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RAPORU HAZIRLAYANLAR VE SORUMLU DEĞERLEME UZMANLARI

A previsão genérica da contribuição ao Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT está prevista no inciso I, do artigo 195 da Constituição Federal e deve interpretada em conformidade com o princípio da equidade na forma de custeio, previsto no inciso V, do artigo 194, do texto constitucional.

Como devidamente estudado em capítulos anteriores, o Sistema de Seguridade Social se traduz na ideia de seguros privados, ou seja, a medida da contribuição ao sistema é diretamente proporcional ao acontecimento do evento danoso. Portanto, aquele contribuinte que gerar maior probabilidade de causar o risco social, deve aportar valores maiores aos cofres da Seguridade Social.

Vislumbra-se que a Seguridade Social, consagrando a máxima aristotélica, ou seja, tratando os iguais de maneira igualitária e os desiguais na medida de suas desigualdades. Tributa mais agressiva àquele contribuinte/empresa que em cuja atividade preponderante o risco de acontecimento de acidentes do trabalho seja considerada alto.

O legislador ordinário em respeito a esse princípio, instituiu o inciso II, do artigo 22 da Lei n. 8.212/91 alíquotas progressivas conforme a probabilidade da empresa gerar acidentes de trabalho a seus colaboradores, de (i) 1% (um por cento) determinada para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; (ii) 2% (dois por cento) para as empresas cuja atividade preponderante o risco é moderado; (iii) 3% (três por cento) para as empresas cuja atividade preponderante a probabilidade seja considerada grave.

74 O §3º do artigo 202 do Decreto n. 3.048/99 define como atividade preponderante aquela que na empresa ocupa o maior numero de segurados empregados e trabalhadores avulsos, conforme se verifica abaixo:

―§3º. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior numero de segurados empregados e trabalhadores avulsos‖.

O inciso II do artigo 22 da Lei n. 8.212/91 (Plano de Custeio da Seguridade Social) determina que a alíquota do SAT, se 1%, 2% ou 3% (um, dois ou três por cento), é definida pela atividade preponderante. A lei, não obstante a utilização da expressão, não definiu o seu conceito.

O artigo 202 do Decreto n. 3.048/99, sob pena de ilegalidade, manteve o mesmo critério legal para a identificação da alíquota do SAT. Essa norma, no entanto, definiu o conceito de atividade preponderante, compreendendo-a como a atividade que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos.

O inciso II do § 1º do artigo 72 da Instrução Normativa RFB n. 971/09 manteve o critério quantitativo para identificar a atividade preponderante, definindo-a como a atividade que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos. A norma administrativa, porém, incutiu outro dado, excluindo do cômputo da preponderância as atividades entendidas como aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa.

Observando essas regras, sobretudo a hierarquia e compatibilidade, podemos afirmar que a alíquota é definida pela atividade preponderante, assim entendida a atividade que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos.

A identificação da preponderância observa a atividade de forma isolada; dissociada do contexto em que ela é desenvolvida. A apreensão analisa a atividade como se fosse única, identificando a realidade profissional desenvolvida pelos trabalhadores.

75 A preponderância, portanto, não observa a atividade como uma profissão, tampouco como um instrumento econômico; a atividade é investigada a partir dos seus aspectos laborais, da realidade pragmática desenvolvida pelo trabalhador.

Não interessa à preponderância o conhecimento do cargo, da profissão ou da finalidade econômica da atividade desenvolvida; importa tão- somente o conhecimento das práticas desempenhadas na atividade analisada.

Completando a nossa definição, podemos conceituar a atividade preponderante como aquela prática laboral desempenhada pelo maior número de empregados e trabalhadores avulsos. A atividade econômica não abrange a atividade profissional, e vice-versa. São critérios diferentes de classificar o objeto comum.

Os decretos que regulamentaram o SAT – 612/91, 2.713/97 e 3.048/99 – tampouco a Lei n. 8.212/91 excluíram as atividades-meio do cômputo da preponderância. Essa exclusão decorre da Orientação Normativa INSS/AFAR n. 02/1997, reiterada na Instrução Normativa INSS/SRP n. 03/05 e na Instrução Normativa RFB n. 971/09 (vigente).

Sem embargo, o Superior Tribunal de Justiça - STJ já analisou em diversas ocasiões a legalidade dessa exclusão, concluindo pela ilegalidade:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO AO SAT. INSTRUÇÃO NORMATIVA 2/1997.

EXCLUSÃO DE EMPREGADOS DA ATIVIDADE-MEIO.

ILEGALIDADE. 1. O entendimento em relação à legalidade da

cobrança da contribuição ao SAT está consolidado no STJ, no sentido de que o decreto que estabeleça o que venha a ser atividade preponderante da empresa e seus correspondentes graus de risco - leve, médio ou grave - não exorbita de seu poder regulamentar. Precedentes do STJ. 2. O item 2.2.1 da Orientação Normativa 2/1997 ofendeu o princípio da legalidade, ao determinar a exclusão dos empregados que trabalham na atividade meio para verificação do grau de risco da empresa, uma vez que criou preceito não previsto

76 na Lei 8.212/1991, a qual disciplina o Seguro de Acidentes do Trabalho - SAT. 3. Agravo Regimental provido.34

TRIBUTÁRIO - SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) APLICAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. 1. É pacífica a jurisprudência

desta Corte no sentido de reconhecer a legitimidade de se estabelecer, por decreto, o grau de risco (leve, médio ou grave) para determinação da contribuição para o SAT, partindo-se da "atividade preponderante" da empresa. 2. A Lei 8.212/91, para efeitos da cobrança do SAT, estabeleceu alíquota mais elevada para aquelas empresas cuja "atividade preponderante" sujeitasse o maior número de trabalhadores a maior grau de risco de trabalho, nos termos das regras do Decreto 2.173/97. 3. Ilegalidade da Orientação Normativa 2/97, pela qual deve ser desconsiderado o número de trabalhadores da área-meio da empresa para fins da determinação da "atividade preponderante". 4. Recurso parcialmente provido.35

O STJ ainda não se manifestou expressamente acerca da legalidade da Instrução Normativa RFB n. 971/09, como já fizera em relação à Instrução Normativa INSS/SRP n. 02/97. Isso, no entanto, não implica maiores consequências, pois a conotação da regra da Instrução Normativa INSS/SRP n. 02/97 anulada pelo STJ é idêntica ao significado do enunciado da alínea b o inciso II do § 1º do artigo 72 da Instrução Normativa RFB n. 971/09:

Instrução Normativa RFB n. 971/09 Orientação Normativa INSS/AFAR n. 02/97

Não serão considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividades-meio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros;

Para fins de enquadramento não serão considerados os empregados que prestam serviços em atividades meio, assim entendida aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, como por exemplo: administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade,

34 BRASIL. Superior de Justiça. AgRg no Ag 1134164, DJU 24/09/2009. 35 BRASIL. Superior de Justiça. Resp. 323094, DJU 01/06/2006.

77 vigilância, dentre outros;

O enquadramento é realizando levando-se em consideração a individualização de cada estabelecimento, desde que tenha inscrição própria no CNPJ, entendimento este, que foi sedimentado pelo STJ na Súmula n. 351:

Súmula – 351 ―A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.‖