os teores. Isso ocorreu, provavelmente, porque foram ineficientes na formação de uma rede consistente de nanofibras capaz de reter a penetração de vapor de água. Em vez disso, estes baixos e ineficientes conteúdos de nanofibras podem ter facilitado a formação de aglomerados/agregados de nano/microfibrilas provocando um efeito negativo sobre as propriedades de barreira (Sanchez-Garcia et al. 2007). A formação de uma rede ineficaz com uma estrutura mais porosa e menos compacta, favorável a difusão de água pelo bionanocompósito, pode ter contribuído para a manutenção dos elevados valores registrados para TPVA e PVA. Micrografias apresentadas em seções anteriores fig. 5.34c-d e fig. 5.35a-b ratificaram estes resultados mostrando a formação de poros, rachaduras e /ou fissuras nas superfícies dos bionanocompósitos.
A adição de teores de 4,5% de nanofibras a partir de 5 e 30 passagens pelo desfibrilador diminuíram significativamente (p≤0,05) os valores de TPER e PER dos bionanocompósitos em relação a mistura de controle (80P20A), sendo que os parâmetros não diferiram significativamente entre si a nível de 5%. Esta diminuição da permeabilidade ao vapor de água
pode ser explicada pela formação de uma rede mais contínua de ligações de hidrogênio, as quais reduziram a difusão de água através dos bionanocompósitos. Esta rede percolada formada pelas nanofibras celulósicas também foram observadas e investigadas por outros autores (Sreekala et
al. 2008; Kaushik et al. 2010; Mikkonen et al. 2011; Svagan et al. 2009).
A inserção, na matriz biodegradável, de 6,5% de nanofibras após 5 passagens pelo desfibrilador mecânico, aumentou significativamente (p≤0,05) os valores de TPER e PER em relação ao bionanocompósito com apenas 4,5% de nanofibras, não diferindo estatisticamente a nível de 5% da amostra de controle. O contrário aconteceu quando se inseriu 6,5% de nanoreforço após 30 passagens. Houve uma redução significativa a nível de 5% (p≤0,05) nos valores de TPER e PER em relação a blenda de controle. O sucesso na produção de uma rede mais densa e compacta, proporcionada pelas menores dimensões das nanofibras, após 30 passagens pelo desfibrilador, permitiu a formação de maiores quantidades de ligações de hidrogênio entre a matriz e o agente de reforço manométrico, na concentração de 6,5%, não havendo formação de agregados de nanofibras/microfibrilas na superfície do bionanocompósito.
Moreira (2010) encontrou para a blenda de amido/pectina (1:1), taxa de transmissão de vapor de água (TPER) com valor de of 76,2±2,28 g/m2.dia (23°C, 75% UR). Averous & Boquillon (2004) encontraram para o poli (succinato-co-adipato de butileno) (PBAT), valores médios de aproximadamente 330 g/m2.dia para o mesmo parâmetro em uma atmosfera de 75%
a 22°C. Ao analisar o efeito de plastificantes na permeabilidade ao vapor de água (PER) em película de revestimento a partir de hidroxipropilmetilcelulose - HPMC, Laboufie et al. (2013), obtiveram valor médio de 1,7 g.mm/m2.dia.KPa (40ºC, 75% UR), muito superior aos