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4.5.4. Redüksiyon ürünlerinin SEM\EDS ve XRD analizleri

Cabe destacar que o grande passo da Rede Globo para consolidar audiência, acontece com a concretização do tripé “modernização tecnológica das comunicações; impacto de um período de estabilização econômica e, por assim dizer, da nacionalização da emissora”, segundo concluem Borelli e Priolli. Os autores se remetem ao assunto do acordo que a rede Globo fez com o grupo norte- americano Time-Life com um dos passos dados pela empresa para a “nacionalização" que para eles acontece quando Roberto Marinho, o dono das organizações Globo, se vê forçado a romper com a sociedade de capital estrangeiro por conta do escândalo Time-Life, “com a denúncia do que seria, para setores da opinião pública, uma perniciosa invasão estrangeira no campo das telecomunicações.” (BORELLI et PRIOLLI, 2000, p. 54)

O que gerou a polêmica foi a associação da Globo com o aporte de capital de cinco milhões de dólares para compra de equipamento. O site Globo Memória conta a história como a empresa gostaria que fosse entendida e diz que dois meses após a inauguração da TV Globo em 26 de abril de 1965, o então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, se baseou no artigo 160 da Constituição que “proibia a participação de capital estrangeiro na gestão ou propriedade de empresas de comunicação”33 para denunciar a empresa. Um processo foi aberto junto ao Contel (Conselho Nacional de Telecomunicações) acompanhado de uma ampla repercussão e critica social na imprensa da época. A partir do processo, e com um requerimento na Câmara dos Deputados, foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Segundo o site, Roberto Marinho depôs na CPI e

“afirmou que sempre respeitou a proibição de que estrangeiros fossem proprietários ou participassem da gestão de meios de comunicação (...) que dois contratos haviam sido firmados com o

33http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,5270-p-21890,00.html último acesso em 1º de março de 2013.

Time-Life, (...) um de assistência técnica, nos moldes de numerosos, de centenas, de milhares de contratos de assistência técnica que são estabelecidos com empresas brasileiras, até mesmo com empresas vedadas, como a Petrobrás, a qualquer capital estrangeiro. O outro contrato que achamos poder estabelecer foi uma conta de participação ‘joint venture’, que, como V. Ex.ªs sabem, é um contrato de financiamento aleatório, uma vez que não dá nenhum direito de direção ou de propriedade a uma empresa, apenas participando o financiador dessa empresa dos seus lucros e prejuízos”.34

Segundo o depoimento de Roberto Marinho, contrato com o grupo estrangeiro não dava o “direito de possuir ações de capital da TV Globo nem quaisquer direitos que as leis brasileiras atribuíam às ações de capital”35 Ao depoimento de Marinho, seguiu-se também o de Joe Wallach, consultor do Time-Life que trabalhava dentro da Globo e que garantiu ser “apenas um consultor, que dava ideias gerais de promoção, de assistência técnica e de compra de mercadorias. Ele disse não ter nenhuma responsabilidade sobre a parte financeira e nem sobre a programação da emissora.”36 O resultado da CPI foi um parecer desfavorável à Globo com a alegação de que os contratos em questão “feriam a Constituição, alegando que a empresa norte-americana estaria participando da orientação intelectual e administrativa da emissora.” Dois anos depois, em fevereiro de 1967, uma mudança na legislação no que se refere à concessões de telecomunicações criou novas restrições “aos empréstimos de origem externa e à contratação de assistência técnica do exterior.” Mas a Globo não foi diretamente afetada por esta decisão, uma vez que os contratos com o grupo Time-Life eram em 1962 e 1965 e a nova legislação não tinha efeito retroativo. No livro A Deusa Ferida, consta que o rompimento das organizações Globo com o capital estrangeiro só aconteceu em definitivo no ano de 1969 e que a empresa teria recebido em 1966 cerca de “cinco milhões de dólares para a montagem da infraestrutura da TV Globo.” (BORELLI et PRIOLLI, 2000, p. 54). E, segundo o site Memória Globo, em outubro de 1967, o consultor-geral da República, Adroaldo Mesquita da Costa, emitiu um parecer favorável à Rede Globo sobre o caso Globo/Time-Life. O consultor “considerou que não havia uma sociedade entre as duas empresas. A modalidade jurídica adotada não atribuía ao grupo norte-americano qualquer interferência na gestão da emissora e era legal na época da sua assinatura.”

34http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,5270-p-21890,00.html último acesso em 1º de março de 2013.

35 Idem 36 Ibidem

A Globo na sua busca por um modelo de empresa de telecomunicações e planos de expansão criou algumas e aproveitou outras oportunidades que estavam disponíveis no mercado e, independente do caráter de influência da ideologia norte- americana sobre a prática audiovisual na televisão brasileira – que diga-se de passagem sempre existiu, uma vez que as redes de televisão dos Estados Unidos sempre foram referência de tecnologia e de estética para a TV do Brasil – cresceu como empresa porque tinha profissionais com visão de mercado que acreditaram num projeto audiovisual brasileiro. O boom na venda de aparelhos receptores de TV no ano de 1968, como narrado em A Deusa Ferida, deu à emissora que tivesse maior alcance a liderança de audiência e essa empresa seria a Globo ao entrar em rede com o Jornal Nacional.

As vozes dos locutores Cid Moreira e Hilton Gomes liam o noticioso lido em tom cuidadosamente pensado, sem expressar crítica ou nenhuma outra reação, mas sempre emocionado e solene quando a situação pedia. A partir de 1971, com a saída de Gomes, a bancada do jornal passou a ser dividida entre Cid Moreira e Sérgio Chapelin – e sempre recebeu os aplausos pelo sucesso e as críticas de diversas naturezas, principalmente durante o governo militar sob acusações de ter uma apelo popular exacerbado. O telejornal também exibia uma “positivação da experiência da urbanização brasileira, com a valorização do cenário urbano como paradigma da modernização desejada.” (BORELLI et PRIOLLI, 2000, p. 54) E para demonstrar com mais ênfase a influência que o JN exercia sobre a nação brasileira e a soberania sobre os produtos de outras emissoras e redes de TV, os autores citam uma reportagem da Revista Imprensa de maio de 1994:

Na década de 70, o telejornal chegou a ter 80 pontos de audiência. Um massacre. Isso se explica pelas doces condições em que a Rede Globo cresceu durante os anos 70, transformando-se numa empresa quase monopolista. [...] Uma história do folclore político da ditadura ajuda a entender o peso do Jornal Nacional. O general-presidente Emílio Médici certa vez afirmou que gostava de chegar em casa e assistir ao Jornal Nacional, onde via o Brasil transbordando progresso, numa situação privilegiada em relação aos outros países, em que se viam guerras e confusões.” (BORELLI et PRIOLLI, 2000, p. 54)

O Jornal Nacional se tornou o pioneiro ao determinar uma certa padronização do jornalismo brasileiro principalmente no sentido estético – roupas dos apresentadores e repórteres; tom de leitura e apresentação; rigor na estrutura das

reportagens e na confecção dos textos, alguns dos itens fundamentais no chamado “Padrão Globo de Qualidade” do qual também faziam e fazem parte a qualidade técnica e tecnológica, até hoje indispensáveis no padrão da emissora. O jornal se fixou na grade de programação da Globo tornando-se assim um dos principais produtos audiovisuais da rede e colaborando para estabelecer o que já chamamos aqui de contrato afetivo com o telespectador, e uma relação normativa com o hábito de ver TV, um aspecto que sugere um estudo mais aprofundado tanto do produto quanto da sua inserção num projeto de rede televisiva. Por enquanto, este trabalho se dedica a olhar o lugar e a influência do JN na grade de programação. No estudo Muito Além do Jardim Botânico, sobre a audiência do Jornal Nacional entre trabalhadores, Carlos Eduardo Lins da Silva reproduz as palavras da Jay Epstein citando um vice-presidente (não identificado) de uma rede de TV norte-americana:

“Eu gostaria que todos os espectadores escolhessem o programa que mais o interessasse a partir de uma escolha entre todos os competidores; isto tornaria meu trabalho muito mais fácil. Infelizmente não é assim que as coisas funcionam; os hábitos de audiência são governados mais pela lei da inércia do que pela da livre escolha. A não ser que haja uma razão muito forte para trocar de canal, como uma final de campeonato, as pessoas continuam assistindo aos programas da emissora que elas sintonizaram em primeiro lugar.” (in EPSTEIN, 1974, p.93 apud LINS DA SILVA, 1985)

Benzer Belgeler