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C. REKABET YASAĞ

2. Rekabet Yasağının Kapsamı

Figura 2 – Esquema conceitual da tese Fonte: articulações do referencial teórico

A operacionalização da investigação das representações sociais por meio dos conceitos da

themata, da ancoragem, da objetivação e dos gêneros comunicativos permite evidenciar as

faces hegemônica, emancipada e polêmica das representações como construções sociais em um contexto mais amplo, que reúne as experiências sociais de todos os sujeitos. No esquema conceitual (Figura 2), esse contexto social mais amplo está no primeiro plano, abarcando e permeando todos os outros elementos, um plano no qual se inserem outros três.

Lugar demarcado por grupos de sujeitos sociais - o lugar do próprio Contexto social mais restrito – faces das representações sociais

articuladas pelos comerciantes, funcionários, clientes e fornecedores no cotidiano

Espaço de transgressão do lugar do próprio legitimado em alguns de seus elementos bricolados por determinado(s) sujeito(s) Táticas cotidianas Práticas cotidianas Práticas cotidianas Fazer estratégias nas organizações Contexto social mais amplo – todas as experiências sociais de todos os sujeitos em suas idiossincrasias

sociais

Fluxos na estratégia cotidiana

Fluxos na tática cotidiana Composição de fluxos de

práticas inseridos em contexto sociais Práticas e sentidos Práticas e sentidos

O segundo plano é o das mencionadas faces das representações sociais, o do contexto social mais restrito. As faces das representações sociais demarcam naquele contexto social mais amplo um mais restrito, delimitado pelas construções dos comerciantes, funcionários, clientes e fornecedores, os sujeitos de pesquisa. Esse nível mais restrito serve como referência para aquele lugar do próprio, a ordem estabelecida com a qual determinadas práticas são convergentes, legitimando-se e reforçando-a. Essas práticas, dentro da referência das faces que a delimitam nessa ordem estabelecida, inserem-se no fluxo da estratégia cotidiana na composição do fazer estratégias nas organizações, outro plano no esquema conceitual. O plano do fazer estratégias nas organizações não é composto apenas pelos fluxos referentes à estratégia cotidiana, e como tal sua composição remete a práticas e sentidos que interferem nas construções sociais naquele contexto social mais restrito. Isso ocorre pois o fazer em si, dentro da concepção aqui assumida, inclui estratégias e táticas cotidianas. Portanto, o fazer estratégia nas organizações11 está articulado no contexto social mais amplo, dos sujeitos como um todo, incluindo os fluxos de práticas inseridas na tática cotidiana, oriunda do quarto e último plano do esquema conceitual, o espaço de transgressão do lugar do próprio.

O espaço de transgressão do lugar do próprio está imbricado naquele do contexto social mais restrito, mas não se limita a ele, pois também é permeado pelas construções sociais mais amplas, engendradas nas histórias de vida únicas de cada sujeito, nas quais as múltiplas construções sociais vivenciadas criam as combinações exclusivas de cada um, as

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Dentro dessa concepção do fazer, como sendo a relação entre estratégia e tática cotidiana, o termo “fazer estratégia” remete à idéia de redundância. Certeau (1994) não se envolve nela, pois assume apenas o termo “fazer”, e discute a “arte de fazer”, mas nesta tese essa redundância é reconhecida e admitida, com a intenção de enfatizar, no contexto organizacional, a tentativa de atuar no lugar do próprio, da estratégia em torno de objetivos organizacionais específicos, o que não afasta a atuação do outro em suas táticas e espaços de transgressão no fazer cotidiano.

idiossincrasias sociais. Por meio da bricolagem, os sujeitos utilizam elementos do contexto social mais restrito de uma ordem estabelecida e privilegiada, mas não convergem, necessariamente, para ela, pois seus interesses envolvem aquelas idiossincrasias sociais que extrapolam essa ordem e podem transgredi-la. A inserção parcial numa ordem estabelecida articulada com elementos de contextos sociais mais amplos, ao mesmo tempo em que permite demarcar um espaço de transgressão dentro de um lugar privilegiado, também abre espaço para que as práticas e sentidos desse lugar, na composição do fazer estratégia nas organizações, sejam incluídos na bricolagem da tática cotidiana. Nesse sentido, tanto as práticas na tática cotidiana compõem o fazer estratégia quanto as práticas na estratégia cotidiana que também compõem esse fazer têm elementos inseridos em construções sociais referentes à tática, em uma inter-relação que remete ao dinamismo social.

Uma das bases desse dinamismo e do esquema conceitual proposto é o entendimento de que o conjunto das experiências sociais dificilmente é reproduzido de maneira idêntica ao longo da história de vida de pessoas diferentes. Há aqui uma idiossincrasia social na qual o indivíduo é único, em virtude de suas múltiplas vivências sociais, e, ao mesmo tempo, possui compartilhamentos (não necessariamente homogêneos, como as partes da maçã compartilhada entre amigos) com os outros sujeitos. Nesses compartilhamentos estão as thematas e os gêneros comunicativos, que oferecem a base para outras construções comuns, na busca por lidar com o desconhecido, a familiarização do não-familiar, por meio da ancoragem e da objetivação. Desse processo surgem as faces das representações sociais e, delas, as construções estabilizadas e reproduzidas, em torno das quais se demarca o lugar de um próprio, de uma ordem na qual se insere o sujeito com práticas idealizadas pelo grupo social e, por isso mesmo, legitimadas no poder desse lugar e desse próprio. O enquadramento nesse lugar insere tais práticas na estratégia cotidiana, definida como

[...] o cálculo das relações de forças que se torna possível a partir do momento em que um sujeito de querer e poder é isolável de um “ambiente”. Ela postula um lugar capaz de ser circunscrito como um próprio e portanto capaz de servir de base a uma gestão de suas relações com uma exterioridade distinta (CERTEAU, 1994, p. 46).

Mas as construções sociais nas organizações não se limitam a esse lugar, a essa ordem estabelecida, pois o “fazer”, como arte, inclui também as táticas cotidianas, mesmo no fazer estratégia. Nesse sentido, alguns elementos das faces dessas representações são inseridos na bricolagem, a arte criativa de combinar e articular o “fazer”, compondo a base das “táticas”: “um cálculo que não pode contar com um próprio, nem, portanto, com uma fronteira que distingue o outro como totalidade visível” (CERTEAU, 1994, p. 46), situada em espaços de transgressão dentro do lugar controlado pelo “forte”. Um espaço no qual o “[...] fraco deve tirar partido de forças que lhe são estranhas [...] [uma movimentação que caracteriza as táticas e compreende] [...] muitas práticas cotidianas (falar, ler, circular, fazer compras, preparar refeições etc.)” (CERTEAU, 1994, p. 47).

Aqui, o contexto social mais amplo das idiossincrasias sociais se faz presente no dinamismo que foge à simples reprodução social. São tantas peças de quebra-cabeças diferentes que algumas servem para montar um novo quebra-cabeça. É essa a arte do fazer. No caso do fazer estratégia nas organizações, o que se quer é compreender em conjunto os vários quebra- cabeças nele inseridos, tanto os construídos na estratégia cotidiana quanto os construídos na tática cotidiana.

Para ilustrar empiricamente essas proposições, a seguir, desenvolveu-se uma investigação empírica, que tem como base o quadro conceitual apresentado.

5 UMA INVESTIGAÇÃO DA ESTRATÉGIA COMO PRÁTICA SOCIAL: O