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A maioria das exposições promovidas foi acompanhada de palestras, cursos ou oficinas em que o artista visitante explicava sua proposta, compartilhava experiências, conversava com o público in- teressado, discutia questões relativas a linguagem artística e/ou meios que explorava, como já havia sido feito, por exemplo, no MAC/ USP e na EAV-RJ, o que demonstra o desejo de integrar o NAC/UFPB ao circuito.

Assim, por exemplo, Tozzi quando expôs Serigrafias (1979) no NAC/UFPB, além de participar de todas as etapas da produção/ montagem da exposição e proferir palestras, ministrou curso de se-

173 Ibidem. 174 Ibidem.

vivência com a arte, principalmente as crianças e estudantes169, já

que esta ação

em sua aplicação abrang[eu] diversos setores interdepartamentais da UFPB (Biblioteca Central, DAC [Departamento de Artes e Comunicação], Arquitetura etc.) e outras instituições, pois sua prática é feita com a participação de alunos do 1º e 2º Grau, crianças da comunidade, universitários e professores de Educação Artística, sendo totalmente voltado para a Arte Educação170.

Essa ação foi uma oportunidade para aumentar a presença da escola (professores e alunos) e das crianças no NAC/UFPB e apro- ximá-los do universo artístico contemporâneo, favorecendo a asso- ciação da arte com uma experiência lúdica e positiva.

Paralelo à exposição, o NAC/UFPB promoveu um encontro com Nitsche, os artistas locais, e professores e estudantes do Depar- tamento de Comunicação e Arte. Na ocasião, o artista paulistano falou sobre a ampliação dos suportes e materiais na arte contempo- rânea, debateu a proposta contida no seu trabalho e exibiu audiovi- sual sobre sua produção171.

O Núcleo também divulgou nos jornais locais entrevistas em que o artista explicava que A Bolha não pretendia “configurar nenhuma espécie de violência para com o artista local”172, ao contrá-

169 Esse trabalho foi originalmente concebido, a pedido da Pinacoteca do Estado de São Paulo, para homenagear o Ano Internacional das Crianças. Ver: A UNIÃO. A Bolha: uma descoberta de cor e forma. Jornal A União, João Pessoa, 16 mai. 1980. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

170 UFPB. Convênio UFPB – Pinacoteca do Estado de São Paulo. Assunto: Exposição A Bolha. João Pessoa, 1980, 2 f. Mimeografado. Fonte: Acervo NAC/ UFPB.

171 A UNIÃO. A Bolha: uma descoberta de cor e forma. Jornal A União, João Pessoa, 16 mai. 1980. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

172 Ver o NORTE. “A Bolha” continua em exposição no Núcleo de Arte Contemporânea. Jornal O Norte. João Pessoa, 30 mai. 1980. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

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de algumas pesquisas180. Dentre elas destaca-se Os anos 60: revisão

das artes plásticas na Paraíba, realizada em 1979 por Raul Córdula e Chico Pereira. Para sua realização, os artistas trabalharam duran- te um ano na coleta de materiais, “rebuscando jornais, procurando catálogos e revistas, conversando com artistas e pessoas que atua- ram naquele período, promovendo a localização de obras artísticas e suas reproduções fotográficas”181. Como resultado final, foi publica-

da uma monografia e promovida a exposição182, “de caráter informa-

cional e didático”183, Os anos 60: retrospectiva das artes plásticas da

Paraíba, com obras, documentos e fotografias.

Ao fomentar essa pesquisa, numa cidade em que, ainda hoje, raras são as atividades dessa natureza, o Núcleo apoiou a primeira tentativa de sistematizar e dar visibilidade a um importante perío- do da história das artes visuais no Estado, no momento em que se ob- serva uma dinamização da produção e do campo das artes plásticas, sobretudo por conta das atividades e ações fomentadas pelo Setor de Artes Plásticas da UFPB. Essa ação também demonstra um reco- nhecimento e respeito, por parte do Núcleo, às propostas e experiên- cias institucionais que o precederam, além de valorizar e dar visibi-

180 Nesse período também foram realizadas as pesquisas Estéticas espontâneas num centro urbano da Paraíba: o exemplo da casa, onde Paulo Sérgio Duarte – tomando como ponto de partida o estudo da fachada e iconografia do interior da casa popular paraibana – investigou o impacto do desenvolvimento socioeconômico na readequação do conceito de cultura popular; A Casa do Artista, de Antonio Dias, que consistiu na montagem de uma exposição na sede do NAC/UFPB e a edição do livro de artista Política: ele não acha mais graça no público das próprias graças e Pedra de Ingá, realizada por Raul Córdula, que consistia na decupagem e edição dos sinais paleolíticos da pedra de Ingá. A pesquisa foi realizada em parceria com os Departamentos de Historia e de Arquitetura da UFPB.

181 Ver LUCENA, Iveraldo. Apresentação. In: PEREIRA JR., Francisco; CORDULA, Raul. Os anos 60: revisão das artes plásticas da Paraíba. João Pessoa: MEC- Funarte/NAC-UFPB, 1979. p. 5. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

182 A mostra foi montada na sede do NAC/UFPB, ocasião em que foi lançada a monografia, indo, na sequência, para a Biblioteca Central da UFPB e depois para o Museu de Arte Assis Chateaubriand em Campina Grande.

183 Ver: NAC/UFPB (Org.). Almanac. João Pessoa: NAC/UFPB, Funarte, 1980. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

rigrafia para alunos da UFPB e artistas locais175. Do mesmo modo,

Tunga, quando da instalação de Sistema Dinâmico (1979), compôs e recompôs, com diferentes grupos, diversas versões do trabalho, além de conversar com o público e com os artistas locais. Também Miguel Rio Branco e Anna Maria Maiolino176 participaram de deba-

tes com estudantes, professores e artistas paraibanos177.

Do mesmo modo, Paulo Klein, na exposição Cidadão Klein, procurou “além do material mostrado e discutido com os frequen- tadores, motivar uma ação imediata que extrapolasse as possibi- lidades regionais para atingir o âmbito nacional, carente de pro- gramas e espaços que possibilitem a atuação de artistas das novas linguagens.”178 Já Hudinilson Jr., por ocasião da exposição 3NÓS3:

Intervenções Urbanas (1981), ministrou o curso Criatividade em Xe- rografia, durante o qual foi disponibilizado uma máquina xerox 3107 (Brasileirinha) para demonstrações técnicas e experimentações dos participantes179.

Ainda como parte das ações de formação, o Núcleo em par- ceria com a Funarte apoiou, no período de 1978 a 1979, a realização

175 NAC/UFPB. Serigrafias. Claudio Tozzi [Release]. João Pessoa, 1979. NAC/ UFPB, 20 abr. – 04 mai. 1979. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

176 Ver: A UNIÃO. Italiana abre exposição amanhã no Núcleo de arte. Jornal A União. João Pessoa, 24 abr. 1980. p. 4. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

177 NAC/UFPB. Relatório das Atividades desenvolvidas no período de 1979 a 1981. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

178 KLEIN, Paulo. Propostais. In: FOLHA DE SÃO PAULO. Arte-diálogo a partir de João Pessoa. Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 03 jun. 1979. Ilustrada, 5º Caderno, p. 63. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

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Nesse mesmo ano, o Núcleo promoveu o áudio-visual Ilha Anti-entrópica, concebido a partir de “pesquisas em torno da musi- calidade nordestina transportada para a forma eletro-acústica de música contemporânea” 189, cujo objetivo era “difundir na Paraíba a expressão e a pesquisa da música através dos meios e da linguagem atual”190.

Na tentativa de “aproximar a atividade literária contem- porânea da atividade de artes visuais”191, o NAC/UFPB realizou al- gumas ações voltadas para a literatura, caso do curso Análise do Discurso através da Literatura Brasileira dos anos 70 (1980), que em sua programação contemplou a mesa-redonda As artes plásticas e a literatura composta por Chico Pereira, Raul Córdula, Unhandeijara Lisboa192. Ainda nessa área, participou do V Congresso Brasileiro de

Teoria e Crítica Literária e do I Seminário Internacional de Lite- ratura, realizado, em Campina Grande, no período de 21 a 28 setem- bro de 1980, ocasião em que promoveu a Exposição Internacional de Arte Correio (acervo do artista Unhandeijara Lisboa) e participou de mesa-redonda sobre a arte postal193. Já em 1981, participou do I Seminário Nacional de Semiótica e Arte organizado pelo artista J. Medeiros na Universidade Federal do Rio Grande do Norte194, oca- sião em que seu coordenador participou da mesa-redonda Os objetos como processo de linguagem195.

189 Ver: NAC/UFPB. Ofício Nº 112/NAC/81. Fonte: Acervo NAC/UFPB. 190 Ibidem.

191 NAC/UFPB. Relatório das Atividades desenvolvidas no período de 1 jan 1980 a 10 jan de 1981. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

192 Coordenado pelos professores Sergio Castro Pinto e Ivaldo Bittencourt, o curso foi promovido no período de 5 a 22 de dezembro de 1981 no auditório do Departamento de Música. Ver os seguintes documentos: NAC/UFPB. Relatório das Atividades desenvolvidas no período de 1 jan 1980 a 10 jan de 1981 e NAC/ UFPB. Ofício NAC/01/81. Ver ainda O NORTE. Nac promove curso de texto contemporâneo. Jornal O Norte, João Pessoa 12 nov. 1980. Fonte Acervo: NAC/ UFPB.

193 NAC/UFPB. Ofício Nº 151. Fonte Acervo: NAC/UFPB.

194 NAC/UFPB. Relatório das Atividades desenvolvidas no período de Nov. 1978 a set. 1981. Fonte Acervo: NAC/UFPB.

195 Ver Oficio Nº 63/81.. Acervo NAC/UFPB.

lidade aos artistas e à produção plástica realizada na década de 1960. Percebe-se também uma tentativa de desenvolver ações que viabilizassem a aproximação das artes visuais com outras áreas. Em 1980, a parceria com o Teatro Lima Penante e com o Cine Clu- be Rui Guerra de Campina Grande184 resultou em sessões de cinema

russo, de realismo italiano, documentários franceses, ingleses e da produção nacional. Exibiram-se filmes dos cineastas Eisenstein, Vittorio de Sica, Mauro Bolognini, Vsevolod Pudovkin, Gustavo Dahl, dentre outros185, que tinham sido recentemente liberados pela

censura brasileira186.

A relação do artista plástico com a cenografia também foi debatida em ações promovidas com o Núcleo de Teatro Universitá- rio. Caso da exposição Cenografias e Adereços da Donzela Joana, com peças e esculturas cenográficas produzidas pelo artista Breno de Mattos para o espetáculo A Donzela Joana187. Na abertura da ex-

posição, foi exibido um super-8 sobre o processo de montagem e pro- movido debate – com o artista, o diretor e os atores – do qual partici- param estudantes e professores do Departamento de Comunicação e Artes da UFPB. Na ocasião, Mattos falou como se deu a parceria com o diretor Fernando Teixeira e como conceberam o cenário do es- petáculo compartilhando os conhecimentos de cada área. Também foram oferecidas visitas guiadas para os alunos do 1° grau188.

184 Ver O NORTE. Humberto D. Jornal O Norte. João Pessoa, 12 de ago. 1980. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

185 A esse respeito ver: NAC/UFPB. Ofícios Nsº 159/80, 164/80, 170/80,183/80. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

186 ALBUQUERQUE, O.L. de. Semana tem grandes filmes. Jornal A União, domingo 17 agosto de 1980. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

187 Espetáculo de Hermilo Borba Filho com direção de Fernando Teixeira (diretor da Divisão de Teatro da UFPB).

188 NAC/UFPB. Cenografia do teatro paraibano. Cenários de “A donzela Joana” de Hermilo Borba Filho. Cenógrafo Breno de Mattos. [Release]. João Pessoa, 1979. NAC/UFPB, 01 – 18 abr. 1979. Fonte: Acervo NAC/UFPB.

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zou, ainda, a exposição Arte-Paraibana 80, que contou com a partici- pação de 40 artistas plásticos da Paraíba201.

Portanto, é possível observar um empenho efetivo do NAC/ UFPB em promover ações e proposições artísticas que o estabele- cessem como um centro de formação, difusão e produção em arte contemporânea. Também percebe-se o esforço para que, por meio do envolvimento dos artistas locais e do público, esse processo fosse acompanhado de uma transformação das concepções e práticas ar- tísticas vigentes em João Pessoa.

Benzer Belgeler