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Entendendo a música na igreja como uma prática sociocultural, trago para este estudo, inicialmente, o pensamento da abordagem sociocultural para a Educação Musical (ARROYO, 1999), o qual faz uma relação entre música e cultura, a partir de olhar antropológico sobre a educação musical em contextos socioculturais diversos. Para Arroyo (2000), Educação musical, muito mais que a iniciação musical formal, compreende diferentes campos de ação, tanto no âmbito escolar quanto fora dele, busca apreender a educação na sua interação com a cultura, onde a educação é entendida como uma atividade cultural capaz de gerar significados e dar sentido à realidade. “Educação musical é algo mais complexo que o ensino e a aquisição de competência técnica” (ARROYO, 2000, p. 19).

As reflexões e práticas da educação musical contemporânea têm olhado os diferentes contextos sociais e culturais em que a educação musical é praticada. Nesse sentido, a ideia de "considerar o contexto social e cultural dos alunos" e "partir da experiência dos alunos" é algo que os estudos vêm discutindo na área. Sendo um aspecto relevante à necessidade de compreender os contextos sociais e culturais do aluno, alguns autores como Arroyo (1999, 2000) e Queiroz (2010, 2011) contribuem para o ensino de música nos espaços não formais nesta perspectiva sociocultural.

A abordagem sociocultural da educação musical se assenta sobre as ideias do relativismo cultural e sobre o conceito das músicas como construções socioculturais. Arroyo (2000) refere-se ao que vem a ser lançar um olhar antropológico sobre práticas de educação musical e a relevância desse olhar para a educação musical como prática cotidiana e como área acadêmica de conhecimento. Associados a esses pontos, estão que as músicas devem ser estudadas não apenas como produto, mas como processo.

Alguma modalidade de educação musical acontece em todos os contextos onde haja prática musical, sejam eles formais ou informais, portanto, há inúmeras possibilidades de se empreender a educação musical. No caso, o pesquisador interpreta apenas, pois a cultura não pode ser medida e a teoria toma forma a partir da experiência. Uma perspectiva da sociologia da vida cotidiana nos processos de transmissão e apropriação musicais se compromete com a análise individual histórica, com o sujeito imerso, envolvido num complexo de relações presentes, numa realidade histórica prenhe de significações culturais. Seu interesse está em

restaurar as tramas de vida que estavam encobertas; recuperar a pluralidade de possíveis vivências e interpretações; desfiar a “teia de relações cotidianas e suas diferentes dimensões de experiências fugindo dos dualismos e polaridade e questionando dicotomias” (SOUZA, 2000, p. 28). Desse modo, enxergamos que a música e o seu ensino na igreja compreende aspectos dessa abordagem em que “considerar o contexto social e cultural” e “a partir das experiências do aluno” são presentes. Como argumenta essa autora, pode-se dizer que o indivíduo encontra-se inserido entre sua cultura e meio social.

Arroyo (2002) usa esses conceitos para consideramos, como ela diz, que “as práticas musicais compreendem um complexo de aspectos, desde os produtores e receptores das ações musicais, o que eles produzem, como e por quê, e todo o contexto social e cultural que dá sentido às próprias ações musicais” (ARROYO, 2002, p. 18).

Em sua publicação "Educação musical na contemporaneidade", Arroyo exalta a importância de buscar um aprofundamento no tema e considera uma reflexão instigante já que "somos cotidianamente desafiados a repensar nossas práticas em vista das questões que nossos alunos trazem ou do que a sociedade, de modo geral, demanda de nós, educadores musicais" (ARROYO, 2002, p. 18). O trabalho objetivou a apresentação da abordagem sociocultural da Educação Musical na contemporaneidade, enfatizando parte de sua produção científica em um levantamento bibliográfico comentado. Arroyo aponta que "o hoje" da contemporaneidade foi concebido através de um "processo de construção de ideias e práticas, isto é, sobre uma história que vem influenciando a área da Educação Musical" (ARROYO, 2002, p. 18).

Sendo assim, para melhor compreendermos a abordagem sociocultural da Educação Musical na contemporaneidade, torna-se relevante uma investigação de suas raízes, ou seja, da série de produções que historicamente moldaram a concepção atual: a) relativização dos processos e produtos culturais – os processos e produtos culturais só podem ser compreendidos caso o considerarmos em seu contexto sociocultural; e b) cultura – teia de significados (tecida pelo próprio homem) que conferem sentido à existência humana.

Para Arroyo (1999), educação musical, muito mais que a iniciação musical formal, compreende diferentes campos de ação, tanto no âmbito escolar quanto fora dele. Busca apreender a educação na sua interação com a cultura, onde a educação é entendida como uma atividade cultural capaz de gerar significados e dar sentido à realidade. “Educação musical é algo mais complexo que o ensino e a aquisição de competência técnica” (ARROYO, 2000, p. 19). Desse modo, enxergamos que a música e o seu ensino na igreja evangélica compreende aspectos dessa abordagem, em que “considerar o contexto social e cultural” e “a partir das

experiências do aluno” são presentes. Como argumenta Arroyo, pode-se dizer que o indivíduo encontra-se inserido entre sua cultura e meio social.

Já a sociologia para a educação musical, tem como objetivo compreender o ser humano no colher de suas interações socioculturais. Considerar o campo da educação musical em uma perspectiva sociológica permite investigar “problemas de posições e preferências relacionadas à música, do comportamento no tempo livre e no trabalho, dos comportamentos de papéis dos indivíduos em grupos, bem como as produções culturais e as formas de organização da vida musical” (KRAEMER, 2000, p. 57). Destarte, como afirma Souza (1996), essa perspectiva contribui com o paradigma que revela o ensino de música como prática social. Cada dia mais se discute sobre a ampliação da perspectiva antropológica na formação do educador musical e se coloca ênfase na relação entre as práticas musicais e as suas formas de transmissão. Arroyo observa:

[...] se a cultura é entendida como uma rede de significados, de acordo com Geertz (1989), as práticas de educação musical, escolares ou não escolares, são espaços de criação e recriação de significados e, portanto, de cultura. Nesse sentido, educação musical deve ser muito mais do que aquisição técnica; ela deve ser considerada como prática cultural que cria e recria significados que conferem sentido à realidade. Essa interface da educação musical com a cultura encontra, na Antropologia, uma sustentação teórica capaz de desvelar à área um novo sentido, como prática cotidiana e como área acadêmica de conhecimento (ARROYO, 2000, p. 19).

E, pensando na educação musical como prática cultural, Queiroz (2005) apresenta um estudo sobre a música como um fenômeno sociocultural com perspectivas para uma educação musical abrangente, uma abordagem dessa temática a partir de perspectivas da etnomusicologia, da antropologia e da educação em geral, considerando a necessidade de pensarmos em propostas amplas de ensino que possam lidar como o fenômeno musical de forma contextualizada com os diferentes espaços em que é concebido e praticado.

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