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2.2. Serbest Radikaller

2.2.1. Reaktif Oksijen Türleri

Fonte: Dados da pesquisadora

As situações de interação que contam com o manuseio de materiais são importantes para as crianças, ou seja, com objetos reais que lhes proporcionem a evolução, além de causar-lhes encantamento. Esta possibilidade surgida em qualquer ambiente, principalmente durante a passagem da criança pela creche ou pré-escola, com certeza é uma excelente condutora da aprendizagem da leitura e da escrita. E o contato com livros na Educação Infantil, principalmente os de literatura infantil, além de enriquecer as interações, sejam elas: entre pares, entre professor e criança ou entre crianças e o meio cultural faz com que surja o interesse e prazer em perceber ilustrações, características de um livro, além de conhecer a linguagem escrita e tudo que é artisticamente elaborado pela sociedade em que a criança está inserida.

A descrição abaixo, retirada do diário de campo, demonstra também como a presença do livro virou uma situação propícia para interagir.

Ao terminar a história, a professora entregou o livro para as crianças irem passando uma a uma sem saírem das cadeirinhas que estavam em círculo, mas não funcionou do jeito que se propunha, nessa hora, as trocas entre crianças foram intensas, elas não se aguentaram, levantaram-se e foram até a primeira criança que folheava o livro, afinal, era um livro para vinte crianças e as últimas não tinham paciência de esperar sua vez. Notei a empolgação da turma para ver as imagens contidas no livro e os diálogos eram constantes. Minha dificuldade foi registrar as falas de algumas duplas, pois havia muito barulho e inquietação (S5. L32 a L39).

Para Vygotsky (2010), desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades vão adquirindo um significado próprio em meio a um comportamento social, e o que acontece durante esse processo, é refratado através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto é promovido através de outra pessoa. Essa complexa estruturação que faz parte do ser humano é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social.

A presença do livro para a turma da creche foi de extrema importância, contudo, vale ressaltar que à medida que a criança interage com os objetos e com os outros, vai construindo relações e conhecimentos a respeito do mundo em que vive. A situação marcada pelo contato com livros infantis modificou o comportamento daquelas crianças, pois não dá para pensar numa turma passiva quando lhe apresenta algo que é de seu interesse, e isto leva ao desejo de conhecer e compartilhar com o outro.

3.1.5 Brincadeira: necessidade e oportunidade para interagir

Na teoria vygotskiana, o ser humano aprende por meio de um processo relacional. Vygotsky (1987) postula que o indivíduo desenvolve-se cognitivamente pelas trocas interpessoais estabelecidas nas e pelas interações entre sujeitos dentro de um mesmo contexto cultural, neste sentido, há a utilização de “ferramentas” e “signos” culturais capazes de fazer com que os sujeitos construam seu pensamento e desta forma se constituam com o auxílio do outro. Neste sentido, a brincadeira assume um papel de ferramenta muito importante entre pares, pois a criança passa a constituir-se numa situação social e necessária.

Para Wallon (2007, p. 58), “Não consegue brincar quem quer nem quando quer. São necessárias disposições e às vezes uma aprendizagem ou uma reaprendizagem”. A turma de creche demonstrava a todo o momento uma disposição para brincar e esta ação tornou-se

uma das situações onde mais se observava crianças interagindo, independente do momento proposto na rotina.

Pensou-se na brincadeira como uma das atividades que se tornava a razão daquelas crianças estarem na sala. A atenção para o que era proposto à turma se desviava junto com o desejo de brincar. Nota-se este fato na seguinte descrição:

E mais uma vez Denis tentou interagir novamente: observei-o pegando uma folha de papel em branco, depois ele saiu andando entre os colegas e pedindo que alguém fizesse um avião de papel para ele. Passou pela professora e ela disse que não sabia, então ele saiu zangado, digo, decepcionado, deu até vontade de chamá-lo para perto de mim e tentar ajudá-lo, mas uma colega maior do que ele chamou-o e resolveu fazer o avião. Foi incrível como Denis saiu feliz pela sala brincando com o avião de papel – um papel dobrado, um pouco amarrotado, mas para ele era um avião (S1. L104 a L110).

Sabe-se que a presença do adulto na vida de uma criança contribui significativamente para sua aprendizagem e desenvolvimento, mas a colaboração entre parceiros também dá uma contribuição grandiosa a ponto de modificar um comportamento, causar satisfação e alegria em ser compreendido por alguém. Denis, em seu desejo intenso de brincar, foi ajudado por outra criança a satisfazer sua vontade, ao mencionar uma criança maior do que ele, a intenção foi dizer “com mais habilidade”. Neste episódio, observa-se a interação com o adulto, no caso, com a professora, e a interação entre pares, no entanto, foi esta última que colaborou para que Denis vivenciasse uma situação de brincadeira.

Macedo (2005, p. 14) diz que “brincar é sem dúvida uma forma de aprender. Mas é muito mais do que isto, é experimentar, relacionar-se, transformar-se, negociar”. Para este autor, a brincadeira é uma aprendizagem social: aprende-se a brincar no convívio com os outros. Desta forma, os professores precisam respeitar o direito e o desejo de brincar da criança; além de perceber seus interesses, experiências de qualidade devem ser oportunizadas, estimulando as interações sociais para que a criança desenvolva-se integralmente.

A brincadeira servia para afastar a tristeza, mostrar a sensibilidade e viver intensamente um momento em grupo. Isto é possível visualizar na situação abaixo:

O jeito de Evando me chamou a atenção, ele e Denis foram até um menino que já fazia tempo que estava sozinho, sentado no chão e chorando. Evando pegou na mão desse colega e perguntou: “Tu quer brincar mais nós?” Com isto, o menino parou de chorar e foi brincar com os colegas correndo por toda a sala. Fiquei pensando na sensibilidade das crianças, isso era muito evidente, este sentimento estava presente sempre que alguém chorava, pois a iniciativa de se importar com o outro partia inicialmente das crianças. Acontecia tanta interação nesse momento que senti falta de uma filmadora, pois estava perdendo muitos episódios. De vez em quando eu ouvia a pergunta: “Vamo brincar, vamo?” (S4. L58 a L66).

Vygotsky diz que a função da brincadeira está em atender às necessidades da criança, as quais são entendidas de uma maneira ampla: “(...) inclui tudo aquilo que é motivo

para a ação” (VYGOTSKY, 2010, p.107). Ao atentar-se para duas crianças, chamadas Jonas e Andréia - foi possível notar que a brincadeira está presente em qualquer momento, até mesmo na hora de uma atividade chamada “tarefinha”, entregue pela professora:

No momento, apenas Jonas e Andreia faziam a tarefa juntos, eles brincavam com os lápis de cor, sorriam a todo instante e batiam um lápis no outro, além de se empolgarem com as cores. A dupla parava a tarefa e brincava do “sim e não” (Foto 9). Jonas gritava “sim!” e Andréia gritava “não!”, eles apressavam a voz, mexiam a cabeça rapidamente e depois trocavam de palavra, quem começou gritando “sim!”, agora gritava “não!”. Enquanto eles brincavam, as outras crianças iam embora. A brincadeira acabou depois que a professora disse a Jonas que sua mãe veio buscá-lo (S9. L42 a L48).

Benzer Belgeler