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A entrevista teve duração de 1 hora e 26 minutos (86 minutos). Foi uma conversa bastante descontraída e a assessora participante discorreu sobre o trabalho do Centro com tranquilidade. Nessa conversa foi possível conhecer um pouco mais da história do CENEPP, sua organização, as ações que tem promovido e os resultados que têm obtido com essas ações.

Segundo A1, o carro chefe das formações do Centro, mesmo porque foi onde tudo começou, são as Oficinas de Estudos Pedagógicos.

Nessa formação, segundo A1, são utilizadas metodologias específicas, que funcionam como sugestão de trabalho para os professores. A aula invertida é uma dessas metodologias. Consiste em fazer grupos de discussão com os docentes para que eles tenham a oportunidade de expor suas ideias e ampliar as reflexões. Esta proposição traz a concepção do aluno/docente como protagonista do processo e os assessores propõem essas dinâmicas e retomam isso depois como possibilidades de o docente utilizar a estratégia em sua própria sala de aula. No entanto, A1 deixa claro que isso não acontece sem fundamentação quando afirma que “a metodologia está ligada a uma fundamentação teórica e, fazendo isso, vamos aos poucos formando. Por isso, embora pareça que as nossas oficinas sejam um pouco instrumentais [...] elas têm um caráter de formação” (Informação verbal, A1, 8’55’’).17

A1 explicita os Eixos de trabalho que são utilizados na OEPs. São eles I – Fundamentos da Educação Superior; II – Epistemologia do Ensino Superior e III – Metodologia do Ensino Superior.

O trabalho com esses eixos permite que o Centro espere dos participantes “conhecer, compartilhar, refletir e transformar”. Esse item é colocado na avaliação da oficina como possibilidade de aprendizagem e cem por cento das pessoas responderam “sim” a esta questão na versão desta formação observada no ano de 2014.

É isso que a gente tenta pelo menos como proposta nas grandes oficinas [...] a Básica, que pra gente também ainda é um desafio, porque, [...] mesmo que tenhamos uma estrutura já de oito anos da Básica, nós estamos na décima segunda edição, [...] a gente mantém a questão dos eixos como importante, mas sempre vêm pessoas diferentes,

formações diferentes, e vamos então refletindo sobre isso. (A1, 11’14’’).

No decorrer da entrevista foi possível tomar conhecimento da elaboração de uma disciplina sobre metodologia do ensino superior para ser ofertada aos estudantes de pós-

graduação, no sentido de iniciar os pós-graduandos nas questões da docência, já que, provavelmente esses estudantes serão futuramente docentes dentro da universidade. A disciplina será ofertada ainda como projeto piloto em Bauru. A intenção é propagar a ideia para as demais unidades.

A1 dividiu conosco, também, a concepção de avaliação que permeia o Centro. Contou que estava sendo preparada uma oficina sobre avaliação, pois a PROGRADestava solicitando uma discussão sobre avaliação institucional, no que se refere ao SINAIS, no entanto, o Centro desejava ampliar essa discussão no sentido de trazer a reflexão acerca da concepção de avaliação. A1 deixou claro que “a avaliação só faz sentido se eu olhar pra questão formativa dela [...] primeiro ela é processual [...] é preciso olhar se aquilo orienta para novas ações [...] tanto do aluno quanto dos professores” (A1, 19’30’’).

A1 contou que o Centro fez uma participação num Fórum de Coordenadores de Curso de uma unidade da UNESP em que discutiam a recuperação. Segundo A1, um sistema polêmico, pois os estudantes que se encontram em defasagem nas notas passam por uma prova que decide se eles fazem ou não a disciplina novamente. Houve a tentativa de levantar a discussão sobre avaliação processual, diagnóstica, formativa, no entanto, as concepções ainda estão bastante voltadas para a avaliação como verificação, sendo que, ao final da fala dos assessores do Centro, os docentes presentes disseram não ser possível avaliar de outra forma. Assim, essa discussão precisa ser retomada e é um desejo desses assessores, segundo A1. Importante ressaltar que esses dados foram coletados no início do ano de 2015 e já tivemos notícias de que há mudanças no processo avaliativo da Graduação sendo que, provavelmente não haverá mais essa prova ao final do semestre, ou seja, é possível inferir que está havendo um repensar da avaliação neste espaço. A1 diz que este é o processo de formação do Centro “sensibilizar e dessensibilizar para formar. Este é o contínuo, o princípio do Centro [...] e não é um ato ingênuo [...] é bem articulado”. (25’30’’).

Interessante saber, por meio de A1, que hoje todas as formações oferecidas pelo Centro são presenciais, tanto as oficinas maiores como as oficinas oferecidas em cada unidade. Além disso, é interessante ter o conhecimento de que acontecem mais de 100 formações no decorrer do ano entre todos os Polos Regionais e unidades. Essas atividades ficam disponíveis para inscrição no site do Sistema do CENEPP, o SISCENEPP, assim, todos passam a ter acesso, sendo que os coordenadores locais podem aproveitar oficinas oferecidas em outras unidades como ideia para utilizar na sua. A1 deu o exemplo das coordenadoras de Rio Preto e Ilha Solteira, entre outras, que fazem o “Dia da Graduação”. Em Bauru existe o “Entardecer com a

Docência”. Com essas iniciativas o Centro tem ampliado sua atuação e as reflexões acerca da docência universitária.

O Centro também trabalha com pesquisa formativa, no sentido de provocar os docentes a refletirem sobre sua prática na docência. Uma experiência que estão tentando implementar é a de oferecer questionários on line para que os docentes respondam sobre as reflexões acerca da sua prática, de maneira que as análises dessas respostas se revertam em momentos de formação para os participantes. A1 acredita que só o fato de pararem para responderem ao questionário já se constitui como um momento formativo, pois “respondendo às questões você para pra pensar no que você tem feito” (A1, 42’).

Quando questionada sobre os saberes que os assessores pedagógicos precisavam desenvolver para estarem à frente deste trabalho de formação, a resposta foi no sentido de um comprometimento com o ensino. Que, em suas trajetórias, tenham construído a docência como valor. “Pessoas que vieram para a universidade ou fizeram essa trajetória como docente [...] pela valorização ao ensino [...] que se envolvem com facilidade com o trabalho coletivo” (45’05’’).

Coloca que, no entanto, cada vez é mais difícil encontrar pessoas tanto para liderarem essas formações como para participarem, em virtude do que é exigido na avaliação deste docente. O que tem sido valorizado na instituição como foco do trabalho não é o ensino. Citou a planilha avaliativa que os docentes precisam preencher e que não apresenta uma valorização à docência, mas à pesquisa, à publicação. Cita o próprio exemplo, pois o fato de trabalhar no Centro não muda em nada o preenchimento da planilha, sendo que acaba tendo menos tempo de pesquisar e publicar que outros docentes que não estão envolvidos com um projeto dessa dimensão. “Não existe nenhum tipo de benefício [...] vou ser cobrada da mesma forma [...] tenho que fazer as publicações” (A1, 54’25’’).

A1 contou que há cursos que chamam o CENEPP para realizar a assessoria na elaboração e reelaboração de Projetos Pedagógicos. Explicou que é um trabalho difícil, pois apenas quatro pessoas do Centro o realizam e, no momento da entrevista (março/2015), o Centro estava participando da reestruturação dos projetos de quatro Cursos de Engenharia de Bauru, Jornalismo da mesma unidade, Enfermagem de Botucatu, Odontologia e todas as Agronomias de São José dos Campos.

É um trabalho, segundo A1, bastante minucioso, que contempla reuniões com as Coordenações desses cursos, reuniões com os Conselhos de Cursos, onde há as representatividades, fórum com os estudantes, retorno às reuniões. Declara que há um empenho

do Centro em discutir Projeto Político Pedagógico, em refletir sobre o curso e sair da discussão de matriz, pois, na verdade, há a sensação que quando o Centro é chamado é mais no sentido de “dar uma olhadinha na grade” (A1, 64’2’’) para que ninguém “perca” créditos, mas o Centro aproveita a oportunidade para fazer um processo de construção com aqueles que estão envolvidos. Contudo, A1 coloca a dificuldade de realizar este trabalho com o número de pessoas que se propõem a trabalharem com a formação pedagógica com o Centro. Afirma que com as aposentadorias de muitos assessores do Centro, vai ficando uma lacuna, pois, apesar dessas pessoas aposentadas continuarem colaborando, o tempo delas na universidade diminui e isso faz falta, pois é difícil encontrar novas pessoas que queiram participar.

Há ainda, segundo A1, uma certa desqualificação por parte de alguns profissionais da universidade com relação ao trabalho do Centro, no sentido de falarem que se dedica ao ensino quem não tem condições de se dedicar à pesquisa. A1, no entanto, deixa claro que são opiniões isoladas e que há mais qualificação do que desqualificação.

A1 explicita a preocupação do Centro com a indissociabilidade ensino – pesquisa – extensão. Afirma que as maiores frentes de trabalho do Centro estão voltadas para o ensino, mas a pesquisa e a extensão estão presentes nas ações do CENEPP. Há uma discussão sobre creditação que o CENEPP está participando, no sentido de refletir sobre essa questão e auxiliar na percepção de que não é apenas uma questão de se computarem os créditos de cada atividade, mas de todo o processo que ela promove. Uma das atividades de extensão que o CENEPP tem acompanhado é dos cursos pré-vestibulares da unidade de Bauru. Os estudantes que participam desse projeto de extensão “discutem Regimento Interno, Projeto Político Pedagógico, eles vão com seriedade para essa ação. Eles não querem só um pré-vestibular, eles querem a formação desse aluno [proveniente do Ensino Médio de escolas públicas]”. (A1, 81’21’’ grifo nosso).

Com relação à continuidade do trabalho da OEP nos Polos Regionais e Comissões Locais, A1 diz:

[...] sabemos dessa característica da UNESP, imensa né, de diferentes unidades, cursos. São vinte quatro campi, trinta e quatro unidades, cento e trinta e quatro cursos: integral e noturno; licenciatura e bacharelado; exatas, humanas. [...] Sempre fomos muito sensíveis a essa realidade. A constituição das Comissões Locais foi algo que foi planejado lá em dois mil e cinco, seis para que pudéssemos pensar numa perspectiva de formadores para o trabalho nas unidades e tem dado certo [...] em algumas unidades. Pelo menos alguns campi. Em algumas unidades as atividades não acontecem. Não quer dizer que também seja ruim acho que tem outras formas de formação que estão acontecendo, ou porque ainda nós temos queconversar um pouco mais pra que aconteça [...] O interesse dos professores tem crescido na participação

Percebemos, assim, que em algumas unidades o trabalho ainda é difícil. A não adesão, a discordância, acabam inviabilizando o trabalho do Centro nessas unidades. A1 cita que, em uma delas, os dois coordenadores da Comissão Local desistiram e o Centro está refazendo essa Comissão. No entanto, afirma que há unidades que oferecem uma formação por mês e a adesão é boa.

A1 afirma que muitos docentes não participam em virtude daquilo que é realmente esperado deles na instituição, ou seja, pouca atenção ao ensino, pois a “planilha” (avaliação da atividade do docente na universidade, segundo A1) está pautada nas questões da produtividade. E, se não atenderem a esta demanda, terão problemas em sua avaliação interna, terão dificuldades com as agências de fomento, o que faz com que acabem desistindo de momentos de formação para o ensino em detrimento de produzirem cada vez mais por meio das pesquisas e atenderem às exigências colocadas hoje pela universidade. Mas haverá outras razões para a pouca procura pelas formações oferecidas?

As pessoas dizem que não vale a pena. Essas paradas impedem [...] de cumprir uma planilha. Tem aqueles que vão defender que os que têm dificuldade de publicar é que vão ficar nesses projetos de formação. Dizem também que a universidade não vai

sobreviver de professores senão ela vai virar um grande “colegião”. [...] A gente ouve

de tudo, eu ouço muito mais porque eu estou aqui há vinte anos, desde que era aluna

[...]. Falas [...] que são destrutivas, são desqualificadoras (A1, 76’05’’).

Essas falas desqualificadoras permeiam o trabalho do Centro, mas em contrapartida, há aqueles que acreditam nessa formação e se envolvem cada vez mais, iniciando como participantes e tornando-se formadores do Centro, a maioria tendo alguma ligação com a coordenação dos cursos. Essas pessoas estão entre os colaboradores que fazem parte do CENEPP, entre Conselho Pleno, Coordenação Executiva, Secretaria Executiva, Coordenadores de Polos Regionais e de Comissões Locais.

Nós temos ainda poucas pessoas envolvidas com uma formação da educação nesse sentido ou pedagogos, ou como eu [...] que fiz mestrado e doutorado em educação, ainda temos poucas pessoas para agregar é [...] nesse sentido que o primeiro trabalho foi feito com os coordenadores de curso. As pessoas que vieram inicialmente foram esses coordenadores que formam hoje trinta e duas pessoas nesse conselho que nós temos [...] e ainda as comissões locais que são cento e oitenta pessoas. Então o que temos hoje [..] vinculada à coordenação, ao Conselho Superior Executivo que nós chamamos de Pleno, são pessoas que tinham alguma relação com a coordenação do curso, [...] fizeram as oficinas, participaram, se envolveram e etc (A1, 43’20’’).

Benzer Belgeler