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Neste estudo foram determinadas quatro dimensões para o cálculo do índice técnico de eficiência do gasto social, no período de 2000 a 2007. Estas dimensões referem-se às áreas de educação, cultura, emprego, renda, saúde, saneamento, habitação e urbanismo.

Considerando a dimensão educação e cultura, observou-se ao longo do período analisado, que os valores mínimos de escores de eficiência demonstraram que a maioria dos municípios apresentou bons escores de eficiência (tabela 1), o que representou pouca disparidade entre os municípios. Estes resultados são explicados pelo fato de muitos municípios terem conseguido utilizar seus recursos promovendo

121 maior acessibilidade dos alunos de 0 a 25 anos às salas de aula, obtendo bons desempenhos nas provas de avaliação do ensino fundamental e médio e garantindo acesso dos estudantes à biblioteca. Embora, tenha ocorrido melhorias no provimento de serviços básicos de educação infanto-juvenil, ainda houve falhas na gestão e alocação dos recursos, demonstrando a necessidade de melhor desempenho da Administração Pública.

Tabela 1: Características descritivas para os escores de eficiência do gasto em educação e cultura.

Ano Variável Mínimo Máximo Média Desvio-padrão

2000 IEec 0,711 1,000 0,9044 0,0592 2001 IEec 0,619 1,000 0,9341 0,0563 2002 IEec 0,720 1,000 0,9230 0,0558 2003 IEec 0,691 1,000 0,9376 0,0501 2004 IEec 0,746 1,000 0,9234 0,0523 2005 IEec 0,762 1,000 0,9310 0,0519 2006 IEec 0,774 1,000 0,9191 0,0498 2007 IEec 0,609 1,000 0,9169 0,0582

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Nota: IEec = Indicador de eficiência em educação e cultura.

Considerando a amostra analisada, alguns municípios serviram de pares para os demais, ou seja, são aqueles que constaram como modelos a serem seguidos por municípios ineficientes. O percentual de “municípios referências”, municípios com escore igual a 1,0; está descrito na tabela 2.

Tabela 2: Percentual de municípios referencia quanto a eficiência do gasto em educação e cultura

(IEec), no período de 2000 a 2007.

Ano N° de Municípios Referência Percentual na amostra

2000 66 11,95% 2001 114 20,65% 2002 77 13,95% 2003 87 15,76% 2004 78 14,13% 2005 99 17,93% 2006 59 10,68% 2007 89 16,12%

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Embora não se tenha identificado uma tendência no comportamento do indicador de eficiência do gasto em educação e cultura, ressalta-se que a eficiência na alocação de recursos públicos é condição que pode melhorar a oferta de serviços públicos de qualidade e atendimento da população. Consequentemente, quanto melhor o indicador maior seria a probabilidade de superação das desigualdades, ampliação de oportunidades e melhoria na qualidade de vida nos municípios.

122 Para a dimensão saúde e saneamento notou-se altas médias nos escores, porém os escores mínimos são medianos (tabela 3), revelando maior disparidade na área de saúde e sanemaento do que para as áreas de educação e cultura. Ao considerar os investimentos em saúde e saneamento, verificou-se que uma parte dos municípios precisa melhorar sua eficiência quanto ao atendimento de questões de saúde e saneamentos básicos. Como por exemplo, casas que ainda não tem acesso à rede de saneamento sanitário e grande número de municípios que recorrem a pólos regionais para atender suas demandas quanto a realização de partos, causando congestionamento dos serviços de saúde básica nos pólos regionais.

Tabela 3: Características descritivas para os escores de eficiência do gasto em saúde e saneamento.

Ano Variável Mínimo Máximo Média Desvio-padrão

2000 IEss 0,511 1,000 0,9314 0,08365 2001 IEss 0,658 1,000 0,9500 0,06853 2002 IEss 0,679 1,000 0,9596 0,04972 2003 IEss 0,746 1,000 0,9405 0,06028 2004 IEss 0,724 1,000 0,9583 0,04919 2005 IEss 0,679 1,000 0,9423 0,06069 2006 IEss 0,797 1,000 0,9635 0,04231 2007 IEss 0,791 1,000 0,9768 0,03595

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Nota: IEss = Indicador de eficiência em saúde e saneamento.

O que explicou estas médias altas, foi a existência de muitos municípios modelos, isto é, que serviram como referências a serem seguidas pelos ineficientes (tabela 4). Assim, pode-se inferir que tem melhorado a alocação de recursos na área de saúde e saneamento, fato mais evidenciado no ano de 2007. Pois, para 46,19% da amostra analisada os gestores conseguiram atender as demandas básicas de saúde e saneamento, resolvendo problemas como garantir banheiros nas residências. Medidas como estas, reduzem o número de doenças, e contribuem para a melhoria das condições de vida da população local.

Tabela 4: Percentual de municípios referência quanto a eficiência do gasto em saúde e saneamento

(IEss), no período de 2000 a 2007.

Ano N° de Municípios Referência Percentual na amostra

2000 109 19,75% 2001 223 40,39% 2002 137 24,81% 2003 81 14,67% 2004 98 17,75% 2005 91 16,48% 2006 160 28,98% 2007 255 46,19%

123 Verificou-se aumento nas médias dos indicadores de eficiência nas áreas de educação, cultura, saúde e saneamento. Fato creditado ao atendimento eficiente das demandas de atenção básica em saúde, saneamento básico urbano, acesso dos alunos à educação e aprovação em exames para o ensino fundamental e médio.Segundo Rezende (2001) melhorias nestas áreas são essenciais para promoção do desenvolvimento humano no município.

Considerando a área de habitação e urbanismo, verificou-se grande disparidade entre os municípios. Fato devido a coexistência em um mesmo espaço geográfico de municípios com escores mínimos muito baixos ao lado de outros que apresentaram máxima eficiência(tabela 5). Neste contexto, nota-se que ainda há municípios carentes quanto ao acesso a água filtrada, bem como a coleta dos resíduos gerados.

Tabela 5: Características descritivas para os escores de eficiência do gasto em habitação e urbanismo.

Ano Variável Mínimo Máximo Média Desvio-padrão

2000 IEhu 0,189 1,000 0,8393 0,2236 2001 IEhu 0,193 1,000 0,8774 0,2154 2002 IEhu 0,187 1,000 0,9037 0,1877 2003 IEhu 0,247 1,000 0,9269 0,1582 2004 IEhu 0,192 1,000 0,9216 0,1752 2005 IEhu 0,286 1,000 0,9520 0,1243 2006 IEhu 0,333 1,000 0,9682 0,0881 2007 IEhu 0,355 1,000 0,9736 0,0729

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Apesar da constatação de municípios cuja alocação de recursos tenha violado os direitos humanos, também se apurou que as médias tem evoluído ao longo dos anos. Esta evolução possibilitou aferir que os requisitos mínimos para que as pessoas tenham melhores condições de moradia tem sido atendidos no planejamento de municípios. Na tabela 6 está demonstrada esta realidade, e, para 2007 a maioria dos municípios conseguiram atender as demandas locais, em que os gestores gastaram de forma eficiente os recursos destinados a habitação e urbanismo.

Tabela 6: Percentual de municípios referência quanto a eficiência do gasto em habitação e urbanismo

(IEhu), no período de 2000 a 2007.

Ano N° de Municípios Referência Percentual na amostra

2000 181 32,78% 2001 233 42,21% 2002 251 45,47% 2003 279 50,54% 2004 290 52,53% 2005 315 57,06% 2006 329 59,60% 2007 344 62,31%

124 A dimensão emprego e renda teve por objetivo avaliar se o município está desenvolvendo políticas que possam aumentar o nível de emprego, e, consequentemente melhorar a renda dos habitantes. Para este indicador constatou-se alta amplitude dos escores, o que representou grande desigualdade entre os municípios analisados (tabela 7). Verificou-se médias muito baixas para os municípios, situação que evidenciou a desigualdade de renda no Estado de Minas Gerais. Coexistem em um mesmo espaço geográfico municípios com indicadores de renda ínfimos e altíssimos. O nível de renda impacta diretamente as condições de vida da população quanto ao acesso a melhores condições de educação, saúde e moradia. Esta situação contribui para a precarização da qualidade de vida da população e concentração de renda por poucos extratos sociais, situação também observada nos estudos de Silva (2005), Lopes e Toyoshima (2001) e Souza (2007).

Tabela 7: Características descritivas para os escores de eficiência do gasto em emprego e renda.

Ano Variável Mínimo Máximo Média Desvio-padrão

2000 IEer 0,013 1,000 0,2821 0,1882 2001 IEer 0,013 1,000 0,3067 0,1869 2002 IEer 0,030 1,000 0,3149 0,1904 2003 IEer 0,030 1,000 0,3267 0,1904 2004 IEer 0,036 1,000 0,3138 0,1899 2005 IEer 0,024 1,000 0,3075 0,1801 2006 IEer 0,051 1,000 0,3003 0,1813 2007 IEer 0,047 1,000 0,2869 0,1739

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Nota: IEer = Indicador de eficiência em emprego e renda.

Corrobora a situação supracitada o fato de que pouquíssimos municípios foram considerados municípios de referência para os demais ineficientes (tabela 8). Para esta dimensão, observou-se que os municípios não tem alocado de forma eficiente seus recursos para aumentar o número de postos de trabalho. É preciso rever as políticas destinadas a inclusão social do indivíduo, para que se possa tentar diminuir a concentração da renda e aumentar a empregabilidade.

Tabela 8: Percentual de municípios referência quanto a eficiência do gasto em emprego e renda (IEer)

Ano N° de Municípios Referência Percentual na amostra

2000 8 1,44% 2001 2 0,36% 2002 3 0,54% 2003 3 0,54% 2004 2 0,36% 2005 3 0,54% 2006 4 0,72% 2007 3 0,54%

125 As dimensões habitação, urbanismo, emprego e renda exibiram grande disparidade para o Estado de Minas Gerais, corroborando as pesquisas de Lopes e Toyoshima (2001) e Silva (2005). Quanto as condições de infraestrutura básica para a habitação dos cidadãos apurou-se a maior média de evolução da eficiência na alocação dos recursos públicos, embora, ainda haja extratos populacionais com sérias carências que precisam ser supridas e demandem mais investimentos. Condições que segundo Martins e Luque(1999) podem reduzir as desiguldades sociais.

Constatou -se neste estudo que as difereças matemáticas entre as médias dos períodos analisados são estatisticamente significantes. Também, apurou-se que há associação entre elas, e, a partir da análise destas quatro dimensões foi possível construir um índice de eficiência técnica para os municípios mineiros, apresentado a seguir.

4.2. Análise da eficiência na alocação de recursos no Estado de Minas Gerais

Benzer Belgeler