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2. GENEL BĠLGĠLER

2.8. Motor GeliĢim Dönemleri:

2.8.1. Refleks Hareketler Dönemi:

Em crônicas que tratam do caráter urbano portenho, Roberto Arlt evidencia dois importantes aspectos acerca da paisagem urbana de seu tempo: as novas formas físicas que compunham a cidade e, sobretudo, a condição do cidadão portenho diante do turbilhão de transformações sociais e estruturais que invadem a cidade, corroboradas pelos ideais da geração de 37. Esta geração defendia o rechaço ao passado colonial hispânico e a aproximação do

contexto portenho ao modelo civilizatório europeu – mais especificamente

francês.

Sob a perspectiva da paisagística urbana nas aguafuertes, observamos que o olhar de Roberto Arlt capta as nuances do processo urbanizador argentino e expressa em um conjunto de crônicas seu próprio ponto de vista aglutinado ao da população de classe média–baixa. Vale ressaltar que o mencionado estrato social pode ser considerado aquele que mais sofrera com as transformações contínuas do espaço citadino e com a imposta adaptação à nova realidade. Parafraseando Euclides da Cunha, a população estava condenada à civilização.

Com sua intensa experiência social, o flâneur Arlt reúne em suas crônicas algumas percepções sobre a rua, os corpos portenhos postos à margem da sociedade, a dicotomia entre cidadãos alheios à modernidade e os que observam e interagem, estupefatos, os avanços sociais. Em suma, notamos nas crônicas selecionadas para compor este grupo temático a presença de uma série de contrastes e de incertezas sobre o futuro moderno que estava se aproximando.

Para descrever tais impressões sobre a cidade, a escolha do termo aguafuerte não poderia ter sido mais oportuna: a escrita arltiana, de caráter corrosivo e impactante, causa no público leitor reações inesperadas diante de características pictóricas que tomaram a cidade, com suas novas formas, cores, edifícios, bondes, cabos elétricos cortando os céus portenhos, a fumaça dos carros e todo um conjunto de transformações expressas em um periódico. No âmbito da paisagística urbana, temos como propósito deixar-nos conduzir

pelo olhar arltiano ao observarmos a cidade – com as vantagens e as

desvantagens do processo urbanizador – na condição de uma galeria de arte,

repleta de obras pintadas por diferentes tipos urbanos e com múltiplas possibilidades de significação. Ao fazê-lo, acreditamos que Roberto Arlt propunha uma reflexão e aceitação acerca da modificação do espaço urbano voltada para um fim específico: o surgimento de uma nova cidade que emerge a partir de uma estrutura citadina de raiz colonial.

Dentro de uma nova concepção de espaço, remodelado fisicamente para permitir a chegada do progresso, nos damos conta de um fato inesperado: a presença de cidadãos que pertenceram a um recente passado colonial e que

simultaneamente se viram inseridos em uma época de transição – ao

progresso que chegara ao território causando grande impacto social devido à necessidade de adaptação ao novo e ao moderno. Este impacto também fora sentido de modo similar no território brasileiro, como aponta Renato Ortiz em

Cultura brasileira e identidade nacional (2006). Nessa obra, Ortiz apresenta

algumas de suas reflexões em torno da transição secular, da questão racial e da identidade brasileira, dentre outros temas:

A virada do século é ainda um momento de indecisão, o que faz com que os intelectuais das classes dominantes reproduzam, em níveis diferenciados, uma exigência histórica que transparece claramente no interior do discurso ideológico elaborado. (p. 35)

ORTIZ (2006) também tece comentários acerca do processo de transição secular, de urbanização do espaço nacional, da associação direta entre cultura e poder e principalmente sobre a chegada de elementos considerados ―modernos‖ ao território brasileiro:

A partir das primeiras décadas do século XX, o Brasil sofre mudanças profundas. O processo de urbanização e de industrialização se acelera, uma classe média se desenvolve, surge um proletariado urbano. Se o Modernismo é considerado por muitos como um ponto de referência, é porque este movimento cultural trouxe consigo uma consciência histórica que até então se encontrava de maneira esparsa na sociedade. Ao se cantar o fox-trot, o cinema, o telégrafo, as asas do avião, o que se estava fazendo era de fato apontar para uma gama de transformações que ocorriam no seio da sociedade brasileira. Com a Revolução de 30, as mudanças que vinham ocorrendo são orientadas politicamente, o Estado procurando consolidar o próprio desenvolvimento social. (p. 39-40)

Ao analisarmos as aguafuertes no âmbito de sua paisagística urbana, observamos a recorrência de variados campos temáticos dicotômicos como: 1) a cidade moderna que se ergue, ainda que deixando de conferir a devida atenção ao seu passado histórico colonial; 2) a criação de um projeto urbanístico de grandes proporções, mas encontrando dificuldades em sua execução e implementação no território devido à presença de questões políticas, sociais, econômicas e demográficas não solucionadas na época.

É válido que ressaltemos neste trabalho algumas questões palpitantes do período que compreende a transição secular e o processo urbanizador

argentino, ainda perceptíveis nos dias atuais. Dentre elas, a política de incentivo à imigração e ao estabelecimento de uma ―cor local‖.

Com o incentivo à importação de mão de obra européia registrado na

Constituição Argentina64, o país perde paulatinamente sua alcunha de

―paisagem desértica‖ após as grandes ondas de imigração e aos posteriores matrimônios entre europeus e portenhos. O deserto se transforma em cidade e os dados demográficos aumentam. No entanto, da mesma cidade que emergem ideais modernos, também emergem problemas sociais como a violência, a formação de bairros socialmente marginalizados e, sobretudo, a

aglutinação de imigrantes nos conventillos – cortiços com péssimas condições

habitacionais. Em um período em que a política argentina objetivava passar a imagem de uma urbe próspera e atenta às tendências europeias, levantamos a

seguinte questão: quais foram as medidas tomadas na época para ―esconder‖

esse lado feio, pobre e à margem dos ideais modernos? Concluímos que a solução teria sido confinar esses habitantes em bairros afastados da capital e mantê-los afastados do lado belo e modernizado da capital, assim como ocorre nos dias atuais com os habitantes portenhos pertencentes aos estratos sociais mais baixos. Checamos alguns dados referentes à questão levantada anteriormente e tentamos estabelecer paralelos entre ontem e hoje. Durante pesquisas de campo em Buenos Aires feitas em 2005 e posteriormente em 2010, observamos que os profissionais da área de turismo atuantes no lado portenho levantavam essa questão e incluíam nos roteiros turísticos idas aos bairros pobres da capital; compreendemos que tanto os habitantes dessas

64 Quanto ao incentivo à imigração, esta lei pode ser consultada na Constituição Argentina

vigente. Como esta lei está na Constituição até os dias de hoje, entendemos que ainda há um incentivo à presença de imigrantes europeus no país. (Nota da autora)

áreas como os imigrantes europeus das primeiras décadas do século XX, eram

confinados – ou melhor, escondidos – em regiões afastadas para que a

imagem de prosperidade e os baixos números de pobreza, violência e marginalização repercutissem positivamente e, consequentemente, fosse esquecida a real situação portenha.

Apesar de a cultura europeia ter sido altamente considerada no território argentino a ponto de estar registrado na constituição argentina o incentivo às ondas imigratórias, os imigrantes chegavam ao país na condição de ―massa trabalhadora‖. Valorizava-se a mão de obra imigrante, mas não se elevava essa classe trabalhadora hierarquicamente, e sim os colocavam na condição de povos inferiores, em uma relação de servidão. Em Ao vencedor as batatas (2000), Roberto SCHWARZ discorre sobre a teoria das raças inferiores:

Vão os povos ―superiores‖ aos países onde existem esses povos ‗inferiores‘, organizam-lhes a vida conforme as suas tradições – deles ―superiores‖ –, instituem-se em classes dirigentes e obrigam os inferiores a trabalhar para sustentá- los; e, se estes não o quiserem, então que os matem e eliminem de qualquer forma, a fim de ficar a terra para os superiores: os ingleses governem o Cabo, e os cafres cavem as minas; sejam os anglo-saxões senhores e gozadores exclusivos da Austrália, e destruam-se os australianos como se fossem uma espécie daninha. (p. 56)

Considerando a atmosfera ideológica referente aos povos superiores e

inferiores que envolvia Buenos Aires e a questão do ―confinamento‖ dos

estratos mais baixos da sociedade da época em bairros afastados da capital, procuramos analisar nas aguafuertes que tratam da paisagística urbana relações entre o ponto de vista do cronista-flâneur Roberto Arlt sobre a composição da nova paisagem urbana portenha, seja na capital ou nos bairros

afastados do centro, onde concentravam-se a massa trabalhadora local e o próprio Arlt. Na crônica ―Molinos de viento en Flores‖, vemos a descrição imagética do bairro Flores que paulatinamente perdia seu aspecto bucólico e incorporava o espírito urbanizador da época, evocando novamente um sentimento nostálgico em relação a um passado próximo, como vemos no trecho:

Flores, el Flores de las esquinas, de las enormes quintas solariegas va desapareciendo día tras día.Los únicos aljibes que se ven son de "camuflage", y se les advierte en el patio de chalecitos que ocupan el espacio de un pañuelo. Así vive la gente hoy día. (Molinos de viento en Flores, p. 12)

(...)

A diez cuadras de Rivadavia comenzaba la pampa. (p. 14)

Na crônica ―Ventanas iluminadas‖, novamente vemos emergir a paisagística urbana portenha composta por elementos bastante recorrentes nas pequenas narrativas arltianas, como a descrição de costumes e outros ritos sociais particulares da região. Nessa crônica, a flânerie arltiana se faz presente através da descrição da dinâmica urbanística e social do bairro de Flores, ao retratar personagens como os ―estudiantes eternos‖, ―borrachos simpáticos‖, a senhora obesa que observa a cidade através de sua janela:

Esa es la ventana cordial, que desde la calle mira el agente de la esquina, sabiendo que los que la ocupan son dos estudiantes eternos resolviendo un problema de metafísica del amor o recordando en confidencia hechos que no se pueden embuchar toda la noche.

Cada ventana iluminada en la noche crecida, es una historia que aún no se ha escrito. (p. 74-75)

Vale ressaltar que além dos elementos físicos como os bares, as esquinas e os imóveis que fazem parte da paisagem urbana, são retratados também como personagens das Aguafuertes Porteñas. Nesta crônica, tanto as janelas e os bares quanto os bêbados e a senhora obesa observam a composição física local:

Hay otra ventana que es tan cordial como ésta, y es la ventana del paisaje del bar tirolés. En todos los bares "imitación Munich" un pintor humorista y genial ha pintado unas escenas de burgos tiroleses o suizos. En todas estas escenas aparecen ciudades con tejados y torres y vigas,con calles torcidas, con faroles cuyos pedestales se retuercen como una culebra, y abrazados a ellos, fantásticos tudescos con medias verdes de turistas y un sombrerito jovial, con la indispensable pluma. Estos borrachos simpáticos, de cuyos bolsillos escapan golletes de botellas, miran con mirada lacrimosa a una señora obesa, apoyada en la ventana, cubierta de un extraordinario camisón,con cofia blanca, y que enarbola un tremendo garrote desde la altura. (p. 74)

Em ―No era ése el sitio, no...‖ o tema central está voltado para a paisagem urbana composta por monumentos, estátuas, praças e outros marcos citadinos personificados. Especificamente nesta aguafuerte Arlt discorre acerca de um possível lugar ideal para que a estátua em homenagem a Florencio Sánchez deveria estar. Segundo o cronista, o local onde o

monumento a Sánchez se encontrava na época – e lá permanece até os dias

atuais – destoa completamente do espírito boêmio do homenageado, em

trechos já destacados nessa tese.

Nas aguafuertes ―Cuna de oro y pañales de seda‖, e ―Persianas

acerca de alguns resquícios burgueses que fazem parte do cenário urbano

portenho. Vejamos um trecho de ―Cuna de oro y pañales de seda‖:

Iba el otro día en un tranvía, cuando oigo que un fulano le decía a otro:

– Yo nací en cuna de oro...

El resto de las palabras se perdió en el bochinche del tráfico; pero alcanzándolo a mirar de reojo al sujeto, pensé:

– ¡Grandiosísimo turro! Vos habrás nacido en un corral y en una cuna de alfafa, no de oro. Cuando con tu estatura, tu jeta adulona, tus ojos grasientos y el bigodito atorrante que has echado, se tiene la audacia de decir que se ha nacido en cuna de oro, es indiscutible que la tal cuna ha sido como un tacho de basura (p. 99-100)

Nessa crônica, claramente notamos a necessidade do personagem em expor sua possível origem, que o diferenciaria dos demais. Neste resquício elitista, destacamos a necessidade de alguns em sustentar certas heranças coloniais como o status concedido ao indivíduo que possui uma ascendência

nobre – informação que destoa completamente do contexto daquele momento

em que o país passava por grandes desigualdades sociais: uma minoria privilegiada financeiramente, composta por um estrato social que herdou benefícios da era colonial; a classe média composta por uma parte da população oriunda de um alto estrato social que, embora não havia prosperado durante o processo modernizatório, considerava essencial a manutenção aparente de seu status em tempos anteriores; e por último, uma grande massa trabalhadora que vivia em péssimas condições habitacionais e era marginalizada pelas demais classes sociais. Sobre essa preocupação excessiva relacionada à manutenção de um status perdido, Arlt disserta:

Lo notable es que han nacido tan bravamente mishos como la mayoría de nosotros, que nos ganamos el bullón. Ellos no. ¿Trabajan?, pero por amor al arte. Guardan el dinero porque no es elegante tirarlo. (...)

Es realmente horrible. Y digo que es realmente horrible, porque cierto grado de imbecilidad humana resulta regocijante. (...) Mas este tipo de bestia es anonadante. (p. 101)

O mesmo ocorre em ―Persianas metálicas y chapas de doctor‖, ―Candidatos a millonarios‖ e ―Aristocracia de barrio‖. Nestas crônicas, Arlt critica – ainda que de modo irônico – a importância exacerbada dada à legitimação social e à manutenção de um status burguês em uma fase de ceticismo na sociedade argentina. Na primeira, observamos o status atribuído àqueles que possuem bens considerados relevantes para legitimação social:

El título...la chapa a la puerta...Éste, el sueño de la casa propia y del automovil particular, constituyen una de las preocupaciones más serias de los hogares bien constituidos. Ahora, si alguien me pregunta en qué consiste un hogar bien constituido, de acuerdo a un criterio estrictamente burgués (me estoy portando bien, no uso términos en lunfardo ni meto la pata hasta el garrón), diré que el hogar bien constituido sería aquel donde la selección de giles (¡ya me bandié) se hace con un perfecto criterio científico. Este criterio científico impide, por ejemplo, que una chica tenga familia antes de casarse, ni que se escape con un magnífico pelafustán. O que se case con un desarrapado. (p. 113)

Em ―Candidatos a millonarios‖, Arlt assinala que com a modernização urbana, grande parte da população anseia ser ―moderna‖ e com isso surge o que o cronista chama de fiebre de modernidad:

Frente a las vidrieras de las agencias de automóviles, hay detenidos, a toda hora, zaparrastrosos inverosímiles, que relojean una máquina de diez mil para arriba y piensan si ésa es la marca que les conviene comprar, mientras estrujan en el bolsillo la única monedita que les servirá para almorzar y cenar

en un bar automático. Una fiebre sorda se ha apoderado de todos los que yugan en esta población. (p. 155)

Além disso, observamos novamente o fascínio popular pela possibilidade de ascensão social e pertencimento à classe burguesa e compartilhamento dos hábitos sociais deste estrato social:

La esperanza de enriquecerse mediante uno de esos golpes de fortuna con que el azar le da en la cabeza a un desdichado, convirtiéndolo, de la mañana a la noche, de carbonero en el habitante perpetuo de un Rolls-Royce o de un Lincoln. Fiebre que se transforma en sucripciones en todas las oficinas; fiebre que se contagia a los hombres reposados y a los entendimientos fosilizados; fiebre que empieza en el botones más insignificante y termina, o culmina, en el presidente de cualquier XX Company.

Es de lo más curioso esta sugestión colectiva. Durante todo el año se juega a la lotería, pero nadie se preocupa. Los aficionados al escolazo legal, van y compran su billetito sin decir oste nimoste; a lo más, en la oficina, a la hora del té, largan esto, como quien no quiere la cosa: Hoy me jugué un quinto, para ver si consigo pagarle al sastre, o hacerme un traje.Y usted puede observar que el aficionado no espera sacar una fortuna, sino que limita sus más extraordinarias ambiciones a ganarse unos doscientos pesos, convencido de que nunca saldráde ese riel de mishadura en la que lo colocó su destino arruinado. (p. 155)

Em ―Aristocracia de barrio‖, observamos a expressão do olhar arltiano ao flanar sobre a cidade e presenciar uma discussão entre un caballero e una pantalonera:

La otra mañana he asistido a una escena altamente edificante para la moral de todos los que la contemplaban.

Un caballero, en mangas de camiseta, y una carga de sueño en los ojos, atraillando a tres párvulos, discutía a grito pelado con una pantalonera, mujercita de pelo erizado, y ligera de mano como Mercurio lo era de pies, y digo ligera de manos, porque la pantalonera no hacía sino agitar sus puños en torno de las narices del caballero en camiseta.

Para amenizar este espectáculo y darle la importancia lírico- sinfónica que necesitaba, acompañaban los interlocutores su discusión de estas palabras que, con mesura, llamamos

gruesas, y que forman parte del lenguaje de los cocheros y los motormans irritados.

Por fin el caballero de los ojos somnolientos, agotado su repertorio enérgico, recurrió a este último extremo, que no pudo menos que llamarme la atención: Dijo:

– Usted a mí no me falte el respeto, porque yo soy jubilado. (p. 179)

E Roberto Arlt continua a expressar criticamente sua opinião acerca deste prestigio social a que nem todos tinham têm acesso, porém muitos consideravam de extrema relevância social, no que diz respeito ao status concedido pela condição de jubilado65:

Es indiscutible que el nuestro es un país de vagos e inútiles, de aspirantes a covachuelistas, y de individuos que se pasarían la existencia en una hamaca paraguaya, pues este fenómeno que se observa claramente en los comentarios que todas las personas hacen, cuando hablan de un joven que está empleado:

– Ah, tiene un buen puesto. Se jubilará. (...)

De allí el prestigio que tienen en las familias los llamados empleados públicos. (p. 179)

Nas crônicas ―La decadencia de la receta médica‖ e ―La tragedia del hombre honrado‖, é notória a crítica feita por Roberto Arlt quanto à pequenez do pensamento burguês presente no imaginário de parte da sociedade portenha da época. Na primeira crônica, Arlt critica e ironiza o status – ou o

poder simbólico – atribuído aos que atuam em profissões ―respeitáveis‖ como

médicos, advogados, farmacêuticos e outros. Já em ―La tragedia del hombre honrado‖ Arlt expressa ironicamente a manutenção de valores burgueses através da constituição de uma família, filhos e uma aparente convivência familiar harmoniosa:

65 Aposentado.

¡Era linda, antaño, la vida de farmacéutico! Era linda y productiva. Bastaba tener un pozo de agua, ser amable, curanderesco y taimado, para llenarse la bolsa de patacones auténticos.Tengo simpatías por los farmacéuticos. Son gentes que tienen conocimientos para poder fabricar bombas de dinamita, que a veces se ocultan bajo una pastilla de menta; y ello me merece un profundo respeto. Pues bien, en la actualidad, todo esa gente está de capa caída. (...) La profesión ha sido muerta por el específico. Hoy, ningún médico receta preparados que, con razonable ganancia, se podrían confeccionar en la farmacia. Todos administran específicos, remedios que ya vienen preparados.

(La decadencia de la receta médica, p. 131)

Todos los días asisto a la tragedia de un hombre honrado.

Benzer Belgeler