CHAPTER 3: MORALITY, JUSTICE, AND ECONOMIC FREEDOM: A COMPARATIVE
3.3. ON THE QUESTION OF ETHICS AND MORALITY
É oportuno inicialmente tecer algumas considerações sobre o que
consideramos representação neste trabalho. Carneiro (1999) observou, em um
estudo sobre as representações do conceito de nutrição vegetal, que diversos
termos são utilizados por pesquisadores para referir-se às explicações pessoais
utilizadas pela criança de forma a expressar a sua interpretação do mundo no qual
se insere. A autora encontrou pelo menos nove expressões empregadas para
designar essas explicações: schemata; teorias ingênuas; ciências das crianças;
esquemas conceituais alternativos, concepções espontâneas, conhecimentos
prévios, pré-concepções, concepções e representações.
Neste trabalho, o termo representação é utilizado com o sentido de
expressão da reinterpretação do que é percebido como realidade exterior e interior. Ela emana de uma prática social pois se constitui através da experiência que permite “la mise en place” do sistema cognitivo que a produziu e toma forma graças aos códigos verbais e não verbais onde a origem é também social. (MIGNE, apud CARNEIRO, 1999).
Embora a fotossíntese, como já expusemos na introdução desta pesquisa,
seja trabalhada com os alunos em diferentes níveis de complexidade, desde as
séries iniciais do Ensino Fundamental, verifica-se comumente entre os alunos a
diferentes aspectos, que podem constituir-se em obstáculos ao aprendizado deste
fenômeno.
Em vinte anos de prática docente, lecionando Biologia e Ciências nas redes
pública e particular de ensino, acumulamos vários exemplos das representações
sobre a fotossíntese e processos correlatos que acompanham o estudante
durante os anos de escolarização básica. Recentemente, lecionando a disciplina
Ensino de Ciências Naturais para alunos do curso Normal Superior, tivemos a
oportunidade de verificar que essas representações persistem mesmo naqueles já
cursando o Ensino Superior. Como muitos deles já se encontram em exercício
docente, essas podem ser reproduzidas também por seus alunos. Cabe citar aqui
algumas dessas representações referentes ao tema fotossíntese:
i. Durante o dia a planta faz fotossíntese e respira apenas à noite; ii. a fotossíntese purifica o ar porque a planta transforma o gás
carbônico em oxigênio;
iii. a fotossíntese é a respiração da planta;
iv. a planta respira gás carbônico.
v. a fotossíntese é a produção de energia pela planta.
Os exemplos citados assemelham-se aos apresentados por Souza (2000)
dentre os quais merecem destaque: a função da fotossíntese é purificar o ar para
o homem; a clorofila é uma espécie de fortificante; as folhas transformam luz solar
em vitaminas úteis; a função do Sol é exclusivamente calórica; alimentos das
plantas são o solo, a água e os fertilizantes absorvidos pelas raízes.
A análise desses exemplos mostra que essas representações envolvem
caso da respiração (i, iii e iv). Também notamos a fragilidade dos conhecimentos
acerca da nutrição vegetal, tópico que foi abordado nos trabalhos de Ozay e
Oztas (2003) com estudantes de idade entre 14 e 15 anos na Turquia e Kawasaki
e Bizzo (1999), com estudantes brasileiros de 5ª a 8ª séries do Ensino
Fundamental.
Metodologicamente, esses dois estudos se diferenciaram pela forma como os
dados foram coletados. Ozay e Oztas (2003) valeram-se de um questionário
composto por sete perguntas, que incluía tópicos como a importância da
fotossíntese, respiração, liberação de oxigênio, nutrição vegetal e autotrofismo.
Kawasaki e Bizzo (1999) realizaram entrevistas com uma média de 200 perguntas
por aluno, utilizando uma técnica que associa a busca pela explicitação e
compreensão das idéias dos estudantes à reflexão e reestruturação das idéias, no
transcorrer das entrevistas.
O ponto em comum entre os dois estudos, no entanto, foi mostrar que os
alunos apresentam pouco entendimento acerca de questões básicas envolvendo a
fotossíntese e os processos de nutrição vegetal, como: o papel essencial da
fotossíntese no ecossistema, que é visto apenas como um processo de trocas
gasosas; a realização de nutrição autótrofa pelas plantas; respiração ocorre com
os animais e a fotossíntese com os vegetais.
Recentemente, Barman et al (2006) empreenderam um estudo tendo como
participantes 2400 estudantes americanos e canadenses com diferentes níveis de
escolaridade básica (correspondendo ao Ensino Fundamental do primeiro ao
quarto ciclo e educação infantil, no sistema educativo brasileiro), no qual valeram-
evidenciar o que os estudantes sabiam sobre as plantas e seus processos de
nutrição. Como resultado sobre as necessidades das plantas para o seu
crescimento, os pesquisadores apontam que a tendência dos estudantes é atribuir
características humanas aos vegetais, o que os leva de certa forma a assumir que
o processo de nutrição do vegetal é semelhante à nutrição humana, ou seja, o
vegetal retira as substâncias necessárias ao seu crescimento prontas do
ambiente, sem considerar que o processo de fotossíntese está relacionado à
produção do alimento para o vegetal.
As representações evidenciadas nesses diferentes trabalhos podem ter
suas origens, ou estarem sendo reforçadas, por imagens presentes nos livros
didáticos, fato este que pode trazer dificuldades no processo de aprendizagem
da fotossíntese. Também essas dificuldades podem ocorrer em nível de
compreensão dos processos de transformação e transferência de energia
envolvidos nas reações da fotossíntese, bem como devido ao grande número de
reações, reagentes e produtos envolvidos no processo fotossintético. Além disso,
podemos citar o fato de os alunos não relacionarem a fotossíntese à produção de
matéria orgânica, e sim à liberação de oxigênio.
Outra dificuldade apresentada refere-se ao fato de os alunos não
associarem os conteúdos aprendidos em Química e Física aos fenômenos que
ocorrem no interior dos cloroplastos. Os estudantes possuem muitas informações
detalhadas sobre aspectos relacionados à fotossíntese, mas não possuem uma
visão geral e integrada de todo o processo (EISEN e STAVY, 1992). A
envolvidos no processo fotossintético, também se constituem em fatores que
dificultam a compreensão do fenômeno.
Kawasaki (1997) apresenta o resultado de pesquisas sobre a fotossíntese
realizadas por diversos autores (JOHNSTONE e MAHMOUD, 1980; FINLEY,
STEWART e YARROCH, 1982 e BARKER e CARR, 1989; WAHEED e LUCAS,
1992), que respaldam as afirmações anteriores ao ressaltarem que os processos
fisiológicos dos vegetais, nesse caso a fotossíntese, envolvem tópicos de difícil
compreensão pelos estudantes, dada a natureza complexa do tema, que envolve
a inter-relação entre vários conceitos necessários para a compreensão de
aspectos bioquímicos, fisiológicos, de troca de energia e ecológicos.
Tentando dar conta de toda essa complexidade, a maioria dos LD, tanto de
Ensino Fundamental quanto de Ensino Médio, utiliza textos descritivos
associados a imagens como forma de apresentação dos conteúdos, o que se
verifica também na abordagem do tema fotossíntese.
Dessa forma, reiteramos nossa crença na importância da imagem ser
explorada em todas as suas potencialidades. Para isso, é necessário que sejam
empreendidos estudos, como este que nos propomos realizar com esta pesquisa.
4.3 Pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de estratégias de ensino e