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Regülasyon ( Risk Kontrolü ) ve Denetleme

2.2. KRİZE KARŞI ALINABİLECEK ÖNLEMLER

2.2.3. Regülasyon ( Risk Kontrolü ) ve Denetleme

A Lei da Informática30 (Lei 8248/91) concede incentivos fiscais a empresas fabricantes de hardware e automação. Tal incentivo refere-se ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para isso elas teriam que investir parte do seu faturamento na pesquisa e no desenvolvimento de produtos. Atualmente, a lei contempla somente desenvolvedores de microcomputadores portáteis, gabinetes, fontes e outros materiais de informática.

Os benefícios dessa lei, previstos para acabar no ano de 2001, foram estendidos pela primeira vez pela Substitutiva (Lei 10.176/01) até o ano de 2009. Em 2010 foi aprovada pelo presidente Lula a regulamentação da Lei (Decreto Nº 7.174/10), estendendo até 2019 e pela mais recente vigência (Lei 13.024/14) para o ano de 2029.

Encarada como a lei mais importante de fomento ao setor informático, um levantamento do ministério31 demonstra que entre 1993 e 2003, o governo deixou de arrecadar 5,1 bilhões de reais de impostos – investidos em pesquisa e desenvolvimento. A lei delimita a aplicação de tais incentivos ao setor de informática,

30Como já foi descrita sua trajetória, no item 2.1 31Portal G1 - 27/09/2006

entendido como aquele que abarca os equipamentos para processamento de dados, seus periféricos e programas. Ficaram explicitamente excluídos desse rol os aparelhos destinados a áudio, vídeo, lazer e entretenimento – incluindo os consoles de videogame.

Em 2007 o deputado Carlito Merss (PT) propôs um projeto (PL 300/2007) para estender os benefícios à produção nacional de consoles de videogame e seus respectivos insumos de natureza eletrônica (mídia física de distribuição do software do jogo). O projeto, que chegou a ser aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e na Comissão de Finanças e Tributação, acabou arquivado em 2011. O motivo32 para o arquivamento foi o afastamento de Carlito Merss após ser eleito prefeito de Joinville. O projeto ainda passou por dificuldades pelo termo “jogos eletrônicos” incluir em seu teor caça-níqueis e simuladores de jogos de azar. Naquele mesmo ano surgiram dois projetos com o mesmo teor, de Antônio Carlos Mendes Thame do PSDB (PL 514/2011) e o de Mauro Mariani do PMDB (PL 899/2011) apensado ao primeiro, tramitando em conjunto. Ambos incluíram o “de uso domiciliar” aos “jogos eletrônicos”, para excluir a inclusão de jogos de azar. A justificativa das propostas é estimular a instalação de fábricas nacionais em detrimento da importação de produtos, bem como combater o ingresso ilegal das mercadorias no Brasil: “a política de informática pode estimular a chegada de investidores internacionais para montar suas fábricas em nosso país, de olho no pujante mercado consumidor brasileiro” (PL 899/2011). Aprovado no mesmo ano pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, o projeto aguarda parecer na Comissão de Finanças e Tributação.

3.1.1.2 LEI DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

A Lei da Inovação (Lei 10.973/04) surge com o objetivo estimular a criação de ambientes especializados e cooperativos de inovação entre empresas e instituições científicas e tecnológicas. A Lei regulamenta a parceria entre instituições de pesquisa e a iniciativa privada, organizando-se em torno de três vertentes: (i) constituição de ambiente propicio às parcerias estratégicas entre as universidades,

32UOL Jogos 01/02/2011

institutos tecnológicos e empresas; (ii) estimulo à participação de instituições de ciência e tecnologia no processo de inovação; (iii) incentivo à inovação na empresa.

A lei facilita parcerias para que instituições de ciência e tecnologia compartilhem laboratórios, instalações, infraestrutura e recursos humanos com empresas (inclusive Micro e Pequenas Empresas) para atividades de incubação como de pesquisa e desenvolvimento. Sendo uma indústria tecnológica, a IBJD pode sair beneficiada deste dispositivo de parceria.

O entrave ainda é que, por ser incipiente, o setor ainda não atrai os interesses de instituições de pesquisa da mesma forma que setores mais consolidados das indústrias tecnológicas. Um meio de superar este entrave seria o estímulo a projetos coletivos que agregam conjuntos de empresas, lideradas por associações organizadas.

3.1.1.3 LEI DO BEM

A Lei nº 11.196 de 21 de novembro de 2005, conhecida como “Lei do Bem”, prevê incentivos fiscais para empresas que desenvolvem inovação tecnológica em território nacional. Esta legislação surge com base na Medida Provisória nº 252 de 15 de junho de 2005, a qual institui três políticas do governo federal para o incentivo ao setor de ciência, tecnologia e inovação: o Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação – REPES; o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras - RECAP e o Programa de Inclusão Digital. A figura 5 evidencia a abrangência e os recursos dispostos por esses mecanismos entre 2006 e 2011. O que se destaca é que, apesar dos recursos via renúncia apresentarem um crescimento ano a ano, ainda é pequena a proporção de empresas que utilizam os incentivos fiscais da lei.

Figura 5 - Números Lei do Bem (2006-2011)

Fonte: Desvendando a Lei do Bem – Inventta33

Regulamentada em 6 de dezembro pelo decreto nº 5.602/2005, os incentivos fiscais conferidos pela lei podem ser aplicados ao setor de jogos digitais uma vez que, como indústria de hardware, software e inovação, ele entraria na categoria de “pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica”. Caso as empresas exportadoras de jogos digitais passem a ser contempladas pelo RECAP e pelo REPES, os benefícios incluem deduções de até 34% no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e redução de 50% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de máquinas e equipamentos destinados à P&D, conferindo um dispositivo possível para diminuir os altos custos de importação de software e equipamentos necessários para produção de games. Um percalço para o uso desses benefícios diretos pelas desenvolvedoras brasileiras de jogos digitais está no fato de grande parte delas serem Micro e Pequenas Empresas34 e, portanto, adotarem o regime tributário do Simples Nacional – fator de exclusão previsto na Lei do Bem. Deste modo a legislação surge principalmente como iniciativa para atrair empresas líderes globais para o território

3311/07/2012 http://inventta.net/radar-inovacao/artigos-estudos/infografico-lei-do-bem/

34Apenas 4% das empresas brasileiras do ramo de games têm faturamento maior que R$ 2,4 milhões e menor ou igual a R$ 16 milhões. (FLEURY, NAKANO, CORDEIRO, 2014)

nacional, ao equacionar a questão tributária para aquisição de equipamentos, considerada um dos principais entraves para instalação destas:

Uma das razões de empresas líderes globais terem encerrado atividades no Brasil foi a dificuldade importação dos equipamentos mais sofisticados exigidos para o desenvolvimento de jogos digitais. Além das dificuldades decorrentes dos trâmites burocráticos, a questão dos impostos de importação foi relevante para essa decisão. (FLEURY; NAKANO; SAKUDA, 2014, p.92)

Dos principais benefícios da Lei do Bem no que se refere à IBJD está seu papel fundamental na implantação do Programa de Inclusão Digital do governo federal, sendo a desoneração fiscal um dos principais meios para a ampliação do acesso à três das principais plataformas para jogos digitais: os computadores pessoais, tablets e smartphones. O enfoque em dispositivos móveis foi incluído pela lei nº 12.507/2011, que inclui os tablets, e a lei nº 12.715/2012, que dentre outras providências inclui os smartphones aos benefícios da Lei do Bem.

Os números divulgados pelo Ministério da Fazenda35 mostram que os

smartphones tiveram o preço reduzido em 30% cerca de um mês após a lei entrar em vigor para esses aparelhos, em 2012. Ainda segundo dados da Fazenda, desde a criação do programa, em 2005, a produção nacional de computadores aumentou de 4 milhões para 22 milhões de unidades por ano (incluindo tablets e notebooks). O benefício, que inicialmente iria até o final de 2014, foi estendido até o ano de 2018. Em maio de 2011, o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, defendeu que os benefícios fiscais decorrentes para a montagem de tablets se estendesse também aos consoles de videogame.36

Para além da ampliação do acesso às plataformas, o Programa de Inclusão Digital, ligado à desoneração de smartphones, intenta incentivar o desenvolvimento de aplicativos no Brasil - incluindo jogos digitais - por meio da exigência de conteúdo nacional nos aparelhos contemplados pela isenção (Portaria nº 02 de 26 de agosto de 2013). Segundo a portaria, foram quatro etapas para o acompanhamento de um pacote de aplicativos: 5 aplicativos nacionais a partir de 10 de outubro de 2013; 15 aplicativos nacionais a partir de 1º de janeiro de 2014; 30 aplicativos nacionais a partir de 1º de julho de 2014; e 50 aplicativos nacionais a partir de 1º de dezembro de 2014.

35Governo prorroga até 2018 tarifa zero para smartphones, PCs e tablets – 21/08/2014 http://www.brasil.gov.br/economia-e- emprego/2014/08/governo-prorroga-ate-2018-tarifa-zero-para-smartphones-pcs-e-tablets

36 Ministro defende política de desoneração e incentivo para games. 09/06/2011. G1 - g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/06/ministro-defende-politica-de-desoneracao-e-incentivo-para-games.html

A iniciativa se torna uma importante vitrine para o mercado interno aos jogos digitais desenvolvidos no país.