• Sonuç bulunamadı

3. YAPININ ĠLGĠLĠ AVRUPA STANDARTLARI UYARINCA

3.2 Yükler

3.2.2 Hareketli yükler

3.2.2.3 Rüzgar yükü

Após os estudos sobre o desenvolvimento moral elaboradas até aqui precisamos refletir, ainda, o que esperamos do processo educativo. Se desejamos formar pessoas aptas e qualificadas para atuar no mercado de trabalho, basta uma educação voltada para a instrução e para a capacitação técnica que reforce a competitividade e o individualismo. Entretanto, se desejamos formar pessoas melhores, autônomas, solidárias, necessitamos voltar nossos esforços para empreender uma educação formativa que aguce o “saber moral”.

Para Cortina, “a moral é um tipo de saber que pretende orientar a ação humana num sentido racional”. Essa “razão prática”, não é no entanto, uma “razão monológica, subjetiva”, mas sim “dialógica, intersubjetiva e comunicativa”. Sendo assim, na infância e na adolescência, a educação deve preocupar-se em auxiliar o desenvolvimento racional, capaz de orientar a ação no todo da vida, estabelecendo-se, através do diálogo, normas que beneficiem a todos os envolvidos. Nessa perspectiva “saber comportar-se moralmente significa dialogar a sério na hora de decidir normas, levando em conta que qualquer pessoa afetada por elas é um interlocutor válido e deve ser tratado como tal” (CORTINA, 2003, p. 21; 27).

Com essa compreensão, tentaremos esclarecer, na concordância com Cortina (2005, p. 171), em que poderia consistir uma educação moral voltada para a questão da dialogicidade. Em primeiro lugar defendemos que a educação moral deve ajudar o indivíduo a formar o seu caráter, de forma que possa ver-se como capaz de estabelecer projetos de auto-realização, sabendo que necessita contar com os outros para a realização dos mesmos. Precisamos então fortalecer o autoconceito e a auto-estima sem, entretanto, perder de vista a heteroestima.

Essa educação, em segundo lugar, precisa ajudar as crianças e adolescentes para que sejam capazes de esclarecer o que vem a ser a felicidade e o dever. A felicidade de cada um, enquanto realização pessoal, não deve obstaculizar a felicidade de todos os demais. O dever, no entanto, representa o que é exigido a todos, mesmo que entendam a felicidade de forma diferente. Respeitando-se o dever busca-se uma convivência possível. Não cabe aqui, então, qualquer determinação de um único modo de ser feliz, mas sim, buscar na escola “ensinar a deliberar bem sobre o que nos convém, e mostrar [...] que vale a pena fazer planos para poder enfrentar a vida com um elevado estado de espírito” (COTRINA, 2005, p. 172).

Além disso, nessa perspectiva, entendemos, ainda com Cortina, que em terceiro lugar, uma educação moral necessita estimular a participação comunitária e fortalecer a idéia do indivíduo, pertencente a uma determinada comunidade concreta. A sociedade nos leva a aprender a viver de acordo com as condições axiológicas herdadas que se manifestam nas normas sociais, nos costumes, e em outras formas de viver comunitárias. “Nesse sentido, a educação moral exige que se valorize essa dimensão comunitária, que configura, em primeiro momento, nossa própria identidade, enraizando os meninos e as meninas no húmus das tradições de sua comunidade particular” (COTRINA, 2005, p. 172).

Entretanto, finalizando, não basta apenas desenvolver nos educandos essa consciência comunitária solidária, mas, além dela, conduzi-los a uma “solidariedade

universalista”. Então, se pretendemos que nossos jovens caminhem para uma moral pós- convencional, que pede uma capacidade de universalização, devemos desde cedo ajudá-los a distinguir entre as normas comunitárias e os princípio universalistas. Como vimos, as pessoas que agem regidas por uma moral convencional estão fortemente presas às normas comunitárias, ao passo que aquelas que atingiram o nível pós-convencional questionam até mesmo as normas existentes, no momento em que sejam capazes de se colocar no lugar de qualquer outra pessoa (COTRINA, 2005, p. 172).

Em relação ao método15 adequado a uma educação que se pretenda moral,

este não poderia de forma alguma, pautar-se na doutrinação, uma vez que qualquer forma de doutrina não pode ser legítima numa sociedade pluralista como a nossa. Não poderia ser também, uma “pretensa assepsia axiológica”, uma vez que deixaria os educandos “desprovidos de critérios e de hábitos reflexivos que lhes permitiriam enfrentar os desafios éticos” que lhes apresentassem. Entre essas duas formas, porém, seria razoável e compatível com a teoria, na qual nos embasamos até aqui, buscar propostas que estimulem o diálogo. Essas propostas permitiriam, segundo Cortina, “aplicar uma ética formal ou procedimental” sem que com isso fosse necessária a renúncia a todo e qualquer valor moral, pois essa autora pensa que existem valores que não devem ser renunciados, nessa “sociedade democrática liberal”, os quais são: “o respeito profundo pelos ‘mínimos de justiça e os valores que os tornam necessários’, o anseio de desenvolver e exercer a ‘autonomia’ pessoal e o desejo de ‘auto-realização’ pessoal” (COTRINA, 2005, p. 173).

Com isso, finalizamos o capítulo fazendo algumas observações em relação à educação moral. Reiteramos que essa educação deve pautar-se no diálogo e não em qualquer forma de doutrinação. Para tanto, precisamos reservar, na escola, momentos para o diálogo que não vise a uma “mera negociação”, mas, que inclua uma argumentação racional em busca de “interesses universalizáveis”, entendendo que, dessa maneira, estaremos contribuindo para a formação de “personalidades morais”, aptas a atuar de forma mais acertada numa sociedade verdadeiramente democrática. Com efeito, precisamos ampliar nosso conceito de educação, visto que esse não pode mais limitar-se apenas ao caráter instrutivo, ou ainda ao caráter de preparação para o mercado de trabalho, mas sim, deve abranger, além da instrução, além da preparação para o mercado de trabalho; a formação humana em seu sentido pleno.

15 No capítulo seguinte, apresentaremos uma prática que se aproxima, não de um método, mas de uma forma dialógica de trabalhar a moralidade.

Benzer Belgeler