2.4. Uygulamalı Analiz Sonuçları
3.1.3. Reel Faiz Paritesi Yaklaşımı
Este tem como finalidade registrar as considerações apresentadas pela banca examinadora durante análise deste trabalho, trazendo-nos duas questões: 1) o número reduzido de profissionais que apoiaram a pesquisa; 2) a análise da prática do psicólogo numa perspectiva teórica.
Em relação a primeira questão apresentada, cabe ressaltar, a observação da banca examinadora quanto a subdivisão dos participantes conforme a especificidade da unidade e respectivo regime prisional,218 comprometendo o número reduzido da amostra e a generalização dos resultados. Observado ainda que, para a análise dos dados, devemos considerar a variável da fragamentação da administração no sistema prisional, caracterizada pelas diretrizes personalistas de cada dirigente na respectiva unidade prisional, apesar da
prescrição organizacional de âmbito regional, estadual e nacional, .
A prática profissional apresentada na Tabela 15, resulta da análise das respostas dadas pelos profissionais que apoiaram a pesquisa, porém não exclusivamente, pois nos baseamos nas legislações vigentes, bibliografias de referência e nos encontros de profissionais da área, promovidos pelo sistema conselhos da classe. Encontros estes, acompanhados pessoalmente e/ou através dos registros das discussões realizadas sobre a prática do psicólogo no sistema prisional nacional e do Estado de São Paulo, no período de 2004 a 2007.
As questões anteriormente destacadas e as dificuldades encontradas durante a pesquisa, levaram-nos a refletir sobre os possíveis motivos que orientaram a não participação do psicólogo na pesquisa desenvolvida, silêncio este, para o qual, apresentamos as seguintes considerações:
218
1. Desinteresse pela proposta da pesquisa e pela discussão;
2. Forma de abordagem do público alvo, que buscamos aperfeiçoar, durante o desenvolvimento da pesquisa e mediante a ausência de resposta;
3. Questionário complexo e abrangente, o qual foi reduzido buscando manter o foco e a objetividade da questão em estudo. Contudo, excetuando-se cinco casos, não registramos outras manifestações de crítica à pesquisa, negativa ou
promessa de apoio, fatos que indicam-nos a opção pelo silêncio;
4. O difícil acesso e a indisponibilidade de participação dos profissionais que atuam em instituições totais, conforme apontado no capítulo dez, item seis; 5. As difíceis condições de trabalho frente a realidade do sistema prisional,
conforme apontado no capítulo anterior, item quatro;
6. O desprestígio da função de psicólogo do sistema prisional pela legislação, desencadeando o abalo da imagem profissional;
7. A ausência de objetividade e clareza da função do psicólogo apontado pela legislação de referência;
8. O enfrentamento do preconceito social à questão prisional;
9. O enfrentamento do preconceito à profissão, por vezes, “o preconceito do próprio colega da área” 219 de Psicologia;
10. Invisibilidade profissional em função do desprestígio da função ; 11. Descrédito e descrença na profissão pelo próprio profissional;
Podemos levantar inúmeras considerações referentes ao silêncio expresso dos profissionais em questão, considerações que nos auxiliariam na compreensão e análise deste
219
trabalho. Porém, acreditamos que estas questões devam ser discutidas e validadas junto ao público alvo deste trabalho, o que demanda a continuidade dos estudos e a redefinição do escopo da pesquisa.
Conforme apontado pela banca examinadora, poderíamos considerar a prática profissional em estudo, como um fenômeno ilusório, o qual não se deixa medir e desvelar, traduzindo-se numa prática fragmentada e circunstancial. Ponderação que vem ao encontro e complementa o apresentado no capítulo conclusivo, item três, com referência as diferentes atribuições do psicólogo, respectivos objetivos e diversos sujeitos, o que pressupõe a necessidade de priorizar ações, objetivos e sujeitos, conforme interesses e possibilidades do prórpio psicólogo e outros profissionais que atuam no sistema prisional.
Cabe-nos registrar, que no período de elaboração deste Epílogo, tomamos conhecimento dos resultados sobre a investigação preliminar sobre a atuação do psicólogo brasileiro no sistema prisional, pesquisa de âmbito nacional, realizada pelo Conselho Federal de Psicologia e o Ministério da Justiça – Departamento Penitenciário Nacional (Depen), iniciada em 2004, e citada anteriormente neste trabalho.
Os resultados apresentados pelo relatório intitulado - Diretrizes para atuação e formação dos psicólogos do sistema prisional brasileiro220, tem como base a análise de 408 questionários respondidos221 pelos estados das cinco regiões do país. Dentre estes estados destacamos a elevada participação de São Paulo, com ocorrência de 106 questionários respondidos, dentre o universo de 146 unidades que compõem o sistema prisional paulista.
Os resultados apresentados pela referida pesquisa aproximam-se, significativamente, dos resultados apresentados neste trabalho, conforme indicamos, a seguir:
220
Ministério da Justiça – Departamento Penitenciário Nacional e Conselho Federal de Psicologia. Diretrizes para atuação e formação dos psicólogos do sistema prisional brasileiro, Brasília, 2007.
221
É possível observar atividades comuns em cada grupo, como atendimento individual, atendimento em grupo, palestras, orientações e acompanhamento psicológico para os funcionários do sistema prisional, suporte aos recém-chegados na unidade e apoio à família, dentre outros.
As atividades relatadas são trabalhos de contato direto com os encarcerados e funcionários que com eles trabalham, para dar suporte psicológico às demandas do cotidiano, usando a Psicologia clínica como referência para a atuação profissional [...]
O suporte às demandas jurídicas, uma das atividades relatadas, é caracterizado pela emissão de laudos/pareceres psicológicos pautados em entrevistas, aplicação de testes psicológicos e observação comportamental dos presos para dar diagnóstico e prognóstico da sua situação, visando a subsidiar decisão judicial.
O que se pode concluir é que o psicólogo atuante no sistema prisional tenta adaptar o que aprendera em sua formação para esse contexto e, como conseqüência da falta de diretrizes, tem dificuldades para intervir de forma qualificada em toda a amplitude do seu campo de trabalho [...]
O segundo ponto investigado diz respeito aos projetos trabalhados nas unidades, tanto os que são típicos de atuação dos psicólogos quanto os que são compostos por equipe multidisciplinar.
As respostas que mais apareceram e que são atividades típicas dos psicólogos foram projetos referentes a atendimento psicoterápico, triagem, aplicação de testes psicológicos, desenvolvimento de habilidades sociais, acompanhamento às famílias dos presos e suporte aos filhos menores de idade dos detentos das penitenciárias femininas.
Os projetos relacionados às atividades multidisciplinares englobam trabalhos de orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis, questões de dependência com relação ao álcool e às drogas, trabalhos de especialização e desenvolvimento de atividades profissionais, alfabetização, ressocialização, qualidade de vida, oficinas de arte, atividades religiosas e estudos de casos. (MJ - Depen e CFP, p. 92 e 93, 2007) 222
222
Cabe destacar, que na pesquisa realizada pelo MJ – Depen e CFP, “os respondentes não foram, necessariamente, psicólogos, o que pode ter ocasionado distorções no conjunto de respostas, [...] Essas ressalvas não interferem decididamente nos resultados, e podemos considerar a pesquisa válida para uma investigação preliminar sobre a atuação do psicólogo brasileiro no sistema prisional” 223.
À segunda questão apresentada pela banca examinadora - a análise da prática do psicólogo numa perspectiva teórica, destacamos a análise e sistematização dos dados, conforme apresentado na Tabela 16, onde identificamos os objetivos de determinadas práticas e respectivos sujeitos de atenção.
Acreditamos que a análise da prática profissional em questão, medinate as referências teóricas que embasaram este trabalho, deva ser realizada e subsidiada pelo exame criterioso e imprescindível, de cada ação do psicólogo, respectivo objetivo e sujeito de atenção. Indicamos assim, a ciência e importância da necessidade de continuidade de estudo do tema proposto, sendo limitado por hora, visto o escopo e o tempo dado à esta pesquisa.
Cremos que esta pesquisa, dada a conhecer a prática do psicólogo no sistema prisional do Estado de São Paulo, não esgota-se nas considerações e resultados apresentados até aqui, sendo necessária a contínua discussão desta prática pelos profissionais, pela academia e instituições afins, na superação dos desafios que se apresentam pelos estudos elaborados, principlamente no tocante a metodologia.
Cientes dos limites de generalização dos dados apresentados, acreditamos que este estudo, de caráter exploratório, cumpriu seu objetivo original, quando apresenta ao leitor, com o apoio de diversas fontes, a prática do psicólogo no sistema prisional do Estado de São Paulo, pesquisa esta que traz luz a um tema, ainda, pouco explorado.
223