3. YENİLENEBİLİR ENERJİ KAYNAKLI HİBRİT GÜÇ ÜRETİM SİSTEMİ
3.3. Hibrit Güç Sisteminin Üretim Kaynakları
3.3.1. Rüzgâr güç üretim sistemi
3.3.1.2. Rüzgâr türbinleri
Muito se têm estudado os processos relacionados à redistribuição das atividades produtivas no Brasil, estando claro que estratégias locacionais têm sido implementadas pelas empresas situadas no país (CORRÊA, 1999; MOURA, 2003b; LENCIONI, 2011), contribuindo para acentuar as clivagens da divisão territorial do trabalho, na verdade, desintegrando o Brasil das grandes regiões e, sob uma política setorial corporativa (MOREIRA, 2004), atomizando o que Santos (2004, p. 304) denomina “espaços do mandar”,
55Na verdade, conforme Ibañez (2006), o que ficou conhecido como guerra fiscal, além dos incentivos tributários, como abatimento de impostos, notadamente baseados no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), também inclui incentivos territoriais, como a doação de terrenos, melhoria viária, acesso à rede elétrica, ou obras de terraplanagem, sempre financiados com dinheiro público. Não se trata de um fato novo, mas cuja prática foi acentuada nos anos de 1990. Especificamente em relação aos incentivos baseados no ICMS, convém ressaltar, entretanto, que não há consenso quanto ao papel exercido pela guerra fiscal sobre a distribuição das unidades produtivas no Brasil (BOTELHO, 2002). Embora, por algum tempo, a guerra fiscal possa ter representado um elemento que induziu à desconcentração espacial, ao longo dos anos de 1990 acabou se convertendo num importante fator de reconcentração da economia brasileira em direção ao Centro-Sul do país, conforme o BNDES (2000). Os autores desse último estudo explicam que no curto prazo, o Estado que deflagra a guerra fiscal pode até se beneficiar, mas no longo prazo, porém, a generalização do conflito faz com que os ganhos iniciais desapareçam, fazendo com que os incentivos fiscais percam seu poder de estímulo, transformando-se em meras renúncias de arrecadação. Continuando, mencionam que, em face da homogeneização potencial dos benefícios fiscais – já que quase todos os estados tem oferecido benefícios relacionados ao ICMS –, no longo prazo, “as empresas passam a escolher sua localização somente em função das condições de mercado e de produção, que incluem a qualidade da infra-estrutura e dos serviços públicos oferecidos e o nível de qualificação da mão-de-obra. Concomitantemente, com o aumento das renúncias fiscais, os Estados de menor poder financeiro perdem capacidade de prover serviços e a infra-estrutura de que as empresas necessitam para produzir e escoar a produção. As batalhas da guerra fiscal passam a ser vencidas somente pelos Estados mais desenvolvidos, que têm poder financeiro, sendo, por isso, capazes de suportar o ônus das renúncias e, ainda assim, assegurar razoável qualidade dos serviços públicos” (BNDES, 2000, p. 2).
paralelamente à difusão dos “espaços do obedecer”. Mas qual seria a intensidade dessa dinâmica redistributiva?
Mediante exercício matemático, tomando-se por base os dados de empregos e estabelecimentos formais existentes em 1995 e em 2005, nota-se que, de fato, a redistribuição espacial das atividades ocorreu em relação a todos os grupos de atividades – industriais extrativo, tradicional e tecnológico e também em relação ao grupo de comando do capital –, em maior ou menor intensidade.
Para que se chegasse a tais resultados, os dados municipais absolutos de empregos e estabelecimentos de 1995 foram convertidos em percentuais de participação relativa sobre os empregos e estabelecimentos existentes no Brasil nesse mesmo ano. Posteriormente, os empregos e estabelecimentos existentes no país, em 2005, foram redistribuídos com base no percentual participativo de 1995, resultando nos valores absolutos esperados caso os municípios tivessem conservado a mesma proporção, sobre o total nacional, de 1995. A diferença entre os empregos e estabelecimentos absolutos esperados para 2005 e aqueles realmente existentes resultam numa boa aproximação da redistribuição das atividades produtivas pelo território nacional. A Tabela 8 ilustra o procedimento descrito, destacando qual seria o efeito da redistribuição ao nível municipal.
TABELA8 – Ilustração do procedimento de cálculo da redistribuição das atividades produtivas. 1995-2005
Municípios hipotéticos
Empregos do grupo industrial tradicional Redistribuição dos empregos
1995 2005 2005 1995-2005
Absoluto Proporcional Absoluto Absolutoesperado Diferença entreesperado e real
E1A E1B E2 E3 (E3- E2) (E1B• ΣE2) Frei Damião 30 30% 35 39 4 Feitosa 30 30% 45 39 -6 Riacho Doce 20 20% 25 26 1 Nobre Senhor 15 15% 20 19,5 -0,5 Loures 5 5% 5 6,5 1,5 Santa Fé 0 0% 0 0 0 Total 100 100% 130 130 0
Chama-se atenção ao fato de que, como a diferença entre os empregos e estabelecimentos esperados e os realmente existentes em 2005 comportam tanto ganhos quanto perdas municipais, é previsto que seu somatório seja zero. Apenas os campos positivos devem ser computados para se chegar ao número de empregos ou estabelecimentos com localizações distintas daquelas onde se esperaria que estivessem caso a proporção distributiva equivalente a 1995 fosse mantida para 2005. Outro modo de se chegar a esses mesmos resultados seria elevar à segunda potência os campos municipais resultantes da diferença entre os dados esperados e reais, de modo a anular os valores negativos, extrair-se a raiz quadrada dos dados derivados e, finalmente, dividi-los por 2. O somatório dos dados finais revelaria a quantidade total de empregos ou estabelecimentos em outras localidades.
O motivo pelo qual tais procedimentos são necessários é simples. Supondo-se que uma pessoa estivesse empregada no município A em 1995 e, em 2005, essa mesma pessoa passasse a estar empregada no município B, significaria que o município A teria perdido 1 emprego em razão de seu deslocamento para o município B, que o ganhou, portanto. No fim, a perda anula o ganho, mas sabe-se que se está referindo à transferência de 1 emprego.
A questão que pode surgir, neste caso, diz respeito ao crescimento populacional diferenciado dos municípios brasileiros. Esclarece-se, porém, que, além de o crescimento populacional e o crescimento dos empregos e estabelecimentos, assim como o crescimento econômico, não estarem perfeitamente correlacionados, especialmente na escala local, o simples fato de terem se modificado as proporções municipais de empregos e estabelecimentos existentes no Brasil em 1995 e em 2005 já é o bastante para tratar da redistribuição, que não diz respeito aos dados absolutos, mas relativos, por excelência. Portanto, falar em redistribuição não implica falar em relocalização, significando apenas que, por algum motivo, no que respeita aos empregos e estabelecimentos, alguns municípios cresceram, ou decresceram, mais que outros, em termos proporcionais.
Como resultado do procedimento, constatou-se que 16,55% dos estabelecimentos e 20,91% dos empregos totais pesquisados se encontravam em localidades diferentes das esperadas, ou seja, haviam sido redistribuídos (Tabela 9).
TABELA9 –Brasil. Empregos e estabelecimentos municipais redistribuídos,
conforme os grupos de atividades propostos. 1995-2005
Grupos de atividades
Empregos Estabelecimentos
Total Redistribuídos Total Redistribuídos
(A) (B) B ÷ A (%) (C) (D) D ÷ C (%) Industrial extrativo 147.560 62.148,4 42,12 7.420 2.489,4 33,55 Industrial tradicional 4.724.968 951.839,1 20,14 239.833 37.400,3 15,59 Industrial tecnológico 1.283.373 269.309,1 20,98 33.334 6.516,2 19,55 Comando do capital 57.018 15.551,3 27,27 2.458 443,1 18,03 TOTAL 6.212.919 1.298.848 20,91 283.045 46.849 16,55
FONTE DE DADOS: RAIS (1995; 2005); Elaborado por Cleverson A. Reolon
Tanto em relação aos empregos quanto aos estabelecimentos, o grupo industrial extrativo foi o mais afetado. Dos pouco mais de 147 mil empregos existentes em 2005, mais de 62 mil, cerca de 42% portanto, estavam localizados em municípios diferentes daqueles onde se projetou que estivessem, ao passo que, em relação aos estabelecimentos, esse percental superou os 33%. Observa-se, no entanto, que os demais grupos de atividades também apresentam valores significativamente elevados quanto à proporção de empregos e estabelecimentos redistribuídos.
Se, por um lado, tais cálculos revelam ser expressiva a dinâmica espacial da reestruturação das atividades produtivas pesquisadas, não informa as características das implicações espaciais resultantes, ou seja, não é possível saber se os processos resultantes da redistribuição das atividades culminaram em concentração ou desconcentração espacial, no caso dos grupos industriais – extrativo, tradicional e tecnológico –, ou em centralização ou descentralização espacial, no caso do grupo de comando do capital. Para tanto, necessita-se lançar um olhar mais atento sobre as proporções e variações dos percentuais de participação de cada unidade territorial quanto ao total de empregos e estabelecimentos existentes no país. Destarte, são analisados tais dados, agregados, inicialmente, ao nível das unidades da federação brasileiras.