O indicador de VCR é uma medida do desempenho exportador de um produto ou grupo setorial na pauta de um país relativamente ao seu desempenho na pauta mundial. Quando este valor for positivo, significa que o país apresentou vantagem comparativa em determinado produto, e quando for negativa representa desvantagem comparativa.
Ao realizar a análise do VCR com os produtos desagregados a três dígitos, para todo o período de 2000-2012, pode-se observar (Tabela 3.14), que dos 237 produtos exportados, o Brasil apresentou VCR positivo em 65 produtos. Estes 65 produtos, corresponderam por 68% da pauta exportadora, com taxa de crescimento anual das exportações (23,6%), maior que a taxa de crescimento mundial (10,4%) para este grupo de produtos. A Rússia foi a que apresentou menor número de produtos com VCR positivo (30), entretanto estes corresponderam a quase totalidade da pauta exportadora (88%) com taxas de crescimento também muito acima das taxas mundiais. A China e a Índia tiveram os maiores número de
produtos com VCR positivo, com respectivamente 91 e 83 produtos, com representatividade significativa na pauta exportadora de cada país e com taxa de crescimento acima das mundiais.
Tabela 3.14: Produtos com Vantagem Comparativa Revelada e suas Características: 2000- 2012
País N° de produtos exportados (Ag. 3 díg.) N° de produtos com VCR+ Participação na pauta exportadora dos produtos com VCR+ Tx de crescimento das X do Mundo do grupo com VCR+ Tx de crescimento das X p/ cada país do BRIC do grupo com VCR+ Brasil 236 65 68% 10,4% 23,6% Rússia 237 30 88% 14,4% 25,5% Índia 237 83 76% 9,6% 41,1% China 237 91 81% 8,3% 21,4%
Fonte: Elaboração própria, Comtrade (2013).
Tal resultado demonstra por um lado a maior concentração do Brasil e da Rússia em termos de produtos, ou seja, menor diversificação da pauta exportadora, com VCR positivo em um número reduzido de produtos e, por outro lado, a China e a Índia com maior diversificação na pauta exportadora, ou seja, vantagens comparativas em maior quantidade de produtos.
O resultado da Tabela 3.14 foi feito a partir da média para todo o período 2000-2012, e ao realizar a análise por períodos (2000-2002 e 2010-2012) o movimento característico para todos estes países foi de queda do número de produtos com VCR positivo, sendo em maior grau para o Brasil e a Rússia e em menor grau para a Índia e a China (Tabela 3.15). Por outro lado, mesmo com a diminuição de produtos com vantagens comparativas, a participação relativa de todos os países do BRIC na pauta exportadora destes produtos aumentou. Ou seja, estes países passaram por uma maior especialização de seus padrões de comércio no inicio do século XXI.
Tabela 3.15: Número de Produtos com VCR Positivo por Período e Participação Relativa na Pauta Exportadora
País/Período 2000-2002 2010-2012
N° de
Produtos Exportadora % da Pauta N° de Produtos Exportadora % da Pauta
Brasil 75 71% 57 74%
Rússia 41 85% 31 90%
Índia 80 81% 77 73%
China 94 79% 92 83%
A comparação dos produtos com VCR positivos vis-à-vis a taxa de crescimento anual das exportações mundiais para o período de 2000-2002 e de 2010-2012, permite avaliar se os países do BRIC obtiveram melhor desempenho exportador relativo no que tange a produtos de maior ou menor dinamismo em crescimento no comércio mundial. Verifica-se que os produtos para os quais os países do BRIC tiveram VCR positivo também tiveram aumento de crescimento em termos mundiais, de 8% para 12% para os produtos do Brasil, de 7% para 16% para o caso da Rússia, de 7% para 11% para o caso da Índia e de 6% para 10% para a China.
Tais resultados indicam que os países integrantes do BRIC apresentaram vantagens comparativas em produtos que tiveram maior dinamismo em crescimento no comércio mundial no segundo período em relação ao primeiro período.
Tabela 3.16: Taxa de Crescimento Anual das Exportações Mundiais dos Produtos com VCR+
2000-2002 2010-2012
Brasil 8% 12%
Rússia 7% 16%
Índia 7% 11%
China 6% 10%
Fonte: Elaboração própria, Comtrade (2013).
Diante disso, a pergunta que se faz necessária é: qual a qualidade dos produtos com vantagens e desvantagens comparativas? Para responder a tal questão, a próxima tabela refere-se ao VCR por grupos setoriais.
A aplicação deste indicador às exportações segundo intensidade tecnológica evidenciou a baixa qualidade estrutural do padrão de especialização do Brasil e da Rússia, a qualidade intermediária da Índia e a elevada qualidade estrutural do padrão de especialização da China. Além disso, observou-se a manutenção no período estudado destas características para o Brasil e a Rússia, ou seja, nestes anos esses dois países obtiveram um padrão de
especialização estático ou pouco dinâmico, mantendo os valores positivos e negativos do indicador de VCR nos mesmos grupos setoriais, positivos em Produtos Primários e
Manufaturas Baseadas em Recursos e negativo nos demais. Não obstante, os maiores valores negativos foram para Manufaturas de Alta Intensidade Tecnológica, com valores crescentemente negativos no período (-0,31 e -0,52 para o Brasil e -0,70 e -0,85 para a Rússia). Por outro lado, a China apresentou mudanças favoráveis, sendo que no inicio dos
anos 2000 apresentava VCR positivo em dois grupos setoriais (Manufaturas de Baixa e
Média Intensidade Tecnológica) e nos anos 2010-2012 obteve VCR positivo em três grupos setoriais (Manufaturas de Baixa, Média e Alta Intensidade Tecnológica) (Tabela 3.17).
Tabela 3.17: VCR do BRIC Segundo Intensidade Tecnológica de Lall: 2000-2002 e 2010- 2012
País Brasil Rússia Índia China
Triênios/Produto 2000-
2002 2010-2012 2000-2002 2010-2012 2000-2002 2010-2012 2000-2002 2010-2012 Produtos Primários 0,27 0,40 0,57 0,59 0,02 -0,08 -0,33 -0,62 Manuf. Baseadas em Recursos 0,31 0,42 0,13 0,27 0,34 0,45 -0,24 -0,27 Manuf. de Baixa Intens. Tecn. -0,13 -0,31 -0,55 -0,70 0,42 0,36 0,45 0,50 Manuf. de Média Intens.Tecn. -0,12 -0,10 -0,46 -0,50 -0,43 -0,12 -0,21 0,01 Manuf. de Alta Intens. Tecn. -0,31 -0,52 -0,70 -0,85 -0,58 -0,33 0,06 0,38
Fonte: Elaboração própria, Comtrade (2013).
VCR>0 VCR<0
Em resumo, as estruturas de VCR positivas e negativas foram de baixa qualidade e rígidas no período para o Brasil e para a Rússia, sendo que a China foi a única economia, dentre as quatro economias analisadas, que apresentou modificações em direção a melhor qualidade estrutural de suas vantagens. A Índia apresentou-se como um caso intermediário. Ressalta-se, mais uma vez, a necessidade do Brasil buscar vantagens nos setores mais intensivos em tecnologia assim como o fez a China.